Questões de EFAF Português - Gramática
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Questão 9 382056
IFSC 2014/2Assalto
Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra o preço do chuchu:
- Isto é um assalto!
Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém, correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua inteira, atravancada, mas provida de admirável serviço de comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando um assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?
- Um assalto! Um assalto! - a senhora continuava a exclamar, e quem não tinha escutado escutou, multiplicando a notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era como a própria sirene policial, documentando, por seu uivo, a ocorrência grave, que fatalmente se estaria consumando ali, na claridade do dia, sem que ninguém pudesse evitá-la.
Moleques de carrinho corriam em todas as direções, atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as mercadorias que transportavam. Não era o instinto de propriedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo transporte. E no atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se, melancias rolavam, tomates esborrachavam-se no asfalto. Se a fruta cai no chão, já não é de ninguém; é de qualquer um, inclusive do transportador. Em ocasiões de assalto, quem é que vai reclamar uma penca de bananas meio amassadas?
- Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!
O ônibus na rua transversal parou para assuntar. Passageiros ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não se via nada. O motorista desceu, desceu o trocador, um passageiro advertiu:
- No que você vai a fim de ver o assalto, eles assaltam sua caixa.
Ele nem escutou. Então os passageiros também acharam de bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do módulo lunar.
Outros ônibus pararam, a rua entupiu.
- Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas. Assim eles não podem dar no pé.
- É uma mulher que chefia o bando!
- Já sei. A tal dondoca loura.
- A loura assalta em São Paulo. Aqui é a morena.
- Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.
- Minha Nossa Senhora, o mundo tá virado!
- Vai ver que está é caçando marido.
- Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue escorrendo!
- Sangue nada, tomate.
Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora a uma joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a bala. E havia joias pelo chão, braceletes, relógios. O que os bandidos não levaram, na pressa, era agora objeto de saque popular. Morreram no mínimo duas pessoas, e três estavam gravemente feridas.
Barracas derrubadas assinalavam o ímpeto da convulsão coletiva. Era preciso abrir caminho a todo custo. No rumo do assalto, para ver, e no rumo contrário, para escapar. Os grupos divergentes chocavam-se, e às vezes trocavam de direção: quem fugia dava marcha à ré, quem queria espiar era arrastado pela massa oposta. Os edifícios de apartamentos tinham fechado suas portas, logo que o primeiro foi invadido por pessoas que pretendiam, ao mesmo tempo, salvar o pelo e contemplar lá de cima. Janelas e balcões apinhados de moradores, que gritavam:
- Pega! Pega! Correu pra lá!
- Olha ela ali!
- Eles entraram na kombi ali adiante!
- É um mascarado! Não, são dois mascarados!
Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como não havia espaço, uns caíam por cima de outros. Cessou o ruído. Voltou. Que assalto era esse, dilatado no tempo, repetido, confuso?
- Olha o diabo daquele escurinho tocando matraca! E a gente com dor de barriga, pensando que era metralhadora!
Caíram em cima do garoto, que soverteu na multidão. A senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando sempre:
- É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verdadeiro assalto!
Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond. Assalto. In: Para gostar de ler. Vol. 3. Ed. Ática, 1979. p. 12-14. [Adaptado]
Em relação à acentuação gráfica, leia e a analise as seguintes afirmações:
I. As palavras notícias, relógio, ânsia e contrário são acentuadas por serem paroxítonas e terminarem em ditongo.
II. Os vocábulos pé, lá, aí e já recebem acento tônico por serem monossílabos tônicos.
III. As palavras veículo, módulo, ímpeto e ônibus recebem acento gráfico por serem proparoxítonas.
Assinale a alternativa CORRETA.
Questão 38 169778
IFMT 2014/1Com relação ao que foi descrito na questão 37, a receita do cinema por sessão será dada por R(x) = 30x – 0,1x2 , em que x representa o número de estudantes do grupo em uma sessão e R a receita dessa sessão.
Nessas condições, o número de estudantes em uma sessão, para que o cinema tenha arrecadação máxima é:
Questão 18 169758
IFMT 2014/1TEXTO

(Disponível em: http//www .google.com.br/search?q=charges+com+1%CI%A Ibulas&tbm.Acesso em: 20 ago. 2013).
