Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 7 10724109
CMRJ 6° Ano - Português 2019Texto:

Ilustração de Jean-Claude R. Alphen
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
[5] ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
[10] homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
[15] — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa
noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca
com o homem de cavanhaque.
O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
[20] Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
[25] Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
[30] Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
[35] Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
[40] Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
[45] O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
[50] seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
[55] Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
[60] ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
[65] — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
[70] acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
[75] recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
[80] (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: Às vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen. João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
No decorrer da história, em “quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um ‘no entanto’ nas histórias)” (linha 55), o narrador faz uma ressalva que demonstra
Questão 20 10716576
CMBH 1°ano - Prova de Português 2019Texto

(Disponível em: Acesso em: 12 set. 2019.)
*ASPEGER: um estado do espectro autista, geralmente com maior adaptação funcional.
Após a leitura da tira, considere as afirmativas como Verdadeiras ou Falsas.
( ) Na tira, é possível inferir, por meio das falas do amigo de Armandinho, que circula, socialmente, um discurso negativo sobre TEA.
( ) No 2º quadrinho, a fala da criança faz referência às especificidades de quem apresenta TEA.
( ) No 3º quadrinho, o personagem completa seu raciocínio mostrando que, além do TEA, o preconceito lhe causa sofrimento.
( ) No 2º e 3º quadrinhos, comparando as expressões do personagem Armandinho e do sapo, nota-se falta de empatia com o que ouviram.
Assinale a opção que corresponde à sequência encontrada.
Questão 16 10716542
CMBH 1°ano - Prova de Português 2019Texto
AUTISTÃO: PAÍS METAFÓRICO, APOIO CONCRETO
Autistas se reúnem no Rio de Janeiro para celebrar o Dia do Autistão e discutir de neurodiversidade a autoaceitação
[1] Em consonância com as comemorações do Dia Mundial da Conscientização do Autismo –
instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o dia 2 de abril, a Organização Diplomática
do Autistão, uma instituição sem fins lucrativos com diversos pontos e apoiadores no mundo, promoveu
o Dia do Autistão, em Copacabana, no Rio de Janeiro, neste último 31 de março.
[5] Na ocasião, autistas de diferentes estados do Brasil, presencialmente e virtualmente, discutiram
temas de escolha livre em mesas redondas variadas. Entre os debates, figuraram assuntos como
neurodiversidade, diagnóstico, preconceito, mulheres autistas e autoaceitação.
O responsável pelo evento foi o francês Eric Lucas, de 54 anos, que classificou a programação
como o dia mais difícil da sua vida. Foram mais de 10 horas, concentrado no gerenciamento das
[10] chamadas e na transmissão feita, simultaneamente, no YouTube e Facebook, para que fosse vista em
diferentes lugares do Brasil.
Diálogos
A ideia do Dia do Autistão surgiu apenas dois meses antes do evento propriamente dito. Apesar
da correria, Eric conseguiu reunir diferentes autistas em posições distintas no midiativismo autista –
como o youtuber Leonard Akira, a podcaster Erika Ribeiro e o adolescente Zeca Szymon – para falar
[15] dos temas que os interessavam.
“Eles foram muito colaborativos, muito pacientes, muito bacanas. Isso é o efeito mágico do
Brasil, o povo é mais humano, mais aberto, mais gentil e mais amável. O Brasil, na minha opinião como
francês, é um país muito avançado em termos de direitos para os autistas”, contou Eric.
O evento iniciou às 11h da manhã e seguiu até 21h30min. Os horários foram divididos em
[20] pequenas palestras, comentários, e incluíram-se, também, detalhes sobre o Autistão – um conceito
metafórico de um país dos autistas. Além disso, o público pôde acompanhar a transmissão no canal da
organização no YouTube e na página do Facebook.
A proposta, segundo Lucas, foi de difícil execução. Ele destaca que “foram mais de 10
voluntários, mas o evento envolveu muita tecnologia, interações e foi extremamente difícil. Não estamos
[25] acostumados a fazer coisas tão complicadas com o computador”.
Originalmente, o evento brasileiro ocorreria, simultaneamente, com a Journée de l’Autistan, na
Bélgica. No entanto, problemas na transmissão causaram mudanças de cronograma. Apesar dos
impasses, o Dia do Autistão manteve a participação de todos os autistas previstos. Lucas completa: “tive
muito estresse e medo de ter problemas técnicos, mas é o meu jeito de fazer. Porque, quando pensamos
[30] demais, pensamos que é impossível e não fazemos nada. Mas conseguimos fazer algo bem legal e
resolvemos os problemas juntos”.
