Questões de EFAF Português
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Questão 3 169829
IFMT 2012/2Texto 1
CONSUMISTAS
Ivan Ângelo
[1] De quantas calças jeans você precisa? Eu tenho três: uma índigo tradicional, que tem uns seis anos; uma bem
mais antiga, de um azul desbotado pelo tempo, aguado, já puída, que faz o papel de vigilante do peso, pois é
do tempo em que minha cintura se comportava melhor; e uma branca, a mais nova, de uns cinco anos, que
entrou no lugar de outra igualzinha que se rasgou no joelho. São suficientes para as situações e combinações,
[5] mas surpreendo-me com uma mulher, na página de moda de um grande jornal, contando vantagem: diz que
tem trinta e tantas calças jeans, e sempre acha que precisa de mais uma, quando a vê na loja. Algum detalhe
torna a nova calça "necessária"; ela "precisa" daquele jeans.
Você realmente precisa de doze pares de óculos escuros? Já não é adequado dizer "óculos de sol", porque é
moda usá-los dentro de shoppings e até em discotecas, na maior escuridão. Eles se tornaram algo mais do que
[10] óculos: são máscaras, aquela coisa que o Spirit dos quadrinhos botava nos olhos ou que o Fantasma botava
para virar outra pessoa. Eles fazem a mágica da troca de personalidade.
De quantos celulares você precisa? Apareceu no jornal uma mulher que tem dúzias. Para quê, não fiquei
sabendo, bastou-me olhar a foto da tonta com aquele mostruário de celulares, aquele despropósito. O apelo do
modelo novo é irresistível para esse tipo de gente, que não suporta a ideia de estar "desatualizada" e só se
[15] considera "in", incluída, quando possui aquela coisa que acaba de ser lançada.
De quantas camisetas você precisa? Bom, o número de camisetas que as pessoas têm é incontrolável. Nem
sempre é a gente que compra. Elas viraram "o" presente. São fáceis de achar, têm uso, têm graça. A gente
nem compra camisetas, ganha.
E tênis, de quantos você precisa? Tenho uma amiga, nem é tão jovem, que tem dezoito pares. Minha filha
[20] chegou a ter uns doze. E ela tem uma amiga que possui 27. Não consigo entender o porquê ou o para quê. Só
quem tem é que sabe as razões.
Brincos. É comum as mulheres terem trinta, quarenta, sessenta pares de brincos. Vão comprando e
acumulando ao longo da vida, vão ganhando. Não conseguem passar por uma bijuteria ou joalheria sem provar
diante do espelho um pequeno penduricalho nas orelhas. E compram, não resistem a três provadas.
[25] Carros! Você precisa de mais do que um carro? Há pessoas que têm três, quatro. Como se houvesse grande
diferença entre usar um e outro como condução. Para viajar, sim, o tipo faz diferença, e nesse caso poderiam
comprar um para as duas funções. Preferem ostentar.
Imelda Marcos gostava de sapatos, tinha 3.000, comprados com o suor do povo filipino. Já vi foto de uma perua
brasileira exibindo sua coleção de mais de duas centenas de calçados. E trinta bolsas de grife. De quantas
[30] bolsas você precisa?
É comum o consumista não conseguir escolher entre uma coisa e outra – porque escolher uma seria perder a
outra – e para pôr fim à angústia leva as duas. Na infância dos consumistas, faltaram ou falharam a orientação
na compra e o apoio à decisão tomada. Frustrações da infância pedem compensações quando o dinheiro
permite. Mas há consumistas pobres, que compram quinquilharias baratas e desnecessárias na Rua 25 de
[35] Março, enquanto as poderosas compram supérfluos caríssimos na Daslu.
Coleções não são a mesma coisa. Você coleciona bolinhas de gude, palitos de picolé, caixas de fósforos, lápis,
figurinhas, rodelas de chope, rolhas, enfim, coisas que não valem nada, e coleciona coisas que chegam a valer
muito, como selos. Não têm utilização prática. É diferente do consumo, de acumular bens de uso porque não
consegue se controlar.
