Questões de EFAF Português - Gramática
1.745 Questões
Questão 7 169295
IFPE 2013TEXTO 2
O Homem Nu
Ao acordar, disse para a mulher:
— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.
— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.
— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago.
Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.
Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:
— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.
Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro. Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares...
Desta vez, era o homem da televisão!
Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:
— Maria, por favor! Sou eu! Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão.
Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.
— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado. E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pelo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!
— Isso é que não — repetiu, furioso. Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.
— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:
— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu... A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:
— Valha-me Deus! O padeiro está nu! E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:
— Tem um homem pelado aqui na porta! Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:
— É um tarado!
— Olha, que horror!
— Não olha não! Já pra dentro, minha filha! Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiuse precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.
— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir. Não era: era o cobrador da televisão.
(SABINO, Fernando. O Homem Nu. Disponível em . Acesso em 10 de out de 2012.)
No trecho “— Maria, por favor! Sou eu!”, a vírgula
Questão 3 169110
IFS Itabaiana 2013Texto II
Passagem da noite
É noite. Sinto que é noite.
não porque a noite descesse
(bem me importa a fase negra)
mas porque dentro de mim,
no fundo de mim, o grito
se calou, fez-se desânimo.
Sinto que nós somos noite,
que palpitamos no escuro
e em noite nos dissolvemos.
Sinto que é noite no vento,
noite nas águas, na pedra.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Reunião. Rio de Janeiro. J. Olympio, 1969. p. 88.)
Qual das afirmações a seguir, referentes ao texto II, está correta?
Questão 1 169108
IFS Itabaiana 2013
Com base na leitura dos quadrinhos, marque a alternativa que não condiz com a mensagem.
Questão 16 169083
IFS Aracaju, Lagarto e São Cristóvão 2013Qual é a sentença verdadeira?
Questão 15 169082
IFS Aracaju, Lagarto e São Cristóvão 2013Em que alternativa a ausência do acento indicativo de crase mudará o sentido da frase?
Questão 13 169079
IFS Aracaju, Lagarto e São Cristóvão 2013
Texto 5:
[1] Era o esposo assaltante perigoso,
o mais famoso dentre os marginais,
porém, se ele era assim astucioso,
sua esposa roubava muito mais
[5] A ladra certo dia se sentindo
com sintoma e sinal de gravidez,
disse ao marido satisfeita e rindo:
- Eu vou ser mãe pela primeira vez!
Ouça, querido, eu tive um pensamento,
[10] precisamos viver com precaução,
para nunca saber nosso rebento
desta nossa maldita profissão.
Nós vamos educar nosso filhinho
dando a ele as melhores instruções
[15] para o mesmo seguir o bom caminho,
sem conhecer que somos dois ladrões.
Respondeu o marido: - Está direito,
meu amor, você disse uma verdade.
De hoje em diante eu procurarei um jeito
[20] de roubar com maior sagacidade.
Aspirando o melhor sonho de Rosa,
ambos riam fazendo os planos seus.
E mais tarde a ladrona esperançosa
teve um parto feliz, graças a Deus.
[25] "Ai, como é linda, que joinha bela!",
diziam os ladrões, cheios de amor,
cada qual desejando para ela
um futuro risonho e promissor.
Mas logo viram com igual surpresa
[30] que uma das mãos da mesma era fechada.
Disse a mãe, soluçando de tristeza:
- Minha pobre menina é aleijada.
A mãe, aflita, teve uma lembrança
de olhar a mão da filha bem no centro.
[35] Quando abriu a mãozinha da criança,
a aliança da parteira estava dentro.
ANDRADE, Cláudio Henrique Salles; SILVA, Nilson Joaquim da (orgs.). Feira de versos: poesia de cordel. São Paulo: Ática, 2004, p. 81.
Considere os versos a seguir:
I. porém, se ele era assim astucioso (verso 3);
II. precisamos viver com precaução (verso 10);
III. para nunca saber nosso rebento (verso11);
IV. de roubar com maior sagacidade (verso 20).
Substituem as palavras destacadas, sem alteração de sentido, respectivamente, as palavras
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