Questões de EFAF Português
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Questão 5 10738813
IFF 2022/2A Geração Z e a conexão 24 horas por dia
Velocidade? Sim. Paciência? Não. Redes sociais? Sim. Livros? Não. Ambição? Sim. Obediência? Não. Videogames? Sim. Esportes? Não. Fique de olho na “geração Z”, apressada, pragmática, autônoma e teimosa.
Estes dois bilhões de jovens nascidos depois de 1995, com a internet, estão decididos a construir uma vida distante dos códigos e das aspirações dos mais velhos. São “mutantes”, como são denominados por alguns pesquisadores, fascinados por sua fusão com o mundo digital. Eles navegam em várias telas e estão acostumados ao “tudo, ao mesmo tempo, agora”. Soa normal pagar muito pelo último ‘smartphone’ e, ao mesmo tempo, baixar gratuitamente filmes e música na internet. Os códigos dos adultos parecem defasados para eles, que gostam das marcas “rebeldes” e se informam, sobretudo, através das redes sociais, segundo estudos realizados na Europa e nos Estados Unidos por grandes empresas, como BNP e Ford, que querem entender seus futuros clientes.
Estes jovens, com idades entre 13 e 20 anos, se consideram de mente aberta e inovadores, mas reconhecem que são impacientes e cabeça-dura. Adotam os modismos que se propagam pela internet em todo o planeta, seja por meio de sucessos de bilheteria americanos, como “Jogos Vorazes” ou “Divergente”, ou a K-Pop coreana. Seu vocabulário é repleto de acrônimos e anglicismos. Seus ídolos são astros da internet, como o sueco PewDiePie, comentarista de games que tem mais de 30 milhões de seguidores no YouTube. Seus amigos das redes sociais são tão importantes quanto os da vida real e, às vezes, acabam se encontrando pessoalmente. Desde os 16 anos, até mesmo antes, frequentam páginas de contatos. Mais da metade dos Z considera que a autêntica vida social acontece nas redes, onde 84% têm conta registrada, segundo consulta da agência americana JWT. Para eles, é mais simples teclar do que falar.
Eles passam mais de três horas por dia na frente de telas, segundo o escritório de estudos americano Sparks and Honey. Sofrem de “FOMO” (Fear of Missing Out), o medo de perder alguma coisa, e odeiam a ideia de não estar conectados. Não lhes basta consumir séries e filmes. Eles querem participar, criar seu canal no YouTube ou blogs de vídeo. Estão em várias redes sociais, como Facebook, Instagram, Twitter e Tumblr. A maioria navega pela internet, enquanto assiste à televisão e pensa que a tecnologia torna tudo possível. Sua atenção é breve, mais que ler, escaneiam, o que às vezes provoca respostas superficiais às perguntas de seus professores.
Filhos da crise, eles têm critérios muito definidos com relação as suas escolhas profissionais. Na França, pelo mesmo salário, 25% elegeriam a empresa mais divertida, 22%, a mais inovadora, e 21%, a mais ética. Desejosos de ter um impacto no mundo, gostam do voluntariado, praticado por um quarto dos jovens de 16 a 19 anos nos Estados Unidos. No entanto, a maioria dos Z se considera “estressada” com o futuro, que lhes parece sombrio, sobretudo para o meio ambiente e a economia.
Disponível em: https://exame.abril.com.br/tecnologia/a-geracao-z-e-a-conexao-24-horas-pordia/. Acesso em: 23 abr. 2022.
Um texto bem escrito deve possuir uma pontuação adequada sob pena de prejudicar a interpretação da mensagem. Nesse contexto, o uso da vírgula possibilita evidenciar diferentes objetivos, dentre os quais: enumerar, explicar, marcar pausa, enfatizar etc.
Assinale a alternativa em que o uso da vírgula apresenta uma enumeração:
Questão 4 10738812
IFF 2022/2A Geração Z e a conexão 24 horas por dia
Velocidade? Sim. Paciência? Não. Redes sociais? Sim. Livros? Não. Ambição? Sim. Obediência? Não. Videogames? Sim. Esportes? Não. Fique de olho na “geração Z”, apressada, pragmática, autônoma e teimosa.
