Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 5 15426870
CBNB 6 Ano 2022TEXTO
O bife-lá-da-esquina
(Lygia Bojunga Nunes)
Quando Tuca saía da escola, ele ia direto ajudar um amigo a lavar carro.
Quer dizer, não era bem um amigo, era mais um patrão.
Ou melhor, não era bem um patrão, era mais um sócio. Quer dizer, não era bem um sócio… Um Momentinho vamos começar outra vez: quando o Tuca saía da escola, ele ia direto ajudar um cara a lavar carro. O cara era faxineiro de um edifício lá na Rua São Clemente. Ganhava salário mínimo. Então, pro dinheiro não ficar assim tão mínimo, ele lavava os carros dos moradores do edifício e ganhava em dobro.
Um dia, o Tuca passou por ali procurando um biscate, já que emprego ele não encontrava mesmo. Conversa vai, conversa vem, o faxineiro perguntou se o Tuca não queria fazer sociedade naquele negócio de lavar carro.
- Sociedade como?
- Você pega aí um ou outro carro pra lavar e eu te dou 10% de tudo que eu ganho.
O Tuca achou ótimo. E naquele dia mesmo começou a trabalhar.
Mas aí foi acontecendo o seguinte: mal o Tuca chegava, o faxineiro ia pro botequim da esquina tomar umas e outras; quando voltava, se ajeitava num escurinho da garagem; logo depois estava roncando.
E o Tuca ficava lavando sozinho tudo que é carro que tinha pra lavar
Um dia o Tuca achou que estava trabalhando sozinho demais e que então a tal matemática dos 10% não estava bem certa: reclamou.
O faxineiro não gostou:
- Escuta aqui, meu irmão, tem pelo menos 100 moleques que passam todo dia aí na rua querendo pegar esse emprego que eu te dei.
Então você já viu: tô te fazendo um bruto dum favor. Não precisa ficar toda vida me agradecendo. — Fechou a cara. — Mas também não quero reclamação. Não tá contente, pode dar o fora. E já. Tá?
Os trocados que o Tuca recebia lá na garagem bem que ajudavam pra ir levando comida pra casa. Então, o que que era melhor, quer dizer, pior: continuar de matemática esquisita ou perder o biscate?
E o Tuca continuou lavando carro.
Às vezes o porteiro do edifício chamava o faxineiro. O Tuca respondia do jeito que tinha sido ensinado:
Tá lavando um carro lá fora: vou chamar. E dava uma corrida até o botequim pra avisar.
O faxineiro virava a cachaça num gole e saía correndo. O Tuca vinha atrás. Mas sem pressa nenhuma. Só pra poder passar bem devagar pelo restaurante lá da esquina. Que beleza! Se chamava “O Paraíso dos Bifes”. Da calçada a gente via tudo lá dentro pela parede de vidro. Mas não se ouvia nada, de tão bem fechado que era, de tão ar condicionado por dentro. E gente comendo, e garçom pra cá e pra lá, e tão gostoso de olhar: assim: feito quando a gente olha pra um aquário. Quem diz que o Tuca resistia? Parava, e toca a olhar.
Tinha mesa junto do vidro. E sempre, sempre! Os fregueses estavam comendo bife. A companhia do bife mudava muito:
Com arroz
Com salada
Com aspargos
Com ovo em cima…
A cor do bife mudava um pouco:
Ao ponto
Mal passado
Bem passado.
Mas o que nunca mudava era o jeito fundo que o garfo e a faca entravam no bife. Quanto mais o Tuca olhava, mais impressionado ele ficava com aquele jeito fundo do talher ir se enterrando; que carne tão macia era aquela, meu deus? Tão impressionado, que um dia ele foi chegando mais pra perto, acabou achatando o nariz no vidro. Um garçom foi lá pra dizer que o freguês estava perdendo o apetite de tanto que o Tuca olhava pro bife. Então, daí pra frente, o Tuca passava devagar e olhava disfarçado. E só depois de passar muitas vezes é que ele prestou atenção na placa pequena, que tinha do lado da porta: era a lista dos bifes da casa: nome, companhia e preço de cada bife. O Tuca era mesmo fraco em matemática: então ele acabou ficando ali um tempão querendo calcular quantos carros ele ia ter que lavar para um dia comer um bife daqueles.
(...)
Lá na cozinha do Rodrigo, o Tuca tinha se esquecido da vida. Só fazia era olhar pros bifes que a cozinheira temperava (o dedo dela também se enterrava na carne de um jeito tão fácil, tão fundo!).
