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Questão 12 169628
IFMT 2015/2TEXTO 1
COMO E POR QUE TIRAR UMA 'SELFIE'
Nos últimos anos, a "selfie" – aquele autorretrato informal, tirado com smartphone segurado na ponta da mão –
se tornou um hábito. Em praticamente todo lugar público tem alguém fazendo biquinhos e caretas para um
retângulo de vidro. Nas mídias sociais, se o braço é visível, a "selfie" é certa. Para resolver esse problema,
monopés de bolso se tornaram o carro-chefe dos camelôs, permitindo que casais em restaurantes possam
[5] esticar o telefone à distância para tirar sua foto romântica, liberando o pobre garçom.
O hábito já não é mais coisa de adolescentes autocentrados. De astronautas no espaço ao Papa no Vaticano, é
raro quem não tenha seu autorretrato publicado em uma das redes, muitas vezes em ocasiões pra lá de
inoportunas. Mas, se causou polêmica a foto tirada pelo primeiro ministro dinamarquês com Barack Obama e
David Cameron no funeral de Nelson Mandela, quando a Samsung pagou para Bradley Cooper tirar "selfies"
[10] com outros atores na entrega do "Oscar", ninguém estranhou. Nem pediu "royalties".
O autorretrato é anterior à fotografia. Rembrandt e Van Gogh são famosos por usá-lo como técnica de
aprendizado e experimentação. Mas, se nos anos recentes o smartphone facilitou a prática, o resultado ainda
está mais para um feito da tecnologia do que para uma obra de arte.
[15] no banheiro em frente ao espelho, montada para a balada, bacana em uma sala VIP, doidona esperando a
saideira, uniformizada no jogo de futebol, brindando no restaurante, jogando videogames, de pés para o alto na
praia, posando na frente de um carrão, ao lado de celebridades Quem não viu várias dessas hoje? Quem
nunca tirou uma dessas?
Algumas técnicas simples podem melhorar bastante uma "selfie". A escolha de um fundo colorido e uniforme,
[20] como uma parede ou cortina, ajuda a simplificar a imagem e chamar a atenção para a pessoa fotografada.
Outro cuidado importante é com a luz. É importante ficar de frente para ela. E tomar cuidado com o flash, para
que a luz não fique muito forte.
Posar com objetos ajuda a compor a cena. Ângulos inusitados, associados a uma boa linguagem corporal,
tendem a criar fotos bem acima da média. O autorretrato não precisa valer por mil palavras, mas é desejável
[25] que valha mais do que um tuíte.
O que leva a uma questão mais complicada. Por que se tiram "selfies"?
Um pequeno histórico das transformações na mídia talvez ajude a compreendê-las. Até a década de 1990, a
mídia de massa proporcionava uma fuga da realidade transportando leitores e telespectadores para um
universo ficcional de novelas e séries. Depois os reality shows viraram a câmera e a atenção para o indivíduo
[30] banal em todo o esplendor de sua boçalidade. Mídias sociais democratizaram o voyeurismo antes reservado a
celebridades, tornando-o acessível a todos, o tempo todo.
Hoje o segredo do sucesso de cada nova rede social parece estar em um exibicionismo declarado. Facebook
se tornou uma espécie de dicionário ilustrado das pessoas comuns, que embelezam o perfil para tornar suas
vidas especiais. YouTube é a TV de quem não tem muito o que dizer mas adora berrar para uma câmera. Blogs
[35] e Tumblr deram vazão à expressão em GIFs e texto, mesmo que seja só para propagar a zoeira. Twitter criou
audiências cativas e hashtags. LinkedIn se especializou nas análises positivas. Instagram abriu o espaço para
"selfies", consolidadas pelo Tinder. WhatsApp ressuscitou "emojis", aqueles desenhinhos que pareciam
confinados a nerds asiáticos. Snapchat e Vine abriram caminho para o mini-vídeo-selfie. Em comum, todos
transformam seus usuários em espetáculo de si mesmos.
[40] Na era do narcisismo digital, as oportunidades de ostentação são gigantescas. Nunca foi tão fácil, nem tão
popular, ser um fanfarrão. Apesar de todos estarem conectados, a empatia e o interesse pelo outro são
mínimos, a não ser para pedir sua aprovação. Basta examinar o conteúdo das fotografias para perceber que
elas estão lá mais para chamar a atenção dos outros do que para relembrar momentos marcantes.