Estes dois bilhões de jovens nascidos depois de 1995, com a internet, estão decididos a construir uma vida distante dos códigos e das aspirações dos mais velhos. São “mutantes”, como são denominados por alguns pesquisadores, fascinados por sua fusão com o mundo digital. Eles navegam em várias telas e estão acostumados ao “tudo, ao mesmo tempo, agora”. Soa normal pagar muito pelo último ‘smartphone’ e, ao mesmo tempo, baixar gratuitamente filmes e música na internet. Os códigos dos adultos parecem defasados para eles, que gostam das marcas “rebeldes” e se informam, sobretudo, através das redes sociais, segundo estudos realizados na Europa e nos Estados Unidos por grandes empresas, como BNP e Ford, que querem entender seus futuros clientes.
Estes jovens, com idades entre 13 e 20 anos, se consideram de mente aberta e inovadores, mas reconhecem que são impacientes e cabeça-dura. Adotam os modismos que se propagam pela internet em todo o planeta, seja por meio de sucessos de bilheteria americanos, como “Jogos Vorazes” ou “Divergente”, ou a K-Pop coreana. Seu vocabulário é repleto de acrônimos e anglicismos. Seus ídolos são astros da internet, como o sueco PewDiePie, comentarista de games que tem mais de 30 milhões de seguidores no YouTube. Seus amigos das redes sociais são tão importantes quanto os da vida real e, às vezes, acabam se encontrando pessoalmente. Desde os 16 anos, até mesmo antes, frequentam páginas de contatos. Mais da metade dos Z considera que a autêntica vida social acontece nas redes, onde 84% têm conta registrada, segundo consulta da agência americana JWT. Para eles, é mais simples teclar do que falar.
Eles passam mais de três horas por dia na frente de telas, segundo o escritório de estudos americano Sparks and Honey. Sofrem de “FOMO” (Fear of Missing Out), o medo de perder alguma coisa, e odeiam a ideia de não estar conectados. Não lhes basta consumir séries e filmes. Eles querem participar, criar seu canal no YouTube ou blogs de vídeo. Estão em várias redes sociais, como Facebook, Instagram, Twitter e Tumblr. A maioria navega pela internet, enquanto assiste à televisão e pensa que a tecnologia torna tudo possível. Sua atenção é breve, mais que ler, escaneiam, o que às vezes provoca respostas superficiais às perguntas de seus professores.
Filhos da crise, eles têm critérios muito definidos com relação as suas escolhas profissionais. Na França, pelo mesmo salário, 25% elegeriam a empresa mais divertida, 22%, a mais inovadora, e 21%, a mais ética. Desejosos de ter um impacto no mundo, gostam do voluntariado, praticado por um quarto dos jovens de 16 a 19 anos nos Estados Unidos. No entanto, a maioria dos Z se considera “estressada” com o futuro, que lhes parece sombrio, sobretudo para o meio ambiente e a economia.
Disponível em: https://exame.abril.com.br/tecnologia/a-geracao-z-e-a-conexao-24-horas-pordia/. Acesso em: 23 abr. 2022.
A geração Z sofre de “FOMO” (Fear of Missing out), ou seja, são indivíduos que temem “perder alguma coisa”. Uma das características desse problema é que os usuários
Questão 3 10738811
IFF 2022/2A Geração Z e a conexão 24 horas por dia
Velocidade? Sim. Paciência? Não. Redes sociais? Sim. Livros? Não. Ambição? Sim. Obediência? Não. Videogames? Sim. Esportes? Não. Fique de olho na “geração Z”, apressada, pragmática, autônoma e teimosa.
Estes dois bilhões de jovens nascidos depois de 1995, com a internet, estão decididos a construir uma vida distante dos códigos e das aspirações dos mais velhos. São “mutantes”, como são denominados por alguns pesquisadores, fascinados por sua fusão com o mundo digital. Eles navegam em várias telas e estão acostumados ao “tudo, ao mesmo tempo, agora”. Soa normal pagar muito pelo último ‘smartphone’ e, ao mesmo tempo, baixar gratuitamente filmes e música na internet. Os códigos dos adultos parecem defasados para eles, que gostam das marcas “rebeldes” e se informam, sobretudo, através das redes sociais, segundo estudos realizados na Europa e nos Estados Unidos por grandes empresas, como BNP e Ford, que querem entender seus futuros clientes.