- Tá dormindo em pé, cara? — E o Rodrigo puxou o Tuca. Foram pra sala.
BOJUNGA, Lygia. Tchau. 19. ed. Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 2014.
A conjugação dos verbos da Língua Portuguesa costuma obedecer a determinados padrões de terminações de acordo com aspectos tais como o tempo, o modo, o número e a pessoa. Os verbos que seguem esses padrões são chamados de regulares e os que não seguem são os chamados verbos irregulares.
Assinale a alternativa que apresenta um verbo irregular no Pretérito Imperfeito do modo Indicativo extraído do texto.
Questão 4 15426869
CBNB 6 Ano 2022TEXTO
O bife-lá-da-esquina
(Lygia Bojunga Nunes)
Quando Tuca saía da escola, ele ia direto ajudar um amigo a lavar carro.
Quer dizer, não era bem um amigo, era mais um patrão.
Ou melhor, não era bem um patrão, era mais um sócio. Quer dizer, não era bem um sócio… Um Momentinho vamos começar outra vez: quando o Tuca saía da escola, ele ia direto ajudar um cara a lavar carro. O cara era faxineiro de um edifício lá na Rua São Clemente. Ganhava salário mínimo. Então, pro dinheiro não ficar assim tão mínimo, ele lavava os carros dos moradores do edifício e ganhava em dobro.
Um dia, o Tuca passou por ali procurando um biscate, já que emprego ele não encontrava mesmo. Conversa vai, conversa vem, o faxineiro perguntou se o Tuca não queria fazer sociedade naquele negócio de lavar carro.
- Sociedade como?
- Você pega aí um ou outro carro pra lavar e eu te dou 10% de tudo que eu ganho.
O Tuca achou ótimo. E naquele dia mesmo começou a trabalhar.
Mas aí foi acontecendo o seguinte: mal o Tuca chegava, o faxineiro ia pro botequim da esquina tomar umas e outras; quando voltava, se ajeitava num escurinho da garagem; logo depois estava roncando.
E o Tuca ficava lavando sozinho tudo que é carro que tinha pra lavar
Um dia o Tuca achou que estava trabalhando sozinho demais e que então a tal matemática dos 10% não estava bem certa: reclamou.
O faxineiro não gostou:
- Escuta aqui, meu irmão, tem pelo menos 100 moleques que passam todo dia aí na rua querendo pegar esse emprego que eu te dei.
Então você já viu: tô te fazendo um bruto dum favor. Não precisa ficar toda vida me agradecendo. — Fechou a cara. — Mas também não quero reclamação. Não tá contente, pode dar o fora. E já. Tá?
Os trocados que o Tuca recebia lá na garagem bem que ajudavam pra ir levando comida pra casa. Então, o que que era melhor, quer dizer, pior: continuar de matemática esquisita ou perder o biscate?
E o Tuca continuou lavando carro.
Às vezes o porteiro do edifício chamava o faxineiro. O Tuca respondia do jeito que tinha sido ensinado:
Tá lavando um carro lá fora: vou chamar. E dava uma corrida até o botequim pra avisar.
O faxineiro virava a cachaça num gole e saía correndo. O Tuca vinha atrás. Mas sem pressa nenhuma. Só pra poder passar bem devagar pelo restaurante lá da esquina. Que beleza! Se chamava “O Paraíso dos Bifes”. Da calçada a gente via tudo lá dentro pela parede de vidro. Mas não se ouvia nada, de tão bem fechado que era, de tão ar condicionado por dentro. E gente comendo, e garçom pra cá e pra lá, e tão gostoso de olhar: assim: feito quando a gente olha pra um aquário. Quem diz que o Tuca resistia? Parava, e toca a olhar.
Tinha mesa junto do vidro. E sempre, sempre! Os fregueses estavam comendo bife. A companhia do bife mudava muito:
Com arroz
Com salada
Com aspargos
Com ovo em cima…
A cor do bife mudava um pouco:
Ao ponto
Mal passado
Bem passado.