Apoio
É impossível dissociar a Embaixada do Autistão, local físico da Organização Diplomática do
Autistão, da figura de Eric Lucas. Após sua saída da França, devido ao ataque terrorista de Paris, em
2015, Lucas alugou, em fevereiro de 2017, um apartamento de 40 m2 em Copacabana. O espaço recebe e
[35] apoia, com recursos próprios, autistas de diferentes lugares do país.
Eric, no passado, foi uma figura viajante e de muitas histórias. Chegou a figurar na edição de
2001 do Guinness World Records, esteve em países como Rússia, Egito e Cazaquistão, é poliglota, foi
DJ durante 15 anos e se adaptou à vida social na medida do possível. Há mais de dois anos, em terras
cariocas, se diz satisfeito com a mudança e evita aparecer em fotos.
[40] O francês mora com Shree Ram, um jovem nepalês que conheceu em uma de suas viagens ao
Nepal e que o acompanha no Autistão e na vida brasileira. “Temos uma amizade que não podíamos
imaginar. É como um irmão de outra mãe. Somos muito felizes aqui”, disse Eric.
Uma ajuda neurodiversa na vida de Eric é Ludmila Leal, que tem um irmão autista e colaborou,
de forma geral, na organização do evento. “Esse é o caminho para a humanidade. O único caminho da
[45] paz é esse, as pessoas aceitarem e se colocarem no lugar do outro”, ela afirma sobre a importância das
diferenças. Foi com a intenção de tentar entender outros autistas que Lucas fez o máximo de adaptações
possíveis para os convidados. Geuvana Nogueira, por exemplo, faz parte da Liga dos Autistas, tem
restrições alimentares e se deslocou de Campo Grande até o Rio. Na capital, foi auxiliada pela
organização e pelos demais autistas presentes.
[50] No Rio de Janeiro, Geuvana contou ter vivido desafios: “eu saí da minha zona de conforto, foi
delicado. Mas acredito que, quando conseguimos nos aceitar e nos olhar como autistas, o outro autista
não é difícil. É como se todo mundo já se conhecesse”.
Eric Lucas reiterou a missão do Autistão: “nós queremos colaborar com qualquer pessoa, sejam
autistas, famílias ou organizações. Somos uma organização de autistas, extranacional, ou seja, não ligada
[55] a nenhum país, com uma visão global para apoiar os ativistas nacionais”.
Histórias
Os bastidores do Dia do Autistão renderam encontros e vivências para os participantes. Erika
Ribeiro, podcaster do Erika’s Small Talk, reconheceu o evento como uma espécie de divisor de águas
em sua saga para “sair do armário”, que se arrastou por parte significativa dos seus 39 anos de idade.
“Fui diagnosticada no auge da minha carreira, com 22 anos. Eu cursava Direito, trabalhava, e
[60] aquilo me dava uma confusão mental. Fui procurar uma ajuda psiquiátrica e acabei diagnosticada com
TDA e Asperger. Resolvi vir pra botar a cara logo e bora!”, contou.
A maior parte dos participantes do evento era de adultos, exceto Zeca Szymon, um adolescente
de 14 anos, acompanhado da mãe, Magaly Botafogo. Já a participante Geuvana tem dois filhos adultos e
encara sua posição como algo diferente de grande parte das mães não autistas. Ela explica: “Um deles
[65] não mora comigo. Quando ele chega em casa, há um incômodo muito grande. Eu detesto que me
abracem, pois eu fico sufocada. Eu não me identifico mais com ele, mas é meu filho, eu gosto dele e
estou aprendendo a lidar com isso. Eu o criei para ter sua vida. A vida dele não é minha, é dele”.
O youtuber Leonard Akira enfatizou que as potencialidades autistas devem ser exploradas. “O
autismo, para parte dos pais, é considerado um tabu e um limitador. Eles pensam em todas as
[70] dificuldades que o filho terá na vida e na discriminação. Se um pai tiver uma visão mais esperançosa do
filho, ele verá as vantagens e desvantagens desta condição”.
