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Questão 8347765
COTUCA COTUCA 2022 Gerais 2022Leia o cordel* a seguir.
*Cordel é um gênero literário típico do nordeste brasileiro, trazido ao Brasil pelos colonizadores, frequentemente rimado, com origem em relatos orais e posteriormente impresso em pequenos folhetins que ficavam originalmente dependurados em cordéis (cordinhas). A literatura de cordel foi reconhecida, pelo Conselho Consultivo, como Patrimônio Cultural Brasileiro, em .
Quero apresentar-lhe agora
Os dois lados de uma terra.
Um lado, a pobreza encerra
O outro é belo por fora.
Um deles, o mundo adora,
Pois só fica no começo.
De nenhum dos dois esqueço
Trago dentro da memória.
Viajo na grande história
Dos dois Brasis que eu conheço.
O Brasil das verdes matas,
Das flores, das passaradas.
As noites enluaradas,
As suas frias cascatas.
Nas belezas que resgatas
Num Brasil que não tem preço
Bem melhor do que mereço
No meu Brasil encantado
Esse é o lado iluminado
Dos dois Brasis que eu conheço.
O Brasil que vive à margem
Fica escondido do mundo.
Bem dentro, quase no fundo
Distorcida a sua imagem.
Só quando chega a mensagem,
Pelo pranto reconheço
Que nele me fortaleço.
Nas ruas vários protestos.
Esse lado ganha os restos
Do outro Brasil que eu conheço.
Nesse Brasil esquecido
Tem esgoto a céu aberto
Tem a pobreza por perto
E não é nem parecido
Com aquele Brasil metido,
Belo e falso adereço,
Que quase não tem apreço
Pelos filhos dessa terra.
E embaixo e em cima da serra
Tem dois Brasis que eu conheço.
De um lado, a justiça ajuda,
Do outro, ela fere e mata.
A sorte de um magnata
Destoa do “Deus me acuda”.
E você jamais se iluda
Que bastará um tropeço,
Pois nesses versos que teço
Existe a verdade dura
A uma distância segura
Nos dois Brasis que eu conheço.
[...]
Em qualquer comunidade,
Longínqua periferia,
Onde um Brasil não iria,
Pra este é realidade.
Ilusão contra a verdade
Não há dúvida, esclareço.
Nossa gente não tem preço
E jamais esteve à venda.
Se quer melhorar, aprenda
Sobre os Brasis que eu conheço.
O texto tece uma crítica bastante ampla ao Brasil, ao abordar seus diversos aspectos e dividi-lo em dois. Escolha a alternativa que melhor analisa o texto.Transcrição de trecho do cordel declamado em Cadeira Poética. Declamação disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=L5VWyaCepGs&list=PLI3UJnbMl0iDSzKqOWcpZr2_NWtUYzumd&index=14. Acesso em 4 ago. 2021.
Questão 8347759
COTUCA COTUCA 2022 Gerais 2022Quando romantizar a vida dura de atletas vira um problema
FOTO: CARLA CARNIEL / REUTERS

Tatuagem do surfista brasileiro Ítalo Ferreira, medalha de ouro nos jogos de Tóquio
Medalha de prata na ginástica artística, Rebeca Andrade caminhava duas horas com os irmãos para poder treinar em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, quando sua mãe não tinha dinheiro para a condução dos filhos. Medalha de ouro no surf, Ítalo Ferreira usava tampas da caixa de isopor do pai, pescador, para pegar ondas em Baía Formosa, no Rio Grande do Norte.
As histórias de superação dos atletas brasileiros em Olimpíadas são recorrentes. E têm aparecido nos Jogos de Tóquio. Apesar de inspiradoras, elas trazem um problema: podem esconder a falta de investimento no esporte de base e também propagar a ideia de que basta esforço pessoal para subir ao pódio.
Neste texto, o Nexo debate o tema com Christian Dunker, psicanalista, professor do departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP e autor de livros como “Mal-estar, sofrimento e sintoma”, e com Marco Antonio Bortoleto, ex-atleta, professor da Faculdade de Educação Física da Unicamp e presidente da Comissão de Educação da Confederação Brasileira de Ginástica.
Na análise de Dunker, casos como os de Rebeca e Ítalo podem levar a uma percepção bivalente de que, por terem enfrentado dificuldades maiores, a vitória se torna ainda mais “maiúscula”.
