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Questão 8369712
CN CN 2006 1 FaseU POR 2007O amigo da onça
A Onça, que é bicho valente - mas nem sempre atilado, como se pensa — , estava quietinha no seu canto, quando lhe apareceu o compadre Lobo e lhe foi dizendo:— Saiba de uma coisa, comadre Onça: você - com perdão da palavra - não é, como supõe, o bicho mais valente e destemido que existe no mundo , nem também o Leão, com toda a sua prosa de rei dos animais.
— Como assim! - gritou a Onça, enfurecida — Então, como é isso, grande pedaço de idiota" Haverá bicho mais valente e poderoso do que eu"
O Lobo, adoçando a voz, respondeu:
— Ó comadre, me perdoe. Estou arrependido de dizer tal coisa ... Mas a minha intenção foi preveni-la contra um bicho terrível que apareceu nesta paragem. Uma pessoa prevenida vale por duas.
— Sim, não deixa você de ter alguma razão — acudiu a Onça mais acomodada. — Mas sempre quero saber o nome desse bicho. Como se chama?
— Esse bicho, comadre, chama-se homem, conforme me disse o amigo papagaio. Nunca vi em minha vida animal de mais perigosa valentia . Ele sim, e ninguém mais, é o que me parece ser mesmo o verdadeiro rei dos animais. Basta dizer que, de longe, o vi matar, com dois espirros, nada menos do que um leão e uma hiena . Ih! Comadre, com o estrondo dos espirros parecia que tudo ia pelos ares. Deus nos livre!
— Oh! Compadre, não me diga!
— É como lhe conto. E o que mais admira ê ser o bicho-homem de pequeno porte. Parece até fraco, e é muito mal servido de unhas e dentes. Deve ser um bicho misterioso e encantado.
— Pois bem, compadre, estou curiosa, e desejo que, sem demora, me conduza ao lugar onde se encontra tão estranho animal.
— Ah, comadre, peça-me tudo, menos isso. Pelos estragos que, de longe, vi o homem fazer com seus malditos espirros, nunca me atreveria a tal aventura ...
— Pois queira ou não queira, tem de mostrar-me o bicho, ou então, agora mesmo perderá a vida.
— Lá por isso não seja - disse o Lobo amedrontado. —Iremos. Mas havemos de tomar todas as precauções. —Eu com a sua licença— posso correr mais do que a comadre. Assim, levaremos uma embira daquelas que não arrebentam nuncaAmarro uma das pontas no pescoço da comadre e a outra em minha cintura. Em caso de perigo, se for preciso fugir, a comadre e eu corremos.
— Fugir! Veja lá o que diz! Você já viu, seu podrela, alguma vez onça fugir?
— Não me expliquei bem. Eu é que fugirei. A comadre será apenas arrastada por mim. Isso não é fugir. Está certo?
— Está bem. Faremos como propõe.
E partiram. A Onça com a embira atada ao pescoço, e o Lobo, muito respeitoso e tímido, a puxá-la.
Quando chegaram ao destino , o bicho-homem, surpreendido ao avistá-los, tirou da cinta a garrucha, e, atarantado, bateu fogo, isto é, espirrou, uma, duas vezes, que foi mesmo um estrondo de todos os diabos.
O Lobo então mais que depressa disparou numa corrida desabalada, redobrando quanto podia as forças para arrastar a Onça pela forte embira que tinha atado nopescoço dela .
De repente, já muito distante, o Lobo sentiu que a Onça estava mais pesada. Parou então e contemplou a companheira estendida no chão, com os dentes arreganhados, sem o mais leve movimento.
O Lobo, sem perceber que a Onça havia morrido enforcada no laço da embira - antes pensando que estivesse apenas cansada —, disse-lhe, tremendo como varas verdes.
— He lá, comadre! Não ri não que o negócio é sério!
GOMES, Lindolfo. IN:Os 100 melhores contos de humor da literatura universal. Org. Flávio Moreira da Costa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001, p. 522-3.