Ludmila, que acompanhou tudo por detrás das câmeras de transmissão, aprovou o Dia do
Autistão. “Quanto mais eventos que mostram formas diferentes de viver, de pensar, de conviver, de
aceitar, melhor. Precisamos acabar com a intolerância, que está se espalhando na civilização, e neste
[75] momento, isso é de suma importância”.
ABREU, Tiago. Autistão: país metafórico, apoio concreto. Revista Autismo, São Paulo, ano V, n.5, p. 26-28, jun./jul./ago. 2019. Disponível em: Acesso em: 26 ago. 2019. (Texto adaptado.)
O uso dos pronomes oblíquos átonos é um recurso coesivo recorrente.
Identifique a alternativa na qual há um desvio das regras prescritas pela gramática normativa em relação à colocação pronominal.
Questão 7 10716391
CMBH 1°ano - Prova de Português 2019Texto
PAGUE PRA VER
[1] Sair com o Gabriel nem sempre é uma tarefa das mais fáceis do mundo. Mas acredito que isso
seja com qualquer criança.
Já li muitas entrevistas e assisti a outras em que os pais acabaram se tornando “autistas” sem que
tivessem percebido - eles acabaram se isolando e deixando de frequentar eventos sociais e, a cada dia
[5] que passa, ficam mais prisioneiros dessa situação.
Entendo perfeitamente. Infelizmente, não temos como prever o que vai acontecer a cada esquina
e a cada estímulo que meu filho vai encontrar pelo caminho. Só de começar a imaginar todas as reações
que porventura ele venha a ter, na maior parte das vezes, pensamos em ficar em casa. Afinal de contas, o
lar é um ambiente controlado e ninguém vai se desgastar, nem se frustrar, ou se aborrecer.
[10] Acredito que seu dia, leitor (a), não seja fácil, assim como o meu também não é.
Quando recebemos um convite, pensamos mil vezes antes de sair de casa. Após esses momentos
de reflexão, quase sempre escolhemos a opção de sair e “pagar pra ver”. Não vou mentir, às vezes,
temos que ir embora 10, 15 minutos depois que chegamos ao destino do passeio. Mas, em uma próxima
vez, pode ser que ele fique 20 minutos e, se realmente ficar, será uma vitória que iremos comemorar
[15] como a conquista de um título mundial.
O olhar dele é algo profundo, quase que indescritível, e, quando conseguimos que o Gabriel fixe
seus olhos dentro dos nossos olhos, temos a sensação de que ele está agradecendo por não desistirmos.
Se eu puder deixar uma mensagem hoje, é: não desistam de seu filho, de sua filha, vivam o
presente. Durmam na mesma cama, tomem banho juntos, abracem e se beijem. Não deixem que o autismo
[20] seja uma “sentença” em sua vida e na de seu filho ou na de sua filha. Divirtam-se. Vocês merecem;)
YAMAMUTO, Wagner. Pague pra ver. Revista Autismo, São Paulo, ano V, n.5, p.15, jun./jul./ago. 2019. Disponível em: Acesso em: 26 ago. 2019. (Texto adaptado.)
Atente-se aos fragmentos do TEXTO e assinale o que JUSTIFICA o título “Pague pra ver”:
Questão 14 10685180
CMJF 6° Ano - Língua Portuguesa (Prova 1) 2019Texto 1 - CHUMBINHO
Miguel chegava de bicicleta ao Colégio Elite bem no meio da algazarra da entrada dos alunos.
Estacionou no pátio e viu que a seu lado chegava um camaradinha uns dois anos mais novo, alegre e simpático como ele só. Também largou sua magrela ao lado da de Miguel e perguntou:
- Oi! Você é o Miguel, não é?
[05]- Sou - Miguel respondeu, achando graça. — E você, quem é?
- Me chamam de Chumbinho...
Enquanto Miguel tirava a mochila do bagageiro e a encaixava entre os ombros, o menino
Chumbinho corria na direção de um tumulto perto do portão da escola, zoeira grande demais mesmo para a algazarra normal daquele horário. Miguel logo o seguiu e viu uma roda de alunos que
[10] provocavam um menino de uns sete anos que... que chorava!
O grupo ria, arreliava e humilhava sadicamente o pobrezinho, pois parecia que o choro do garoto era o que eles queriam que acontecesse.
- E aí, Gaguinho?
- Fala de novo! Mas be-be-bem de-de-va-va-ga-ga-ri-rinho, hein?
[15]- Ha, ha, hal Quero ver esse pouca-fala na hora da chamada oral!
