Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 9 482079
IFNMG 2013O poema a seguir, de Carlos Drummond de Andrade, serve de base para responder a questão. Leia-o atentamente.
EU ETIQUETA
[1] Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
[5] Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
[10] Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
[15] Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
[20] São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permanência,
[25] Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
[30] Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
[35] Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
[40] Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
[45] De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
[50] E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
[55] Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
[60] Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
[65] Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
[70] Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.
Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond. Corpo. Rio de Janeiro: Record, 1984. pp.85-87.
Em relação aos conhecimentos linguísticos e gramaticais, assinale a alternativa que contém afirmativa INCORRETA:
Questão 2 482053
IFNMG 2013O texto a seguir serve de base para responder a questão. Leia-o atentamente.
De repente, classe C
Eu me considerava um rapaz razoavelmente feliz até descobrir que não sou mais pobre e que agora faço parte da classe C.
Com a informação, percebi aos poucos que eu e minha nova classe somos as celebridades do momento. Todo mundo fala de nós e, claro, quer nos atingir de alguma forma.
Há empresas, publicações, planos de marketing e institutos de pesquisa exclusivamente dedicados a investigar as minhas preferências: se gosto de azul ou vermelho, batata ou tomate e se meus filmes favoritos são do Van Damme ou do Steven Seagal. (Aliás, filmes dublados, por favor! Afinal, eu, como todos os membros da classe C, aparentemente tenho sérias dificuldades para ler com rapidez essas malditas legendas).
A televisão também estudou minha nova classe e, por isso, mudou seus planos: além do aumento dos programas que relatam crimes bizarros (supostamente gosto disso), as telenovelas agora têm empregadas domésticas como protagonistas, cabeleireiras como musas e até mesmo personagens ricos que moram em bairros mais ou menos como o meu.
A diferença é que nesses bairros, os da novela, não há ônibus que demoram duas horas para passar nem buracos na rua.
Um telejornal famoso até trocou seu antigo apresentador, um homem fino e especialista em vinhos, por um âncora, digamos, mais povão, do tipo que fala alto e gosta de samba. Um sujeito mais parecido comigo, talvez. Deve estar lá para chamar a minha atenção com mais facilidade.
As empresas viram a luz em cima da minha cabeça e decidiram que minha classe é seu novo alvo de consumo. Antes, quando eu era pobre, de certo modo não existia para elas. Quer dizer, talvez existisse, mas não tinha nome nem capital razoável.
De modo que agora elas querem me vender carros, geladeiras de inox, engenhocas eletrônicas, planos de saúde e TV por assinatura. Tudo em parcelas a perder de vista e com redução do IPI (imposto sobre produtos industrializados).
E as universidades privadas, então, pipocam por São Paulo. Os cursos custam R$ 200 reais ao mês, e isso se eu não quiser pagar menos, estudando à distância.
Assim como toda pasta de dente é a mais recomendada entre os dentistas, essas universidades estão sempre entre as mais indicadas pelo Ministério da Educação, como elas mesmas alardeiam. Se é verdade ou não, quem pode saber?
E se eu não acreditar na educação privada, posso tentar uma universidade pública, evidentemente. Foi o que fiz: passei numa federal, fiz a matrícula e agora estou em greve porque o campus cai aos pedaços. Não tenho nem sala de aula.
Não que eu não esteja feliz com meu novo status de consumidor, não deve ser isso. (Agora mesmo escrevo em um notebook, minha TV tem cem canais de esporte e minha mãe prepara a comida num fogão novo; se isso não for felicidade, do que se trata, então?)
O problema é que me esforço, juro, mas o ceticismo ainda é minha perdição: levo 2h30 para chegar ao trabalho porque o trem quebra todos os dias, meu plano de saúde não cobre minha doença no intestino e morro de medo das enchentes do bairro.
Ou seja, ao mesmo tempo em que todos querem me atingir por meu razoável poder de consumo, passo por perrengues do século passado. Eu e mais de 30 milhões de pessoas - não somos pobres, mas classe C.
Deixa eu terminar por aqui o texto, porque daqui a pouco vão me chamar de chato ou, pior, de comunista. Logo eu, que só li Marx na versão resumida em quadrinhos. Fazer o quê, se eu gosto é de autoajuda?
Fonte: MACHADO, Leandro. De repente, classe C. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao. Acesso: 05 out. 2012. Texto modificado.
Assinale a alternativa FALSA quanto ao texto:
Questão 1 482047
IFNMG 2013O texto a seguir serve de base para responder a questão. Leia-o atentamente.
De repente, classe C
Eu me considerava um rapaz razoavelmente feliz até descobrir que não sou mais pobre e que agora faço parte da classe C.
Com a informação, percebi aos poucos que eu e minha nova classe somos as celebridades do momento. Todo mundo fala de nós e, claro, quer nos atingir de alguma forma.
Há empresas, publicações, planos de marketing e institutos de pesquisa exclusivamente dedicados a investigar as minhas preferências: se gosto de azul ou vermelho, batata ou tomate e se meus filmes favoritos são do Van Damme ou do Steven Seagal. (Aliás, filmes dublados, por favor! Afinal, eu, como todos os membros da classe C, aparentemente tenho sérias dificuldades para ler com rapidez essas malditas legendas).
A televisão também estudou minha nova classe e, por isso, mudou seus planos: além do aumento dos programas que relatam crimes bizarros (supostamente gosto disso), as telenovelas agora têm empregadas domésticas como protagonistas, cabeleireiras como musas e até mesmo personagens ricos que moram em bairros mais ou menos como o meu.