Há um fascínio curioso em espionar a vida alheia, correspondente a uma tentação exibicionista em ser visto.
[45] Por mais que tais atitudes pareçam brincadeiras inocentes e passageiras, sua prática constante pode criar uma
dependência da rede, mas um falso sentimento de confiança. Em vez de estar bem com o que se é, é comum
ver gente desesperada em busca da foto certa, com os detalhes perfeitos.
Quem condiciona o status social ao desempenho de uma "selfie", corre o risco de se tornar carente, ansioso e
dependente de uma mídia que tem pouco de social. Na competição diária e contínua, ninguém tem paciência
[50] para ouvir histórias pessoais. O que importa são fotos de corpos, lugares e luxos tão supérfluos e inatingíveis
quanto as beldades retocadamente perfeitas do Instagram.
A rede social é concêntrica, e o centro está no umbigo de cada um. Talvez por isso seja tão excêntrica. Mas
ainda é melhor ter um ambiente exibicionista que desafia o comportamento castrador e controlador das
ideologias totalitárias do que um regime hipócrita e que limita escolhas através de códigos de conduta e
[55] decência. Bem dosada, a publicação de autorretratos em redes sociais pode ser questionadora e libertária.
Contanto que tenha algo a dizer.
(LULI RADFAHRER, FOLHA DE S.PAULO - 03/03/2015).
No trecho: “Até a década de 1990, a mídia de massa proporcionava uma fuga da realidade transportando leitores e telespectadores para um universo ficcional de novelas e séries. Depois os reality shows viraram a câmera e a atenção para o indivíduo banal em todo o esplendor de sua boçalidade”, o autor, ao tratar da relação entre a televisão e o ser humano, deixa implícito que o telespectador, em um passado recente
Questão 11 169627
IFMT 2015/2TEXTO 1
COMO E POR QUE TIRAR UMA 'SELFIE'
Nos últimos anos, a "selfie" – aquele autorretrato informal, tirado com smartphone segurado na ponta da mão –
se tornou um hábito. Em praticamente todo lugar público tem alguém fazendo biquinhos e caretas para um
retângulo de vidro. Nas mídias sociais, se o braço é visível, a "selfie" é certa. Para resolver esse problema,
monopés de bolso se tornaram o carro-chefe dos camelôs, permitindo que casais em restaurantes possam
[5] esticar o telefone à distância para tirar sua foto romântica, liberando o pobre garçom.
O hábito já não é mais coisa de adolescentes autocentrados. De astronautas no espaço ao Papa no Vaticano, é
raro quem não tenha seu autorretrato publicado em uma das redes, muitas vezes em ocasiões pra lá de
inoportunas. Mas, se causou polêmica a foto tirada pelo primeiro ministro dinamarquês com Barack Obama e
David Cameron no funeral de Nelson Mandela, quando a Samsung pagou para Bradley Cooper tirar "selfies"
[10] com outros atores na entrega do "Oscar", ninguém estranhou. Nem pediu "royalties".
O autorretrato é anterior à fotografia. Rembrandt e Van Gogh são famosos por usá-lo como técnica de
aprendizado e experimentação. Mas, se nos anos recentes o smartphone facilitou a prática, o resultado ainda
está mais para um feito da tecnologia do que para uma obra de arte.
[15] no banheiro em frente ao espelho, montada para a balada, bacana em uma sala VIP, doidona esperando a
saideira, uniformizada no jogo de futebol, brindando no restaurante, jogando videogames, de pés para o alto na
praia, posando na frente de um carrão, ao lado de celebridades Quem não viu várias dessas hoje? Quem
nunca tirou uma dessas?
Algumas técnicas simples podem melhorar bastante uma "selfie". A escolha de um fundo colorido e uniforme,
[20] como uma parede ou cortina, ajuda a simplificar a imagem e chamar a atenção para a pessoa fotografada.
Outro cuidado importante é com a luz. É importante ficar de frente para ela. E tomar cuidado com o flash, para
que a luz não fique muito forte.
Posar com objetos ajuda a compor a cena. Ângulos inusitados, associados a uma boa linguagem corporal,
tendem a criar fotos bem acima da média. O autorretrato não precisa valer por mil palavras, mas é desejável
[25] que valha mais do que um tuíte.
O que leva a uma questão mais complicada. Por que se tiram "selfies"?