[40] É diferente também de juntar raridades. Um apresentador de televisão tinha dezenas de relógios de pulso
raros, antigos. É diferente, dizia, de ter um monte de relógios mais caros do que raros, de fabricação e uso
atuais. De quantos relógios você precisa?
(Disponível em: . Acesso em: 5 mai. 2012.)
Índigo: Matéria corante azul. Cor azul. Anil.
"Para quê, não fiquei sabendo, bastou-me olhar a foto da tonta [...]” (linha 13).
Em relação ao verbo bastar, no fragmento acima, marque a alternativa correta.
Questão 2 169828
IFMT 2012/2Texto 1
CONSUMISTAS
Ivan Ângelo
[1] De quantas calças jeans você precisa? Eu tenho três: uma índigo tradicional, que tem uns seis anos; uma bem
mais antiga, de um azul desbotado pelo tempo, aguado, já puída, que faz o papel de vigilante do peso, pois é
do tempo em que minha cintura se comportava melhor; e uma branca, a mais nova, de uns cinco anos, que
entrou no lugar de outra igualzinha que se rasgou no joelho. São suficientes para as situações e combinações,
[5] mas surpreendo-me com uma mulher, na página de moda de um grande jornal, contando vantagem: diz que
tem trinta e tantas calças jeans, e sempre acha que precisa de mais uma, quando a vê na loja. Algum detalhe
torna a nova calça "necessária"; ela "precisa" daquele jeans.
Você realmente precisa de doze pares de óculos escuros? Já não é adequado dizer "óculos de sol", porque é
moda usá-los dentro de shoppings e até em discotecas, na maior escuridão. Eles se tornaram algo mais do que
[10] óculos: são máscaras, aquela coisa que o Spirit dos quadrinhos botava nos olhos ou que o Fantasma botava
para virar outra pessoa. Eles fazem a mágica da troca de personalidade.
De quantos celulares você precisa? Apareceu no jornal uma mulher que tem dúzias. Para quê, não fiquei
sabendo, bastou-me olhar a foto da tonta com aquele mostruário de celulares, aquele despropósito. O apelo do
modelo novo é irresistível para esse tipo de gente, que não suporta a ideia de estar "desatualizada" e só se
[15] considera "in", incluída, quando possui aquela coisa que acaba de ser lançada.
De quantas camisetas você precisa? Bom, o número de camisetas que as pessoas têm é incontrolável. Nem
sempre é a gente que compra. Elas viraram "o" presente. São fáceis de achar, têm uso, têm graça. A gente
nem compra camisetas, ganha.
E tênis, de quantos você precisa? Tenho uma amiga, nem é tão jovem, que tem dezoito pares. Minha filha
[20] chegou a ter uns doze. E ela tem uma amiga que possui 27. Não consigo entender o porquê ou o para quê. Só
quem tem é que sabe as razões.
Brincos. É comum as mulheres terem trinta, quarenta, sessenta pares de brincos. Vão comprando e
acumulando ao longo da vida, vão ganhando. Não conseguem passar por uma bijuteria ou joalheria sem provar
diante do espelho um pequeno penduricalho nas orelhas. E compram, não resistem a três provadas.
[25] Carros! Você precisa de mais do que um carro? Há pessoas que têm três, quatro. Como se houvesse grande
diferença entre usar um e outro como condução. Para viajar, sim, o tipo faz diferença, e nesse caso poderiam
comprar um para as duas funções. Preferem ostentar.
Imelda Marcos gostava de sapatos, tinha 3.000, comprados com o suor do povo filipino. Já vi foto de uma perua
brasileira exibindo sua coleção de mais de duas centenas de calçados. E trinta bolsas de grife. De quantas
[30] bolsas você precisa?
