Questões de EFAF Português - Gramática
1.745 Questões
Questão 2 10716337
CMBH 1°ano - Prova de Português 2019Texto

[1] O autismo — nome técnico oficial: Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) — é uma
condição de saúde caracterizada por déficit na interação social, na comunicação e no comportamento.
Não há só um, mas muitos subtipos do transtorno. Tão abrangente que se usa o termo “espectro”, pelos
vários níveis de comprometimento — há desde pessoas com condições associadas (comorbidades),
[5] como deficiência intelectual e epilepsia, até pessoas independentes, que levam uma vida comum.
Algumas nem sabem que são autistas, pois jamais tiveram diagnóstico.
Não é conhecida completamente a causa do autismo, por ser um transtorno multifatorial. Porém,
estudos recentes têm demonstrado que fatores genéticos são os mais importantes na determinação de
suas causas (estimados entre 70% e 90% — e ligados a mais de mil genes), além de fatores ambientais,
[10] ainda controversos, poderem estar associados.
Tratamento e sinais
Alguns sinais de autismo podem aparecer a partir de um ano e meio de idade, e mesmo antes, em
casos mais graves. Há uma grande importância em iniciar o tratamento o quanto antes — mesmo que
seja apenas uma suspeita clínica, ainda sem diagnóstico fechado — pois, quanto mais cedo começarem
as intervenções, maiores serão as possibilidades de melhorar a qualidade de vida da pessoa. O
[15] tratamento psicológico com maior evidência de eficácia, segundo a Associação Americana de
Psiquiatria, é a terapia de intervenção comportamental. O tratamento para autismo é personalizado e
interdisciplinar: além da psicologia, pacientes podem se beneficiar com fonoaudiologia, terapia
ocupacional, entre outros, conforme a necessidade de cada autista. Na escola, um mediador pode trazer
grandes benefícios ao aprendizado e à interação social.
[20] Alguns sintomas, como irritabilidade, agitação, autoagressividade, hiperatividade, impulsividade,
desatenção, insônia e outros, podem ser tratados com medicamentos, que devem ser prescritos por um
médico. Dentre os medicamentos indicados, a risperidona, que é da classe dos antipsicóticos atípicos, é o
mais comum deles.
No final de 2007, a ONU declarou 2 de abril como o Dia Mundial de Conscientização do
[25] Autismo, quando cartões-postais do mundo todo se iluminam de azul (cor escolhida por haver, em
média, 4 homens para cada mulher com TEA). O símbolo do autismo é o quebra-cabeça, que denota sua
diversidade e complexidade.
Consulta médica
Veja o quadro, a seguir, em que se elencam alguns sinais de autismo. Apenas três deles, num
criança de um ano e meio, já justificam uma consulta a um médico neuropediatra ou a um psiquiatra da
[30] infância e da juventude. Testes como o M-CHAT (com versão em português) estão disponíveis na
internet para serem aplicados por profissionais.
Sinais de autismo:

- não manter contato visual por mais de 2 segundos;
- não atender quando chamado pelo nome;
- isolar-se ou não se interessar por outras crianças;
- alinhar objetos;
- ser muito preso a rotinas a ponto de entrar em crise;
- não usar brinquedos de forma convencional;
- fazer movimentos repetitivos sem função aparente;
- não falar ou não fazer gestos para mostrar algo;
- repetir frases ou palavras em momentos inadequados, sem a devida função (ecolalia);
- não compartilhar interesse;
- girar objetos sem uma função aparente;
- apresentar interesse restrito ou hiperfoco;
- não imitar;
- não brincar de faz-de-conta.
PAIVA JUNIOR, Francisco. O que é autismo? Revista Autismo, São Paulo, ano V, n.5, p.8, jun./jul./ago. 2019.
Disponível em: Acesso em: 26 ago. 2019. (Texto adaptado.)
Leia os fragmentos abaixo:
I. “Dentre os medicamentos indicados, a risperidona, que é da classe dos antipsicóticos atípicos, é o mais comum deles.” (linhas 22 e 23)
II. “No final de 2007, a ONU declarou 2 de abril como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo (...)” (linhas 24 e 25)
III. “O símbolo do autismo é o quebra-cabeça, que denota sua diversidade e complexidade.” (linhas 26 e 27)
IV. “Alguns sintomas, como irritabilidade, agitação, autoagressividade, hiperatividade, impulsividade, desatenção, insônia e outros, podem ser tratados com medicamentos (...)”. (linhas 20 e 21)
A justificativa para o emprego da vírgula, nos trechos acima, é a mesma em:
Questão 6 10627445
COTIL 1° Ano 2019Texto para a questão:
Fomos proibidos de te amar, São Paulo
Herdamos o mito dos bandeirantes, e vocês transformaram Borba Gato, esse genocida, em fundador de nossa identidade. De legado, temos esta metástase em forma de desenvolvimentismo estéril, estas milhões de toneladas de concreto que hoje tentamos adornar para deixá-las suportáveis, mas que seria melhor não existissem.
