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Questão 3 168379
IFMG 2014A ESMOLA DA FELICIDADE
— Deus lhe acrescente, minha senhora devota! exclamou o irmão das almas ao ver a nota cair em cima de dois níqueis de tostão e alguns vinténs antigos. Deus lhe dê todas as felicidades do céu e da terra, e as almas do purgatório peçam a Maria Santíssima que recomende a senhora dona a seu bendito filho!
Quando a sorte ri, toda a natureza ri também, e o coração ri como tudo o mais. Tal foi a explicação que, por outras palavras menos especulativas, deu o irmão das almas aos dois milréis. A suspeita de ser a nota falsa não chegou a tomar pé no cérebro deste: foi alucinação rápida. Compreendeu que as damas eram felizes, e, tendo o uso de pensar alto, disse piscando o olho, enquanto elas entravam no carro:
— Aquelas duas viram passarinho verde, com certeza.
Sem rodeios, supôs que as duas senhoras vinham de alguma aventura amorosa, e deduziu isto de três fatos, que sou obrigado a enfileirar aqui para não deixar este homem sob a suspeita de caluniador gratuito. O primeiro foi a alegria delas, o segundo o valor da esmola, o terceiro o carro que as esperava a um canto, como se elas quisessem esconder do cocheiro o ponto dos namorados. Não concluas tu que ele tivesse sido cocheiro algum dia, e andasse a conduzir moças antes de servir às almas. Também não creias que fosse outrora rico e adúltero, aberto de mãos, quando vinha de dizer adeus às suas amigas. “Ni cet excès d'honneur, ni cette indignité”. Era um pobre diabo sem mais ofício que a devoção. Demais, não teria tido tempo; contava apenas vinte e sete anos.
Cumprimentou as senhoras, quando o carro passou. Depois ficou a olhar para a nota tão fresca, tão valiosa, nota que almas nunca viram sair das mãos dele. Foi subindo a Rua de S. José. Já não tinha ânimo de pedir; a nota fazia-se ouro, e a idéia de ser falsa voltou-lhe ao cérebro, e agora mais freqüente, até que se lhe pegou por alguns instantes. Se fosse falsa... "Para a missa das almas!" gemeu à porta de uma quitanda e deram-lhe um vintém, — um vintém sujo e triste ao pé da nota tão novinha que parecia sair do prelo. Seguia-se um corredor de sobrado. Entrou, subiu, pediu, deram-lhe dois vinténs, — o dobro da outra moeda no valor e no azinhavre e a nota sempre limpa, uns dois mil-réis que pareciam vinte. Não, não era falsa. No corredor pegou dela, mirou-a bem; era verdadeira. De repente, ouviu abrir a cancela em cima, e uns passos rápidos. Ele, mais rápido, amarrotou a nota e meteu-a na algibeira das calças; ficaram só os vinténs azinhavrados e tristes, o óbolo da viúva. Saiu, foi à primeira oficina, à primeira loja, ao primeiro corredor, pedindo longa e lastimosamente:
— Para a missa das almas!
Na igreja, ao tirar a opa, depois de entregar a bacia ao sacristão, ouviu uma voz débil como de almas remotas que lhe perguntavam se os dois mil-réis... Os dois mil-réis, dizia outra voz menos débil, eram naturalmente dele, que, em primeiro lugar, também tinha alma, e, em segundo lugar, não recebera nunca tão grande esmola. Quem quer dar tanto vai à igreja ou compra uma vela, não põe assim uma nota na bacia das esmolas pequenas. Se minto, não é de intenção. Em verdade, as palavras não saíram assim articuladas e claras, nem as débeis, nem as menos débeis; todas faziam uma zoeira aos ouvidos da consciência. Traduzi-as em língua falada, a fim de ser entendido das pessoas que me lêem; não sei como se poderia transcrever para o papel um rumor surdo e outro menos surdo, um atrás de outro e todos confusos para o fim, até que o segundo ficou só: "Não tirou a nota a ninguém... a dona é que a pôs na bacia por sua mão... também ele era alma"... À porta da sacristia que dava para a rua, ao deixar cair o reposteiro azul-escuro debruado de amarelo, não ouviu mais nada. Viu um mendigo que lhe estendia o chapéu roto e sebento, meteu vagarosamente a mão no bolso do colete, também roto, e aventou uma moedinha de cobre que deitou ao chapéu do mendigo, rápido, às escondidas, como quer o Evangelho. Eram dois vinténs, ficavam-lhe mil novecentos e noventa e oito réis. E o mendigo, como ele saísse depressa, mandou-lhe atrás estas palavras de agradecimento, parecidas com as suas:
— Deus lhe acrescente, meu senhor, e lhe dê...
O que o autor quis sugerir com a expressão “... rápido, às escondidas, como quer o Evangelho.”?
Questão 18 167919
IFMA 2014
As palavras “baixo” e “doente”(1o quadrinho), do ponto de vista morfológico, são classificadas, respectivamente como:
Questão 16 167917
IFMA 2014Leia o texto abaixo e responda à questão.
O sombra
Em conversas privadas, Lula continua a alimentar, sabe-se lá por que, a possibilidade de sair candidato à Presidência em 2014. Nunca é explícito, é verdade. Mas, recentemente, tanto numa conversa com um senador petista quanto em outra com um grande empresário, não pronunciou a palavra “não” quando perguntado explicitamente se poderia vir a ser candidato no ano que vem. Iniciou a resposta com um “temos de ajudar a Dilma”. E seguiu em frente.
(Veja, edição 2346, ano 46, n. 45 de 06 de novembro de 2013).
Após a leitura do texto “O sombra”, podemos concluir:
Questão 9 167910
IFMA 2014Marque corretamente a opção que completa a oração a seguir:
____________ épocas em que não se __________ os registros de matrículas; praticamente, não __________ dados arquivados na secretaria”.
Questão 4 167905
IFMA 2014Chovem duas chuvas:
De água e de jasmins
Por esses jardins
De flores e de nuvens
(Cecília Meirelles)
Quanto ao primeiro verso de Cecília Meireles, podemos dizer que:
Questão 1 167902
IFMA 2014Sobre o poema abaixo “Adiado o tempo para amar”, considere as afirmativas:
Adiado o tempo para amar
Desculpa meu amor
não há tempo para o amor
Quando melhor arfar o mar
O céu for mais azul
A lua menos leviana
Desculpa meu amor
´inda é cedo para o amor
Quando fenderem os ares
Os pássaros da liberdade
Desculpa meu amor
Temos em breve o nosso amor
Quando soluçarem os tambores
na Mãe -Terra distante
Quando endoideceram tinindo
os sinos todos de Cabo Verde
(In: DÁSKALOS, Maria, A.; APA, Lívia; BARRETOS, Arlindo, op.cit, p.156.)
I. Segundo o texto, o tempo abordado é o tempo cronológico e este é utilizado como contagem para amar.
II. O poema traça uma breve cronologia a respeito do ato de amar.
III. No trecho, “desculpa meu amor ´inda é cedo para o amor”, o fragmento destacado é característica da linguagem coloquial.
IV. No texto há a referência ao amor, o qual deve ser protelado devido aos acontecimentos referentes à pátria.
- Estão corretas apenas:
06
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