Mas o que nunca mudava era o jeito fundo que o garfo e a faca entravam no bife. Quanto mais o Tuca olhava, mais impressionado ele ficava com aquele jeito fundo do talher ir se enterrando; que carne tão macia era aquela, meu deus? Tão impressionado, que um dia ele foi chegando mais pra perto, acabou achatando o nariz no vidro. Um garçom foi lá pra dizer que o freguês estava perdendo o apetite de tanto que o Tuca olhava pro bife. Então, daí pra frente, o Tuca passava devagar e olhava disfarçado. E só depois de passar muitas vezes é que ele prestou atenção na placa pequena, que tinha do lado da porta: era a lista dos bifes da casa: nome, companhia e preço de cada bife. O Tuca era mesmo fraco em matemática: então ele acabou ficando ali um tempão querendo calcular quantos carros ele ia ter que lavar para um dia comer um bife daqueles.
(...)
Lá na cozinha do Rodrigo, o Tuca tinha se esquecido da vida. Só fazia era olhar pros bifes que a cozinheira temperava (o dedo dela também se enterrava na carne de um jeito tão fácil, tão fundo!).
- Tá dormindo em pé, cara? — E o Rodrigo puxou o Tuca. Foram pra sala.
BOJUNGA, Lygia. Tchau. 19. ed. Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 2014.
Das frases abaixo, a única que apresenta um registro formal da linguagem é:
Questão 3 15426866
CBNB 6 Ano 2022TEXTO
O bife-lá-da-esquina
(Lygia Bojunga Nunes)
Quando Tuca saía da escola, ele ia direto ajudar um amigo a lavar carro.
Quer dizer, não era bem um amigo, era mais um patrão.
Ou melhor, não era bem um patrão, era mais um sócio. Quer dizer, não era bem um sócio… Um Momentinho vamos começar outra vez: quando o Tuca saía da escola, ele ia direto ajudar um cara a lavar carro. O cara era faxineiro de um edifício lá na Rua São Clemente. Ganhava salário mínimo. Então, pro dinheiro não ficar assim tão mínimo, ele lavava os carros dos moradores do edifício e ganhava em dobro.
Um dia, o Tuca passou por ali procurando um biscate, já que emprego ele não encontrava mesmo. Conversa vai, conversa vem, o faxineiro perguntou se o Tuca não queria fazer sociedade naquele negócio de lavar carro.
- Sociedade como?
- Você pega aí um ou outro carro pra lavar e eu te dou 10% de tudo que eu ganho.
O Tuca achou ótimo. E naquele dia mesmo começou a trabalhar.
Mas aí foi acontecendo o seguinte: mal o Tuca chegava, o faxineiro ia pro botequim da esquina tomar umas e outras; quando voltava, se ajeitava num escurinho da garagem; logo depois estava roncando.
E o Tuca ficava lavando sozinho tudo que é carro que tinha pra lavar
Um dia o Tuca achou que estava trabalhando sozinho demais e que então a tal matemática dos 10% não estava bem certa: reclamou.
O faxineiro não gostou:
- Escuta aqui, meu irmão, tem pelo menos 100 moleques que passam todo dia aí na rua querendo pegar esse emprego que eu te dei.
Então você já viu: tô te fazendo um bruto dum favor. Não precisa ficar toda vida me agradecendo. — Fechou a cara. — Mas também não quero reclamação. Não tá contente, pode dar o fora. E já. Tá?
Os trocados que o Tuca recebia lá na garagem bem que ajudavam pra ir levando comida pra casa. Então, o que que era melhor, quer dizer, pior: continuar de matemática esquisita ou perder o biscate?
E o Tuca continuou lavando carro.
Às vezes o porteiro do edifício chamava o faxineiro. O Tuca respondia do jeito que tinha sido ensinado:
Tá lavando um carro lá fora: vou chamar. E dava uma corrida até o botequim pra avisar.
O faxineiro virava a cachaça num gole e saía correndo. O Tuca vinha atrás. Mas sem pressa nenhuma. Só pra poder passar bem devagar pelo restaurante lá da esquina. Que beleza! Se chamava “O Paraíso dos Bifes”. Da calçada a gente via tudo lá dentro pela parede de vidro. Mas não se ouvia nada, de tão bem fechado que era, de tão ar condicionado por dentro. E gente comendo, e garçom pra cá e pra lá, e tão gostoso de olhar: assim: feito quando a gente olha pra um aquário. Quem diz que o Tuca resistia? Parava, e toca a olhar.
Tinha mesa junto do vidro. E sempre, sempre! Os fregueses estavam comendo bife. A companhia do bife mudava muito:
Com arroz
Com salada
Com aspargos
Com ovo em cima…
A cor do bife mudava um pouco:
Ao ponto
Mal passado
Bem passado.
