Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 84 10533536
ENCCEJA* Ensino Fundamental - I, II, III e IV 2019Posto, logo existo
Continuam a pipocar debates sobre as consequências de se passar tanto tempo conectado à internet. Já se fala em saturação social: tão preocupadas em existir para os outros, as pessoas estão perdendo um tempo valioso em que poderiam estar vivendo, cercadas não por milhares de seguidores, mas por umas poucas dezenas de amigos. Isso não pode ter se tornado tão obsoleto.
Claro que muita gente usa as redes sociais como uma forma de aproximação e de compartilhamento — numa boa. Se a pessoa está no controle do seu tempo e não troca o real pelo virtual, está fazendo bom uso da ferramenta. Mas há pessoas que não se sentem com a existência comprovada, e, para isso, se valem de bizarrices na esperança de deixarem de ser “ninguém” para se tornarem “alguém”, mesmo que alguém medíocre.
Esses casos estão aí, ao nosso redor. Gente que não percebe a diferença entre existir e viver não entende que é preferível viver, mesmo que discretamente, do que existir de mentirinha para 17 870 que não estão nem aí.
MEDEIROS, M. Revista O Globo, 10 jun. 2012.
Para defender seu ponto de vista acerca da influência da internet, a autora
Questão 83 10533532
ENCCEJA* Ensino Fundamental - I, II, III e IV 2019Assum preto
Tudo em vorta é só beleza
Sol de abril e a mata em frô
Mas Assum preto, cego dos óio
Num vendo a luz, ai, canta de dô.
Tarvez por ignorança
Ou mardade das pió
Furaro os óio do Assum preto
Pra ele assim, ai, cantá mió.
Assum preto veve sorto
Mas num pode avuá
Mil vez a sina de uma gaiola
Desde que o céu, ai, pudesse oiá.
Assum preto, o meu cantar
É tão triste como o teu
Também robaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óio meu.
GONZAGA, L.; TEIXEIRA, H. Disponível em: www.vagalume.com.br. Acesso em: 17 jul. 2014.
O texto poético Assum preto apresenta uma variedade linguística caracterizada pela informalidade da situação de comunicação e pelo gênero letra de canção regional.
Essa variedade de língua está marcada no texto pela
Questão 80 10533520
ENCCEJA* Ensino Fundamental - I, II, III e IV 2019Comida
Bebida é água.
Comida é pasto.
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comida,
A gente quer comida, diversão e arte.
A gente não quer só comida,
A gente quer saída para qualquer parte.
ANTUNES, A.; BRITTO, S.; FROMER, M. Titãs acústico. Rio de Janeiro: WEA/MTV, 1997 (fragmento).
Na letra da canção, a repetição da expressão “A gente não quer só comida” tem por objetivo
Questão 75 10533497
ENCCEJA* Ensino Fundamental - I, II, III e IV 2019A primeira Terra
O verdadeiro Pai Ñamandu, o primeiro,
seu leito na Terra para si mesmo concebendo,
com o saber contido em seu ser-de-céu,
e sob o sol de seu lume criador,
fez com que da ponta de seu cetro
fosse surgindo a Terra
MBYA GUARANI. In: COHN, S. Poesia.br: cantos ameríndios. Rio de Janeiro: Azougue, 2012 (fragmento).
O registro escrito de cantos indígenas contribui para preservar memórias de culturas ameaçadas.
Nesse canto guarani, o tema mostra-se culturalmente relevante na medida em que expressa uma
Questão 73 10533489
ENCCEJA* Ensino Fundamental - I, II, III e IV 2019Faz dois anos que Madalena morreu, dois anos difíceis. E quando os amigos deixaram de vir discutir política, isto se tornou insuportável. Foi aí que me surgiu a ideia esquisita de, com o auxílio de pessoas mais entendidas que eu, compor esta história. A ideia gorou, o que já declarei. [...] De repente voltou-me a ideia de construir o livro. Assinei a carta ao homem dos porcos e, depois de vacilar um instante, porque nem sabia começar a tarefa, redigi um capítulo.
RAMOS, G. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1986.
Nesse relato em primeira pessoa, o narrador apresenta-se como um indivíduo
Questão 72 10533486
ENCCEJA* Ensino Fundamental - I, II, III e IV 2019O sol poente desatava, longa, a sua sombra pelo chão, e protegido por ela — braços largamente abertos, face volvida para os céus —, um soldado descansava. Descansava... havia três meses. Morrera no assalto de 18 de julho.
CUNHA, E. Os sertões. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1946.
Nesse fragmento, o narrador leva o leitor a uma quebra de expectativa provocada pelo
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