Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 1 166853
IFRN 2014TEXTO
A DITADURA DA BELEZA AO LONGO DA HISTÓRIA*
Bom dia queridos amigos,
Hoje vamos falar de um assunto que é fácil para alguns e é um verdadeiro trauma para outros: a ditadura da beleza. Chega a ser irônico que, na pré-história, mulheres obesas representassem o ideal estético e a fertilidade sendo que hoje a mídia impõe que uma mulher comercialmente bonita deve ser extremamente magra. Esses padrões são fruto de diversos fatores, sendo o principal a associação de beleza à disponibilidade de recursos. Na pré-história, uma mulher obesa era considerada linda por ter como se alimentar em uma época de grande escassez de alimentos. Nos dias atuais, uma mulher magra com a musculatura rígida indica alguém que dispõe de alimentação balanceada, acompanhamento médico, academia, tratamentos estéticos entre outros privilégios.
Antiguidade
Os exemplos mais notáveis de padrão de beleza na Antiguidade são, sem dúvida, os greco-romanos. Em uma época de constantes guerras e em uma sociedade que valorizava a saúde e a habilidade corporal, eram considerados bonitos homens altos, de corpo musculoso, rosto com nariz afilado e cabelos encaracolados pelos ombros. As mulheres deveriam ter curvas perfeitas, seios pequenos, pele clara e longos cabelos.
Idade Média
Na época Medieval, não havia muita preocupação com a estética. A beleza seria consequência da vida devota e denotava uma alma pura e casta, como a da Virgem Maria. Rosto angelical, lábios pequenos e cabelo cor de ouro eram o trunfo das mulheres. Já nos homens, a beleza estava associada ao poder e, em geral, o "rei" simbolizava esse ideal.
Renascimento
Nessa época, há um retorno dos ideais de beleza greco-romanos somados à gordura, que era um indicativo de status social, visto que a ostentação alimentícia não era para todos. Braços roliços, quadris largos e celulites eram sinais de volúpia e nobreza. Esse padrão cabia tanto aos homens quanto às mulheres.
Barroco e Maneirismo
Agora, a beleza não é só uma questão de forma física, é algo comportamental. Mover-se ou mesmo olhar deveria ser revestido de graça e beleza, cultura esta disseminada na França e muito presente até os dias atuais. Muito destaque para os modos refinados e para as roupas e adornos.
Romantismo
Nesse período, a beleza esteve associada à melancolia e à doença. As moças deviam ser lânguidas, pálidas, de cabelo indomável, com olheiras e comportamento recatado. A beleza masculina estava associada à poesia, à boemia e à solidão.
Era Contemporânea
É o tempo em que magreza, saúde e riqueza andam lado a lado. E a felicidade está associada ao status social. A mídia cria padrões de beleza e ideais de vida perfeita para vender os produtos produzidos pela era capitalista. O padrão de beleza varia bastante através das décadas, sempre seguindo a indústria da moda e a cabeça dos grandes estilistas, que vendem algo que não é acessível para as grandes massas, que fica restrita a um determinado círculo da sociedade, e cabe ao restante trabalhar e gastar para perseguir esse padrão, fazendo rodar, desta forma, a grande engrenagem da sociedade de consumo.
Apesar de tudo isso, o recado que quero deixar para vocês é: somos todos bonitos, cada um a seu modo, não importa o quanto você pesa, se seu cabelo é armado, se sua pele não é perfeita, não importa, temos, acima de tudo, que nos amar e sempre buscar nos sentirmos bem com nós mesmos.

*Postado por Vivian Magalhães, às 08:46. Disponível em Acesso em: 05 de out. 2013. Texto adaptado para uso nesta avaliação.