"Eles tiveram que enfrentar os adversários externos, a realidade da competição. E os internos, da sua condição de origem, eventualmente a sua condição de gênero, de raça ou de classe. E aí você pode enaltecer que: basta o seu esforço. Qualquer um poderia também, certo? Não. A gente tem que ver que, para as grandes qualidades dela e dele, a gente tem uma quantidade grande de pessoas que tentam e não chegam lá. E não é por falta de esforço”, disse o psicanalista.
“Quando uma pessoa enriquece, logo se diz que ela saiu de uma família humilde. Por estarmos numa sociedade extremamente desigual, há buscas por mecanismos de ascensão social, e o esporte é um deles. E aí quem se torna um ídolo acaba disparador dessa vontade. E não é verdade. Medalha olímpica e ídolos não são para sempre”, disse.
Essa romantização é dura com os atletas que chegam ao topo e com os que traçam um caminho sem atingir o ápice, segundo Bortoleto. “O nosso romance com a sociedade pode ser curto. Tem ídolos que venderam medalha para sobreviver. Tem gente descartada a cada ciclo olímpico. Temos que celebrar, mas ter cuidado com as centenas de Rebecas que tentaram, mas não chegaram lá”, afirmou o ex-ginasta.
A descrição dos entrevistados é importante para a construção do argumento do texto principalmente porqueAdaptado de Isadora Rupp, 29 de jul. de 2021, Nexo Jornal. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2021/07/29/Quando-romantizar-a-vida-dura-de -atletas-vira-um-problema. Acesso em: 30 jul. 2021.
Questão 8347758
COTUCA COTUCA 2022 Gerais 2022Quando romantizar a vida dura de atletas vira um problema
FOTO: CARLA CARNIEL / REUTERS

Tatuagem do surfista brasileiro Ítalo Ferreira, medalha de ouro nos jogos de Tóquio
Medalha de prata na ginástica artística, Rebeca Andrade caminhava duas horas com os irmãos para poder treinar em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, quando sua mãe não tinha dinheiro para a condução dos filhos. Medalha de ouro no surf, Ítalo Ferreira usava tampas da caixa de isopor do pai, pescador, para pegar ondas em Baía Formosa, no Rio Grande do Norte.
As histórias de superação dos atletas brasileiros em Olimpíadas são recorrentes. E têm aparecido nos Jogos de Tóquio. Apesar de inspiradoras, elas trazem um problema: podem esconder a falta de investimento no esporte de base e também propagar a ideia de que basta esforço pessoal para subir ao pódio.
Neste texto, o Nexo debate o tema com Christian Dunker, psicanalista, professor do departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP e autor de livros como “Mal-estar, sofrimento e sintoma”, e com Marco Antonio Bortoleto, ex-atleta, professor da Faculdade de Educação Física da Unicamp e presidente da Comissão de Educação da Confederação Brasileira de Ginástica.
Na análise de Dunker, casos como os de Rebeca e Ítalo podem levar a uma percepção bivalente de que, por terem enfrentado dificuldades maiores, a vitória se torna ainda mais “maiúscula”.
"Eles tiveram que enfrentar os adversários externos, a realidade da competição. E os internos, da sua condição de origem, eventualmente a sua condição de gênero, de raça ou de classe. E aí você pode enaltecer que: basta o seu esforço. Qualquer um poderia também, certo? Não. A gente tem que ver que, para as grandes qualidades dela e dele, a gente tem uma quantidade grande de pessoas que tentam e não chegam lá. E não é por falta de esforço”, disse o psicanalista.
“Quando uma pessoa enriquece, logo se diz que ela saiu de uma família humilde. Por estarmos numa sociedade extremamente desigual, há buscas por mecanismos de ascensão social, e o esporte é um deles. E aí quem se torna um ídolo acaba disparador dessa vontade. E não é verdade. Medalha olímpica e ídolos não são para sempre”, disse.
Essa romantização é dura com os atletas que chegam ao topo e com os que traçam um caminho sem atingir o ápice, segundo Bortoleto. “O nosso romance com a sociedade pode ser curto. Tem ídolos que venderam medalha para sobreviver. Tem gente descartada a cada ciclo olímpico. Temos que celebrar, mas ter cuidado com as centenas de Rebecas que tentaram, mas não chegaram lá”, afirmou o ex-ginasta.
Dentre os parágrafos indicados a seguir, qual deles melhor sintetiza o texto como um todo?Adaptado de Isadora Rupp, 29 de jul. de 2021, Nexo Jornal. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2021/07/29/Quando-romantizar-a-vida-dura-de -atletas-vira-um-problema. Acesso em: 30 jul. 2021.