Mas o que nunca mudava era o jeito fundo que o garfo e a faca entravam no bife. Quanto mais o Tuca olhava, mais impressionado ele ficava com aquele jeito fundo do talher ir se enterrando; que carne tão macia era aquela, meu deus? Tão impressionado, que um dia ele foi chegando mais pra perto, acabou achatando o nariz no vidro. Um garçom foi lá pra dizer que o freguês estava perdendo o apetite de tanto que o Tuca olhava pro bife. Então, daí pra frente, o Tuca passava devagar e olhava disfarçado. E só depois de passar muitas vezes é que ele prestou atenção na placa pequena, que tinha do lado da porta: era a lista dos bifes da casa: nome, companhia e preço de cada bife. O Tuca era mesmo fraco em matemática: então ele acabou ficando ali um tempão querendo calcular quantos carros ele ia ter que lavar para um dia comer um bife daqueles.
(...)
Lá na cozinha do Rodrigo, o Tuca tinha se esquecido da vida. Só fazia era olhar pros bifes que a cozinheira temperava (o dedo dela também se enterrava na carne de um jeito tão fácil, tão fundo!).
- Tá dormindo em pé, cara? — E o Rodrigo puxou o Tuca. Foram pra sala.
BOJUNGA, Lygia. Tchau. 19. ed. Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 2014.
Observe o trecho abaixo, extraído do texto:
“A cor do bife mudava um pouco:
Ao ponto.
MAL passado.
Bem passado.”
A palavra “MAL”, destacada no trecho acima, pode, em contextos diferentes, assumir outros significados e outras classes gramaticais.
Marque a opção em que essa palavra esteja empregada com o mesmo significado e a mesma classe do emprego acima:
Questão 2 15426865
CBNB 6 Ano 2022TEXTO
O bife-lá-da-esquina
(Lygia Bojunga Nunes)
Quando Tuca saía da escola, ele ia direto ajudar um amigo a lavar carro.
Quer dizer, não era bem um amigo, era mais um patrão.
Ou melhor, não era bem um patrão, era mais um sócio. Quer dizer, não era bem um sócio… Um Momentinho vamos começar outra vez: quando o Tuca saía da escola, ele ia direto ajudar um cara a lavar carro. O cara era faxineiro de um edifício lá na Rua São Clemente. Ganhava salário mínimo. Então, pro dinheiro não ficar assim tão mínimo, ele lavava os carros dos moradores do edifício e ganhava em dobro.
Um dia, o Tuca passou por ali procurando um biscate, já que emprego ele não encontrava mesmo. Conversa vai, conversa vem, o faxineiro perguntou se o Tuca não queria fazer sociedade naquele negócio de lavar carro.
- Sociedade como?
- Você pega aí um ou outro carro pra lavar e eu te dou 10% de tudo que eu ganho.
O Tuca achou ótimo. E naquele dia mesmo começou a trabalhar.
Mas aí foi acontecendo o seguinte: mal o Tuca chegava, o faxineiro ia pro botequim da esquina tomar umas e outras; quando voltava, se ajeitava num escurinho da garagem; logo depois estava roncando.
E o Tuca ficava lavando sozinho tudo que é carro que tinha pra lavar
Um dia o Tuca achou que estava trabalhando sozinho demais e que então a tal matemática dos 10% não estava bem certa: reclamou.
O faxineiro não gostou:
- Escuta aqui, meu irmão, tem pelo menos 100 moleques que passam todo dia aí na rua querendo pegar esse emprego que eu te dei.
Então você já viu: tô te fazendo um bruto dum favor. Não precisa ficar toda vida me agradecendo. — Fechou a cara. — Mas também não quero reclamação. Não tá contente, pode dar o fora. E já. Tá?
Os trocados que o Tuca recebia lá na garagem bem que ajudavam pra ir levando comida pra casa. Então, o que que era melhor, quer dizer, pior: continuar de matemática esquisita ou perder o biscate?
E o Tuca continuou lavando carro.
Às vezes o porteiro do edifício chamava o faxineiro. O Tuca respondia do jeito que tinha sido ensinado:
Tá lavando um carro lá fora: vou chamar. E dava uma corrida até o botequim pra avisar.
