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Questão 8370913
CN CN 2004 1 FaseU POR 2005Texto I
O português de Portugal
(Bahia, – língua portuguesa)
Em Lisboa disseram a Luiz Forjaz Trigueiros que na Bahia o calor, além de tórrido, é constante, jamais faz frio(-). Luiz viaja ao Brasil em missão cultural, pede a Maria Helena que coloque na mala apenas roupas leves, as mais leves. Assim desembarcou desvestido com elegância para o verão feroz.
Ora, em lugar de calor senegalês, uma onda abateu-se sobre a cidade, frio ainda mais difícil de suportar devido à umidade, o escritor sentiu-se enregelar. Dado que o inverno se manteve, não lhe coube opção senão ir à compra de agasalho. Luiz se informou, rumou para a rua Chile, a de comércio fino e caro de prendas de vestir cavalheiros e senhoras. Deteve-se ante uma loja: ali se exibia a peça exata que buscava para com ela resguardar o peito, evitar o resfriado, a gripe, a pneumonia: Luiz Forjaz pretende-se chegado a enfermidades nos brônquios e pulmões, o perigo de gripe o horroriza. De lã, chique, discreta, na cor preferida, estava à sua espera. Luiz adentrou o estabelecimento, o vendedor acorreu solícito, colocou-se a seu serviço.
— Desejo comprar uma camisola – informou o literato luso, sorrindo com a delicadeza que o caracteriza.
Não menos delicado o balconista:
— O cavalheiro se enganou, aqui só vendemos artigos masculinos, mas na loja em frente, de artigos para senhoras, o senhor encontrará variado estoque de camisolas...
Não tenho entendido, algum engano havia, Luiz insistiu:
— Eu disse camisola...
— Já lhe disse que não temos. – O caixeiro elevou a voz desconfiando que o simpático freguês fosse surdo de nascença.
— Como não tem, se acabo de ver na montra uma camisola castanha na medida própria.
— Onde disse ter visto camisola?
O balconista sentiu-se perdido, além de surdo, o freguês falava língua desconhecida, nem espanhol, nem francês, menos ainda inglês, dialetos que o rapaz identificava, familiar de sotaques e pronúncias. Não sabendo o que dizer, riu e coçou a cabeça. Um parvo, persuadiu-se Luiz Trigueiros, e, sem mais delongas, tomando-o gentilmente pelo braço – aos parvos deve-se tratar com firmeza sem no entanto abandonar a cortesia –, levou-o até a porta de onde, triunfante, mostrou-lhe na montra a camisola castanha:
— Ali está ela, a camisola, quanto vale?
A risada do rapaz não era mal-educada, mas continha uma ponta de deboche:
— Ilustre cavalheiro, fique sabendo que em bom português o senhor quer comprar um pulôver marrom igual ao que está na vitrine, não é isso" Por que não disse logo" Um suéter porreta e o preço é de arrasar...
Encontrei Luiz no hotel envergando a camisola castanha, ou seja, o pulôver marrom, não sendo ainda o brasileiro competente que viria a ser anos depois devido aos azares da política, o escritor estava indignado:
— O gajo diz-me duas palavras em francês, uma em inglês e afirma estar falando em português, em bom português.
Em nosso bom português, Luiz, o do Brasil.
Hoje Luiz Forjaz Trigueiros traça na maciota nosso misturado português de mestiços, mas, para escrever sua prosa escorreita, forte, tenra e colorida, conserva-se fiel ao português de Portugal, à língua de Camões.
Assinale a opção correta em relação ao (período): "Assim desembarcou desvestido com elegância para o verão feroz." (31)(32).Navegação de cabotagem.
Questão 8370908
CN CN 2004 1 FaseU POR 2005Texto I
O português de Portugal
(Bahia, – língua portuguesa)
Em Lisboa disseram a Luiz Forjaz Trigueiros que na Bahia o calor, além de tórrido, é constante, jamais faz frio(-). Luiz viaja ao Brasil em missão cultural, pede a Maria Helena que coloque na mala apenas roupas leves, as mais leves. Assim desembarcou desvestido com elegância para o verão feroz.
Ora, em lugar de calor senegalês, uma onda abateu-se sobre a cidade, frio ainda mais difícil de suportar devido à umidade, o escritor sentiu-se enregelar. Dado que o inverno se manteve, não lhe coube opção senão ir à compra de agasalho. Luiz se informou, rumou para a rua Chile, a de comércio fino e caro de prendas de vestir cavalheiros e senhoras. Deteve-se ante uma loja: ali se exibia a peça exata que buscava para com ela resguardar o peito, evitar o resfriado, a gripe, a pneumonia: Luiz Forjaz pretende-se chegado a enfermidades nos brônquios e pulmões, o perigo de gripe o horroriza. De lã, chique, discreta, na cor preferida, estava à sua espera. Luiz adentrou o estabelecimento, o vendedor acorreu solícito, colocou-se a seu serviço.
— Desejo comprar uma camisola – informou o literato luso, sorrindo com a delicadeza que o caracteriza.
