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Questão 17 170032
IFMT 2010/1Texto 4
O DESAFIO DE INCLUSÃO DAS CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN
Ruth de Aquino
[1] “Clara” não é normal – porque, aos sete anos, já é uma celebridade nacional. Sua vida não é como a das outras
crianças. De repente, “Clara” precisa pegar o avião de São Paulo para o Rio de Janeiro, perder aulas, deixar o
pai e correr com a mãe para a TV Globo para gravar cenas da novela Páginas da Vida. Ali, ela finge ser uma
menina discriminada por professores, órfã de mãe, rejeitada pelo pai, abandonada pela avó vilã e defendida por
uma mãe adotiva guerreira, a “Helena”. Nos bastidores das gravações, “Clara” é uma estrela. Coleguinhas a
cercam e mimam com beijinhos e biscoitos, jornalistas brasileiros e estrangeiros a assediam. “Clara” se cansa,
às vezes fica emburrada, mas está ali porque quer. Quando foi escolhida para interpretar a menina com
síndrome de Down na novela de Manoel Carlos e chacoalhar os preconceitos e mitos que continuam vivos na
população brasileira, seus pais, o cineasta Evaldo Mocarzel e Letícia Santos, explicaram que seria cansativo:
“Você quer mesmo fazer essa novela?”. “Eu vou fazer”, disse Joana Mocarzel, a “Clara” na vida real, com a
autonomia e convicção de uma criança feliz, aceita e bem resolvida. Assim como Joana, cerca de 8 mil bebês
nascem por ano no Brasil com síndrome de Down.
[2] Assumir um filho biológico Down e lutar por ele é uma atitude que todos compreendem e admiram. Adotar é uma
decisão que foge ao entendimento comum. Muitas pessoas inteligentes, educadas e instruídas reagem de forma
irracional. “Essa mulher deve ser internada.” Ou “essa mulher deve ser colocada num pedestal”. As duas reações
irritam igualmente a “Helenas”. Nem loucas nem santas. As mulheres que decidem adotar crianças Down o
fazem por motivos individuais e intransferíveis. Não existe nem um pingo de caridade nisso. Fazem por elas
mesmas, porque acham mais rica a vida assim. E se lançam num aprendizado que não tem fim.
[3] A falta de informação sobre o que é a síndrome de Down é a maior vilã. Mitos e tabus fortes vêm de tempos
remotos. Lendas diziam que essa s crianças eram “filhos da cobra”, por terem olhos puxados e o pescoço mais
grosso. Muitas eram sacrificadas, colocadas por xamãs em cestinhas com ovos para a cobra comer. Não menos
cruel é a atitude de tempos recentes. Por falta de estímulos e abandono, a maioria dos Down era deixada em
sanatórios e ficava retardada. Em 1866, essa anomalia genética foi primeiramente chamada de mongolismo, por
causa dos traços orientais identificados pelo médico inglês John Langdon Down. Daí a expressão mongolóide,
que se tornou pejorativa, associada a retardo mental. Só em 1958, o médico francês Jérome Lejeune detalhou a
síndrome genética e, em homenagem ao doutor Down, rebatizou a anomalia. Lajeune descobriu o que tornara os
Down “diferentes” dos outros e semelhantes entre si: um cromossomo extra no par 21, dos 23 pares de
cromossomos existentes em cada célula humana.
[4] A novela do horário nobre da Globo está levantando uma questão que ainda incomoda. A idéia de incluir uma
menina Down surgiu do longa-metragem dirigido por Evaldo Mocarzel, pai de Joana, a Clara da novela. Quando
Joana nasceu, Evaldo viu seu mundo desmoronar por falta de informação. Só aceitou a filha de fato quando ela
se submeteu a uma cirurgia de coração, aos 4 meses de idade. “Nesse momento”, diz Evaldo, “pensei: eu quero
ou não que essa menina vingue?”. Foi quando percebeu que sua felicidade dependia do sucesso da operação de
Joana. “Fiz o documentário que eu gostaria de ter visto na maternidade. Exorcizei meus fantasmas quando
Joana se operou”, diz ele.
Fonte: AQUINO, Ruth de. O desafio da inclusão de crianças com síndrome de Down. Revista Época, [s.l.:s.n.], [200-].