O faxineiro virava a cachaça num gole e saía correndo. O Tuca vinha atrás. Mas sem pressa nenhuma. Só pra poder passar bem devagar pelo restaurante lá da esquina. Que beleza! Se chamava “O Paraíso dos Bifes”. Da calçada a gente via tudo lá dentro pela parede de vidro. Mas não se ouvia nada, de tão bem fechado que era, de tão ar condicionado por dentro. E gente comendo, e garçom pra cá e pra lá, e tão gostoso de olhar: assim: feito quando a gente olha pra um aquário. Quem diz que o Tuca resistia? Parava, e toca a olhar.
Tinha mesa junto do vidro. E sempre, sempre! Os fregueses estavam comendo bife. A companhia do bife mudava muito:
Com arroz
Com salada
Com aspargos
Com ovo em cima…
A cor do bife mudava um pouco:
Ao ponto
Mal passado
Bem passado.
Mas o que nunca mudava era o jeito fundo que o garfo e a faca entravam no bife. Quanto mais o Tuca olhava, mais impressionado ele ficava com aquele jeito fundo do talher ir se enterrando; que carne tão macia era aquela, meu deus? Tão impressionado, que um dia ele foi chegando mais pra perto, acabou achatando o nariz no vidro. Um garçom foi lá pra dizer que o freguês estava perdendo o apetite de tanto que o Tuca olhava pro bife. Então, daí pra frente, o Tuca passava devagar e olhava disfarçado. E só depois de passar muitas vezes é que ele prestou atenção na placa pequena, que tinha do lado da porta: era a lista dos bifes da casa: nome, companhia e preço de cada bife. O Tuca era mesmo fraco em matemática: então ele acabou ficando ali um tempão querendo calcular quantos carros ele ia ter que lavar para um dia comer um bife daqueles.
(...)
Lá na cozinha do Rodrigo, o Tuca tinha se esquecido da vida. Só fazia era olhar pros bifes que a cozinheira temperava (o dedo dela também se enterrava na carne de um jeito tão fácil, tão fundo!).
- Tá dormindo em pé, cara? — E o Rodrigo puxou o Tuca. Foram pra sala.
BOJUNGA, Lygia. Tchau. 19. ed. Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 2014.
No primeiro período do texto I, as formas verbais encontram-se flexionadas no tempo pretérito imperfeito do modo indicativo.
Esse tempo verbal traduz a ideia de que:
Questão 1 15426862
CBNB 6 Ano 2022TEXTO
O bife-lá-da-esquina
(Lygia Bojunga Nunes)
Quando Tuca saía da escola, ele ia direto ajudar um amigo a lavar carro.
Quer dizer, não era bem um amigo, era mais um patrão.
Ou melhor, não era bem um patrão, era mais um sócio. Quer dizer, não era bem um sócio… Um Momentinho vamos começar outra vez: quando o Tuca saía da escola, ele ia direto ajudar um cara a lavar carro. O cara era faxineiro de um edifício lá na Rua São Clemente. Ganhava salário mínimo. Então, pro dinheiro não ficar assim tão mínimo, ele lavava os carros dos moradores do edifício e ganhava em dobro.
Um dia, o Tuca passou por ali procurando um biscate, já que emprego ele não encontrava mesmo. Conversa vai, conversa vem, o faxineiro perguntou se o Tuca não queria fazer sociedade naquele negócio de lavar carro.
- Sociedade como?
- Você pega aí um ou outro carro pra lavar e eu te dou 10% de tudo que eu ganho.
O Tuca achou ótimo. E naquele dia mesmo começou a trabalhar.
Mas aí foi acontecendo o seguinte: mal o Tuca chegava, o faxineiro ia pro botequim da esquina tomar umas e outras; quando voltava, se ajeitava num escurinho da garagem; logo depois estava roncando.
E o Tuca ficava lavando sozinho tudo que é carro que tinha pra lavar
Um dia o Tuca achou que estava trabalhando sozinho demais e que então a tal matemática dos 10% não estava bem certa: reclamou.
O faxineiro não gostou:
- Escuta aqui, meu irmão, tem pelo menos 100 moleques que passam todo dia aí na rua querendo pegar esse emprego que eu te dei.
Então você já viu: tô te fazendo um bruto dum favor. Não precisa ficar toda vida me agradecendo. — Fechou a cara. — Mas também não quero reclamação. Não tá contente, pode dar o fora. E já. Tá?
Os trocados que o Tuca recebia lá na garagem bem que ajudavam pra ir levando comida pra casa. Então, o que que era melhor, quer dizer, pior: continuar de matemática esquisita ou perder o biscate?