A diferença é que nesses bairros, os da novela, não há ônibus que demoram duas horas para passar nem buracos na rua.
Um telejornal famoso até trocou seu antigo apresentador, um homem fino e especialista em vinhos, por um âncora, digamos, mais povão, do tipo que fala alto e gosta de samba. Um sujeito mais parecido comigo, talvez. Deve estar lá para chamar a minha atenção com mais facilidade.
As empresas viram a luz em cima da minha cabeça e decidiram que minha classe é seu novo alvo de consumo. Antes, quando eu era pobre, de certo modo não existia para elas. Quer dizer, talvez existisse, mas não tinha nome nem capital razoável.
De modo que agora elas querem me vender carros, geladeiras de inox, engenhocas eletrônicas, planos de saúde e TV por assinatura. Tudo em parcelas a perder de vista e com redução do IPI (imposto sobre produtos industrializados).
E as universidades privadas, então, pipocam por São Paulo. Os cursos custam R$ 200 reais ao mês, e isso se eu não quiser pagar menos, estudando à distância.
Assim como toda pasta de dente é a mais recomendada entre os dentistas, essas universidades estão sempre entre as mais indicadas pelo Ministério da Educação, como elas mesmas alardeiam. Se é verdade ou não, quem pode saber?
E se eu não acreditar na educação privada, posso tentar uma universidade pública, evidentemente. Foi o que fiz: passei numa federal, fiz a matrícula e agora estou em greve porque o campus cai aos pedaços. Não tenho nem sala de aula.
Não que eu não esteja feliz com meu novo status de consumidor, não deve ser isso. (Agora mesmo escrevo em um notebook, minha TV tem cem canais de esporte e minha mãe prepara a comida num fogão novo; se isso não for felicidade, do que se trata, então?)
O problema é que me esforço, juro, mas o ceticismo ainda é minha perdição: levo 2h30 para chegar ao trabalho porque o trem quebra todos os dias, meu plano de saúde não cobre minha doença no intestino e morro de medo das enchentes do bairro.
Ou seja, ao mesmo tempo em que todos querem me atingir por meu razoável poder de consumo, passo por perrengues do século passado. Eu e mais de 30 milhões de pessoas - não somos pobres, mas classe C.
Deixa eu terminar por aqui o texto, porque daqui a pouco vão me chamar de chato ou, pior, de comunista. Logo eu, que só li Marx na versão resumida em quadrinhos. Fazer o quê, se eu gosto é de autoajuda?
Fonte: MACHADO, Leandro. De repente, classe C. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao. Acesso: 05 out. 2012. Texto modificado.
Conforme as ideias defendidas no texto, é CORRETO afirmar:
Questão 10 433989
IFSul - Rio-Grandense 2013/2O trecho foi extraído do conto “Luvas Vermelhas”, publicado no livro “Uma terra só”, de Aldyr Garcia Schlee, Edições Ardotempo, Porto Alegre, 2011, páginas 123/134
O trecho servirá de base para resolução da questão.
O pessoal foi chegando devagarzinho. Um, outro, mais outro, falavam e riam meio nervosos. Foram tratando de limpar tudo, deixar o ringue livre. Por fim, reuniram-se na sala da frente e festejaram com sorrisos a chegada do gago com seu ar encabulado e um embrulho debaixo do braço. Logo depois apareceu Alarcón dizendo buenas noches e tapeando as costas de um e de outro.
No trecho sublinhado, encontra-se típico exemplo de discurso
Questão 8 433986
IFSul - Rio-Grandense 2013/2O trecho foi extraído do conto “Luvas Vermelhas”, publicado no livro “Uma terra só”, de Aldyr Garcia Schlee, Edições Ardotempo, Porto Alegre, 2011, páginas 123/134.
O trecho servirá de base para resolução da questão.
Por fim, Alarcón arrematou com o último golpe-chave: um upper-cut que todos viram assustados: abaixou-se muito rapidamente, dobrando os joelhos de leve, rodou sobre o pé direito e como que girou para o alto, esticando os joelhos, enquanto desferia o soco curto, de baixo para cima, no queixo do gurizote.
Naquele dia o boxe começou a acabar em Jaguarão. Todos foram para casa revoltados e desolados, depois de atenderem o gago, coitado, de cara desfeita, aturdido e apalermado. Deixaram-no como um bêbado, na casa do tio, onde vivia. Quando voltou ao trabalho, dias depois de muita compressa de arnica e banhos de ervas, ainda tinha as marcas do combate.
A expressão “por fim” tem como finalidade estabelecer um(a) _____ entre os fatos narrados.
Questão 4 433976
IFSul - Rio-Grandense 2013/2O trecho foi extraído do conto “Luvas Vermelhas”, publicado no livro “Uma terra só”, de Aldyr Garcia Schlee, Edições Ardotempo, Porto Alegre, 2011, páginas 123/134.
O trecho servirá de base para resolução da questão.
Foi ele quem despertou em Jaguarão o gosto pelo boxe, quando apareceu com um grupo no palco do Teatro, apresentando-se na luta de fundo. Era peso-médio. Depois ficou na cidade como goleiro. E fez vários discípulos, tanto no ringue como no golo*, soqueando forte e decididamente. ______ um ringue armado na peça dos fundos de uma alfaiataria, perto da praça, com as cordas e tudo, uma lona no chão. Só que as cordas ficavam muito perto da parede e, quando davam de si, num golpe qualquer, o lutador perigava bater com a cabeça.
* Balizas, geralmente com rede, no futebol. O mesmo que gol.
A expressão davam de si, sublinhada no trecho, é utilizada, em sentido
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)