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Questão 8366573
EFOMM EFOMM 2011 1 FaseU PORING 2011A última crônica
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando- se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. Ao meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho — um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns pra você. . .“ Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo, O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido — vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
Considerando-se a colocação pronominal, assinale a opção que apresenta a possibilidade de deslocamento do pronome átono.SABINO, Fernando. A companheira de viagem. Rio de Janeiro: Record, 1972.
Questão 8366572
EFOMM EFOMM 2011 1 FaseU PORING 2011A última crônica
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando- se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. Ao meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho — um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns pra você. . .“ Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo, O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido — vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
Chama-se derivação imprópria ou conversão a um tipo de formação de palavra. Assinale a opção em que esse tipo de derivação encontra-se sublinhado.SABINO, Fernando. A companheira de viagem. Rio de Janeiro: Record, 1972.
Questão 12 624460
COTUCA 2011Leia com atenção o texto abaixo:
“E quem garante que a História
É carroça abandonada
Numa beira de estrada
Ou numa estação inglória?
A História é um carro alegre,
Cheio de um povo contente,
Que atropela indiferente
Todo aquele que a negue.
É um trem riscando trilhos,
Abrindo novos espaços,
Acenando muitos braços,
Balançando nossos filhos.”
(Pablo Milanés/ Versão de Chico Buarque; Canción por unidad latinoamericana)
A partir da leitura do poema, é CORRETO afirmar que:
I. O autor propõe a primeira estrofe com o objetivo de duvidar de uma idéia segundo a qual a História só fala do passado e, portanto, a ele pertence.
II. Na opinião do autor, a História é sempre atual, presente e, sobretudo, feita, realizada por todos.
III. O autor, na segunda estrofe, refere-se às pessoas que, não gostando da disciplina História, negam-se a estudá-la, sendo cobradas por isso.
IV. Segundo o autor, a história é sempre nova, sempre se fazendo, sempre vívida, percebendo-se isso, principalmente, pela referência que o poeta faz a “nossos filhos”.
V. O autor tem uma visão romântica da História, fazendo crer que nela não acontecem coisas trágicas, nem ruins, já que, segundo ele, o povo está sempre contente.
Assim, a alternativa em que só aparecem comentários CORRETOS sobre o texto é:
Questão 6 624421
COTUCA 2011Alguns falantes da língua, por não conhecerem as regras da forma culta, cometem graves equívocos. Observe esta conversa entre duas amigas:
Joana – Oi, Madalena!
Madalena – Oi! Como cê tá, querida?
Joana – Mais ou menos. Ontem, meu marido, Gérson, bateu o carro. Foi ao encontro de uma árvore.
Madalena – Que horror! Ele se feriu? Aonde ele ia?
Joana – Não, tá tudo bem. Ele tava indo no supermercado e seu celular tocou. Ele baixou para pegar o aparelho que tinha caído no chão. Foi uma distração que vai sair cara.
Assinale a alternativa CORRETA
Questão 5 624416
COTUCA 2011Leia com atenção o texto abaixo:
“Um dos personagens mais quixotescos dos quadrinhos nacionais, Jeremias, o Bom, está de volta. Com pouco mais de quarenta anos, ainda elegante, sempre polido e bem vestido – com terno de corte impecável, gravata arrumadinha e sapatos engraxados – continua sempre disposto a ajudar, sua marca registrada. Como o definiu Antonio Callado, um cara pronto a entregar o coração aos transplantes. (...)”
(STAUT, Alexandre. Fim de semana. Gazeta Mercantil, v.08/janeiro, p.7, 2007.)
Várias razões determinam o emprego da vírgula, entre elas:
• isolar o aposto;
• identificar o deslocamento de uma expressão adverbial e
• separar os elementos de uma lista.
Dentre as alternativas abaixo, indique aquela que apresenta, respectivamente, exemplos para cada um desses usos da vírgula.
Questão 2 624396
COTUCA 2011Você sabe que o uso da pontuação correta numa frase é muito importante, sendo que sua má aplicação pode, inclusive, mudar o sentido daquilo que se quer comunicar. Desse modo, observe as duplas de frases abaixo e selecione a alternativa CORRETA.
I. Meu irmão, que mora no Ceará, chegará amanhã pela manhã.
II. Meu irmão que mora no Ceará chegará amanhã pela manhã.
III. Os alunos, que estavam uniformizados, entraram na quadra.
IV. Os alunos que estavam uniformizados entraram na quadra.
06
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