Ao construir a omissão na frase moralizante, o autor da charge valeu-se de um recurso expressivo, que é:
Questão 11 169751
IFMT 2014/1TEXTO 4
FÁBULAS NADA FABULOSAS
Josué Marcilio
Bom cabrito é o que mais berra onde canta o sabiá.
A raposa chegou junto à videira. Uma cerca alta de arame farpado impedia o acesso. As uvas estavam altas e
imaturas. A raposa deu três ou quatro pulos, não alcançou. Então ela se lembrou de que era carnívora. “Estão
verdes”, disse desdenhosamente, quando lhe caiu uma jabuticaba no focinho. Ela pensou: E se fosse uma
[5] melancia? Ficou num alumbramento, então atingiu a iluminação.
A cigarra trabalhou o verão inteiro. A formiga, só na gandaia. A cigarra, só na batalha. A formiga foi pro motel
com mil machos, curtiu incríveis bacanais. A cigarra buscou a quintessência do som paschoal-hermético, foi ao
Xingu ouvir a música dos xavantes, aprendeu a tocar cítara. Chegou o Inverno, a formiga se mandou pro
[10] formigueiro. A cigarra foi organizar seu show. A formiga se cansou da monotonia do formigueiro, tanto mais que
naquele país não havia inverno, e foi procurar a cigarra. Não sabia tocar nada, não podia sentir cheiro de
açúcar que saía correndo e largava tudo. A cigarra, com uma paciência de gênio, ia aguentando tudo. No dia da
estreia, uma frente fria do sul, os cuiabanos ficaram todos encorujados em casa. Na noite, só o silêncio,
quebrado por uma ou outra muriçoca, seu violino desafinado.
[15] A formiga queria atravessar o lago. O elefante, depois de muita insistência dela, concordou em levá-la no
lombo. Apanhou a formiga com a tromba e botou nas costas, arriando as pernas sob o peso. No meio da
travessia, ela se lembrou de que estava sem calcinha e cravou o ferrão no elefante. “Mas você não prometeu
que desta vez ia se controlar?”, protestou o elefante. “É que eu quero afogar o ganso”, disse a formiga, e tome
ferroada. O elefante começou a despertar seu lado masoquista, então disse: “Judia de mim, judia, se eu não
[20] sou merecedor desse amor...”.
À beira dum riacho, lobo e cordeiro. O primeiro, feroz, procurando pretexto, e os dois bebendo água. “Vê se não
suja a água que eu tou bebendo, ô guri.” “Tou sujando não, tio, a água corre daí pra cá.” “Tio é a vó. Foi você
que me insultou mês passado, não foi?” “Nasci há quinze dias.” “Se não foi você, foi seu irmão.” O lobo olhava
míope, não distinguia entre o cordeiro e o reflexo. Ventava. “Precisa tremer não, meu filho”, de repente ficou
[25] paternal. “Não tou tremendo. Por que não usa óculos? Esta fábula já perdeu o suspense, foi repetida mais de
mil vezes para todas as crianças do planeta, perdi o medo e o suspense. Acaba logo com essa lengalenga.” “Tá
bem. Você não tem irmãos, né?” “Não, mas se quiser posso citar Cervantes, Platão e Nietzsche.” Não foi
preciso.
Toda vez que o rato da cidade ia visitar o primo do campo ficava bestificado. O campo não era mais aquele.
[30] Máquinas cada vez mais sofisticadas, aditivos e defensivos cada vez mais ofensivos. Tecnologia e química
davam nova cor à roça. Quando o rato caipira ia à cidade, só via desolação e queixas. O barraco onde o primo
urbano morava não tinha nada, a comida cada vez mais minguada na panela. Mas o mundo é pequeno e as
coisas mudam. O rato da cidade comprou um aparelho de som barulhento, e quando o primo do campo vinha
fazer-lhe visita, nunca mais pôde dormir tranquilo: às cinco da manhã começava a choradeira abominável. Foi
[35] assim que o rato da roça veio a conhecer as drupa caipira.
