Questões de EFAF Português - Gramática
1.745 Questões
Questão 5 416007
IFAL 2017TEXTO
“A política não é lugar pra preto vagabundo feito você!”
(Douglas Belchior)
Tenho plena consciência de que represento uma exceção. Ainda que miscigenado (fosse a pele retinta, bem sei que a vida reservaria ainda mais dificuldades), como homem negro, estudei. Alcancei o banco de uma universidade reconhecida, a PUCSP, onde me formei em História e alcei o desvalorizado, mas nem por isso menos nobre, status de professor. Trabalhador da rede pública estadual de São Paulo, nada convidativo financeiramente, mas ainda assim, digno.
Conciliar profissão a militância política foi uma opção consciente – outro privilégio para poucos. Trabalho, ganho a vida e pago minhas contas fazendo o que amo: educação, logo, política. A vida que escolhi me levou a pessoas incríveis: lideres políticos, intelectuais, atletas e artistas. Me levou a lugares impensáveis: salas acarpetadas de governos, viagens para debates, palestras e atividades políticas das mais diversas em quase todos os estados brasileiros e até nos EUA. Em todos esses espaços, tanto em momentos de conflito com adversários, quanto em momentos de elaboração e confraternização com os meus da “esquerda”, uma coisa nunca mudou: sou um homem negro. E como um negro no país da democracia racial, sempre soube que o tratamento gentil e tolerante a mim dispensado sempre esteve condicionado a que eu soubesse o meu lugar e que não me atrevesse a sair dele.
Fui candidato a deputado federal nas eleições de 2014. Alcancei quase 12 mil votos, alcançando posição de segundo suplente à câmara federal. Como liderança política do diverso e confuso movimento negro brasileiro, me dediquei ao enfrentamento ao racismo, à denúncia do genocídio negro e à luta por direitos sociais para o povo negro, sobretudo no que diz respeito à educação e aos direitos humanos, temas em que atuo com mais profundidade. Ainda assim, sempre enfrentei olhares desconfiados, posturas desencorajadoras e a impressão de eterna dúvida quanto à minha capacidade política ou profissional. Depois da candidatura em 2014, essa impressão só aumentou. E agora finalmente transpareceu, verbalizada, em uma destas conversas de internet, na última semana: “A política não é lugar pra preto vagabundo feito você!”
Um fato é inquestionável: negros não são tolerados na política, senão como serviçais, cabos eleitorais ou, no máximo, assistentes. No campo da esquerda isso não muda. E se for mulher é ainda mais difícil. Só que desta vez consegui reverter o efeito desestimulante. Diante da cultura racista dominante na ocupação dos espaços do poder político, dou aqui a minha resposta: “Vamos enfrentar, vamos disputar e vamos vencer! Lugar de preto é onde ele quiser – inclusive na política!”
(http://negrobelchior.cartacapital.com.br/politica-nao-elugar-pra-preto-vagabundo-feito-voce/. Texto adaptado)
“Ainda que miscigenado (fosse a pele retinta, bem sei que a vida reservaria ainda mais dificuldades), como homem negro, estudei.” A frase manter-se-ia com sentido equivalente se, em vez da palavra grifada, se utilizasse um vocábulo que lhe fosse sinônimo, tal qual
Questão 14 379793
IFSC 2017/2Texto
Somente 21 cidades catarinenses atingiram a meta de vacinação para HPV
[1] Apenas 21 dos 295 municípios catarinenses atingiram a meta de vacinação
[2] contra HPV em 2016, segundo dados da Diretoria de Vigilância Epidemiológica
[3] (Dive-SC). Ou seja, somente 7% das cidades superaram 80% de cobertura entre as
[4] meninas de nove anos. Santa Catarina pretendia imunizar 46.948 garotas nesta faixa
[5] etária no ano passado, mas somente 10.091 tomaram as duas doses da vacina, o que
[6] leva a uma cobertura de 21,5%. Especialistas defendem que, com essa baixa adesão,
[7] o Estado não conseguirá reduzir índices de doenças relacionadas ao vírus, como o
[8] câncer de colo de útero.