Questão 8347497
EMBRAER EMBRAER 2022 Gerais 2022A saudade tem tantos rostos. E silenciou lares tão diversos, de endereços nobres a casas muito humildes, sem água nem esgoto. É certo que os mais velhos são os mais vulneráveis. Mais de 70% das vítimas da covid-19 em Pernambuco tinham idade a partir dos 60 anos. Mas há perdas também na juventude. O marido de Mysleid, o motorista de aplicativo Djalma Ramos, tinha só 38 anos. Homem alto, forte, saudável, trabalhava 12 horas rodando pela cidade. Em um mês, as mortes diárias para o coronavírus cresceram de forma brutal. Foram duas, no dia 25 de março (2020), data do primeiro registro oficial. No balanço da última sexta-feira, o estado de Pernambuco já somava 30 óbitos contabilizados em 24 horas. Para cada uma dessas famílias, a dor extrapola a perda. Ela se potencializa, e isso é algo totalmente novo, na impossibilidade de viver o luto. Pelo menos da forma como sempre fizemos.
(Ciara Carvalho, “Quatro famílias relatam a dor de perder parentes para a covid-19”. https://jc.ne10.uol.com.br/pernambuco, 26.04.2020. Adaptado)

Nas passagens do texto “E silenciou lares tão diversos”, “são os mais vulneráveis”, “cresceram de forma brutal” e “a dor extrapola a perda”, os termos destacados significam, correta e respectivamente:(André Dahmer, “Não está nada acontecendo”. Folha de S.Paulo, 27.05.2021)
Questão 8347493
EMBRAER EMBRAER 2022 Gerais 2022A neutralidade das emissões de carbono até 2050 é considerada crucial para atingir o objetivo do Acordo do Clima de Paris de manter a temperatura global até 2 ºC (idealmente até 1,5 ºC) acima dos níveis pré-industriais. O número de países comprometidos com essa meta cresce a cada ano, mas as emissões de gases de efeito estufa também. Reduzir a lacuna entre retórica e ação exigirá esforços massivos e ampla coordenação entre os governos, o setor energético e os consumidores. A meta é difícil, mas, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), é factível.
Trata-se de uma meta ambiciosa. Basta lembrar que, em todo o mundo, 785 milhões de pessoas ainda não têm acesso _____ eletricidade e 2,6 bilhões não têm acesso _____ soluções limpas para cozinhar. Para garantir que a transição será inclusiva, as nações desenvolvidas precisarão fornecer recursos e tecnologias _____ em desenvolvimento. Estarão elas dispostas _____ arcar com esses custos" É possível garantir que elas não elevarão o preço da energia a níveis impraticáveis para os mais pobres, aumentando assim as desigualdades entre as nações ricas e pobres e entre as classes ricas e pobres dentro delas" São perguntas que deverão estar no centro das discussões de fóruns como a COP 26 (26a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática) da Convenção do Clima da ONU em novembro.
De acordo com a norma-padrão, as lacunas do segundo parágrafo do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:(Itinerário para a energia limpa. Editorial, https://opiniao.estadao.com.br, 05.06.2021. Adaptado)
Questão 8347492
EMBRAER EMBRAER 2022 Gerais 2022A neutralidade das emissões de carbono até 2050 é considerada crucial para atingir o objetivo do Acordo do Clima de Paris de manter a temperatura global até 2 ºC (idealmente até 1,5 ºC) acima dos níveis pré-industriais. O número de países comprometidos com essa meta cresce a cada ano, mas as emissões de gases de efeito estufa também. Reduzir a lacuna entre retórica e ação exigirá esforços massivos e ampla coordenação entre os governos, o setor energético e os consumidores. A meta é difícil, mas, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), é factível.
Trata-se de uma meta ambiciosa. Basta lembrar que, em todo o mundo, 785 milhões de pessoas ainda não têm acesso _____ eletricidade e 2,6 bilhões não têm acesso _____ soluções limpas para cozinhar. Para garantir que a transição será inclusiva, as nações desenvolvidas precisarão fornecer recursos e tecnologias _____ em desenvolvimento. Estarão elas dispostas _____ arcar com esses custos" É possível garantir que elas não elevarão o preço da energia a níveis impraticáveis para os mais pobres, aumentando assim as desigualdades entre as nações ricas e pobres e entre as classes ricas e pobres dentro delas" São perguntas que deverão estar no centro das discussões de fóruns como a COP 26 (26a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática) da Convenção do Clima da ONU em novembro.
As informações do texto permitem concluir que o caminho para se conseguir chegar à energia limpa(Itinerário para a energia limpa. Editorial, https://opiniao.estadao.com.br, 05.06.2021. Adaptado)
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