O corvo estava com um beço pedalo de quico no beijo, ou seja, um belo pedaço de queijo no bico. A raposa
ainda estava com dor de barriga porque comera muita uva verde, com casca, semente e tudo, mas não podia
perder a ocasião. E começou a elogiar o corvo. Que ele tinha as asas mais pretas que as asas da graúna –
original, hein? Que ele tinha o rabo mais bonito que o do pavão. O corvo não se conteve. Quando ouviu tão
[40] babosos elogios, segurou o pedaço de quico, não, pedico de quaço, ah sei lá, com um dos pés, e disse: “Toda
essa demagogia só por causa de um mísero pedeijo de caço? Pode ficar com ele, eu não gosto”. E jogou o
queijo aos pés da raposa. Nisso, ia passando o rato do campo, de volta da visita ao seu primo da cidade; mais
que ligeiro, apanhou o queijo e fugiu. A raposa ficou vendo navios. Navios e estrelas.
Quem nunca comeu melado dá bom dia pra cachorro.
(Adaptado de: MARCILIO, Josué. Fábulas nada fabulosas. In: _____. Fábulas nada fabulosas. Cuiabá: Edição do Autor, 1999. p. 39- 41).
Analise as afirmativas e marque V para as verdadeiras e F para as falsas.
( ) Em “No dia da estreia, uma frente fria do sul, os cuiabanos ficaram todos encorujados em casa” (linhas 12-13), ocorre a elipse do verbo vir.
( ) Em “O elefante começou a despertar seu lado masoquista [...]” (linha 19), o pronome possessivo grifado refere-se à personagem formiga, que dialoga com o elefante.
( ) Em “O primeiro, feroz, procurando pretexto [...]” (linha 21), a palavra grifada refere-se ao personagem cordeiro.
( ) Em “Nisso ia passando o rato do campo, de volta da visita ao seu primo da cidade [...]” (linha 42), o vocábulo grifado refere-se ao personagem primo da cidade.
Assinale a sequência correta.
Questão 4 169744
IFMT 2014/1TEXTO 3
SEM BARRA
José Paulo Paes
Enquanto a formiga
carrega comida
para o formigueiro,
a cigarra canta,
canta o dia inteiro
A formiga é só trabalho.
A cigarra é só cantiga.
Mas sem a cantiga
da cigarra
que distrai da fadiga,
seria uma barra
o trabalho da formiga!
(Disponível em: . Acesso em: 20 ago. 2013).
A expressão que constitui o título do poema permite ao leitor inferir que
Questão 13 169712
IFMT 2014/2TEXTO 3
A Droga Universal
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), só no Brasil o número de vítimas do tabaco é
alarmante: aproximadamente 10 mil pessoas morrem diariamente decorrente de doenças associadas ao vício.
No mundo, este resultado é de quatro milhões por ano.
Estudos revelam que o tabagismo está responsável por 30% das mortes por câncer em geral, 90% por câncer
[5] de pulmão, 25% por doenças coronarianas, 85% por Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e 25% por
complicações cérebro vasculares. "No mundo, o câncer de pulmão permanece como uma doença altamente
letal", comenta Silvana Gotardo, especialista em Oncologia e Radioterapia pelo Hospital do Câncer de São
Paulo, e diretora médica da Oncoclin.
Considerado a principal causa de morte evitável no planeta, o tabaco atinge um terço da população adulta
[10] mundial: estima-se que 1 bilhão e 200 milhões de pessoas sejam fumantes.
O câncer de pulmão é o mais comum de todos os tumores malignos, apresentando um aumento por ano de 2%
na sua incidência mundial. Em 90% dos casos diagnosticados, está associado ao consumo de derivados de
tabaco. No Brasil, o câncer de pulmão foi responsável por 14.715 óbitos em 2000, sendo o tipo de câncer que
mais fez vítimas. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a doença atingiu mais de 27 mil
[15] brasileiros (18 mil homens e 9 mil mulheres) em 2006.
A nicotina - uma entre as cerca de 4.700 substâncias nocivas encontradas no cigarro, - ainda é a principal
responsável por causar a dependência. Com sua ingestão contínua, pesquisas apontam que o cérebro se
adapta e passa a necessitar de doses cada vez maiores. "Esse efeito é chamado de tolerância à droga", explica
Ana Maria.
[20] "É a nicotina que gera a sensação de prazer no organismo", complementa Sérgio Cardoso, pneumologista e
Coordenador do Núcleo de Apoio à Prevenção e Cessação do Tabagismo (Prev Fumo), da Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp).
Fonte: (http://www.guiadasemana.com.br/compras/noticia/a-droga-universal)
A respeito da nicotina, só NÃO se pode afirmar que:
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