- Ga-ga-ga! Ga-ga-guinhôôôôô!
O sangue subiu à cabeça de Miguel. Estava pronto para intervir quando o tal Chumbinho antecipou-se: era bem menor do que os provocadores, mas avançava para o meio da roda, passava um braço pelo ombro do garotinho choroso, punha a outra mão na cintura, desafiadoramente, e
[20] levantava a voz:
- O que-que-que es-tá-tá a-a-a-con-con-te-te-cendo? Que co-var-di-dia é e-e-essa? Tá to-to-do mun-mundo ma-ma-luco, é?
Como por encanto, no grupo de gozadores baixou um silêncio de cemitério. Logo no portão de entrada, um dos lugares mais barulhentos de qualquer escola! Os provocadores empalideciam,
[25] recuavam, e um deles falou, quase gaguejando também:
- O que é isso, Chumbinho? Você não é gago...
- Nã-não so-sou, é? Po-por que não po-posso se-ser? E se-se eu for, hein, hein, hein? Vai que-querer me go-gozar, va-vai?
O rapaz baixava os olhos. amedrontado.
[30] "Amedrontado, por que?" pensava Miguel, cheio de admiração. Afinal de contas aquele garoto a quem chamavam de Chumbinho não parecia um brigão, e era bem menor do que os gozadores.
Seu físico não meteria medo em ninguém!
- Puxa. Chumbinho... - desculpava-se o outro, que, pelo jeito, deveria ser o líder da provocação. - A gente só estava de brincadeira....
[35] Chumbinho enfureceu-se
- De brincadeira?! De brincadeira, você diz? Então por que não brinca assim comigo?
- Vocês não têm a menor vergonha? Esse menino acabou de ser transferido para cá e e assim que vocês mostram a cara dos alunos do Elite?
Os outros calavam-se, baixavam as cabeças, disfarçavam, alguns procuravam esgueirar-se
[40] para longe do problema, e nenhum deles conseguia encarar o menino Chumbinho, sempre de
queixo erguido, decidido feito herói de revista em quadrinhos.
De repente, os curiosos que cercavam a cena e que primeiro a haviam presenciado só para ver aonde aquilo lá chegar, prorromperam em aplausos entusiasmados, em gritos, como se seu time predileto tivesse acabado de marcar o gol da vitória:
[45] - Ai, Chumbinho!
- Mostrou pra eles!
- Viva o Chumbinho! (...)
O herói do dia, ainda sob aplausos, começou a afastar-se, conduzindo o novato, que agora não mais chorava.
[50] - Viva o Chumbinhôôôô! - aplaudiam todos.
Chumbinho, de cabeça erguida, piscou na direção de Miguel ao passar por ele.
(Pedro Bandeira. A droga da amizade 1. ed. São Paulo: Moderna. pp. 27-30)
Texto 2 - MAMÃE CATITA
O mundo cão jamais será o mesmo. Para o bem. Mora na rua Operário Campista, na cidade fluminense de Campos, uma cadela vira-lata que todo mundo chama de Catita. E mora também na rua um empertigado pitbull que atende por Wolf (lobo em inglês). Eis que Catita pôs Wolf para correr e fez dele um pit-lata. Ele atacava, na quarta-feira, 24, o garoto de quatro anos Lucas Martins (duas cirurgias no rosto) quando Catita, que amamentava cinco filhotes, entrou para a história. Teve o dorso mordido, teve parte da orelha arrancada, mas salvou Lucas, que continua assustado e repete sem parar: "Catita matou o cachorrão". Matar não matou, mas fez o lobo chispar. A dona de Catita, Elizabeth Tavares, é tia do garoto.
(Isto É On Line, 1535, 3 mar. 1999)
Texto 3 -




Chico Bento: é cuidando, Maurício de Sousa. São Paulo: Panini comics, n 47, março de 2019. p. 5
Texto 4: LIÇÃO DE CADA HERÓI


https://revistacrescer.globo.com/Criancas/Comportamento/noticia/2016/08/em-defesa-dos-super-herois.html
Assinale a alternativa em que a explicação a respeito da pontuação está correta.
Questão 12 10685147
CMJF 6° Ano - Língua Portuguesa (Prova 1) 2019Texto 1 - CHUMBINHO
Miguel chegava de bicicleta ao Colégio Elite bem no meio da algazarra da entrada dos alunos.