Questão 8369711
CN CN 2006 1 FaseU POR 2007O amigo da onça
A Onça, que é bicho valente - mas nem sempre atilado, como se pensa — , estava quietinha no seu canto, quando lhe apareceu o compadre Lobo e lhe foi dizendo:— Saiba de uma coisa, comadre Onça: você - com perdão da palavra - não é, como supõe, o bicho mais valente e destemido que existe no mundo , nem também o Leão, com toda a sua prosa de rei dos animais.
— Como assim! - gritou a Onça, enfurecida — Então, como é isso, grande pedaço de idiota" Haverá bicho mais valente e poderoso do que eu"
O Lobo, adoçando a voz, respondeu:
— Ó comadre, me perdoe. Estou arrependido de dizer tal coisa ... Mas a minha intenção foi preveni-la contra um bicho terrível que apareceu nesta paragem. Uma pessoa prevenida vale por duas.
— Sim, não deixa você de ter alguma razão — acudiu a Onça mais acomodada. — Mas sempre quero saber o nome desse bicho. Como se chama?
— Esse bicho, comadre, chama-se homem, conforme me disse o amigo papagaio. Nunca vi em minha vida animal de mais perigosa valentia . Ele sim, e ninguém mais, é o que me parece ser mesmo o verdadeiro rei dos animais. Basta dizer que, de longe, o vi matar, com dois espirros, nada menos do que um leão e uma hiena . Ih! Comadre, com o estrondo dos espirros parecia que tudo ia pelos ares. Deus nos livre!
— Oh! Compadre, não me diga!
— É como lhe conto. E o que mais admira ê ser o bicho-homem de pequeno porte. Parece até fraco, e é muito mal servido de unhas e dentes. Deve ser um bicho misterioso e encantado.
— Pois bem, compadre, estou curiosa, e desejo que, sem demora, me conduza ao lugar onde se encontra tão estranho animal.
— Ah, comadre, peça-me tudo, menos isso. Pelos estragos que, de longe, vi o homem fazer com seus malditos espirros, nunca me atreveria a tal aventura ...
— Pois queira ou não queira, tem de mostrar-me o bicho, ou então, agora mesmo perderá a vida.
— Lá por isso não seja - disse o Lobo amedrontado. —Iremos. Mas havemos de tomar todas as precauções. —Eu com a sua licença— posso correr mais do que a comadre. Assim, levaremos uma embira daquelas que não arrebentam nuncaAmarro uma das pontas no pescoço da comadre e a outra em minha cintura. Em caso de perigo, se for preciso fugir, a comadre e eu corremos.
— Fugir! Veja lá o que diz! Você já viu, seu podrela, alguma vez onça fugir?
— Não me expliquei bem. Eu é que fugirei. A comadre será apenas arrastada por mim. Isso não é fugir. Está certo?
— Está bem. Faremos como propõe.
E partiram. A Onça com a embira atada ao pescoço, e o Lobo, muito respeitoso e tímido, a puxá-la.
Quando chegaram ao destino , o bicho-homem, surpreendido ao avistá-los, tirou da cinta a garrucha, e, atarantado, bateu fogo, isto é, espirrou, uma, duas vezes, que foi mesmo um estrondo de todos os diabos.
O Lobo então mais que depressa disparou numa corrida desabalada, redobrando quanto podia as forças para arrastar a Onça pela forte embira que tinha atado nopescoço dela .
De repente, já muito distante, o Lobo sentiu que a Onça estava mais pesada. Parou então e contemplou a companheira estendida no chão, com os dentes arreganhados, sem o mais leve movimento.
O Lobo, sem perceber que a Onça havia morrido enforcada no laço da embira - antes pensando que estivesse apenas cansada —, disse-lhe, tremendo como varas verdes.
— He lá, comadre! Não ri não que o negócio é sério!
GOMES, Lindolfo. IN:Os 100 melhores contos de humor da literatura universal. Org. Flávio Moreira da Costa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001, p. 522-3.
Questão 8369709
CN CN 2006 1 FaseU POR 2007O amigo da onça
A Onça, que é bicho valente - mas nem sempre atilado, como se pensa — , estava quietinha no seu canto, quando lhe apareceu o compadre Lobo e lhe foi dizendo:— Saiba de uma coisa, comadre Onça: você - com perdão da palavra - não é, como supõe, o bicho mais valente e destemido que existe no mundo , nem também o Leão, com toda a sua prosa de rei dos animais.