É comum o consumista não conseguir escolher entre uma coisa e outra – porque escolher uma seria perder a
outra – e para pôr fim à angústia leva as duas. Na infância dos consumistas, faltaram ou falharam a orientação
na compra e o apoio à decisão tomada. Frustrações da infância pedem compensações quando o dinheiro
permite. Mas há consumistas pobres, que compram quinquilharias baratas e desnecessárias na Rua 25 de
[35] Março, enquanto as poderosas compram supérfluos caríssimos na Daslu.
Coleções não são a mesma coisa. Você coleciona bolinhas de gude, palitos de picolé, caixas de fósforos, lápis,
figurinhas, rodelas de chope, rolhas, enfim, coisas que não valem nada, e coleciona coisas que chegam a valer
muito, como selos. Não têm utilização prática. É diferente do consumo, de acumular bens de uso porque não
consegue se controlar.
[40] É diferente também de juntar raridades. Um apresentador de televisão tinha dezenas de relógios de pulso
raros, antigos. É diferente, dizia, de ter um monte de relógios mais caros do que raros, de fabricação e uso
atuais. De quantos relógios você precisa?
(Disponível em: . Acesso em: 5 mai. 2012.)
Índigo: Matéria corante azul. Cor azul. Anil.
Leia atentamente os dois primeiros parágrafos do texto e marque V para verdadeiro e F para falso.
( ) O trecho “Eu tenho três: uma índigo tradicional, que tem uns seis anos; uma bem mais antiga, de um azul desbotado pelo tempo, aguado, já puída, que faz o papel de vigilante do peso, pois é do tempo em que minha cintura se comportava melhor; e uma branca, a mais nova, de uns cinco anos, que entrou no lugar de outra igualzinha que se rasgou no joelho. São suficientes para as situações e combinações [...]” (linhas 1-4) demonstra que o autor é uma pessoa humilde, com poucos recursos financeiros.
( ) Do trecho “[...] diz que tem trinta e tantas calças jeans, e sempre acha que precisa de mais uma, quando a vê na loja” (linhas 5-6), infere-se que o autor sente inveja das pessoas que possuem boas condições financeiras.
( ) O fragmento “[...] mas surpreendo-me com uma mulher, na página de moda de um grande jornal, contando vantagem [...]” (linha 5) revela certo desprezo do autor pelo consumo desnecessário.
( ) É possível afirmar que o autor é uma pessoa mesquinha.
( ) Alguns vocábulos do texto como índigo, aguado, puída, discoteca e Spirit denunciam a faixa etária do autor.
A sequência correta é:
Questão 1 169827
IFMT 2012/2Texto 1
CONSUMISTAS
Ivan Ângelo
[1] De quantas calças jeans você precisa? Eu tenho três: uma índigo tradicional, que tem uns seis anos; uma bem
mais antiga, de um azul desbotado pelo tempo, aguado, já puída, que faz o papel de vigilante do peso, pois é
do tempo em que minha cintura se comportava melhor; e uma branca, a mais nova, de uns cinco anos, que
entrou no lugar de outra igualzinha que se rasgou no joelho. São suficientes para as situações e combinações,
[5] mas surpreendo-me com uma mulher, na página de moda de um grande jornal, contando vantagem: diz que
tem trinta e tantas calças jeans, e sempre acha que precisa de mais uma, quando a vê na loja. Algum detalhe
torna a nova calça "necessária"; ela "precisa" daquele jeans.
Você realmente precisa de doze pares de óculos escuros? Já não é adequado dizer "óculos de sol", porque é
moda usá-los dentro de shoppings e até em discotecas, na maior escuridão. Eles se tornaram algo mais do que
[10] óculos: são máscaras, aquela coisa que o Spirit dos quadrinhos botava nos olhos ou que o Fantasma botava
para virar outra pessoa. Eles fazem a mágica da troca de personalidade.
De quantos celulares você precisa? Apareceu no jornal uma mulher que tem dúzias. Para quê, não fiquei
sabendo, bastou-me olhar a foto da tonta com aquele mostruário de celulares, aquele despropósito. O apelo do
modelo novo é irresistível para esse tipo de gente, que não suporta a ideia de estar "desatualizada" e só se
[15] considera "in", incluída, quando possui aquela coisa que acaba de ser lançada.