Estacionou no pátio e viu que a seu lado chegava um camaradinha uns dois anos mais novo, alegre e simpático como ele só. Também largou sua magrela ao lado da de Miguel e perguntou:
- Oi! Você é o Miguel, não é?
[05]- Sou - Miguel respondeu, achando graça. — E você, quem é?
- Me chamam de Chumbinho...
Enquanto Miguel tirava a mochila do bagageiro e a encaixava entre os ombros, o menino
Chumbinho corria na direção de um tumulto perto do portão da escola, zoeira grande demais mesmo para a algazarra normal daquele horário. Miguel logo o seguiu e viu uma roda de alunos que
[10] provocavam um menino de uns sete anos que... que chorava!
O grupo ria, arreliava e humilhava sadicamente o pobrezinho, pois parecia que o choro do garoto era o que eles queriam que acontecesse.
- E aí, Gaguinho?
- Fala de novo! Mas be-be-bem de-de-va-va-ga-ga-ri-rinho, hein?
[15]- Ha, ha, hal Quero ver esse pouca-fala na hora da chamada oral!
- Ga-ga-ga! Ga-ga-guinhôôôôô!
O sangue subiu à cabeça de Miguel. Estava pronto para intervir quando o tal Chumbinho antecipou-se: era bem menor do que os provocadores, mas avançava para o meio da roda, passava um braço pelo ombro do garotinho choroso, punha a outra mão na cintura, desafiadoramente, e
[20] levantava a voz:
- O que-que-que es-tá-tá a-a-a-con-con-te-te-cendo? Que co-var-di-dia é e-e-essa? Tá to-to-do mun-mundo ma-ma-luco, é?
Como por encanto, no grupo de gozadores baixou um silêncio de cemitério. Logo no portão de entrada, um dos lugares mais barulhentos de qualquer escola! Os provocadores empalideciam,
[25] recuavam, e um deles falou, quase gaguejando também:
- O que é isso, Chumbinho? Você não é gago...
- Nã-não so-sou, é? Po-por que não po-posso se-ser? E se-se eu for, hein, hein, hein? Vai que-querer me go-gozar, va-vai?
O rapaz baixava os olhos. amedrontado.
[30] "Amedrontado, por que?" pensava Miguel, cheio de admiração. Afinal de contas aquele garoto a quem chamavam de Chumbinho não parecia um brigão, e era bem menor do que os gozadores.
Seu físico não meteria medo em ninguém!
- Puxa. Chumbinho... - desculpava-se o outro, que, pelo jeito, deveria ser o líder da provocação. - A gente só estava de brincadeira....
[35] Chumbinho enfureceu-se
- De brincadeira?! De brincadeira, você diz? Então por que não brinca assim comigo?
- Vocês não têm a menor vergonha? Esse menino acabou de ser transferido para cá e e assim que vocês mostram a cara dos alunos do Elite?
Os outros calavam-se, baixavam as cabeças, disfarçavam, alguns procuravam esgueirar-se
[40] para longe do problema, e nenhum deles conseguia encarar o menino Chumbinho, sempre de
queixo erguido, decidido feito herói de revista em quadrinhos.
De repente, os curiosos que cercavam a cena e que primeiro a haviam presenciado só para ver aonde aquilo lá chegar, prorromperam em aplausos entusiasmados, em gritos, como se seu time predileto tivesse acabado de marcar o gol da vitória:
[45] - Ai, Chumbinho!
- Mostrou pra eles!
- Viva o Chumbinho! (...)
O herói do dia, ainda sob aplausos, começou a afastar-se, conduzindo o novato, que agora não mais chorava.
[50] - Viva o Chumbinhôôôô! - aplaudiam todos.
Chumbinho, de cabeça erguida, piscou na direção de Miguel ao passar por ele.
(Pedro Bandeira. A droga da amizade 1. ed. São Paulo: Moderna. pp. 27-30)
Texto 2: LIÇÃO DE CADA HERÓI


https://revistacrescer.globo.com/Criancas/Comportamento/noticia/2016/08/em-defesa-dos-super-herois.html
Releia o trecho do texto 1: "Estava pronto para intervir quando o tal Chumbinho antecipou-se: e bem menor do que os provocadores, mas avançava para o meio da roda (...)" (linhas 17 e 18).
Qual das descrições sobre heróis do texto 2 melhor traduz o perfil de Chumbinho (texto 1)?
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