Questões de EFAF Português
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Questão 8384510
SME-Rio SME-Rio 2015 LP8 (1BIM) 2015
CHEGOU O OUTONO
Não consigo me lembrar exatamente o dia em que o outono começou no Rio de Janeiro neste 1935. Antes de começar na folhinha ele começou na Rua Marquês de Abrantes. Talvez no dia 12 de março. Sei que estava com Miguel em um reboque do bonde Praia Vermelha. [...]
Eu havia tomado o bonde na Praça José de Alencar; e quando entramos na Rua Marquês de Abrantes, rumo de Botafogo, o outono invadiu o reboque. Invadiu e bateu no lado esquerdo de minha cara sob a forma de uma folha seca. Atrás dessa folha veio um vento, e era o vento do outono. Muitos passageiros do bonde suavam.
No Rio de Janeiro faz tanto calor que depois que acaba o calor a população continua a suar gratuitamente e por força do hábito durante quatro ou cinco semanas ainda.
Percebi com uma rapidez espantosa que o outono havia chegado. Mas eu não tinha relógio, nem Miguel. Tentei espiar as horas no interior de um botequim, nada conseguindo. Olhei para o lado. Ao lado estava um homem decentemente vestido, com cara de possuidor de relógio.
– O senhor pode ter a gentileza de me dar as horas?
Ele espantou-se um pouco e, embora sem nenhum ar gentil, me deu as horas: 13:48. Agradeci e murmurei: chegou o outono.
Chegara o outono. Vinha talvez do mar e, passando pelo nosso reboque, dirigia-se apressadamente ao centro da cidade, ainda ocupado pelo verão.
As folhas secas davam pulinhos ao longo da sarjeta; e o vento era quase frio, quase morno, na Rua Marquês de Abrantes. E as folhas eram amarelas, e meu coração soluçava, e o bonde roncava.
[...] Era iminente a entrada em Botafogo; penso que o resto da viagem não interessa ao público. [...] O necessário é que todos saibam que chegou o outono. Chegou às 13:48 horas, na Rua Marquês de Abrantes, e continua em vigor. Em vista do que, ponhamo-nos melancólicos.
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2004.)
GLOSSÁRIO:
folhinha – expressão popularmente usada para se referir ao calendário impresso, com meses e dias de um ano. Pode-se dizer que se trata de uma “expressão de antigamente”, uma vez que, atualmente, quase não é usada para se referir a calendário.
Pela leitura da crônica e observando trechos como “E as folhas eram amarelas, e meu coração soluçava, e o bonde roncava.”, no penúltimo parágrafo, e “Em vista do que, ponhamo-nos melancólicos.”, no final da crônica, percebemos que uma característica marcante do narrador é ser:
CHEGOU O OUTONO
Não consigo me lembrar exatamente o dia em que o outono começou no Rio de Janeiro neste 1935. Antes de começar na folhinha ele começou na Rua Marquês de Abrantes. Talvez no dia 12 de março. Sei que estava com Miguel em um reboque do bonde Praia Vermelha. [...]
Eu havia tomado o bonde na Praça José de Alencar; e quando entramos na Rua Marquês de Abrantes, rumo de Botafogo, o outono invadiu o reboque. Invadiu e bateu no lado esquerdo de minha cara sob a forma de uma folha seca. Atrás dessa folha veio um vento, e era o vento do outono. Muitos passageiros do bonde suavam.
No Rio de Janeiro faz tanto calor que depois que acaba o calor a população continua a suar gratuitamente e por força do hábito durante quatro ou cinco semanas ainda.
Percebi com uma rapidez espantosa que o outono havia chegado. Mas eu não tinha relógio, nem Miguel. Tentei espiar as horas no interior de um botequim, nada conseguindo. Olhei para o lado. Ao lado estava um homem decentemente vestido, com cara de possuidor de relógio.
– O senhor pode ter a gentileza de me dar as horas?
Ele espantou-se um pouco e, embora sem nenhum ar gentil, me deu as horas: 13:48. Agradeci e murmurei: chegou o outono.
Chegara o outono. Vinha talvez do mar e, passando pelo nosso reboque, dirigia-se apressadamente ao centro da cidade, ainda ocupado pelo verão.
As folhas secas davam pulinhos ao longo da sarjeta; e o vento era quase frio, quase morno, na Rua Marquês de Abrantes. E as folhas eram amarelas, e meu coração soluçava, e o bonde roncava.