De acordo com o texto, crianças com síndrome de Down são:
Questão 15 170030
IFMT 2010/1Texto 4
O DESAFIO DE INCLUSÃO DAS CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN
Ruth de Aquino
[1] “Clara” não é normal – porque, aos sete anos, já é uma celebridade nacional. Sua vida não é como a das outras
crianças. De repente, “Clara” precisa pegar o avião de São Paulo para o Rio de Janeiro, perder aulas, deixar o
pai e correr com a mãe para a TV Globo para gravar cenas da novela Páginas da Vida. Ali, ela finge ser uma
menina discriminada por professores, órfã de mãe, rejeitada pelo pai, abandonada pela avó vilã e defendida por
uma mãe adotiva guerreira, a “Helena”. Nos bastidores das gravações, “Clara” é uma estrela. Coleguinhas a
cercam e mimam com beijinhos e biscoitos, jornalistas brasileiros e estrangeiros a assediam. “Clara” se cansa,
às vezes fica emburrada, mas está ali porque quer. Quando foi escolhida para interpretar a menina com
síndrome de Down na novela de Manoel Carlos e chacoalhar os preconceitos e mitos que continuam vivos na
população brasileira, seus pais, o cineasta Evaldo Mocarzel e Letícia Santos, explicaram que seria cansativo:
“Você quer mesmo fazer essa novela?”. “Eu vou fazer”, disse Joana Mocarzel, a “Clara” na vida real, com a
autonomia e convicção de uma criança feliz, aceita e bem resolvida. Assim como Joana, cerca de 8 mil bebês
nascem por ano no Brasil com síndrome de Down.
[2] Assumir um filho biológico Down e lutar por ele é uma atitude que todos compreendem e admiram. Adotar é uma
decisão que foge ao entendimento comum. Muitas pessoas inteligentes, educadas e instruídas reagem de forma
irracional. “Essa mulher deve ser internada.” Ou “essa mulher deve ser colocada num pedestal”. As duas reações
irritam igualmente a “Helenas”. Nem loucas nem santas. As mulheres que decidem adotar crianças Down o
fazem por motivos individuais e intransferíveis. Não existe nem um pingo de caridade nisso. Fazem por elas
mesmas, porque acham mais rica a vida assim. E se lançam num aprendizado que não tem fim.
[3] A falta de informação sobre o que é a síndrome de Down é a maior vilã. Mitos e tabus fortes vêm de tempos
remotos. Lendas diziam que essa s crianças eram “filhos da cobra”, por terem olhos puxados e o pescoço mais
grosso. Muitas eram sacrificadas, colocadas por xamãs em cestinhas com ovos para a cobra comer. Não menos
cruel é a atitude de tempos recentes. Por falta de estímulos e abandono, a maioria dos Down era deixada em
sanatórios e ficava retardada. Em 1866, essa anomalia genética foi primeiramente chamada de mongolismo, por
causa dos traços orientais identificados pelo médico inglês John Langdon Down. Daí a expressão mongolóide,
que se tornou pejorativa, associada a retardo mental. Só em 1958, o médico francês Jérome Lejeune detalhou a
síndrome genética e, em homenagem ao doutor Down, rebatizou a anomalia. Lajeune descobriu o que tornara os
Down “diferentes” dos outros e semelhantes entre si: um cromossomo extra no par 21, dos 23 pares de
cromossomos existentes em cada célula humana.
[4] A novela do horário nobre da Globo está levantando uma questão que ainda incomoda. A idéia de incluir uma
menina Down surgiu do longa-metragem dirigido por Evaldo Mocarzel, pai de Joana, a Clara da novela. Quando
Joana nasceu, Evaldo viu seu mundo desmoronar por falta de informação. Só aceitou a filha de fato quando ela
se submeteu a uma cirurgia de coração, aos 4 meses de idade. “Nesse momento”, diz Evaldo, “pensei: eu quero
ou não que essa menina vingue?”. Foi quando percebeu que sua felicidade dependia do sucesso da operação de
Joana. “Fiz o documentário que eu gostaria de ter visto na maternidade. Exorcizei meus fantasmas quando
Joana se operou”, diz ele.
Fonte: AQUINO, Ruth de. O desafio da inclusão de crianças com síndrome de Down. Revista Época, [s.l.:s.n.], [200-].
Em “’Clara’ é uma estrela” (1º parágrafo), há um recurso estilístico de figura de linguagem que compara Clara com uma estrela. Esta relação é possível, porque:
Questão 14 170029
IFMT 2010/1Texto 4
O DESAFIO DE INCLUSÃO DAS CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN
Ruth de Aquino
[1] “Clara” não é normal – porque, aos sete anos, já é uma celebridade nacional. Sua vida não é como a das outras
crianças. De repente, “Clara” precisa pegar o avião de São Paulo para o Rio de Janeiro, perder aulas, deixar o
pai e correr com a mãe para a TV Globo para gravar cenas da novela Páginas da Vida. Ali, ela finge ser uma
menina discriminada por professores, órfã de mãe, rejeitada pelo pai, abandonada pela avó vilã e defendida por
uma mãe adotiva guerreira, a “Helena”. Nos bastidores das gravações, “Clara” é uma estrela. Coleguinhas a
cercam e mimam com beijinhos e biscoitos, jornalistas brasileiros e estrangeiros a assediam. “Clara” se cansa,
às vezes fica emburrada, mas está ali porque quer. Quando foi escolhida para interpretar a menina com
síndrome de Down na novela de Manoel Carlos e chacoalhar os preconceitos e mitos que continuam vivos na
população brasileira, seus pais, o cineasta Evaldo Mocarzel e Letícia Santos, explicaram que seria cansativo:
“Você quer mesmo fazer essa novela?”. “Eu vou fazer”, disse Joana Mocarzel, a “Clara” na vida real, com a
autonomia e convicção de uma criança feliz, aceita e bem resolvida. Assim como Joana, cerca de 8 mil bebês
nascem por ano no Brasil com síndrome de Down.