— Como assim! - gritou a Onça, enfurecida — Então, como é isso, grande pedaço de idiota" Haverá bicho mais valente e poderoso do que eu"
O Lobo, adoçando a voz, respondeu:
— Ó comadre, me perdoe. Estou arrependido de dizer tal coisa ... Mas a minha intenção foi preveni-la contra um bicho terrível que apareceu nesta paragem. Uma pessoa prevenida vale por duas.
— Sim, não deixa você de ter alguma razão — acudiu a Onça mais acomodada. — Mas sempre quero saber o nome desse bicho. Como se chama?
— Esse bicho, comadre, chama-se homem, conforme me disse o amigo papagaio. Nunca vi em minha vida animal de mais perigosa valentia . Ele sim, e ninguém mais, é o que me parece ser mesmo o verdadeiro rei dos animais. Basta dizer que, de longe, o vi matar, com dois espirros, nada menos do que um leão e uma hiena . Ih! Comadre, com o estrondo dos espirros parecia que tudo ia pelos ares. Deus nos livre!
— Oh! Compadre, não me diga!
— É como lhe conto. E o que mais admira ê ser o bicho-homem de pequeno porte. Parece até fraco, e é muito mal servido de unhas e dentes. Deve ser um bicho misterioso e encantado.
— Pois bem, compadre, estou curiosa, e desejo que, sem demora, me conduza ao lugar onde se encontra tão estranho animal.
— Ah, comadre, peça-me tudo, menos isso. Pelos estragos que, de longe, vi o homem fazer com seus malditos espirros, nunca me atreveria a tal aventura ...
— Pois queira ou não queira, tem de mostrar-me o bicho, ou então, agora mesmo perderá a vida.
— Lá por isso não seja - disse o Lobo amedrontado. —Iremos. Mas havemos de tomar todas as precauções. —Eu com a sua licença— posso correr mais do que a comadre. Assim, levaremos uma embira daquelas que não arrebentam nuncaAmarro uma das pontas no pescoço da comadre e a outra em minha cintura. Em caso de perigo, se for preciso fugir, a comadre e eu corremos.
— Fugir! Veja lá o que diz! Você já viu, seu podrela, alguma vez onça fugir?
— Não me expliquei bem. Eu é que fugirei. A comadre será apenas arrastada por mim. Isso não é fugir. Está certo?
— Está bem. Faremos como propõe.
E partiram. A Onça com a embira atada ao pescoço, e o Lobo, muito respeitoso e tímido, a puxá-la.
Quando chegaram ao destino , o bicho-homem, surpreendido ao avistá-los, tirou da cinta a garrucha, e, atarantado, bateu fogo, isto é, espirrou, uma, duas vezes, que foi mesmo um estrondo de todos os diabos.
O Lobo então mais que depressa disparou numa corrida desabalada, redobrando quanto podia as forças para arrastar a Onça pela forte embira que tinha atado nopescoço dela .
De repente, já muito distante, o Lobo sentiu que a Onça estava mais pesada. Parou então e contemplou a companheira estendida no chão, com os dentes arreganhados, sem o mais leve movimento.
O Lobo, sem perceber que a Onça havia morrido enforcada no laço da embira - antes pensando que estivesse apenas cansada —, disse-lhe, tremendo como varas verdes.
— He lá, comadre! Não ri não que o negócio é sério!
GOMES, Lindolfo. IN:Os 100 melhores contos de humor da literatura universal. Org. Flávio Moreira da Costa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001, p. 522-3.
Questão 8369707
CN CN 2006 1 FaseU POR 2007O amigo da onça
A Onça, que é bicho valente - mas nem sempre atilado, como se pensa — , estava quietinha no seu canto, quando lhe apareceu o compadre Lobo e lhe foi dizendo:— Saiba de uma coisa, comadre Onça: você - com perdão da palavra - não é, como supõe, o bicho mais valente e destemido que existe no mundo , nem também o Leão, com toda a sua prosa de rei dos animais.