[9] A solução passa por mudança cultural, facilitar acesso aos postos e,
[10] principalmente, trabalhar a conscientização e reintroduzir vacinação nas escolas. Para
[11] Edison Natal Fedrizzi, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e
[12] chefe do Centro de Pesquisa Clínica Projeto HPV do Hospital Universitário – um dos
[13] locais que analisaram a eficácia da imunização –, três fatores principais influenciam a
[14] baixa adesão. O primeiro é a faixa etária: adolescentes não estão acostumados à
[15] rotina de vacinação, que é mais intensa com crianças. O segundo está relacionado ao
[16] temor de injeção, que impede a busca voluntária dos jovens. Outro ponto seria o
[17] horário de funcionamento dos postos, que dificulta o acesso de pais que trabalham.
[18] – Todos esses fatores somados levam a uma cobertura bem menor do que
[19] gostaríamos. Isso traz impactos, porque a infecção HPV é muito frequente e muitas
[20] vezes a pessoa nem sabe que está infectada pelo vírus – reforça o professor Fedrizzi.
[21] A gerente de Doenças Imunopreviníveis e Imunização da Dive-SC, Vanessa
[22] Vieira da Silva, considera que o grande desafio nesta faixa ainda é o retorno para
[23] completar a segunda dose, essencial para eficácia da vacina:
[24] – Nós temos um número muito grande de primeira dose, mas elas não retornam
[25]para a segunda.
[26] Vanessa ressalta que os dados neste ano (2017), primeira vez que os meninos
[27] são incluídos na campanha, estão dentro do esperado. Até 30 de março, foram
[28] aplicadas 8.283 doses em meninas e 11.265 doses em meninos.
[29] Diferentes tipos de câncer estão relacionados ao HPV, entre eles o de colo de
[30] útero, vagina, região genital externa, anal e de cavidade oral. A vacina é a forma mais
[31] eficaz de prevenção. Para Fedrizzi, a solução passa por estimular as campanhas nas
[32] escolas, como foi feito no início da vacinação em 2014.
[33] [...]
[34] Vanessa lembra que, durante a Campanha de Multivacinação do ano passado,
[35] em setembro, chamaram também os adolescentes e conseguiram vacinar quatro
[36] vezes mais essa faixa etária.
Disponível em http://dc.clicrbs.com.br/sc/estilo-de-vida/noticia/2017/04/somente-21-cidades catarinenses-atingiram a-metade- vacinacao-para-hpv-9768107.html Acesso em 10 de Abr 2017. [Texto adaptado]
Considere as afirmativas a seguir e assinale no cartão-resposta a alternativa CORRETA.
I. Em “Todos esses fatores somados levam a uma cobertura bem menor do que gostaríamos” (linhas 18-19), o sujeito do verbo em destaque é composto e inclui o autor do texto.
II. Em “Nós temos um número muito grande de primeira dose, mas elas não retornam para a segunda” (linhas 24-25), o pronome em destaque se refere a “primeira dose”.
III. Em “A vacina é a forma mais eficaz de prevenção” (linhas 30-31), o termo em destaque é objeto indireto.
IV. A presença do acento gráfico nas palavras clínica, útero e gostaríamos é justificada com base na mesma regra de acentuação.
Questão 39 168776
IFRS 2017[01] A detração não é, necessariamente, uma mentira. Pode ser verdadeira ou falsa. O que marca a
detração é a intenção de atacar, de diminuir, de jogar lama no alvo do meu veneno. Depreciar, como já
insinuamos, significa elevar a minha posição. Essa é a chave do sucesso do detrator. A infâmia
anunciada pelo narrador pode nascer de fato concreto e comprovado. Pode ser invenção absoluta. O
[05] objetivo é o mesmo: quero arranhar ou quebrar o vítreo telhado alheio. O importante é puxar bem para
baixo, desnudar histórias, atacar. Bem, por definição a expressão puxar para baixo implica reconhecer
que estou abaixo de quem falo mal. Esse é um dos problemas do falar mal: ele reconhece que me
sinto abaixo ou, ao menos, que desejo estar por cima ao falar mal.
Todos somos capazes de atos de bondade e abnegação. Hitler amava cachorros e defendia
[10] dieta vegetariana. Hitler matou milhares. A ternura, mesmo na mais infame criatura, fala de nós e
nossos valores. Porém, nada deixa mais evidente minha personalidade do que o tipo de comentário
que faço, especialmente o maldoso.