Nos confinaram em bolhas de metal, em bolhas de concreto, em bolhas de vidro, como se fôssemos gado que tem por ração plástico. Disseram na nossa cara que11 praia de paulistano é shopping5, que Cumbica é o melhor lugar de nossa cidade, que plano de aposentadoria é pousada na Bahia. Que aqui não se cria filho, que essa terra só serve para ganhar dinheiro, como uma versão apocalíptica de Serra Pelada.
Nos deram uma ponte hedionda como novo cartão postal4, transformaram nossa espinha dorsal em uma avenida de banqueiros, bairros inteiros em cidades-dormitório. Nos chamaram de feios, sem horizonte, sem perspectiva além da fuga. Que aqui não tem amor3. Envenenaram nosso ar, nossa água, e até ela nos usurparam1.
Por identidade nos deram os bairros, que ainda assim se digladiam entre si, o excesso de trabalho e um superpoder: a capacidade de deixar o outro invisível, praticada todos os dias com pessoas e lugares, nos semáforos, quando nos deparamos com o dependente químico que9 chamamos de zumbi, metáfora usada em tom cruel e irônico para dar nome ao nosso maior monstro social2, justamente porque eles não produzem como nós, os viventes.
Nossa história e arquitetura foram deixadas às ruínas, que ativamente permitimos que desmoronem6. Nos legaram um palimpsesto de cidade, onde sobrepomos uma camada de concreto à outra, sem respeito pelo passado, planejamento ou cuidado.
Nos disseram que devemos conquistar ou ser conquistados, non ducor duco*, fomos colocados em estado permanente de guerra uns contra os outros, nos envenenaram com o medo pelas ruas e deixaram que o único elemento que nos cimentasse fosse o ódio comum e ancestral por São Paulo. Sem história, sem horizonte, perdidos. Fomos proibidos de te amar, São Paulo.
Chega. Talvez essa relação atávica de ódio nos encha os olhos de cataratas e não consigamos dar nome a essa emergência ainda, mas o faremos, com o devido distanciamento histórico. Ocupamos as ruas com comida, com música, com arte, com cinema, com vida em toda a sua potência7. Vimos no feio o belo13, deixamos de ter medo da rua, que surge como um eixo que começa a aglutinar em torno de si uma nova identidade de paulistano. Lutamos com mil unhas e dentes por um pedaço de terra que até então não era mais do que10 um estacionamento e que chamaremos de parque. Fizemos da cicatriz causada pelo militarismo um espaço para ensinar os novos paulistanos a andarem de bicicleta. Ocupamos lugares que nunca tínhamos visto e recuperamos a avenida das mãos dos banqueiros. Faremos turismo na cidade que habitamos. Não aceitamos mais esse ódio, esse estado permanente de guerra, a necessidade de conquistar o outro diariamente.
São Paulo é uma cidade no futuro: pós-apocalíptica, radioativa, seca, onde um dia dinheiro e trabalho não serão os únicos imperativos da vida social. Quando o mundo tremer, todas as cidades serão parecidas com a nossa. Do caos e da feiúra emerge uma beleza que apenas nós, que rejeitamos sua ideia de belo, vemos.8
Temos vontade de rua, negamos seus heróis, seus monumentos, seus carros, seus modos de vida. Nem que12 nos custem décadas, mas faremos algo belo com os escombros que herdamos e deles faremos uma cidade, não uma abstração chamada São Paulo. Ocuparemos cada fresta, cada trinca, cada buraco da cidade cinza. Aqui se encerra esse ciclo de ódio e se abre uma possibilidade de um novo começo na relação com São Paulo.
Nossa terra está em transe. Somos afortunados. Somos os novos paulistanos, e essa cidade é nosso rolê.
* expressão latina: “não sou conduzido, conduzo”
(GUERRA, Facundo. Fomos proibidos de te amar, São Paulo. Carta Capital. Caderno Sociedade. 27/08/2015. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/sociedade/fomos-proibidos-de-te-amar-sao-paulo-2365.html. Acessado em 11/08/2018)
A figura de linguagem que sustenta o trecho “Ocupamos as ruas com comida, com música, com arte, com cinema, com vida em toda a sua potência.”7 é:
Questão 7 10532356
OBJETIVO 9º Ano - Português 2019Texto para a questão.