Um pequeno histórico das transformações na mídia talvez ajude a compreendê-las. Até a década de 1990, a
mídia de massa proporcionava uma fuga da realidade transportando leitores e telespectadores para um
universo ficcional de novelas e séries. Depois os reality shows viraram a câmera e a atenção para o indivíduo
[30] banal em todo o esplendor de sua boçalidade. Mídias sociais democratizaram o voyeurismo antes reservado a
celebridades, tornando-o acessível a todos, o tempo todo.
Hoje o segredo do sucesso de cada nova rede social parece estar em um exibicionismo declarado. Facebook
se tornou uma espécie de dicionário ilustrado das pessoas comuns, que embelezam o perfil para tornar suas
vidas especiais. YouTube é a TV de quem não tem muito o que dizer mas adora berrar para uma câmera. Blogs
[35] e Tumblr deram vazão à expressão em GIFs e texto, mesmo que seja só para propagar a zoeira. Twitter criou
audiências cativas e hashtags. LinkedIn se especializou nas análises positivas. Instagram abriu o espaço para
"selfies", consolidadas pelo Tinder. WhatsApp ressuscitou "emojis", aqueles desenhinhos que pareciam
confinados a nerds asiáticos. Snapchat e Vine abriram caminho para o mini-vídeo-selfie. Em comum, todos
transformam seus usuários em espetáculo de si mesmos.
[40] Na era do narcisismo digital, as oportunidades de ostentação são gigantescas. Nunca foi tão fácil, nem tão
popular, ser um fanfarrão. Apesar de todos estarem conectados, a empatia e o interesse pelo outro são
mínimos, a não ser para pedir sua aprovação. Basta examinar o conteúdo das fotografias para perceber que
elas estão lá mais para chamar a atenção dos outros do que para relembrar momentos marcantes.
Há um fascínio curioso em espionar a vida alheia, correspondente a uma tentação exibicionista em ser visto.
[45] Por mais que tais atitudes pareçam brincadeiras inocentes e passageiras, sua prática constante pode criar uma
dependência da rede, mas um falso sentimento de confiança. Em vez de estar bem com o que se é, é comum
ver gente desesperada em busca da foto certa, com os detalhes perfeitos.
Quem condiciona o status social ao desempenho de uma "selfie", corre o risco de se tornar carente, ansioso e
dependente de uma mídia que tem pouco de social. Na competição diária e contínua, ninguém tem paciência
[50] para ouvir histórias pessoais. O que importa são fotos de corpos, lugares e luxos tão supérfluos e inatingíveis
quanto as beldades retocadamente perfeitas do Instagram.
A rede social é concêntrica, e o centro está no umbigo de cada um. Talvez por isso seja tão excêntrica. Mas
ainda é melhor ter um ambiente exibicionista que desafia o comportamento castrador e controlador das
ideologias totalitárias do que um regime hipócrita e que limita escolhas através de códigos de conduta e
[55] decência. Bem dosada, a publicação de autorretratos em redes sociais pode ser questionadora e libertária.
Contanto que tenha algo a dizer.
(LULI RADFAHRER, FOLHA DE S.PAULO - 03/03/2015).
Aponte a alternativa em que a conjunção adversativa mas não está corretamente empregada.
Questão 10 169626
IFMT 2015/2TEXTO 1
COMO E POR QUE TIRAR UMA 'SELFIE'
Nos últimos anos, a "selfie" – aquele autorretrato informal, tirado com smartphone segurado na ponta da mão –
se tornou um hábito. Em praticamente todo lugar público tem alguém fazendo biquinhos e caretas para um
retângulo de vidro. Nas mídias sociais, se o braço é visível, a "selfie" é certa. Para resolver esse problema,
monopés de bolso se tornaram o carro-chefe dos camelôs, permitindo que casais em restaurantes possam
[5] esticar o telefone à distância para tirar sua foto romântica, liberando o pobre garçom.
O hábito já não é mais coisa de adolescentes autocentrados. De astronautas no espaço ao Papa no Vaticano, é
raro quem não tenha seu autorretrato publicado em uma das redes, muitas vezes em ocasiões pra lá de
inoportunas. Mas, se causou polêmica a foto tirada pelo primeiro ministro dinamarquês com Barack Obama e
David Cameron no funeral de Nelson Mandela, quando a Samsung pagou para Bradley Cooper tirar "selfies"
[10] com outros atores na entrega do "Oscar", ninguém estranhou. Nem pediu "royalties".