A leitura do Texto permite afirmar que, ao longo do tempo, o padrão de beleza
Questão 8 165880
IFGO 2014Texto 02
Sou uma pessoa normal? Não estou no Facebook
“João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.” Ana é amiga de Sérgio que é amigo de Domingos que é amiga de Inês que é amiga de Margarida que é amiga de Anabela que não é amiga de ninguém. A Anabela sou eu e não tenho amigos no Facebook. A primeira razão porque respondo orgulhosamente que não estou no Facebook é porque me repugna o uso abusivo da palavra amigo. Só quando estive prestes a entrar no Facebook, e entendi melhor o seu funcionamento, compreendi porque me ocorreu o poema de Drummond de Andrade com que abro este texto: porque ele se chama Quadrilha. E eu não queria, nem quero, fazer parte desta quadrilha. E, sobretudo, porque detesto o entra e sai de gente, o desencontro do João que ama Teresa, o falso encontro da Inês que é amiga da Margarida.
No Facebook, todos parecem muito encontrados. E felizes. De uma felicidade esfuziante ou de uma felicidade melancólica.
Vamos começar do princípio. Faz de conta que eu estou no Livro das Caras (que é como, em dias normais, chamo ao Facebook). Quem vê a minha cara, vê o meu coração? Sabe realmente quem sou? O que penso? As minhas contradições e fragilidades? Já agora, as fragilidades também se afixam no mural?
Alguém usa o Facebook para desabafar sentimentos do tipo: “Hoje estou com uma neura mortal.”?; “O meu problema é que estou sem cheta para pagar o IVA.”? Estas minudências partilham-se nas redes sociais? Para que servem as redes sociais? Para fazer amigos? Para partilhar os nossos dias? Partilham-se fotografias das férias, listas de preferências, amigos em comum; e, verdadeiramente, não se partilha nada importante.
AMIGOS ÀS PAZADAS!
Afinal, o que é que tenho contra o Facebook? Tudo! Além da mais pura embirração. As minhas razões são as da minha amiga Margarida: “Não estou no Facebook porque não me interesso por relações pessoais estabelecidas virtualmente. Acho que estas redes são usadas como demonstrações de sucesso social e podem ser absolutamente falsas! São o ambiente propício à criação de personagens que podem estar tão longe da realidade como a Terra de Plutão!”
PIOR QUE UM ALBERGUE ESPANHOL
Se exceptuar o meu empedernido caso e o da Margarida, todas as pessoas à minha volta acham que o Facebook é uma ferramenta indispensável. É o espaço adequado para amontoar amigos. Às pazadas! (Ouço o barulho da terra a bater no camião, pumba, pumba, e penso: Mais uma pazada de amigos). Quanto mais amigos, mais fixe se é! – deve ser o que quer dizer ter centenas, milhares de amigos. E chegados a este ponto, chegamos ao ponto verdadeiramente intransponível da minha relação com o Facebook. Se eu quisesse explicar a uma criança de cinco anos o que é o Facebook, diria que aqui se pratica a máxima: os amigos dos meus amigos, meus amigos são. Hummmm... Apesar de ter a possibilidade de controlar a informação, a quem quero que ela chegue, não consigo deixar de pensar que aquilo é pior do que um albergue espanhol em termos de confidencialidade!
CONVERSAS DE CHACHA
De que falam estes amigos? Conversa de chacha. Espreitei um debate aceso sobre o elevado tema: Achas que o Tomás é atraente? Também fiquei a saber que a Ana (o primeiro elo da cadeia) não sai de casa sem telemóvel Nokia, óculos de sol, chaves, bâton Chanel, iPod clássico. Informação imprescindível, aliás, sobretudo quando penso que sou amiga dela e posso obter esta informação por outras vias. E que ela não me interessa em nada. E que o que me interessa na minha amiga não está postado.
Mas informação como “as cinco coisas sem as quais eu não saio de casa” nos permite alimentar uma vida dupla. (Esta malta tem propensão esquizofrénica e eu é que não sou normal?) Uma vida ficcionada, postada, com o tal sorriso dourado ao Sol; e uma vida real, íntima, intransmissível num espaço público. Tenho a impressão que muitas destas pessoas postam, logo vivem. Eu prefiro viver em vez de postar.
Disponível em: .Acesso em: 10 nov. 2013. [Adaptado]
O uso do recurso de intertextualidade na introdução do texto é justificado pelo
Questão 4 165875
IFGO 2014Texto 01
Por que nunca entrei no Facebook
Eugenio Bucci
– Não, não estou no Facebook.