Observe um discurso de formatura. Falamos bem das pessoas e da instituição. Agradecemos a
nossos excelentes professores, homenageamos nossos amados pais e indicamos ___ qualidades
[15] excelsas daquela turma. Gostaríamos de ouvir isso. Achamos indelicado alguém ser crítico naquela
hora de consagração. Mas... A maioria dos rostos está entediada. Os elogios emocionam alguém, mas
entediam. As virtudes, reais ou retóricas, não prendem muito a atenção. [...]
A fofoca é anárquica e cresce em progressão geométrica. No boca-a-boca clássico e presencial
ou nas redes sociais, ela escapa ___ qualquer controle. Tememos tudo o que foge ___ nossa
[20] supervisão. Calúnia é comparada ___ um travesseiro de penas aberto em torre alta. Uma vez iniciada,
entra em modo aleatório.
KARNAL, Leandro. A detração: breve ensaio sobre o maldizer. São Leopoldo: Ed. Unisinos, 2016. p. 15-17.
Qual palavra NÃO é acentuada pela mesma regra que rege a acentuação de “calúnia”?
Questão 38 168774
IFRS 2017[01] A detração não é, necessariamente, uma mentira. Pode ser verdadeira ou falsa. O que marca a
[02] detração é a intenção de atacar, de diminuir, de jogar lama no alvo do meu veneno. Depreciar, como já
[03] insinuamos, significa elevar a minha posição. Essa é a chave do sucesso do detrator. A infâmia
[04] anunciada pelo narrador pode nascer de fato concreto e comprovado. Pode ser invenção absoluta. O
[05] objetivo é o mesmo: quero arranhar ou quebrar o vítreo telhado alheio. O importante é puxar bem para
[06] baixo, desnudar histórias, atacar. Bem, por definição a expressão puxar para baixo implica reconhecer
[07] que estou abaixo de quem falo mal. Esse é um dos problemas do falar mal: ele reconhece que me
[08] sinto abaixo ou, ao menos, que desejo estar por cima ao falar mal.
[09] Todos somos capazes de atos de bondade e abnegação. Hitler amava cachorros e defendia
[10] dieta vegetariana. Hitler matou milhares. A ternura, mesmo na mais infame criatura, fala de nós e
[11] nossos valores. Porém, nada deixa mais evidente minha personalidade do que o tipo de comentário
[12] que faço, especialmente o maldoso.
[13] Observe um discurso de formatura. Falamos bem das pessoas e da instituição. Agradecemos a
[14] nossos excelentes professores, homenageamos nossos amados pais e indicamos ___ qualidades
[15] excelsas daquela turma. Gostaríamos de ouvir isso. Achamos indelicado alguém ser crítico naquela
[16] hora de consagração. Mas... A maioria dos rostos está entediada. Os elogios emocionam alguém, mas
[17] entediam. As virtudes, reais ou retóricas, não prendem muito a atenção. [...]
[18] A fofoca é anárquica e cresce em progressão geométrica. No boca-a-boca clássico e presencial
[19] ou nas redes sociais, ela escapa ___ qualquer controle. Tememos tudo o que foge ___ nossa
[20] supervisão. Calúnia é comparada ___ um travesseiro de penas aberto em torre alta. Uma vez iniciada,
[21] entra em modo aleatório.
KARNAL, Leandro. A detração: breve ensaio sobre o maldizer. São Leopoldo: Ed. Unisinos, 2016. p. 15-17.
Assinale, entre as alternativas a seguir, a que NÃO apresenta palavras pertencentes à mesma classe gramatical, considerando o texto
Questão 35 168770
IFRS 2017[01] A detração não é, necessariamente, uma mentira. Pode ser verdadeira ou falsa. O que marca a
[02] detração é a intenção de atacar, de diminuir, de jogar lama no alvo do meu veneno. Depreciar, como já
[03] insinuamos, significa elevar a minha posição. Essa é a chave do sucesso do detrator. A infâmia
[04] anunciada pelo narrador pode nascer de fato concreto e comprovado. Pode ser invenção absoluta. O
[05] objetivo é o mesmo: quero arranhar ou quebrar o vítreo telhado alheio. O importante é puxar bem para
[06] baixo, desnudar histórias, atacar. Bem, por definição a expressão puxar para baixo implica reconhecer
[07] que estou abaixo de quem falo mal. Esse é um dos problemas do falar mal: ele reconhece que me
[08] sinto abaixo ou, ao menos, que desejo estar por cima ao falar mal.