O autorretrato é anterior à fotografia. Rembrandt e Van Gogh são famosos por usá-lo como técnica de
aprendizado e experimentação. Mas, se nos anos recentes o smartphone facilitou a prática, o resultado ainda
está mais para um feito da tecnologia do que para uma obra de arte.
[15] no banheiro em frente ao espelho, montada para a balada, bacana em uma sala VIP, doidona esperando a
saideira, uniformizada no jogo de futebol, brindando no restaurante, jogando videogames, de pés para o alto na
praia, posando na frente de um carrão, ao lado de celebridades Quem não viu várias dessas hoje? Quem
nunca tirou uma dessas?
Algumas técnicas simples podem melhorar bastante uma "selfie". A escolha de um fundo colorido e uniforme,
[20] como uma parede ou cortina, ajuda a simplificar a imagem e chamar a atenção para a pessoa fotografada.
Outro cuidado importante é com a luz. É importante ficar de frente para ela. E tomar cuidado com o flash, para
que a luz não fique muito forte.
Posar com objetos ajuda a compor a cena. Ângulos inusitados, associados a uma boa linguagem corporal,
tendem a criar fotos bem acima da média. O autorretrato não precisa valer por mil palavras, mas é desejável
[25] que valha mais do que um tuíte.
O que leva a uma questão mais complicada. Por que se tiram "selfies"?
Um pequeno histórico das transformações na mídia talvez ajude a compreendê-las. Até a década de 1990, a
mídia de massa proporcionava uma fuga da realidade transportando leitores e telespectadores para um
universo ficcional de novelas e séries. Depois os reality shows viraram a câmera e a atenção para o indivíduo
[30] banal em todo o esplendor de sua boçalidade. Mídias sociais democratizaram o voyeurismo antes reservado a
celebridades, tornando-o acessível a todos, o tempo todo.
Hoje o segredo do sucesso de cada nova rede social parece estar em um exibicionismo declarado. Facebook
se tornou uma espécie de dicionário ilustrado das pessoas comuns, que embelezam o perfil para tornar suas
vidas especiais. YouTube é a TV de quem não tem muito o que dizer mas adora berrar para uma câmera. Blogs
[35] e Tumblr deram vazão à expressão em GIFs e texto, mesmo que seja só para propagar a zoeira. Twitter criou
audiências cativas e hashtags. LinkedIn se especializou nas análises positivas. Instagram abriu o espaço para
"selfies", consolidadas pelo Tinder. WhatsApp ressuscitou "emojis", aqueles desenhinhos que pareciam
confinados a nerds asiáticos. Snapchat e Vine abriram caminho para o mini-vídeo-selfie. Em comum, todos
transformam seus usuários em espetáculo de si mesmos.
[40] Na era do narcisismo digital, as oportunidades de ostentação são gigantescas. Nunca foi tão fácil, nem tão
popular, ser um fanfarrão. Apesar de todos estarem conectados, a empatia e o interesse pelo outro são
mínimos, a não ser para pedir sua aprovação. Basta examinar o conteúdo das fotografias para perceber que
elas estão lá mais para chamar a atenção dos outros do que para relembrar momentos marcantes.
Há um fascínio curioso em espionar a vida alheia, correspondente a uma tentação exibicionista em ser visto.
[45] Por mais que tais atitudes pareçam brincadeiras inocentes e passageiras, sua prática constante pode criar uma
dependência da rede, mas um falso sentimento de confiança. Em vez de estar bem com o que se é, é comum
ver gente desesperada em busca da foto certa, com os detalhes perfeitos.
Quem condiciona o status social ao desempenho de uma "selfie", corre o risco de se tornar carente, ansioso e
dependente de uma mídia que tem pouco de social. Na competição diária e contínua, ninguém tem paciência
[50] para ouvir histórias pessoais. O que importa são fotos de corpos, lugares e luxos tão supérfluos e inatingíveis
quanto as beldades retocadamente perfeitas do Instagram.
A rede social é concêntrica, e o centro está no umbigo de cada um. Talvez por isso seja tão excêntrica. Mas
ainda é melhor ter um ambiente exibicionista que desafia o comportamento castrador e controlador das
ideologias totalitárias do que um regime hipócrita e que limita escolhas através de códigos de conduta e
[55] decência. Bem dosada, a publicação de autorretratos em redes sociais pode ser questionadora e libertária.
Contanto que tenha algo a dizer.
(LULI RADFAHRER, FOLHA DE S.PAULO - 03/03/2015).