Quando a gente diz isso numa roda, num jantar ou num ponto de ônibus, a conversa silencia. Olhares incrédulos saltam sobre nossa figura tímida, como luzes de otorrinolaringologistas do futuro, tentando investigar nossas limitações ocultas. Analfabetismo digital? Conservadorismo? Alguém arrisca um “em que planeta você vive?”. Outro sente pena e tenta ser simpático: “Até minha avó está no Face, é tão friendly”.
Aí, vem aquela voz categórica, que procura dar o sinal definitivo dos tempos: “Minha filha já nem usa mais email. Com ela, é tudo pelo Facebook”. É assim que os 46,3 milhões de brasileiros que mantêm um perfil pessoal na maior rede social do planeta tratam os outros, os que estão de fora. Fazem ar de espanto. Fazem chiste, bullying, assédio moral.
E não obstante: Não, não estou no Facebook. E acho que tenho razão. Errados estão os 845 milhões de viventes que, em todas as línguas, em todos os países, puseram lá suas fotografias (tem gente sem camisa!) ao lado de seus depoimentos confessionais. Viventes e morrentes, é bom saber. Há poucas semanas, o escritor Humberto Werneck, em sua coluna dominical no jornal O Estado de São Paulo, registrou um dado um tanto mórbido. Quando um sujeito morre – isso acontece –, o perfil do defunto fica lá, intacto. O perfil do morto não entra em putrefação, nem vai para debaixo da tela. Os outros usuários, estes vivos, mas desavisados, podem “curtir” até cansar. O perfil não se mexe nem sai de cena. Não há coveiros digitais no tempo real. De todo modo, como não frequento isso que Werneck chamou de “cemitério virtual”, não posso saber como é. Apenas presumo que deva ser aflitivo. Também por isso, ali não entro nem morto.
A fonte da minha resistência, contudo, não está nessa situação terrível, não da morte em vida, mas da vida em morte a que a grande rede pode nos sentenciar. Também não está nas fotos de gente sem camisa. A evasão de intimidades em que estamos submersos é a regra totalitária. Até mesmo a fé – algo ainda mais íntimo que o sexo – ganhou estatuto de espetáculo nas telas eletrônicas, e a transcendência do espírito se converteu em explicitude obscena. Entre o lúbrico e o religioso, não é o festival abrasivo nauseante de intimidades que me mantém distante. Não é também a frivolidade.
O que mais me afasta desse tipo de rede social é o comércio. Nada contra as feiras livres, que, em qualquer lugar, em qualquer tempo, concentram as mais autênticas vibrações da cultura (a melhor porta de entrada para o viajante que quer conhecer uma cidade é a feira livre). Agora, o comércio no Facebook é outra história. Ele é ainda mais funéreo que a presença dos clientes mortos que não pagam nem arredam pé. Ali, a mercadoria é o freguês, o que vai ficando cada dia mais evidente, com denúncias crescentes sobre o uso de informações pessoais mercadejadas pelos administradores do site. Ali dentro, as mais exibicionistas intimidades adquirem um sinistro valor de troca para as mais intrincadas estratégias mercadológicas.
Já no tempo do Orkut – no qual também nunca pus os pés, ou os dedos, ou os dígitos – esse fantasma existia. Hoje, no Facebook, o velho fantasma é corpóreo, material, indisfarçável em seu jogo desigual. O usuário alimenta o usurário – com seu próprio trabalho, não remunerado. Clicando “curti” para lá e para cá, o freguês fabrica alegremente o “database marketing” que o vende sem que ele saiba. Estou fora. Muito obrigado.
Disponível em: . Acesso em: 10 nov. 2013. [Adaptado]
Leia o seguinte fragmento:
“A fonte da minha resistência, contudo, não está nessa situação terrível, não da morte em vida, mas da vida em morte a que a grande rede pode nos sentenciar”.
O conectivo em destaque expressa ideia de
Questão 3 165874
IFGO 2014Texto 01
Por que nunca entrei no Facebook
Eugenio Bucci
– Não, não estou no Facebook.