[...] Era iminente a entrada em Botafogo; penso que o resto da viagem não interessa ao público. [...] O necessário é que todos saibam que chegou o outono. Chegou às 13:48 horas, na Rua Marquês de Abrantes, e continua em vigor. Em vista do que, ponhamo-nos melancólicos.
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2004.)
GLOSSÁRIO:
folhinha – expressão popularmente usada para se referir ao calendário impresso, com meses e dias de um ano. Pode-se dizer que se trata de uma “expressão de antigamente”, uma vez que, atualmente, quase não é usada para se referir a calendário.
Questão 8363521
EMBRAER EMBRAER 2015 ConhecimentosGerais 2015Por causa de uma vírgula mal-encarada
E na tarde que o Dr. Feitosa de Castro, diretor das Águas e Encanamentos de São João da Laje, pediu que o escrevente Porfírio Freixeiras retirasse certa vírgula de certo ofício, Freixeiras tremeu nos borzeguins*. Espumou gramática, pronomes e crases. Em vinte anos de Águas e Encanamentos, de ofícios e pareceres, nunca chefe algum, em tempo algum, mandou que ele extraísse essa ou aquela vírgula de seus escritos. Com o papel na mão, ficou remoendo, remoendo, tira-a-vírgula, não-tira-a-vírgula. Até que tomou uma decisão definitiva. Chegou junto da mesa de Feitosa de Castro e expediu o seguinte ultimato:
– Ou o doutor deixa a vírgula ou eu peço transferência de repartição.
Feitosa, que era homem de pontos de vista firmados, foi claro:
– A vírgula sai e o distinto amigo também.
O resto veio no Diário Oficial. Vejam que barbaridade! Por causa de uma simples vírgula, de uma inútil vírgula, Freixeiras foi redigir ofícios em Barro Amarelo, lugar que não dava a menor importância às crases, quanto mais às vírgulas.
(José Cândido de Carvalho, Por que Lulu Bergantim não atravessou o Rubicon. Adaptado)
*tremeu nos borzeguins: irritou-se, tremeu nas botas.
Questão 8363516
EMBRAER EMBRAER 2015 ConhecimentosGerais 2015Gatos aprendem até a sincronizar seus hábitos com os dos humanos. Já os gatos criados livres ________ os hábitos noturnos. Uma pesquisa da Universidade de ________ constatou que os gatos domésticos reconhecem a voz dos donos, mesmo quando ________ misturada à de outras pessoas. Mas poucos obedecem.
(Superinteressante, julho de )
As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:
Questão 8363513
EMBRAER EMBRAER 2015 ConhecimentosGerais 2015A mulher alta da tribo fulani dirigiu-se até a cabana do tradicional curandeiro com o porte de uma princesa. Como outros membros dessa etnia ________ que pastoreia vacas no sul do Mali, ela usava um vestido azul ________ e solto, pintava os lábios com índigo e hena e adornava as orelhas com magníficas ________ de ouro. Lá dentro, porém, o velho curandeiro observou sua pose murchar. Ela estava fraca devido ao parto recente, com as palmas das mãos pálidas de anemia e a testa febril. A mulher estava tão terrivelmente esgotada que cochilou ao relatar seus infortúnios. Soumaya, proclamou o curandeiro. Malária.
Assinale a alternativa correta quanto à concordância.(Scientific American Brasil, julho de . Adaptado)
Questão 8363510
EMBRAER EMBRAER 2015 ConhecimentosGerais 2015Dilema
A pretensão me degrada
A humildade me deprime
E assim a vida é lesada:
Ora é virtude ora é crime
No verso , as orações apresentam predicado:(Ferreira Gullar. Muitas vozes)
Questão 8363327
ETECSP ETECSP 2015 2 FaseU Gerais 2015Leia o fragmento desta reportagem.
Veículos de transporte recebem selo de vistoria 2015 em Macaé, no RJ
Responsável por vistoriar, certificar e fiscalizar os veículos de transporte urbano, táxis, escolares e fretamento, a Secretaria de Mobilidade Urbana de Macaé, no interior do Rio, começou a selar os veículos para a prestação de serviços no exercício 2015. A medida cumpre o calendário da vistoria anual realizada pela Prefeitura de Macaé nos veículos de empresas e cooperativas que prestam serviço nestas modalidades. (...)
(<http://tinyurl.com/pgpon2r> Acesso em: 27.03.2015.)
A função de linguagem predominante nesse texto é:
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