Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 9 169297
IFPE 2013Assinale a alternativa que indica os enunciados cujo emprego dos conectivos contribui para a coerência do período, ou seja, para a construção de sentido.
I. Poderíamos todos participar da reunião, caso fôssemos avisados com antecedência.
II. Há quem se decepcione com os estudantes atuais, portanto grande parte destes parece desmotivada em relação à aquisição de conhecimento.
III.O gerente faltou ao encontro com os sócios, no entanto esteve com problemas de saúde.
IV. Não me telefone após ao almoço, à medida que sempre durmo nesse horário.
V. Chegarei mais cedo para que possamos elaborar a pauta do evento.
Estão coerentes apenas os enunciados:
Questão 7 169295
IFPE 2013TEXTO 2
O Homem Nu
Ao acordar, disse para a mulher:
— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.
— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.
— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago.
Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.
Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:
— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.
Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro. Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares...
Desta vez, era o homem da televisão!
Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:
— Maria, por favor! Sou eu! Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão.
Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.
— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado. E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pelo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!
— Isso é que não — repetiu, furioso. Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.
— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:
— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu... A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:
— Valha-me Deus! O padeiro está nu! E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:
— Tem um homem pelado aqui na porta! Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:
— É um tarado!
— Olha, que horror!
— Não olha não! Já pra dentro, minha filha! Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiuse precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.
— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir. Não era: era o cobrador da televisão.
(SABINO, Fernando. O Homem Nu. Disponível em . Acesso em 10 de out de 2012.)
No trecho “— Maria, por favor! Sou eu!”, a vírgula
Questão 4 169290
IFPE 2013TEXTO 1
Só de Sacanagem
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam
entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo
duramente para educar os meninos mais pobres que eu,
para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais,
esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não
posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança
vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai
esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o
aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus
brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao
conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos
justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis
do coleguinha”,
“Esse apontador não é seu, minha filhinha”.
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido
que escutar.
Até habeas corpus preventivo1 , coisa da qual nunca
tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica
ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao
culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu
povo sofrido, então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda eu vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o
mundo rouba”, e eu vou dizer: “Não importa, será esse o
meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão,
meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a
gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau”.
Dirão: “É inútil, todo mundo aqui é corrupto, desde
o primeiro homem que veio de Portugal”.
Eu direi: “Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo, mas, se a gente
quiser, vai dar pra mudar o final!".
(LUCINDA, Elisa. Só de sacanagem. In: Parem de falar mal da rotina. São Paulo: Lua de Papel, 2010. p.109-111)
Releia: “A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam”.
O termo sublinhado pode ser substituído, conservando-se o sentido, por:
Questão 2 169286
IFPE 2013TEXTO 1
Só de Sacanagem
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam
entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo
duramente para educar os meninos mais pobres que eu,
para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais,
esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não
posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança
vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai
esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o
aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus
brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao
conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos
justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis
do coleguinha”,
“Esse apontador não é seu, minha filhinha”.
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido
que escutar.
Até habeas corpus preventivo1 , coisa da qual nunca
tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica
ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao
culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu
povo sofrido, então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda eu vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o
mundo rouba”, e eu vou dizer: “Não importa, será esse o
meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão,
meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a
gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau”.
Dirão: “É inútil, todo mundo aqui é corrupto, desde
o primeiro homem que veio de Portugal”.
Eu direi: “Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo, mas, se a gente
quiser, vai dar pra mudar o final!".
(LUCINDA, Elisa. Só de sacanagem. In: Parem de falar mal da rotina. São Paulo: Lua de Papel, 2010. p.109-111)
Releia: “É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz”. Sabemos que os conectivos estabelecem uma relação de sentido entre os termos de uma oração e entre orações diferentes. Considerando isso, assinale a opção que corresponde ao sentido expresso pela conjunção sublinhada no fragmento transcrito.
Questão 1 169186
IFPE 2013O Texto 1 serve de base para as questões 01 a 04.
TEXTO 1
Só de Sacanagem
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam
entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo
duramente para educar os meninos mais pobres que eu,
para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais,
esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não
posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança
vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai
esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o
aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus
brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao
conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos
justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis
do coleguinha”,
“Esse apontador não é seu, minha filhinha”.
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido
que escutar.
Até habeas corpus preventivo1 , coisa da qual nunca
tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica
ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao
culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu
povo sofrido, então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda eu vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o
mundo rouba”, e eu vou dizer: “Não importa, será esse o
meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão,
meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a
gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau”.
Dirão: “É inútil, todo mundo aqui é corrupto, desde
o primeiro homem que veio de Portugal”.
Eu direi: “Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo, mas, se a gente
quiser, vai dar pra mudar o final!".
(LUCINDA, Elisa. Só de sacanagem. In: Parem de falar mal da rotina. São Paulo: Lua de Papel, 2010. p.109-111)
No que diz respeito à compreensão do TEXTO 1, é possível afirmar que
Questão 12 169119
IFS Itabaiana 2013“Para mim não existe qualquer diferença entre os sexos...”. Substituindo o verbo em destaque pelo verbo “haver”, o que acontece
06
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