Texto - MÚSICA NO TÁXI
Prazeres do cotidiano. Quando menos se espera... Você pega o táxi, manda tocar para o seu destino (manda, não, pede por favor) e resigna-se a escutar durante 20 minutos, no volume mais possante, o rádio despejando assaltos e homicídios do dia. Os tiros, os gemidos, os desabamentos o acompanharão por todo o percurso. É a fatalidade da vida, quando se tem pressa.
Mas eis que o motorista pega de um imprevisto cassete, coloca-o no lugar devido, liga, e os acordes melódicos dos Contos dos Bosques de Viena irrompem do fusca amarrotado, mas digno.
Bem, não é a Nona Sinfonia nem um título menor da grande música, mas não estamos na Sala Cecília Meireles, e isso vale como homenagem especial a um passageiro distinto, que pede por favor. Cumpre agradecer a fineza:
– Obrigado. O senhor mostra que tem satisfação em agradar aos passageiros, oferecendo-lhes música e não barulho e crimes.
– Não tem de quê. O senhor também aprecia?
– O quê?
– Strauss. É um dos meus prediletos.
– Sim, ele é agradável. O senhor está sendo gentil comigo.
– Ora, não é tanto assim. Pus o cassete porque gosto de música. Não sabia se o senhor também gostava ou não. Se não gostasse, eu desligava. Portanto, não tem que agradecer.
– E já lhe aconteceu desligar?
– Ih, tantas vezes. Fico observando a fisionomia do passageiro. Uns, mais acanhados, disfarçam, não dizem nada, mas tem outros que reclamam, não querem ouvir esse troço.
O senhor já pensou: chamar Tchaikovsky de “esse troço”? Pois ouvi isso de um cidadão de gravata e pasta de executivo. Disse que precisava se concentrar, por causa de um negócio importante, e Tchaikovsky perturbava a concentração.
– Ele talvez quisesse dizer que ficava tão empolgado pela música que esquecia o negócio.
– Pois sim! Nesse caso, não falaria “esse troço”, que é o cúmulo da falta de respeito.
– Estou adivinhando que o senhor toca um instrumento.
Olhou-me admirado:
– Como é que o senhor viu?
– Porque uma pessoa que gosta tanto de música, em geral toca. Seu instrumento qual é?
Virou-se com tristeza na voz:
– Atualmente nenhum. O senhor sabe, essa crise geral, a gasolina pela hora da morte, e não é só a gasolina: a comida, o sapato, o resto. Tive de vender pra tapar uns buracos. Mas se as coisas melhorarem este ano...
– Melhoram. As coisas têm de melhorar – achei do meu dever confortá-lo.
– Porque clarinetista sem clarinete, o senhor sabe, é um negócio sem sentido. Clarinete tem esta vantagem: dá o recado sem precisar de orquestra. Um solo bem executado, não precisa mais pra encantar a alma. Mas clarinetista, sozinho, fica até ridículo.
– Não diga isso. E não desanime. O dia em que arranjar outro clarinete – quem sabe?, talvez até seja o mesmo que lhe pertenceu – será uma festa.
– Mas se demorar muito eu já estarei tão desacostumado que nem sei se volto a tocar razoavelmente. Porque, o senhor compreende, eu não sou um artista, minha vida não dá folga pra estudar nem meia hora por dia.
– O importante é gostar de música, tem amor e devoção por música, e está-se vendo que o senhor tem de sobra.
– Lá isso tá certo.
– Não importa que o senhor não seja solista de uma grande orquestra, e mesmo de uma orquestra comum. Ninguém precisa ser grande em nada, desde que cultive alguma coisa bonita na vida.
Seu rosto iluminou-se.
– Que bom ouvir uma coisa dessas. Agora vou lhe confessar que isso de não ser músico dos tais que arrebatam o auditório sempre me doeu um pouco. Não era por vaidade não, quem sou pra ter vaidade? Mas um sonho esquisito, sei lá. Ficava me imaginando num palco iluminado, tocando... Bobagem, o senhor desculpe. Agora a sua palavra deixou tudo claro. Basta eu gostar de música. Não é preciso que gostem de mim, nem que ela goste de mim. Obrigado ao senhor.
Olhei o taxímetro, tirei a carteira.
– Eu nem devia cobrar do senhor. Fico até encabulado!
(Carlos Drummond de Andrade. Boca de luar. 6. ed. Rio de Janeiro: Record, 1987, p. 69-71.)