— Como assim! - gritou a Onça, enfurecida — Então, como é isso, grande pedaço de idiota" Haverá bicho mais valente e poderoso do que eu"
O Lobo, adoçando a voz, respondeu:
— Ó comadre, me perdoe. Estou arrependido de dizer tal coisa ... Mas a minha intenção foi preveni-la contra um bicho terrível que apareceu nesta paragem. Uma pessoa prevenida vale por duas.
— Sim, não deixa você de ter alguma razão — acudiu a Onça mais acomodada. — Mas sempre quero saber o nome desse bicho. Como se chama?
— Esse bicho, comadre, chama-se homem, conforme me disse o amigo papagaio. Nunca vi em minha vida animal de mais perigosa valentia . Ele sim, e ninguém mais, é o que me parece ser mesmo o verdadeiro rei dos animais. Basta dizer que, de longe, o vi matar, com dois espirros, nada menos do que um leão e uma hiena . Ih! Comadre, com o estrondo dos espirros parecia que tudo ia pelos ares. Deus nos livre!
— Oh! Compadre, não me diga!
— É como lhe conto. E o que mais admira ê ser o bicho-homem de pequeno porte. Parece até fraco, e é muito mal servido de unhas e dentes. Deve ser um bicho misterioso e encantado.
— Pois bem, compadre, estou curiosa, e desejo que, sem demora, me conduza ao lugar onde se encontra tão estranho animal.
— Ah, comadre, peça-me tudo, menos isso. Pelos estragos que, de longe, vi o homem fazer com seus malditos espirros, nunca me atreveria a tal aventura ...
— Pois queira ou não queira, tem de mostrar-me o bicho, ou então, agora mesmo perderá a vida.
— Lá por isso não seja - disse o Lobo amedrontado. —Iremos. Mas havemos de tomar todas as precauções. —Eu com a sua licença— posso correr mais do que a comadre. Assim, levaremos uma embira daquelas que não arrebentam nuncaAmarro uma das pontas no pescoço da comadre e a outra em minha cintura. Em caso de perigo, se for preciso fugir, a comadre e eu corremos.
— Fugir! Veja lá o que diz! Você já viu, seu podrela, alguma vez onça fugir?
— Não me expliquei bem. Eu é que fugirei. A comadre será apenas arrastada por mim. Isso não é fugir. Está certo?
— Está bem. Faremos como propõe.
E partiram. A Onça com a embira atada ao pescoço, e o Lobo, muito respeitoso e tímido, a puxá-la.
Quando chegaram ao destino , o bicho-homem, surpreendido ao avistá-los, tirou da cinta a garrucha, e, atarantado, bateu fogo, isto é, espirrou, uma, duas vezes, que foi mesmo um estrondo de todos os diabos.
O Lobo então mais que depressa disparou numa corrida desabalada, redobrando quanto podia as forças para arrastar a Onça pela forte embira que tinha atado nopescoço dela .
De repente, já muito distante, o Lobo sentiu que a Onça estava mais pesada. Parou então e contemplou a companheira estendida no chão, com os dentes arreganhados, sem o mais leve movimento.
O Lobo, sem perceber que a Onça havia morrido enforcada no laço da embira - antes pensando que estivesse apenas cansada —, disse-lhe, tremendo como varas verdes.
— He lá, comadre! Não ri não que o negócio é sério!
GOMES, Lindolfo. IN:Os 100 melhores contos de humor da literatura universal. Org. Flávio Moreira da Costa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001, p. 522-3.
Questão 8369702
CN CN 2006 1 FaseU POR 2007O amigo da onça
A Onça, que é bicho valente - mas nem sempre atilado, como se pensa — , estava quietinha no seu canto, quando lhe apareceu o compadre Lobo e lhe foi dizendo:— Saiba de uma coisa, comadre Onça: você - com perdão da palavra - não é, como supõe, o bicho mais valente e destemido que existe no mundo , nem também o Leão, com toda a sua prosa de rei dos animais.
— Como assim! - gritou a Onça, enfurecida — Então, como é isso, grande pedaço de idiota" Haverá bicho mais valente e poderoso do que eu"
O Lobo, adoçando a voz, respondeu:
— Ó comadre, me perdoe. Estou arrependido de dizer tal coisa ... Mas a minha intenção foi preveni-la contra um bicho terrível que apareceu nesta paragem. Uma pessoa prevenida vale por duas.