Assinale a alternativa em que está correta a função sintática exercida pelo termo grifado
Questão 9 169625
IFMT 2015/2TEXTO 1
COMO E POR QUE TIRAR UMA 'SELFIE'
Nos últimos anos, a "selfie" – aquele autorretrato informal, tirado com smartphone segurado na ponta da mão –
se tornou um hábito. Em praticamente todo lugar público tem alguém fazendo biquinhos e caretas para um
retângulo de vidro. Nas mídias sociais, se o braço é visível, a "selfie" é certa. Para resolver esse problema,
monopés de bolso se tornaram o carro-chefe dos camelôs, permitindo que casais em restaurantes possam
[5] esticar o telefone à distância para tirar sua foto romântica, liberando o pobre garçom.
O hábito já não é mais coisa de adolescentes autocentrados. De astronautas no espaço ao Papa no Vaticano, é
raro quem não tenha seu autorretrato publicado em uma das redes, muitas vezes em ocasiões pra lá de
inoportunas. Mas, se causou polêmica a foto tirada pelo primeiro ministro dinamarquês com Barack Obama e
David Cameron no funeral de Nelson Mandela, quando a Samsung pagou para Bradley Cooper tirar "selfies"
[10] com outros atores na entrega do "Oscar", ninguém estranhou. Nem pediu "royalties".
O autorretrato é anterior à fotografia. Rembrandt e Van Gogh são famosos por usá-lo como técnica de
aprendizado e experimentação. Mas, se nos anos recentes o smartphone facilitou a prática, o resultado ainda
está mais para um feito da tecnologia do que para uma obra de arte.
[15] no banheiro em frente ao espelho, montada para a balada, bacana em uma sala VIP, doidona esperando a
saideira, uniformizada no jogo de futebol, brindando no restaurante, jogando videogames, de pés para o alto na
praia, posando na frente de um carrão, ao lado de celebridades Quem não viu várias dessas hoje? Quem
nunca tirou uma dessas?
Algumas técnicas simples podem melhorar bastante uma "selfie". A escolha de um fundo colorido e uniforme,
[20] como uma parede ou cortina, ajuda a simplificar a imagem e chamar a atenção para a pessoa fotografada.
Outro cuidado importante é com a luz. É importante ficar de frente para ela. E tomar cuidado com o flash, para
que a luz não fique muito forte.
Posar com objetos ajuda a compor a cena. Ângulos inusitados, associados a uma boa linguagem corporal,
tendem a criar fotos bem acima da média. O autorretrato não precisa valer por mil palavras, mas é desejável
[25] que valha mais do que um tuíte.
O que leva a uma questão mais complicada. Por que se tiram "selfies"?
Um pequeno histórico das transformações na mídia talvez ajude a compreendê-las. Até a década de 1990, a
mídia de massa proporcionava uma fuga da realidade transportando leitores e telespectadores para um
universo ficcional de novelas e séries. Depois os reality shows viraram a câmera e a atenção para o indivíduo
[30] banal em todo o esplendor de sua boçalidade. Mídias sociais democratizaram o voyeurismo antes reservado a
celebridades, tornando-o acessível a todos, o tempo todo.
Hoje o segredo do sucesso de cada nova rede social parece estar em um exibicionismo declarado. Facebook
se tornou uma espécie de dicionário ilustrado das pessoas comuns, que embelezam o perfil para tornar suas
vidas especiais. YouTube é a TV de quem não tem muito o que dizer mas adora berrar para uma câmera. Blogs
[35] e Tumblr deram vazão à expressão em GIFs e texto, mesmo que seja só para propagar a zoeira. Twitter criou
audiências cativas e hashtags. LinkedIn se especializou nas análises positivas. Instagram abriu o espaço para
"selfies", consolidadas pelo Tinder. WhatsApp ressuscitou "emojis", aqueles desenhinhos que pareciam
confinados a nerds asiáticos. Snapchat e Vine abriram caminho para o mini-vídeo-selfie. Em comum, todos
transformam seus usuários em espetáculo de si mesmos.
[40] Na era do narcisismo digital, as oportunidades de ostentação são gigantescas. Nunca foi tão fácil, nem tão
popular, ser um fanfarrão. Apesar de todos estarem conectados, a empatia e o interesse pelo outro são
mínimos, a não ser para pedir sua aprovação. Basta examinar o conteúdo das fotografias para perceber que
elas estão lá mais para chamar a atenção dos outros do que para relembrar momentos marcantes.
