Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 13 10778339
IFMG 2018/1TEXTO
Pneu furado
O carro estava encostado no meio-fio, com um pneu
furado. De pé, ao lado do carro, olhando desconsoladamente para o pneu, uma moça muito bonitinha. Tão
bonitinha que atrás parou outro carro e dele desceu um
homem dizendo “Pode deixar”. Ele trocaria o pneu.
– Você tem macaco? – perguntou o homem.
– Não – respondeu a moça.
– Tudo bem, eu tenho – disse o homem – Você tem
estepe?
– Não – disse a moça.
– Vamos usar o meu – disse o homem.
E pôs-se a trabalhar, trocando o pneu, sob o olhar
da moça.
Terminou no momento em que chegava o ônibus
que a moça estava esperando. Ele ficou ali, suando, de
boca aberta, vendo o ônibus se afastar.
Dali a pouco chegou o dono do carro.
– Puxa, você trocou o pneu pra mim. Muito obrigado.
– É. Eu... Eu não posso ver pneu furado. Tenho que
trocar.
– Coisa estranha.
– É uma compulsão. Sei lá.
VERÍSSIMO, Luís Fernando. Pai não entende nada. Porto Alegre: L&PM, 1991.
A palavra “compulsão”, na fala do personagem, serve como uma
Questão 12 10778337
IFMG 2018/1Leia o texto abaixo para responder à questão.
TEXTO
A Foto
Foi numa festa de família, dessas de fim de ano. Já
que o bisavô estava morre não morre, decidiram tirar
uma fotografia de toda a família reunida, talvez pela úl-
[5] tima vez. A bisa e o bisa sentados, filhos, filhas, noras,
genros e netos em volta, bisnetos na frente, esparrama-
dos pelo chão. Castelo, o dono da câmara, comandou a
pose, depois tirou o olho do visor e ofereceu a câmara a
quem ia tirar a fotografia. Mas quem ia tirar a fotografia?
[10] – Tira você mesmo, ué.
– Ah, é? E eu não saio na foto?
O Castelo era o genro mais velho. O primeiro genro.
O que sustentava os velhos. Tinha que estar na fotogra-
fia.
[15] – Tiro eu – disse o marido da Bitinha.
– Você fica aqui – comandou a Bitinha.
Havia uma certa resistência ao marido da Bitinha na
família. A Bitinha, orgulhosa, insistia para que o marido
reagisse. “Não deixa eles te humilharem, Mário Cesar”,
[20] dizia sempre. O Mário Cesar ficou firme onde estava, do
lado da mulher. A própria Bitinha fez a sugestão mal-
dosa:
– Acho que quem deve tirar é o Dudu...
O Dudu era o filho mais novo de Andradina, uma
[25] das noras, casada com o Luiz Olavo. Havia a suspeita,
nunca claramente anunciada, de que não fosse filho do
Luiz Olavo. O Dudu se prontificou a tirar a fotografia,
mas a Andradina segurou o filho.
– Só faltava essa, o Dudu não sair. E agora?
[30] – Pô, Castelo. Você disse que essa câmara só faltava
falar. E não tem nem timer!
O Castelo impávido. Tinham ciúmes dele. Porque
ele tinha um Santana do ano. Porque comprara a câmara
num duty free da Europa. Aliás, o apelido dele entre os
[35] outros era “Dutifri”, mas ele não sabia.
– Revezamento – sugeriu alguém. – Cada genro
bate uma foto em que ele não aparece, e...
A ideia foi sepultada em protestos. Tinha que ser
toda a família reunida em volta da bisa. Foi quando o
[40] próprio bisa se ergueu, caminhou decididamente até o
Castelo e arrancou a câmara da sua mão.
– Dá aqui.
– Mas seu Domício...
– Vai pra lá e fica quieto.
[45] – Papai, o senhor tem que sair na foto. Senão não
tem sentido!
– Eu fico implícito – disse o velho, já com o olho
no visor.
E antes que houvesse mais protestos, acionou a câ-
[50] mara, tirou a foto e foi dormir.
VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
No trecho “Foi quando o próprio bisa se ergueu, caminhou decididamente até o Castelo e arrancou a câmara da sua mão” (l.29), a palavra em destaque introduz uma ideia de
Questão 11 10778323
IFMG 2018/1Leia o texto abaixo para responder à questão.
TEXTO
A Foto
Foi numa festa de família, dessas de fim de ano. Já
que o bisavô estava morre não morre, decidiram tirar
uma fotografia de toda a família reunida, talvez pela úl-
[5] tima vez. A bisa e o bisa sentados, filhos, filhas, noras,
genros e netos em volta, bisnetos na frente, esparrama-
dos pelo chão. Castelo, o dono da câmara, comandou a
pose, depois tirou o olho do visor e ofereceu a câmara a
quem ia tirar a fotografia. Mas quem ia tirar a fotografia?
[10] – Tira você mesmo, ué.
– Ah, é? E eu não saio na foto?
O Castelo era o genro mais velho. O primeiro genro.
O que sustentava os velhos. Tinha que estar na fotogra-
fia.
[15] – Tiro eu – disse o marido da Bitinha.
– Você fica aqui – comandou a Bitinha.