— Sim, não deixa você de ter alguma razão — acudiu a Onça mais acomodada. — Mas sempre quero saber o nome desse bicho. Como se chama?
— Esse bicho, comadre, chama-se homem, conforme me disse o amigo papagaio. Nunca vi em minha vida animal de mais perigosa valentia . Ele sim, e ninguém mais, é o que me parece ser mesmo o verdadeiro rei dos animais. Basta dizer que, de longe, o vi matar, com dois espirros, nada menos do que um leão e uma hiena . Ih! Comadre, com o estrondo dos espirros parecia que tudo ia pelos ares. Deus nos livre!
— Oh! Compadre, não me diga!
— É como lhe conto. E o que mais admira ê ser o bicho-homem de pequeno porte. Parece até fraco, e é muito mal servido de unhas e dentes. Deve ser um bicho misterioso e encantado.
— Pois bem, compadre, estou curiosa, e desejo que, sem demora, me conduza ao lugar onde se encontra tão estranho animal.
— Ah, comadre, peça-me tudo, menos isso. Pelos estragos que, de longe, vi o homem fazer com seus malditos espirros, nunca me atreveria a tal aventura ...
— Pois queira ou não queira, tem de mostrar-me o bicho, ou então, agora mesmo perderá a vida.
— Lá por isso não seja - disse o Lobo amedrontado. —Iremos. Mas havemos de tomar todas as precauções. —Eu com a sua licença— posso correr mais do que a comadre. Assim, levaremos uma embira daquelas que não arrebentam nuncaAmarro uma das pontas no pescoço da comadre e a outra em minha cintura. Em caso de perigo, se for preciso fugir, a comadre e eu corremos.
— Fugir! Veja lá o que diz! Você já viu, seu podrela, alguma vez onça fugir?
— Não me expliquei bem. Eu é que fugirei. A comadre será apenas arrastada por mim. Isso não é fugir. Está certo?
— Está bem. Faremos como propõe.
E partiram. A Onça com a embira atada ao pescoço, e o Lobo, muito respeitoso e tímido, a puxá-la.
Quando chegaram ao destino , o bicho-homem, surpreendido ao avistá-los, tirou da cinta a garrucha, e, atarantado, bateu fogo, isto é, espirrou, uma, duas vezes, que foi mesmo um estrondo de todos os diabos.
O Lobo então mais que depressa disparou numa corrida desabalada, redobrando quanto podia as forças para arrastar a Onça pela forte embira que tinha atado nopescoço dela .
De repente, já muito distante, o Lobo sentiu que a Onça estava mais pesada. Parou então e contemplou a companheira estendida no chão, com os dentes arreganhados, sem o mais leve movimento.
O Lobo, sem perceber que a Onça havia morrido enforcada no laço da embira - antes pensando que estivesse apenas cansada —, disse-lhe, tremendo como varas verdes.
— He lá, comadre! Não ri não que o negócio é sério!
GOMES, Lindolfo. IN:Os 100 melhores contos de humor da literatura universal. Org. Flávio Moreira da Costa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001, p. 522-3.
Questão 8369701
CN CN 2006 1 FaseU POR 2007
O amigo da onça
(19)A Onça, que é bicho valente - mas nem sempre atilado, como se pensa — , estava quietinha (48)no seu canto(49), quando lhe apareceu o compadre Lobo(20) e lhe foi dizendo:— Saiba de uma coisa, comadre Onça: você - com perdão da palavra - não é, como supõe, (78)(58)o bicho mais valente e destemido que existe no mundo(59)(79), nem também o Leão, com toda a (50)sua prosa(51) de rei dos animais.
(98)(09) — Como assim! - gritou a Onça, enfurecida(99). - Então, como é isso, grande pedaço de idiota" (60)(29)Haverá bicho mais valente e (38)poderoso do que eu"(10)(39)(61)
O Lobo, adoçando a voz, respondeu:
(82)(21) — Ó comadre, me perdoe(83). (68)Estou arrependido de dizer tal coisa(69) ... (84)Mas a (52)minha intenção (53)foi preveni-la contra um bicho terrível(85) que apareceu nesta paragem(22). Uma pessoa prevenida vale por duas.