No trecho “Bem, não é a Nona Sinfonia nem um título menor da grande música, mas não estamos na Sala Cecília Meireles, e isso vale como homenagem especial a um passageiro distinto, que pede por favor”, observamos um narrador que
Questão 3 10375660
CPM 2019Leia o trecho abaixo e observe as palavras destacadas.
[...] Entre essas causas, os especialistas consideraram doença hepática alcoólica, doença cardiovascular, infecções, câncer, diabetes e overdose de drogas. [...]
Disponível em: https://escolakids.uol.com.br/texto-de-divulgacao- cientifica.htm Acesso em: 15 set. 2018.
As palavras destacadas no trecho têm acentos de sílaba tônica.
Assinale a alternativa com palavras que têm acento pelas mesmas regras das palavras “hepática”, “alcoólica” e “câncer”, respectivamente.
Questão 9 10323334
IFPE Subsequente 2019/2TEXTO
DE GRAMÁTICA E DE LINGUAGEM
E havia uma gramática que dizia assim:
"Substantivo (concreto) é tudo quanto indica
Pessoa, animal ou cousa: João, sabiá, caneta".
Eu gosto das cousas. As cousas sim!...
As pessoas atrapalham. Estão em toda parte. Multiplicam-se em excesso.
As cousas são quietas. Bastam-se. Não se metem com ninguém.
Uma pedra. Um armário. Um ovo. (Ovo, nem sempre,
Ovo pode estar choco: é inquietante...)
As cousas vivem metidas com as suas cousas.
E não exigem nada.
Apenas que não as tirem do lugar onde estão.
E João pode neste mesmo instante vir bater à nossa porta.
Para quê? Não importa: João vem!
E há de estar triste ou alegre, reticente ou falastrão,
Amigo ou adverso... João só será definitivo
Quando esticar a canela. Morre, João...
Mas o bom mesmo, são os adjetivos,
Os puros adjetivos isentos de qualquer objeto.
Verde. Macio. Áspero. Rente. Escuro. Luminoso.
Sonoro. Lento. Eu sonho
Com uma linguagem composta unicamente de adjetivos
Como decerto é a linguagem das plantas e dos animais.
Ainda mais:
Eu sonho com um poema
Cujas palavras sumarentas escorram
Como a polpa de um fruto maduro em tua boca,
Um poema que te mate de amor
Antes mesmo que tu saibas o misterioso sentido:
Basta provares o seu gosto...
QUINTANA, Mário. De gramática e de linguagem. Disponível em:http://www.pensador.com/frase/MTEOMjVOMw/. Acesso em: 24 maio 2019.
Mário Quintana teve seu primeiro livro publicado em 1940, enquadrando-se – não somente pelo período histórico, mas também por desejos e características comuns a outros poetas – na Segunda Geração do Modernismo brasileiro. Apesar do enquadramento em determinado movimento literário, os poetas possuem características singulares, as quais fazem parte do seu estilo.
No poema reproduzido no TEXTO, encontramos a seguinte característica de Mário Quintana:
Questão 9 10295694
CMR 1°ano - Prova de Português 2019Texto:
Planteão da Pátria: os 43 heróis e heroínas do Brasil
Panteão da Pátria: os 43 heróis e heroínas do Brasil No Panteão da Pátria Tancredo Neves, localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília, um livro com páginas de aço lista os heróis oficialmente reconhecidos do Brasil. O "Livro dos Heróis e das Heroínas da Pátria", como é chamado, reúne nomes que entraram para a história nacional e, para fazer parte da coletânea, é preciso que o Senado e a Câmara dos Deputados aprovem um projeto de lei com o pedido de inclusão.
Na lista de espera, há candidatos como o piloto Ayrton Senna, o político Enéas Carneiro, o diplomata Sérgio Vieira de Mello e os médicos Vital Brasil e Osvaldo Cruz. Os critérios para que uma pessoa seja considerada herói ou heroína são subjetivos e podem variar com a época. Por isso, alguns heróis oficiais talvez ficassem de fora se a lista seguisse parâmetros atuais. Atualmente, o livro de aço registra os seguintes nomes, em ordem de inclusão. O nome que estreou o livro, em 21/4/1992, foi o de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. O dentista, militar e ativista político liderou o movimento da Inconfidência Mineira, conspiração separatista que ia contra os abusos cometidos pela Coroa Portuguesa contra os colonos. [...]
Fonte: httos://www.bol.uol.com.br/listas/panteao-da-patria-os-43-herois-e-heroinas-do-brasil.htm Acesso:04 de setembro de 2019 (com adaptação)
O pronome relativo evita a repetição, retomando anaforicamente um termo de função substantiva.
Em que alternativa há transcrição de um exemplo disso?
06
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