Há um fascínio curioso em espionar a vida alheia, correspondente a uma tentação exibicionista em ser visto.
[45] Por mais que tais atitudes pareçam brincadeiras inocentes e passageiras, sua prática constante pode criar uma
dependência da rede, mas um falso sentimento de confiança. Em vez de estar bem com o que se é, é comum
ver gente desesperada em busca da foto certa, com os detalhes perfeitos.
Quem condiciona o status social ao desempenho de uma "selfie", corre o risco de se tornar carente, ansioso e
dependente de uma mídia que tem pouco de social. Na competição diária e contínua, ninguém tem paciência
[50] para ouvir histórias pessoais. O que importa são fotos de corpos, lugares e luxos tão supérfluos e inatingíveis
quanto as beldades retocadamente perfeitas do Instagram.
A rede social é concêntrica, e o centro está no umbigo de cada um. Talvez por isso seja tão excêntrica. Mas
ainda é melhor ter um ambiente exibicionista que desafia o comportamento castrador e controlador das
ideologias totalitárias do que um regime hipócrita e que limita escolhas através de códigos de conduta e
[55] decência. Bem dosada, a publicação de autorretratos em redes sociais pode ser questionadora e libertária.
Contanto que tenha algo a dizer.
(LULI RADFAHRER, FOLHA DE S.PAULO - 03/03/2015).
Na frase: “Há um fascínio curioso em espiar a vida alheia, corresponde a uma tentação exibicionista em ser visto”, o autor expõe seu ponto de vista enfatizando
Questão 8 169624
IFMT 2015/2TEXTO 1
COMO E POR QUE TIRAR UMA 'SELFIE'
Nos últimos anos, a "selfie" – aquele autorretrato informal, tirado com smartphone segurado na ponta da mão –
se tornou um hábito. Em praticamente todo lugar público tem alguém fazendo biquinhos e caretas para um
retângulo de vidro. Nas mídias sociais, se o braço é visível, a "selfie" é certa. Para resolver esse problema,
monopés de bolso se tornaram o carro-chefe dos camelôs, permitindo que casais em restaurantes possam
[5] esticar o telefone à distância para tirar sua foto romântica, liberando o pobre garçom.
O hábito já não é mais coisa de adolescentes autocentrados. De astronautas no espaço ao Papa no Vaticano, é
raro quem não tenha seu autorretrato publicado em uma das redes, muitas vezes em ocasiões pra lá de
inoportunas. Mas, se causou polêmica a foto tirada pelo primeiro ministro dinamarquês com Barack Obama e
David Cameron no funeral de Nelson Mandela, quando a Samsung pagou para Bradley Cooper tirar "selfies"
[10] com outros atores na entrega do "Oscar", ninguém estranhou. Nem pediu "royalties".
O autorretrato é anterior à fotografia. Rembrandt e Van Gogh são famosos por usá-lo como técnica de
aprendizado e experimentação. Mas, se nos anos recentes o smartphone facilitou a prática, o resultado ainda
está mais para um feito da tecnologia do que para uma obra de arte.
[15] no banheiro em frente ao espelho, montada para a balada, bacana em uma sala VIP, doidona esperando a
saideira, uniformizada no jogo de futebol, brindando no restaurante, jogando videogames, de pés para o alto na
praia, posando na frente de um carrão, ao lado de celebridades Quem não viu várias dessas hoje? Quem
nunca tirou uma dessas?
Algumas técnicas simples podem melhorar bastante uma "selfie". A escolha de um fundo colorido e uniforme,
[20] como uma parede ou cortina, ajuda a simplificar a imagem e chamar a atenção para a pessoa fotografada.
Outro cuidado importante é com a luz. É importante ficar de frente para ela. E tomar cuidado com o flash, para
que a luz não fique muito forte.
Posar com objetos ajuda a compor a cena. Ângulos inusitados, associados a uma boa linguagem corporal,
tendem a criar fotos bem acima da média. O autorretrato não precisa valer por mil palavras, mas é desejável
[25] que valha mais do que um tuíte.
O que leva a uma questão mais complicada. Por que se tiram "selfies"?
Um pequeno histórico das transformações na mídia talvez ajude a compreendê-las. Até a década de 1990, a
mídia de massa proporcionava uma fuga da realidade transportando leitores e telespectadores para um
universo ficcional de novelas e séries. Depois os reality shows viraram a câmera e a atenção para o indivíduo
[30] banal em todo o esplendor de sua boçalidade. Mídias sociais democratizaram o voyeurismo antes reservado a
celebridades, tornando-o acessível a todos, o tempo todo.