Havia uma certa resistência ao marido da Bitinha na
família. A Bitinha, orgulhosa, insistia para que o marido
reagisse. “Não deixa eles te humilharem, Mário Cesar”,
[20] dizia sempre. O Mário Cesar ficou firme onde estava, do
lado da mulher. A própria Bitinha fez a sugestão mal-
dosa:
– Acho que quem deve tirar é o Dudu...
O Dudu era o filho mais novo de Andradina, uma
[25] das noras, casada com o Luiz Olavo. Havia a suspeita,
nunca claramente anunciada, de que não fosse filho do
Luiz Olavo. O Dudu se prontificou a tirar a fotografia,
mas a Andradina segurou o filho.
– Só faltava essa, o Dudu não sair. E agora?
[30] – Pô, Castelo. Você disse que essa câmara só faltava
falar. E não tem nem timer!
O Castelo impávido. Tinham ciúmes dele. Porque
ele tinha um Santana do ano. Porque comprara a câmara
num duty free da Europa. Aliás, o apelido dele entre os
[35] outros era “Dutifri”, mas ele não sabia.
– Revezamento – sugeriu alguém. – Cada genro
bate uma foto em que ele não aparece, e...
A ideia foi sepultada em protestos. Tinha que ser
toda a família reunida em volta da bisa. Foi quando o
[40] próprio bisa se ergueu, caminhou decididamente até o
Castelo e arrancou a câmara da sua mão.
– Dá aqui.
– Mas seu Domício...
– Vai pra lá e fica quieto.
[45] – Papai, o senhor tem que sair na foto. Senão não
tem sentido!
– Eu fico implícito – disse o velho, já com o olho
no visor.
E antes que houvesse mais protestos, acionou a câ-
[50] mara, tirou a foto e foi dormir.
VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
Por suas características formais, esse texto classifica-se como um conto, pois é
Questão 5 10778279
IFMG 2018/1TEXTO
O poeta da roça
Sou fio das mata, cantô da mão grossa,
Trabaio na roça, de inverno e de estio.
A minha chupana é tapada de barro,
[5] Só fumo cigarro de páia de mio.
Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.
[10] Não tenho sabença, pois nunca estudei,
Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.
Meu verso rastêro, singelo e sem graça,
[15] Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo e na roça,
Nas pobre paioça, da serra ao sertão.
Só canto o buliço da vida apertada,
Da lida pesada, das roça e dos eito
[20] E às vêz, recordando a feliz mocidade,
Canto uma sodade que mora em meu peito.
Eu canto o caboco com suas caçada,
Nas noite assombrada que tudo apavora,
Por dentro da mata, com tanta corage
[25] Topando as visage chamada caipora.
Eu canto o vaquêro vestido de côro,
Brigando com o tôro no mato fechado,
Que pega na ponta do brabo novio,
Ganhando lugio do dono do gado.
[30] Eu canto o mendigo de sujo farrapo,
Coberto de trapo e mochila na mão,
Que chora pedindo o socorro dos home,
E tomba de fome, sem casa e sem pão,
E assim, sem cobiça dos cofre luzente,
[35] Eu vivo contente e feliz com a sorte,
Morando no campo, sem vê a cidade,
Cantando as verdade das coisa do Norte.
ASSARÉ, Patativa do. Patativa do Assaré. Antologia poética. Organização e prefácio de Gilmar de Carvalho. 8. ed. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2010, p. 19.
Quanto às formas verbais de que o texto se serve,
Questão 10 10774232
COLUNI/UFV 1° Dia 2018a partir da leitura do livro de carolina maria de jesus e dos contos de conceição evaristo, analise as afirmativas abaixo:
I. as autoras retratam a realidade dos marginalizados no brasil, carolina maria de jesus enfatiza a situação de vulnerabilidade social nas favelas, e conceição evaristo as condições de pobreza e violência urbana que atingem os afro-brasileiros.
II. os textos são escritos a partir do lugar de fala da mulher negra que é também o lugar de experiência e de vivência das autoras, que se baseiam em suas histórias de vida para escrever.
III. as autoras apresentam, em seus textos, situações e personagens que evidenciam a realidade sofrida dos afro-brasileiros, e contar essas histórias foi um meio encontrado por elas para superar as dificuldades econômicas.
está correto o que se afirma em:
Questão 9 10774222
COLUNI/UFV 1° Dia 2018Leia, o excerto da carta – imaginária – escrita por Darcy Ribeiro endereçada à professora Diva Guimarães por ocasião de seu pronunciamento a respeito da situação social, histórica e política do negro no Brasil, na Flip de Paraty – RJ, em julho de 2017.
De Darcy Ribeiro para a Diva da Flip
“Precisamos, Diva, de muitas divas assim como você, que despertem uma crescente indignação contra esta herança maldita, porque é isso que nos dará forças para, amanhã, conter os possessos e criar aqui, neste país, uma sociedade solidária.” BRITO, Fernando. De Darcy Ribeiro para a Diva da FLIP.
Disponível em: http://www.tijolaco.com.br/blog/de-darcy-ribeiro-para-diva-da flip/. Acesso em: 20 ago.2107.
O efeito de sentido construído, no excerto acima, pela conjunção como também está presente em:
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