[2] Assumir um filho biológico Down e lutar por ele é uma atitude que todos compreendem e admiram. Adotar é uma
decisão que foge ao entendimento comum. Muitas pessoas inteligentes, educadas e instruídas reagem de forma
irracional. “Essa mulher deve ser internada.” Ou “essa mulher deve ser colocada num pedestal”. As duas reações
irritam igualmente a “Helenas”. Nem loucas nem santas. As mulheres que decidem adotar crianças Down o
fazem por motivos individuais e intransferíveis. Não existe nem um pingo de caridade nisso. Fazem por elas
mesmas, porque acham mais rica a vida assim. E se lançam num aprendizado que não tem fim.
[3] A falta de informação sobre o que é a síndrome de Down é a maior vilã. Mitos e tabus fortes vêm de tempos
remotos. Lendas diziam que essa s crianças eram “filhos da cobra”, por terem olhos puxados e o pescoço mais
grosso. Muitas eram sacrificadas, colocadas por xamãs em cestinhas com ovos para a cobra comer. Não menos
cruel é a atitude de tempos recentes. Por falta de estímulos e abandono, a maioria dos Down era deixada em
sanatórios e ficava retardada. Em 1866, essa anomalia genética foi primeiramente chamada de mongolismo, por
causa dos traços orientais identificados pelo médico inglês John Langdon Down. Daí a expressão mongolóide,
que se tornou pejorativa, associada a retardo mental. Só em 1958, o médico francês Jérome Lejeune detalhou a
síndrome genética e, em homenagem ao doutor Down, rebatizou a anomalia. Lajeune descobriu o que tornara os
Down “diferentes” dos outros e semelhantes entre si: um cromossomo extra no par 21, dos 23 pares de
cromossomos existentes em cada célula humana.
[4] A novela do horário nobre da Globo está levantando uma questão que ainda incomoda. A idéia de incluir uma
menina Down surgiu do longa-metragem dirigido por Evaldo Mocarzel, pai de Joana, a Clara da novela. Quando
Joana nasceu, Evaldo viu seu mundo desmoronar por falta de informação. Só aceitou a filha de fato quando ela
se submeteu a uma cirurgia de coração, aos 4 meses de idade. “Nesse momento”, diz Evaldo, “pensei: eu quero
ou não que essa menina vingue?”. Foi quando percebeu que sua felicidade dependia do sucesso da operação de
Joana. “Fiz o documentário que eu gostaria de ter visto na maternidade. Exorcizei meus fantasmas quando
Joana se operou”, diz ele.
Fonte: AQUINO, Ruth de. O desafio da inclusão de crianças com síndrome de Down. Revista Época, [s.l.:s.n.], [200-].
As questões de 14 a 18 referem-se ao Texto 4.
Considerando os mecanismos de articulação de sentido, o advérbio grifado na frase “[...] porque, aos sete anos, já é uma celebridade nacional” (1º parágrafo) sugere:
Questão 13 170028
IFMT 2010/1Texto
O país em negro e branco

Fonte: IBGE/IPEA. Razões da desigualdade. [s.I.:s.n.], [200-]. (Dados referentes a 2004.)
A leitura do quadro que diferencia os brancos dos negros revela que população brasileira:
Questão 12 170027
IFMT 2010/1TEXTO
O PAÍS EM NEGRO E BRANCO

Fonte: IBGE/IPEA. Razões da desigualdade. [s.I.;s.n.], [200-]. (Dados referentes a 2004)
Embora os negros representem praticamente a metade da população brasileira, os dados estatísticos do texto revelam que:
Questão 10 170025
IFMT 2010/1Texto 2
RACISMO É BURRICE
Gabriel, o Pensador
[1] Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
“O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar”
Racismo, preconceito e discriminação em geral
É uma burrice coletiva sem explicação
[5] Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente infelizmente preconceitos mil
De naturezas diferentes mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra e não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
[10] Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A “elite” que deveria dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
[15] Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
[20] Uma espécie de lavagem cerebral
Racismo é burrice
Não seja um imbecil, não seja um ignorante
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco
[25] Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda, então olhe para trás
Olhe a nossa história, os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
[30] A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo e preto
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?
Barrigas cresceram, o tempo passou
Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor
[35] Uns com a pele clara, outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então, presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse, racismo é burrice
Dê à ignorância um ponto final:
[40] Faça uma lavagem cerebral
Racismo é burrice [...]
O PENSADOR, Gabriel. Racismo é burrice. Disponível em: . Acesso em: 9 set. 2009.
O autor dessa canção chama-se Gabriel, o Pensador, nome artístico de Gabriel Contino. A mudança de seu sobrenome para “o Pensador” pode ser explicada porque:
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