Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 2 418726
IFSudesteMinas 2018Leia a crônica Brincadeira para responder à questão.
Brincadeira
Começou como uma brincadeira. Telefonou para um conhecido e disse:
- Eu sei de tudo.
Depois de um silêncio, o outro disse:
- Como é que você soube?
[5] - Não interessa. Sei de tudo.
- Me faz um favor. Não espalha.
- Vou pensar.
- Por amor de Deus.
- Está bem. Mas olhe lá, hein?
[10] Descobriu que tinha poder sobre as pessoas.
- Sei de tudo.
- Co-como?
- Sei de tudo.
- Tudo o quê?
[15] - Você sabe.
- Mas é impossível. Como é que você descobriu?
A reação das pessoas variava. Algumas perguntavam em seguida:
- Alguém mais sabe?
- Outras se tornavam agressivas:
[20] - Está bem, você sabe. E daí?
- Daí nada. Só queria que você soubesse que eu sei.
- Se você contar para alguém, eu...
- Depende de você.
- De mim, como?
[25] - Se você andar na linha, eu não conto.
- Certo
Uma vez, parecia ter encontrado um inocente.
- Eu sei de tudo.
- Tudo o quê?
[30] - Você sabe.
- Não sei. O que é que você sabe?
- Não se faça de inocente.
- Mas eu realmente não sei.
- Vem com essa.
[35] - Você não sabe de nada.
- Ah, quer dizer que existe alguma coisa pra saber, mas eu é que não sei o que é?
Não existe nada.
- Olha que eu vou espalhar...
- Pode espalhar que é mentira.
[40] - Como é que você sabe o que eu vou espalhar?
- Qualquer coisa que você espalhar será mentira.
- Está bem. Vou espalhar.
Mas dali a pouco veio um telefonema.
- Escute. Estive pensando melhor. Não espalha nada sobre aquilo.
[45] - Aquilo o quê?
- Você sabe.
Passou a ser temido e respeitado. Volta e meia alguém se aproximava dele e sussurrava:
- Você contou pra alguém?
- Ainda não.
[50] - Puxa. Obrigado.
Com o tempo, ganhou uma reputação. Era de confiança. Um dia, foi procurado por um amigo com
uma oferta de emprego. O salário era enorme.
- Por que eu? – quis saber.
- A posição é de muita responsabilidade – disse o amigo. – Recomendei você.
[55] - Por quê?
- Pela sua discrição.
Subiu na vida. Dele se dizia que sabia tudo sobre todos mas nunca abria a boca para falar de
ninguém. Além de bem-informado, um gentleman. Até que recebeu um telefonema. Uma voz
misteriosa que disse:
[60] - Sei de tudo.
- Co-como?
- Sei de tudo.
- Tudo o quê?
- Você sabe.
[65] Resolveu desaparecer. Mudou-se de cidade. Os amigos estranharam o seu desaparecimento repentino.
Investigaram. O que ele estaria tramando? Finalmente foi descoberto numa praia distante. Os
vizinhos contam que uma noite vieram muitos carros e cercaram a casa. Várias pessoas entraram na
casa. Ouviram-se gritos. Os vizinhos contam que a voz que se ouvia era a dele, gritando:
- Era brincadeira! Era brincadeira!
[70] Foi descoberto de manhã, assassinado. O crime nunca foi desvendado. Mas as pessoas que o
conheciam não têm dúvidas sobre o motivo.
Sabia demais.
VERÍSSIMO, Luís Fernando. Brincadeira In: Comédias da Vida Privada. Porto Alegre: L&PM, 1995, p.189-91. Adaptado.
O provérbio que melhor traduz a nova situação vivida pelo protagonista do texto é:
Questão 12 398897
IFSulDeMinas 2018MUSEU DE MEMES PRESERVA A MEMÓRIA DE ASSUNTOS QUE VIRALIZAM NAS REDES
Criado na UFF (RJ), projeto estuda a função social desse fenômeno da internet
Por Gabriel Toscano
RIO — Quando foi convidada para comentar a cerimônia do Oscar na Rede Globo, no ano passado, a atriz Glória Pires não poderia imaginar que viraria um meme no dia seguinte. Repetida por ela várias vezes, a frase “Não sou capaz de opinar” explodiu nas redes sociais e, ainda hoje, é lembrada com graça. A internet, no entanto, é constantemente renovada por temas que viralizam. Para preservar a memória e entender a função social desse fenômeno, em 2015, foi criado o Museu de Memes, projeto do curso de Estudos de Mídia, da Universidade Federal Fluminense (UFF).
O acervo está na página www.museudememes.com.br, que reúne histórias recentes e, acredite, anteriores à internet. As publicações explicam a origem e fazem uma pequena análise do contexto que viralizou. O site também tem artigos, entrevistas com donos de páginas famosas na internet e com pessoas que tiveram sua imagem envolvida em memes, como Eduardo Jorge, candidato à presidência na eleição de 2014.