E o Tuca continuou lavando carro.
Às vezes o porteiro do edifício chamava o faxineiro. O Tuca respondia do jeito que tinha sido ensinado:
Tá lavando um carro lá fora: vou chamar. E dava uma corrida até o botequim pra avisar.
O faxineiro virava a cachaça num gole e saía correndo. O Tuca vinha atrás. Mas sem pressa nenhuma. Só pra poder passar bem devagar pelo restaurante lá da esquina. Que beleza! Se chamava “O Paraíso dos Bifes”. Da calçada a gente via tudo lá dentro pela parede de vidro. Mas não se ouvia nada, de tão bem fechado que era, de tão ar condicionado por dentro. E gente comendo, e garçom pra cá e pra lá, e tão gostoso de olhar: assim: feito quando a gente olha pra um aquário. Quem diz que o Tuca resistia? Parava, e toca a olhar.
Tinha mesa junto do vidro. E sempre, sempre! Os fregueses estavam comendo bife. A companhia do bife mudava muito:
Com arroz
Com salada
Com aspargos
Com ovo em cima…
A cor do bife mudava um pouco:
Ao ponto
Mal passado
Bem passado.
Mas o que nunca mudava era o jeito fundo que o garfo e a faca entravam no bife. Quanto mais o Tuca olhava, mais impressionado ele ficava com aquele jeito fundo do talher ir se enterrando; que carne tão macia era aquela, meu deus? Tão impressionado, que um dia ele foi chegando mais pra perto, acabou achatando o nariz no vidro. Um garçom foi lá pra dizer que o freguês estava perdendo o apetite de tanto que o Tuca olhava pro bife. Então, daí pra frente, o Tuca passava devagar e olhava disfarçado. E só depois de passar muitas vezes é que ele prestou atenção na placa pequena, que tinha do lado da porta: era a lista dos bifes da casa: nome, companhia e preço de cada bife. O Tuca era mesmo fraco em matemática: então ele acabou ficando ali um tempão querendo calcular quantos carros ele ia ter que lavar para um dia comer um bife daqueles.
(...)
Lá na cozinha do Rodrigo, o Tuca tinha se esquecido da vida. Só fazia era olhar pros bifes que a cozinheira temperava (o dedo dela também se enterrava na carne de um jeito tão fácil, tão fundo!).
- Tá dormindo em pé, cara? — E o Rodrigo puxou o Tuca. Foram pra sala.
BOJUNGA, Lygia. Tchau. 19. ed. Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 2014.
Enumere as frases abaixo de acordo com a ordem em que os fatos aparecem no texto. Depois, escolha a alternativa que corresponda à resposta correta.
( ) Tuca sai do colégio e passa em frente a um prédio, na rua São Clemente, onde conhece o faxineiro.
( ) Tuca passa devagar e fica olhando disfarçadamente para os bifes que as pessoas comiam no restaurante.
( ) O faxineiro vai para a garagem e dorme, chegando a roncar.
( ) Tuca reclama com o faxineiro, que não gostou, sobre estar trabalhando sozinho demais e ganhar pouco.
( ) Tuca vai sem pressa atrás do faxineiro, só para passar em frente ao restaurante “ O Paraíso dos Bifes”.
( ) O faxineiro propõe ao Tuca a sociedade na lavagem de carros.
( ) Tuca chega para trabalhar e o faxineiro segue para o botequim na esquina da rua.
Questão 30 15413536
CBNB 1 ano Ensino Médio 2022TEXTO III
Mais Uma Vez
Mas é claro que o Sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o Sol já vem
Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança
Mas é claro que o Sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o Sol já vem
Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança...
Quem acredita sempre alcança...
Quem acredita sempre alcança...
Disponível em: https://www.vagalume.com.br/legiao-urbana/mais-uma-vez.html Acessado em 09/11/21.
TEXTO VI
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Vocabulário - Mor: maior.
Soía: costumava.
CAMÕES, Luís Vaz. Lírica completa II [Sonetos]. 2.ª ed. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1994.
Ainda que haja intempéries de toda sorte, surgirá o novo, a chance para recomeçar. Essa interpretação metaforizada da superação das dificuldades é autorizada pelo verso “Mas é claro que o Sol vai voltar amanhã”, retirado do texto III.
Assinale a alternativa em que se encontra um verso do texto VI cuja leitura interpretativa melhor remete a essa perspectiva.
06
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