(11) — Sim, não deixa você de ter alguma razão — (70)(30)acudiu a Onça(31) mais acomodada(71). - Mas sempre quero saber o nome desse bicho. Como se chama?(12)
(23) — Esse bicho, comadre, chama-se homem, conforme me disse o amigo papagaio. (100)(80)Nunca vi em minha vida animal de mais perigosa valentia(81)(101). Ele sim, e ninguém mais, é o que me parece ser mesmo o verdadeiro rei dos animais. Basta dizer que, de longe, (92)(32)o vi matar(33), com dois espirros, nada menos do que um leão e uma hiena(24)(93). Ih! Comadre, com o estrondo dos espirros parecia que tudo ia pelos ares. (86)Deus nos livre!(87)
(34) — Oh! Compadre, não me diga!(35)
— É como lhe conto. (40)E o que mais admira ê ser(41) o bicho-homem de pequeno porte. (72)Parece até fraco(73), e é (96)muito mal servido de unhas e dentes(97). (102)Deve ser um bicho misterioso e encantado(103).
(13) — Pois bem, compadre, (74)estou curiosa(75), e desejo que, sem demora, me conduza ao (88)lugar onde se encontra tão estranho animal.(14)(89)
(25)— Ah, comadre, peça-me tudo, menos isso. Pelos estragos que, de longe, vi o homem fazer com seus malditos espirros, nunca me atreveria a tal aventura ...(26)
— Pois queira ou não queira, tem de mostrar-me o bicho, ou então, agora mesmo perderá a vida.(16)
— Lã por isso não seja - disse o Lobo amedrontado.- Iremos. (62)(01)Mas havemos de tomar todas as precauções(02)(63). Eu -com a sua licença - posso correr mais do que a comadre. Assim, levaremos uma embira daquelas que não arrebentam nunca. (104)Amarro uma das pontas no pescoço da comadre e (105) a outra em minha cintura. Em caso de perigo, se for preciso fugir, a comadre e eu corremos.
(17)- Fugir! (42)Veja lá o que diz(43)! Você já viu, (54)seu podrela(55), alguma vez onça fugir?(18)
(90) — Não me expliquei bem(91). (44)Eu é que fugirei(45). (94)A comadre será apenas arrastada por mim(95). Isso não é fugir. Está certo?
— Está bem. Faremos como propõe.
(36)E partiram(37). A Onça com a embira atada ao pescoço, e o Lobo, muito respeitoso e tímido, a puxá-la.
(106)(27)(03)Quando chegaram ao destino(04)(107), o bicho-homem, surpreendido ao avistá-los, tirou da cinta a garrucha, e, atarantado, bateu fogo(28), isto é, espirrou, uma, duas vezes, que foi mesmo um estrondo de todos os diabos.
O Lobo então mais que depressa disparou numa corrida desabalada, redobrando quanto podia as forças para arrastar a Onça pela forte embira que (64)tinha atado no (56)pescoço dela(57)(65).
De repente, já muito distante, o Lobo sentiu que (76)a Onça estava mais pesada(77). Parou então e contemplou a companheira estendida no chão, com os dentes arreganhados, sem o mais leve movimento.
O Lobo, (46)sem perceber que a (66)Onça havia(47) morrido enforcada(67) no laço da embira - antes pensando que estivesse apenas cansada — , disse-lhe, (05)tremendo como varas verdes(06)
— He lã, comadre! Não ri não (07)que o negócio é sério!(08)
(GOMES, Lindolfo. IN: Os 100 melhores contos de humor da literatura universal. Org. Flávio Moreira da Costa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001, p. 522-3.)
O amigo da onça
(19)A Onça, que é bicho valente - mas nem sempre atilado, como se pensa — , estava quietinha (48)no seu canto(49), quando lhe apareceu o compadre Lobo(20) e lhe foi dizendo:— Saiba de uma coisa, comadre Onça: você - com perdão da palavra - não é, como supõe, (78)(58)o bicho mais valente e destemido que existe no mundo(59)(79), nem também o Leão, com toda a (50)sua prosa(51) de rei dos animais.