Quando a gente diz isso numa roda, num jantar ou num ponto de ônibus, a conversa silencia. Olhares incrédulos saltam sobre nossa figura tímida, como luzes de otorrinolaringologistas do futuro, tentando investigar nossas limitações ocultas. Analfabetismo digital? Conservadorismo? Alguém arrisca um “em que planeta você vive?”. Outro sente pena e tenta ser simpático: “Até minha avó está no Face, é tão friendly”.
Aí, vem aquela voz categórica, que procura dar o sinal definitivo dos tempos: “Minha filha já nem usa mais email. Com ela, é tudo pelo Facebook”. É assim que os 46,3 milhões de brasileiros que mantêm um perfil pessoal na maior rede social do planeta tratam os outros, os que estão de fora. Fazem ar de espanto. Fazem chiste, bullying, assédio moral.
E não obstante: Não, não estou no Facebook. E acho que tenho razão. Errados estão os 845 milhões de viventes que, em todas as línguas, em todos os países, puseram lá suas fotografias (tem gente sem camisa!) ao lado de seus depoimentos confessionais. Viventes e morrentes, é bom saber. Há poucas semanas, o escritor Humberto Werneck, em sua coluna dominical no jornal O Estado de São Paulo, registrou um dado um tanto mórbido. Quando um sujeito morre – isso acontece –, o perfil do defunto fica lá, intacto. O perfil do morto não entra em putrefação, nem vai para debaixo da tela. Os outros usuários, estes vivos, mas desavisados, podem “curtir” até cansar. O perfil não se mexe nem sai de cena. Não há coveiros digitais no tempo real. De todo modo, como não frequento isso que Werneck chamou de “cemitério virtual”, não posso saber como é. Apenas presumo que deva ser aflitivo. Também por isso, ali não entro nem morto.
A fonte da minha resistência, contudo, não está nessa situação terrível, não da morte em vida, mas da vida em morte a que a grande rede pode nos sentenciar. Também não está nas fotos de gente sem camisa. A evasão de intimidades em que estamos submersos é a regra totalitária. Até mesmo a fé – algo ainda mais íntimo que o sexo – ganhou estatuto de espetáculo nas telas eletrônicas, e a transcendência do espírito se converteu em explicitude obscena. Entre o lúbrico e o religioso, não é o festival abrasivo nauseante de intimidades que me mantém distante. Não é também a frivolidade.
O que mais me afasta desse tipo de rede social é o comércio. Nada contra as feiras livres, que, em qualquer lugar, em qualquer tempo, concentram as mais autênticas vibrações da cultura (a melhor porta de entrada para o viajante que quer conhecer uma cidade é a feira livre). Agora, o comércio no Facebook é outra história. Ele é ainda mais funéreo que a presença dos clientes mortos que não pagam nem arredam pé. Ali, a mercadoria é o freguês, o que vai ficando cada dia mais evidente, com denúncias crescentes sobre o uso de informações pessoais mercadejadas pelos administradores do site. Ali dentro, as mais exibicionistas intimidades adquirem um sinistro valor de troca para as mais intrincadas estratégias mercadológicas.
Já no tempo do Orkut – no qual também nunca pus os pés, ou os dedos, ou os dígitos – esse fantasma existia. Hoje, no Facebook, o velho fantasma é corpóreo, material, indisfarçável em seu jogo desigual. O usuário alimenta o usurário – com seu próprio trabalho, não remunerado. Clicando “curti” para lá e para cá, o freguês fabrica alegremente o “database marketing” que o vende sem que ele saiba. Estou fora. Muito obrigado.
Disponível em: . Acesso em: 10 nov. 2013. [Adaptado]
Bucci, ao analisar as diversas funções do Facebook, o define como:
Questão 20 164331
IFAM 2014Muitas palavras apresentam a mesma pronúncia, e às vezes a mesma grafia, mas significação diferente, como por exemplo, são (sadio), são (verbo ser), são (santo). Assim, a gramática convencionou nomeá-las como:
Questão 10 164319
IFAM 2014Quanto ao grau dos adjetivos, observe as duas orações e assinale a alternativa que as classifica, respectivamente:
“A torre era extremamente alta”.
“Chegou ao país a mais alta autoridade em Física do mundo”.
06
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