Hoje o segredo do sucesso de cada nova rede social parece estar em um exibicionismo declarado. Facebook
se tornou uma espécie de dicionário ilustrado das pessoas comuns, que embelezam o perfil para tornar suas
vidas especiais. YouTube é a TV de quem não tem muito o que dizer mas adora berrar para uma câmera. Blogs
[35] e Tumblr deram vazão à expressão em GIFs e texto, mesmo que seja só para propagar a zoeira. Twitter criou
audiências cativas e hashtags. LinkedIn se especializou nas análises positivas. Instagram abriu o espaço para
"selfies", consolidadas pelo Tinder. WhatsApp ressuscitou "emojis", aqueles desenhinhos que pareciam
confinados a nerds asiáticos. Snapchat e Vine abriram caminho para o mini-vídeo-selfie. Em comum, todos
transformam seus usuários em espetáculo de si mesmos.
[40] Na era do narcisismo digital, as oportunidades de ostentação são gigantescas. Nunca foi tão fácil, nem tão
popular, ser um fanfarrão. Apesar de todos estarem conectados, a empatia e o interesse pelo outro são
mínimos, a não ser para pedir sua aprovação. Basta examinar o conteúdo das fotografias para perceber que
elas estão lá mais para chamar a atenção dos outros do que para relembrar momentos marcantes.
Há um fascínio curioso em espionar a vida alheia, correspondente a uma tentação exibicionista em ser visto.
[45] Por mais que tais atitudes pareçam brincadeiras inocentes e passageiras, sua prática constante pode criar uma
dependência da rede, mas um falso sentimento de confiança. Em vez de estar bem com o que se é, é comum
ver gente desesperada em busca da foto certa, com os detalhes perfeitos.
Quem condiciona o status social ao desempenho de uma "selfie", corre o risco de se tornar carente, ansioso e
dependente de uma mídia que tem pouco de social. Na competição diária e contínua, ninguém tem paciência
[50] para ouvir histórias pessoais. O que importa são fotos de corpos, lugares e luxos tão supérfluos e inatingíveis
quanto as beldades retocadamente perfeitas do Instagram.
A rede social é concêntrica, e o centro está no umbigo de cada um. Talvez por isso seja tão excêntrica. Mas
ainda é melhor ter um ambiente exibicionista que desafia o comportamento castrador e controlador das
ideologias totalitárias do que um regime hipócrita e que limita escolhas através de códigos de conduta e
[55] decência. Bem dosada, a publicação de autorretratos em redes sociais pode ser questionadora e libertária.
Contanto que tenha algo a dizer.
(LULI RADFAHRER, FOLHA DE S.PAULO - 03/03/2015).
A expressão metafórica “Narcisismo digital” dialoga com o mito de Narciso para mostrar que o usuário da selfie
Questão 6 169621
IFMT 2015/2TEXTO 1
COMO E POR QUE TIRAR UMA 'SELFIE'
Nos últimos anos, a "selfie" – aquele autorretrato informal, tirado com smartphone segurado na ponta da mão –
se tornou um hábito. Em praticamente todo lugar público tem alguém fazendo biquinhos e caretas para um
retângulo de vidro. Nas mídias sociais, se o braço é visível, a "selfie" é certa. Para resolver esse problema,
monopés de bolso se tornaram o carro-chefe dos camelôs, permitindo que casais em restaurantes possam
[5] esticar o telefone à distância para tirar sua foto romântica, liberando o pobre garçom.
O hábito já não é mais coisa de adolescentes autocentrados. De astronautas no espaço ao Papa no Vaticano, é
raro quem não tenha seu autorretrato publicado em uma das redes, muitas vezes em ocasiões pra lá de
inoportunas. Mas, se causou polêmica a foto tirada pelo primeiro ministro dinamarquês com Barack Obama e
David Cameron no funeral de Nelson Mandela, quando a Samsung pagou para Bradley Cooper tirar "selfies"
[10] com outros atores na entrega do "Oscar", ninguém estranhou. Nem pediu "royalties".
O autorretrato é anterior à fotografia. Rembrandt e Van Gogh são famosos por usá-lo como técnica de
aprendizado e experimentação. Mas, se nos anos recentes o smartphone facilitou a prática, o resultado ainda
está mais para um feito da tecnologia do que para uma obra de arte.