Estes jovens, com idades entre 13 e 20 anos, se consideram de mente aberta e inovadores, mas reconhecem que são impacientes e cabeça-dura. Adotam os modismos que se propagam pela internet em todo o planeta, seja por meio de sucessos de bilheteria americanos, como “Jogos Vorazes” ou “Divergente”, ou a K-Pop coreana. Seu vocabulário é repleto de acrônimos e anglicismos. Seus ídolos são astros da internet, como o sueco PewDiePie, comentarista de games que tem mais de 30 milhões de seguidores no YouTube. Seus amigos das redes sociais são tão importantes quanto os da vida real e, às vezes, acabam se encontrando pessoalmente. Desde os 16 anos, até mesmo antes, frequentam páginas de contatos. Mais da metade dos Z considera que a autêntica vida social acontece nas redes, onde 84% têm conta registrada, segundo consulta da agência americana JWT. Para eles, é mais simples teclar do que falar.
Eles passam mais de três horas por dia na frente de telas, segundo o escritório de estudos americano Sparks and Honey. Sofrem de “FOMO” (Fear of Missing Out), o medo de perder alguma coisa, e odeiam a ideia de não estar conectados. Não lhes basta consumir séries e filmes. Eles querem participar, criar seu canal no YouTube ou blogs de vídeo. Estão em várias redes sociais, como Facebook, Instagram, Twitter e Tumblr. A maioria navega pela internet, enquanto assiste à televisão e pensa que a tecnologia torna tudo possível. Sua atenção é breve, mais que ler, escaneiam, o que às vezes provoca respostas superficiais às perguntas de seus professores.
Filhos da crise, eles têm critérios muito definidos com relação as suas escolhas profissionais. Na França, pelo mesmo salário, 25% elegeriam a empresa mais divertida, 22%, a mais inovadora, e 21%, a mais ética. Desejosos de ter um impacto no mundo, gostam do voluntariado, praticado por um quarto dos jovens de 16 a 19 anos nos Estados Unidos. No entanto, a maioria dos Z se considera “estressada” com o futuro, que lhes parece sombrio, sobretudo para o meio ambiente e a economia.
Disponível em: https://exame.abril.com.br/tecnologia/a-geracao-z-e-a-conexao-24-horas-pordia/. Acesso em: 23 abr. 2022.
Um dos argumentos utilizados pelo autor para confirmar a sua tese de que a geração Z fica a maior parte do seu tempo conectada à internet está presente no fragmento
Questão 40 10736275
EFOMM 1° Dia - Inglês e Português 2022Texto
Meu ideal seria escrever...
Rubem Braga
Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse – “ai meu Deus, que história mais engraçada!”. E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria – “mas essa história é mesmo muito engraçada!”.
Que um casal que estivesse em casa mal humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para cara do outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.
Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse – e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aquelas pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse –“por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!” E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.
E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês em Chicago – mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: “Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina.”
E quando todos me perguntassem – “mas de onde é que você tirou essa história?” – eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: “Ontem ouvi um sujeito contar uma história...”
E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.
Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.
Com base no Texto, responda à questão que se segue.
O cronista emprega a linguagem conotativa em vários momentos da narrativa.
Assinale a alternativa em que isso NÃO ocorre.
Questão 39 10736273
EFOMM 1° Dia - Inglês e Português 2022Texto
Meu ideal seria escrever...
Rubem Braga
Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse – “ai meu Deus, que história mais engraçada!”. E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria – “mas essa história é mesmo muito engraçada!”.
Que um casal que estivesse em casa mal humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para cara do outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.
Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse – e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aquelas pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse –“por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!” E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.
E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês em Chicago – mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: “Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina.”
E quando todos me perguntassem – “mas de onde é que você tirou essa história?” – eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: “Ontem ouvi um sujeito contar uma história...”
E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.
Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.
Com base no Texto, responda à questão que se segue.
Assinale a opção em que a mudança da posição do adjetivo ao lado do substantivo vai implicar uma alteração de sentido daquele.
Questão 38 10736272
EFOMM 1° Dia - Inglês e Português 2022Texto
Meu ideal seria escrever...
Rubem Braga
Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse – “ai meu Deus, que história mais engraçada!”. E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria – “mas essa história é mesmo muito engraçada!”.
Que um casal que estivesse em casa mal humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para cara do outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.
Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse – e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aquelas pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse –“por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!” E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.
E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês em Chicago – mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: “Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina.”
E quando todos me perguntassem – “mas de onde é que você tirou essa história?” – eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: “Ontem ouvi um sujeito contar uma história...”
E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.
Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.
Com base no Texto, responda à questão que se segue.
Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar [...].
Ao parafrasearmos a passagem acima, ocorreu uma substituição INCORRETA em:
06
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