(98)(09) — Como assim! - gritou a Onça, enfurecida(99). - Então, como é isso, grande pedaço de idiota" (60)(29)Haverá bicho mais valente e (38)poderoso do que eu"(10)(39)(61)
O Lobo, adoçando a voz, respondeu:
(82)(21) — Ó comadre, me perdoe(83). (68)Estou arrependido de dizer tal coisa(69) ... (84)Mas a (52)minha intenção (53)foi preveni-la contra um bicho terrível(85) que apareceu nesta paragem(22). Uma pessoa prevenida vale por duas.
(11) — Sim, não deixa você de ter alguma razão — (70)(30)acudiu a Onça(31) mais acomodada(71). - Mas sempre quero saber o nome desse bicho. Como se chama?(12)
(23) — Esse bicho, comadre, chama-se homem, conforme me disse o amigo papagaio. (100)(80)Nunca vi em minha vida animal de mais perigosa valentia(81)(101). Ele sim, e ninguém mais, é o que me parece ser mesmo o verdadeiro rei dos animais. Basta dizer que, de longe, (92)(32)o vi matar(33), com dois espirros, nada menos do que um leão e uma hiena(24)(93). Ih! Comadre, com o estrondo dos espirros parecia que tudo ia pelos ares. (86)Deus nos livre!(87)
(34) — Oh! Compadre, não me diga!(35)
— É como lhe conto. (40)E o que mais admira ê ser(41) o bicho-homem de pequeno porte. (72)Parece até fraco(73), e é (96)muito mal servido de unhas e dentes(97). (102)Deve ser um bicho misterioso e encantado(103).
(13) — Pois bem, compadre, (74)estou curiosa(75), e desejo que, sem demora, me conduza ao (88)lugar onde se encontra tão estranho animal.(14)(89)
(25)— Ah, comadre, peça-me tudo, menos isso. Pelos estragos que, de longe, vi o homem fazer com seus malditos espirros, nunca me atreveria a tal aventura ...(26)
— Pois queira ou não queira, tem de mostrar-me o bicho, ou então, agora mesmo perderá a vida.(16)
— Lã por isso não seja - disse o Lobo amedrontado.- Iremos. (62)(01)Mas havemos de tomar todas as precauções(02)(63). Eu -com a sua licença - posso correr mais do que a comadre. Assim, levaremos uma embira daquelas que não arrebentam nunca. (104)Amarro uma das pontas no pescoço da comadre e (105) a outra em minha cintura. Em caso de perigo, se for preciso fugir, a comadre e eu corremos.
(17)- Fugir! (42)Veja lá o que diz(43)! Você já viu, (54)seu podrela(55), alguma vez onça fugir?(18)
(90) — Não me expliquei bem(91). (44)Eu é que fugirei(45). (94)A comadre será apenas arrastada por mim(95). Isso não é fugir. Está certo?
— Está bem. Faremos como propõe.
(36)E partiram(37). A Onça com a embira atada ao pescoço, e o Lobo, muito respeitoso e tímido, a puxá-la.
(106)(27)(03)Quando chegaram ao destino(04)(107), o bicho-homem, surpreendido ao avistá-los, tirou da cinta a garrucha, e, atarantado, bateu fogo(28), isto é, espirrou, uma, duas vezes, que foi mesmo um estrondo de todos os diabos.
O Lobo então mais que depressa disparou numa corrida desabalada, redobrando quanto podia as forças para arrastar a Onça pela forte embira que (64)tinha atado no (56)pescoço dela(57)(65).
De repente, já muito distante, o Lobo sentiu que (76)a Onça estava mais pesada(77). Parou então e contemplou a companheira estendida no chão, com os dentes arreganhados, sem o mais leve movimento.
O Lobo, (46)sem perceber que a (66)Onça havia(47) morrido enforcada(67) no laço da embira - antes pensando que estivesse apenas cansada — , disse-lhe, (05)tremendo como varas verdes(06)
— He lã, comadre! Não ri não (07)que o negócio é sério!(08)
(GOMES, Lindolfo. IN: Os 100 melhores contos de humor da literatura universal. Org. Flávio Moreira da Costa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001, p. 522-3.)
Assinale a opção que apresenta a análise correta do sujeito da forma verbal em destaque.
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