[15] no banheiro em frente ao espelho, montada para a balada, bacana em uma sala VIP, doidona esperando a
saideira, uniformizada no jogo de futebol, brindando no restaurante, jogando videogames, de pés para o alto na
praia, posando na frente de um carrão, ao lado de celebridades Quem não viu várias dessas hoje? Quem
nunca tirou uma dessas?
Algumas técnicas simples podem melhorar bastante uma "selfie". A escolha de um fundo colorido e uniforme,
[20] como uma parede ou cortina, ajuda a simplificar a imagem e chamar a atenção para a pessoa fotografada.
Outro cuidado importante é com a luz. É importante ficar de frente para ela. E tomar cuidado com o flash, para
que a luz não fique muito forte.
Posar com objetos ajuda a compor a cena. Ângulos inusitados, associados a uma boa linguagem corporal,
tendem a criar fotos bem acima da média. O autorretrato não precisa valer por mil palavras, mas é desejável
[25] que valha mais do que um tuíte.
O que leva a uma questão mais complicada. Por que se tiram "selfies"?
Um pequeno histórico das transformações na mídia talvez ajude a compreendê-las. Até a década de 1990, a
mídia de massa proporcionava uma fuga da realidade transportando leitores e telespectadores para um
universo ficcional de novelas e séries. Depois os reality shows viraram a câmera e a atenção para o indivíduo
[30] banal em todo o esplendor de sua boçalidade. Mídias sociais democratizaram o voyeurismo antes reservado a
celebridades, tornando-o acessível a todos, o tempo todo.
Hoje o segredo do sucesso de cada nova rede social parece estar em um exibicionismo declarado. Facebook
se tornou uma espécie de dicionário ilustrado das pessoas comuns, que embelezam o perfil para tornar suas
vidas especiais. YouTube é a TV de quem não tem muito o que dizer mas adora berrar para uma câmera. Blogs
[35] e Tumblr deram vazão à expressão em GIFs e texto, mesmo que seja só para propagar a zoeira. Twitter criou
audiências cativas e hashtags. LinkedIn se especializou nas análises positivas. Instagram abriu o espaço para
"selfies", consolidadas pelo Tinder. WhatsApp ressuscitou "emojis", aqueles desenhinhos que pareciam
confinados a nerds asiáticos. Snapchat e Vine abriram caminho para o mini-vídeo-selfie. Em comum, todos
transformam seus usuários em espetáculo de si mesmos.
[40] Na era do narcisismo digital, as oportunidades de ostentação são gigantescas. Nunca foi tão fácil, nem tão
popular, ser um fanfarrão. Apesar de todos estarem conectados, a empatia e o interesse pelo outro são
mínimos, a não ser para pedir sua aprovação. Basta examinar o conteúdo das fotografias para perceber que
elas estão lá mais para chamar a atenção dos outros do que para relembrar momentos marcantes.
Há um fascínio curioso em espionar a vida alheia, correspondente a uma tentação exibicionista em ser visto.
[45] Por mais que tais atitudes pareçam brincadeiras inocentes e passageiras, sua prática constante pode criar uma
dependência da rede, mas um falso sentimento de confiança. Em vez de estar bem com o que se é, é comum
ver gente desesperada em busca da foto certa, com os detalhes perfeitos.
Quem condiciona o status social ao desempenho de uma "selfie", corre o risco de se tornar carente, ansioso e
dependente de uma mídia que tem pouco de social. Na competição diária e contínua, ninguém tem paciência
[50] para ouvir histórias pessoais. O que importa são fotos de corpos, lugares e luxos tão supérfluos e inatingíveis
quanto as beldades retocadamente perfeitas do Instagram.
A rede social é concêntrica, e o centro está no umbigo de cada um. Talvez por isso seja tão excêntrica. Mas
ainda é melhor ter um ambiente exibicionista que desafia o comportamento castrador e controlador das
ideologias totalitárias do que um regime hipócrita e que limita escolhas através de códigos de conduta e
[55] decência. Bem dosada, a publicação de autorretratos em redes sociais pode ser questionadora e libertária.
Contanto que tenha algo a dizer.
(LULI RADFAHRER, FOLHA DE S.PAULO - 03/03/2015).
Neste texto, predomina a linguagem formal. Aponte a alternativa em que a linguagem não corresponde à formalidade:
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