Apesar da veia humorística, memes também têm função social e são usados em casos de denúncia e afirmação de identidade. Nos Estados Unidos, o movimento negro usou a hashtag #BlackLivesMatter [vidas negras importam, em tradução livre] para denunciar a violência policial. No Brasil, campanhas de empoderamento feminino também se tornaram virais recentemente. Entre elas, as divulgadas com as hashtags #meuprimeiroassedio, compartilhada por mulheres que relatavam experiências de assédio, e #meuamigosecreto, para denunciar, anonimamente, o comportamento machista de alguns homens.
“Esse tipo de conteúdo nos faz refletir. Esses memes que acabaram símbolos da luta feminista evocavam o lugar da mulher na sociedade”, explica Viktor Chagas, criador e coordenador do projeto #MUSEUdeMEMES desde 2011.
Diferentona (2015)

Esse meme teve origem no twitter. Irritada com pessoas que questionam se são as únicas a agir de determinada maneira, a usuária @nicesthing acabou criando um monstro. O que era para ser um simples desabafo teve mais de 21 mil retweets e, com suas variáveis, tornou-se figurinha fácil em publicações das redes sociais, dando origens a páginas como a “Diferentona”, no Facebook, que tem mais de dois milhões de curtidas e faz sucesso até hoje.
O Globo, 30/03/17. Adaptado. Disponível em: https://oglobo.globo.com/rio/museu-de-memes-preserva-memoria-de-assuntosque-viralizam-nas-redes-21104316. Acesso em: 22 ago. 2017.
Em “A internet, no entanto, é constantemente renovada por temas que viralizam”, os termos sublinhados podem ser substituídos, sem alterar o sentido da oração, por:
Questão 1 398850
IFSulDeMinas 2018Andar pelas ruas e ouvir um comentário obsceno sobre o seu corpo é um elogio? Ouvir uma cantada no ambiente de trabalho é algo natural? Ser “encoxada” no transporte público faz mesmo parte da rotina das grandes cidades? A resposta para todas essas perguntas é NÃO. Tudo isso é assédio sexual.
O que é assédio sexual?
O assédio sexual é uma manifestação sensual ou sexual, alheia à vontade da pessoa a quem se dirige. Ou seja, abordagens grosseiras, ofensas e propostas inadequadas que constrangem, humilham, amedrontam. É essencial que qualquer investida sexual tenha o consentimento da outra parte, o que não acontece quando uma mulher leva uma cantada.
Por que devemos denunciar o assédio?
Dizer não ao assédio é não aceitar mais que mulheres sejam vistas como objetos sexuais passivos ou como vítimas frágeis do poder dos homens. Dizer não ao assédio é afirmar que as mulheres podem e devem ter controle sobre a própria sexualidade. É mostrar que podemos igualar a voz e o poder da mulher na sociedade, é não submeter as mulheres aos papéis sociais tradicionais.
DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Chega de Fiu Fiu. 2014. Elaborado pela ONG Olga. Disponível em: . Acesso em: 23 ago. 2017. (adaptado)
O texto acima é recorte de uma cartilha distribuída gratuitamente no Estado de São Paulo. Com base nas características desse gênero textual, podemos dizer que sua função principal é:
Questão 16 395724
IFMT 2018/1
(fonte: cantinhooliterariososriosdobrasil.wordpress.com. Acesso em 15/09/2016)
A pergunta do personagem Armandinho, no último quadrinho do texto, deixa claro que, na opinião dele,
Questão 14 395722
IFMT 2018/1
(Disponível em universodetirinhas.blogspot.com.br. Acesso em 20/10/2014.)
O humor da tirinha ocorre por quê?
Questão 20 391393
IFMT 2018/2“[…] Há existir alguém que lendo o que eu escrevo dirá… isto é mentira! Mas, as misérias são reais.” (Carolina de Jesus).
Carolina Maria de Jesus foi uma das primeiras escritoras negras do Brasil. Descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, em abril de 1958, enquanto cobria a abertura de um pequeno parque municipal, Carolina foi vista de pé na beira do local gritando “Saiam ou eu vou colocar vocês no meu livro!”. Os intrusos partiram. Dantas perguntou o que ela queria dizer com aquilo. Ela se mostrou tímida no início, mas levou-o até o seu barraco e mostrou-lhe tudo. Ele pediu uma amostra pequena e correu para o jornal. A história de Carolina “eletrizou a cidade” e, em 1960, Quarto de Despejo, foi publicado. A tiragem inicial de 10 mil exemplares se esgotou em uma semana.
Logo suas obras ganharam o mundo. Tratando sempre de temas como a miséria, a situação do negro no Brasil e dos problemas sociais do Brasil, as obras de Carolina de Jesus até hoje vem sendo tema de debates e polêmicas, vencendo o ranço academicista e conservador de só ver arte naquilo que segue as fórmulas eurocêntricas.
(Fonte: http://notaterapia.com.br/2017/06/08/6-obras-de-carolina-de-jesus-para-download-gratuito/ )
As alternativas a seguir se referem ao texto sobre a escritora Carolina de Jesus. Apenas uma alternativa é INCORRETA, marque-a.
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