[09] Todos somos capazes de atos de bondade e abnegação. Hitler amava cachorros e defendia
[10] dieta vegetariana. Hitler matou milhares. A ternura, mesmo na mais infame criatura, fala de nós e
[11] nossos valores. Porém, nada deixa mais evidente minha personalidade do que o tipo de comentário
[12] que faço, especialmente o maldoso.
[13] Observe um discurso de formatura. Falamos bem das pessoas e da instituição. Agradecemos a
[14] nossos excelentes professores, homenageamos nossos amados pais e indicamos ___ qualidades
[15] excelsas daquela turma. Gostaríamos de ouvir isso. Achamos indelicado alguém ser crítico naquela
[16] hora de consagração. Mas... A maioria dos rostos está entediada. Os elogios emocionam alguém, mas
[17] entediam. As virtudes, reais ou retóricas, não prendem muito a atenção. [...]
[18] A fofoca é anárquica e cresce em progressão geométrica. No boca-a-boca clássico e presencial
[19] ou nas redes sociais, ela escapa ___ qualquer controle. Tememos tudo o que foge ___ nossa
[20] supervisão. Calúnia é comparada ___ um travesseiro de penas aberto em torre alta. Uma vez iniciada,
[21] entra em modo aleatório.
KARNAL, Leandro. A detração: breve ensaio sobre o maldizer. São Leopoldo: Ed. Unisinos, 2016. p. 15-17.
Considere as seguintes propostas de alteração de sinais de pontuação no texto.
I - Supressão das vírgulas que isolam a palavra “necessariamente” (l. 01).
II - Supressão da vírgula após a palavra “Bem” (l. 06).
III - Supressão das vírgulas que isolam o segmento “reais ou retóricas” (l. 17).
Desconsiderando eventuais ajustes no emprego de letras maiúsculas e minúsculas, quais propostas mantêm a correção e o sentido?
Questão 33 168767
IFRS 2017[01] A detração não é, necessariamente, uma mentira. Pode ser verdadeira ou falsa. O que marca a
detração é a intenção de atacar, de diminuir, de jogar lama no alvo do meu veneno. Depreciar, como já
insinuamos, significa elevar a minha posição. Essa é a chave do sucesso do detrator. A infâmia
anunciada pelo narrador pode nascer de fato concreto e comprovado. Pode ser invenção absoluta. O
[05] objetivo é o mesmo: quero arranhar ou quebrar o vítreo telhado alheio. O importante é puxar bem para
baixo, desnudar histórias, atacar. Bem, por definição a expressão puxar para baixo implica reconhecer
que estou abaixo de quem falo mal. Esse é um dos problemas do falar mal: ele reconhece que me
sinto abaixo ou, ao menos, que desejo estar por cima ao falar mal.
Todos somos capazes de atos de bondade e abnegação. Hitler amava cachorros e defendia
[10] dieta vegetariana. Hitler matou milhares. A ternura, mesmo na mais infame criatura, fala de nós e
nossos valores. Porém, nada deixa mais evidente minha personalidade do que o tipo de comentário
que faço, especialmente o maldoso.
Observe um discurso de formatura. Falamos bem das pessoas e da instituição. Agradecemos a
nossos excelentes professores, homenageamos nossos amados pais e indicamos ___ qualidades
[15] excelsas daquela turma. Gostaríamos de ouvir isso. Achamos indelicado alguém ser crítico naquela
hora de consagração. Mas... A maioria dos rostos está entediada. Os elogios emocionam alguém, mas
entediam. As virtudes, reais ou retóricas, não prendem muito a atenção. [...]
A fofoca é anárquica e cresce em progressão geométrica. No boca-a-boca clássico e presencial
ou nas redes sociais, ela escapa ___ qualquer controle. Tememos tudo o que foge ___ nossa
[20] supervisão. Calúnia é comparada ___ um travesseiro de penas aberto em torre alta. Uma vez iniciada,
entra em modo aleatório.
KARNAL, Leandro. A detração: breve ensaio sobre o maldizer. São Leopoldo: Ed. Unisinos, 2016. p. 15-17.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das linhas 14, 19 e 20, nesta ordem.
06
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