Não menos delicado o balconista:
— O cavalheiro se enganou, aqui só vendemos artigos masculinos, mas na loja em frente, de artigos para senhoras, o senhor encontrará variado estoque de camisolas...
Não tenho entendido, algum engano havia, Luiz insistiu:
— Eu disse camisola...
— Já lhe disse que não temos. – O caixeiro elevou a voz desconfiando que o simpático freguês fosse surdo de nascença.
— Como não tem, se acabo de ver na montra uma camisola castanha na medida própria.
— Onde disse ter visto camisola?
O balconista sentiu-se perdido, além de surdo, o freguês falava língua desconhecida, nem espanhol, nem francês, menos ainda inglês, dialetos que o rapaz identificava, familiar de sotaques e pronúncias. Não sabendo o que dizer, riu e coçou a cabeça. Um parvo, persuadiu-se Luiz Trigueiros, e, sem mais delongas, tomando-o gentilmente pelo braço – aos parvos deve-se tratar com firmeza sem no entanto abandonar a cortesia –, levou-o até a porta de onde, triunfante, mostrou-lhe na montra a camisola castanha:
— Ali está ela, a camisola, quanto vale?
A risada do rapaz não era mal-educada, mas continha uma ponta de deboche:
— Ilustre cavalheiro, fique sabendo que em bom português o senhor quer comprar um pulôver marrom igual ao que está na vitrine, não é isso" Por que não disse logo" Um suéter porreta e o preço é de arrasar...
Encontrei Luiz no hotel envergando a camisola castanha, ou seja, o pulôver marrom, não sendo ainda o brasileiro competente que viria a ser anos depois devido aos azares da política, o escritor estava indignado:
— O gajo diz-me duas palavras em francês, uma em inglês e afirma estar falando em português, em bom português.
Em nosso bom português, Luiz, o do Brasil.
Hoje Luiz Forjaz Trigueiros traça na maciota nosso misturado português de mestiços, mas, para escrever sua prosa escorreita, forte, tenra e colorida, conserva-se fiel ao português de Portugal, à língua de Camões.
Assinale a opção correta em relação ao número de letras e fonemas apresentados respectivamente para as palavras abaixo.Navegação de cabotagem.
Questão 8372018
UNIFESP UNIFESP 2003 1 FaseU PORING 2003Primeira tirinha

(Estúdio Maurício de Sousa. Bidu Especial. São Paulo: Abril, 1975)
Segunda tirinha

(Estúdio Maurício de Sousa. Bidu Especial. São Paulo: Abril, 1973)
Canção do Exílio
(...)
Minha terra tem
palmeiras, Onde canta o
Sabiá;
As aves, que aqui
gorjeiam, Não gorjeiam
como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais
flores, Nossos bosques têm
mais vida, Nossa vida mais
amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras
Onde canta o Sabiá.
(Antônio Gonçalves Dias, Primeiros Cantos)
A "Canção do exílio” é um dos textos mais citados e parodiados da Língua Portuguesa. Os versos
Teus risonhos lindos campos têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida no teu seio mais amores.
que remetem, de modo flagrante, ao poema de Gonçalves Dias, ocorrem:
Questão 8371854
EPCAR EPCAR 2003 1 FaseU POR 2003Assinale a alternativa cuja figura de linguagem esteja corretamente classificada.
Questão 8371852
EPCAR EPCAR 2003 1 FaseU POR 2003Isso sem contar o fascínio que eles exercem — geralmente sem dar-se conta disso — sobre os outros — homens ou mulheres que os consideram charmosos, irresistíveis e misteriosos.
Nesse período, há
Questão 8372234
PUC-RS PUCRS 2002 2 FaseU PMFB 2002TEXTO 3
Em "1984”, de Orwell, a língua é constantemente simplificada. A cada nova edição, o dicionário "Novilíngua” é menor que o anterior. Primoroso é o seguinte trecho do romance, em que um dos que trabalham na preparação do novo dicionário fala de seu trabalho:
"Tenho a impressão de que imaginas que o nosso trabalho consiste principalmente em inventar novas palavras. Nada disso! Estamos é destruindo palavras — às dezenas, às centenas, todos os dias. É lindo destruir palavras. Naturalmente, o maior desperdício é nos verbos e adjetivos, mas há centenas de substantivos que podem perfeitamente ser eliminados. Não apenas os sinônimos, os antônimos também. (...) Cada palavra contém em si o seu contrário. ’Bom’, por exemplo. Se temos a palavra ’bom’, para que precisamos de ’mau’" ’Imbom’ faz o mesmo efeito (...) Se queres uma palavra mais forte para dizer ’bom’, para que dispor de uma série de vagas e inúteis palavras como ’excelente’, ’esplêndido’ etc. e tal" ’Plusbom’ corresponde à necessidade, ou ’dupliplusbom’, se queres algo ainda mais forte (...) Não vês que beleza, Winston?”.
Em lugar de "imbom" e "dupliplusbom", o autor da "Novilíngua" poderia ter criado, mantendo o respectivo significado,Disponível em: http://planeta.terra.com.br/arte/alysson/1984.html
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