De quantas camisetas você precisa? Bom, o número de camisetas que as pessoas têm é incontrolável. Nem
sempre é a gente que compra. Elas viraram "o" presente. São fáceis de achar, têm uso, têm graça. A gente
nem compra camisetas, ganha.
E tênis, de quantos você precisa? Tenho uma amiga, nem é tão jovem, que tem dezoito pares. Minha filha
[20] chegou a ter uns doze. E ela tem uma amiga que possui 27. Não consigo entender o porquê ou o para quê. Só
quem tem é que sabe as razões.
Brincos. É comum as mulheres terem trinta, quarenta, sessenta pares de brincos. Vão comprando e
acumulando ao longo da vida, vão ganhando. Não conseguem passar por uma bijuteria ou joalheria sem provar
diante do espelho um pequeno penduricalho nas orelhas. E compram, não resistem a três provadas.
[25] Carros! Você precisa de mais do que um carro? Há pessoas que têm três, quatro. Como se houvesse grande
diferença entre usar um e outro como condução. Para viajar, sim, o tipo faz diferença, e nesse caso poderiam
comprar um para as duas funções. Preferem ostentar.
Imelda Marcos gostava de sapatos, tinha 3.000, comprados com o suor do povo filipino. Já vi foto de uma perua
brasileira exibindo sua coleção de mais de duas centenas de calçados. E trinta bolsas de grife. De quantas
[30] bolsas você precisa?
É comum o consumista não conseguir escolher entre uma coisa e outra – porque escolher uma seria perder a
outra – e para pôr fim à angústia leva as duas. Na infância dos consumistas, faltaram ou falharam a orientação
na compra e o apoio à decisão tomada. Frustrações da infância pedem compensações quando o dinheiro
permite. Mas há consumistas pobres, que compram quinquilharias baratas e desnecessárias na Rua 25 de
[35] Março, enquanto as poderosas compram supérfluos caríssimos na Daslu.
Coleções não são a mesma coisa. Você coleciona bolinhas de gude, palitos de picolé, caixas de fósforos, lápis,
figurinhas, rodelas de chope, rolhas, enfim, coisas que não valem nada, e coleciona coisas que chegam a valer
muito, como selos. Não têm utilização prática. É diferente do consumo, de acumular bens de uso porque não
consegue se controlar.
[40] É diferente também de juntar raridades. Um apresentador de televisão tinha dezenas de relógios de pulso
raros, antigos. É diferente, dizia, de ter um monte de relógios mais caros do que raros, de fabricação e uso
atuais. De quantos relógios você precisa?
(Disponível em: . Acesso em: 5 mai. 2012.)
Índigo: Matéria corante azul. Cor azul. Anil.
A Questão referem-se ao Texto.
No primeiro parágrafo, o autor utiliza aspas nas palavras “necessária” e “precisa”.
O uso desse recurso serve para:
Questão 26 168557
IFMG 2012Pode-se dizer que o conto “Feliz Aniversário” de Clarice Lispector:
Questão 25 168556
IFMG 2012Sobre a obra “Laços de Família”, de Clarice Lispector, pode-se dizer que:
Questão 19 168049
IFMA 2012TEXTO

CIÇA. Pagancio o pato. Porto Alegre: L&PM, 2006. p. 12
As palavras são uma das muitas formas de comunicação que nós utilizamos para representar o mundo que nos cerca. Entretanto, elas só funcionam porque quando as usamos, associamos-lhes um sentido construído em uma situação histórica e culturalmente definida. Por isso, os sentidos que associamos a elas estão sempre mudando. Quando uma dada composição de palavras utilizada adquire um sentido coeso e diverso daquele costumeiramente atribuído às mesmas, surge então uma expressão idiomática.
Sobre o texto, “Pagando o Pato”, pode-se inferir que:
06
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