Questões de EFAF Português
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Questão 8361763
COTUCA COTUCA 2016 1 FaseU Gerais 2016Na minha rua há um menininho doente.
Enquanto os outros partem para a escola,
Junto à janela, sonhadoramente,
Ele ouve o sapateiro bater sola.
Ouve também o carpinteiro, em frente,
Que uma canção napolitana engrola.
E pouco a pouco, gradativamente,
O sofrimento que ele tem se evola...
Mas nesta rua há um operário triste:
Não canta nada na manhã sonora
E o menino nem sonha que ele existe.
Ele trabalha silenciosamente...
E está compondo este soneto agora,
Pra alminha boa do menino doente...
Escolha a alternativa que apresenta uma interpretação adequada ao poema.QUINTANA, Mário. Em Mário Quintana: poesia completa: em um volume. Organização: Tania Franco Carvalhal. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005. p. 90.
Questão 8361762
COTUCA COTUCA 2016 1 FaseU Gerais 2016Na minha rua há um menininho doente.
Enquanto os outros partem para a escola,
Junto à janela, sonhadoramente,
Ele ouve o sapateiro bater sola.
Ouve também o carpinteiro, em frente,
Que uma canção napolitana engrola.
E pouco a pouco, gradativamente,
O sofrimento que ele tem se evola...
Mas nesta rua há um operário triste:
Não canta nada na manhã sonora
E o menino nem sonha que ele existe.
Ele trabalha silenciosamente...
E está compondo este soneto agora,
Pra alminha boa do menino doente...
O texto trata do ato de fazer poemas (no caso, uma categoria específica de poesia, o soneto). Para trabalhar essa temática, o autor explora a imagem do operário em relação à do poeta. Assinale a alternativa que apresenta a figura de linguagem que constrói essa relação.QUINTANA, Mário. Em Mário Quintana: poesia completa: em um volume. Organização: Tania Franco Carvalhal. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005. p. 90.
Questão 8361759
COTUCA COTUCA 2016 1 FaseU Gerais 2016
Na tirinha, as aspas foram utilizadas para indicar:Disponível em: <www.pinterest.at>. Acesso em: 05 fev. 2021.
Questão 8361758
COTUCA COTUCA 2016 1 FaseU Gerais 2016Os dilemas do esquecimento
Pouco depois de ter sido divulgada a notícia sobre a possibilidade de suprimir lembranças penosas, um discreto anúncio foi divulgado num jornal da cidade: um instituto de pesquisas estava em busca de voluntários que quisessem fazer exatamente aquilo que fora noticiado: apagar, da memória, lembranças penosas. Procedimento indolor, seguro, eficaz. Aquilo mexeu com ele. Porque havia, sim, algo que queria apagar de sua memória, um doloroso trauma. Uma recordação penosa e que não o deixava em paz. Por que, então, não recorrer à ciência" Se se tratasse de uma dor no ombro, ou no joelho, ele não hesitaria em procurar o médico; nada indicava que não devesse fazer o mesmo com o sofrimento emocional. Claro, bem que ele preferia enfrentar, de cabeça erguida, o infortúnio pelo qual passara, sem demonstrações de fraqueza; como dizia seu pai, homem não chora, e ele tinha orgulho de sua hombridade. Mas a dor foi mais forte, e no dia seguinte lá estava ele, no instituto de pesquisas. Foi encaminhado a um jovem pesquisador, que o recebeu com um sorriso afável e indagou se estava pronto a se submeter à experiência. Com uma condição: queria absoluto sigilo. O pesquisador tranquilizou-o: só nós dois saberemos do que se passou aqui, disse. E eu sou absolutamente confiável, acrescentou, com um sorriso. O procedimento foi rápido. Um aparelho foi colocado sobre seu crânio, o pesquisador pediu que ele evocasse a recordação dolorosa e aí apertou um botão. Ouviu-se um zumbido, e, no instante seguinte, ele já não lembrava mais nada daquilo que lhe causara tanto sofrimento. De que se tratara, mesmo" De uma mulher que o rejeitara" Aparentemente sim, mas que mulher" Como se chamava, onde vivia?
Ainda espantado, despediu-se do pesquisador e foi para casa. Achou que sua vida se transformaria, que poderia se divertir, conhecer mulheres. Realmente isso aconteceu, mas mesmo assim a inquietude persistia. Por fim deu-se conta: o que agora o incomodava era o fato de ele ter esquecido. Queria lembrar o tal incidente, por mais deprimente que fosse. Voltaria a sofrer, talvez, mas isso não lhe importava: era a verdade que ele buscava, a amarga verdade. E só uma pessoa podia lhe dizer o que, afinal, ele tinha olvidado: o pesquisador. Foi ao instituto, falou com a secretária. Ela arregalou os olhos: – Mas então você não sabe? O doutor morreu num acidente! Sem uma palavra, ele voltou para casa. Com a certeza de que existe um lugar onde se concentram aquelas coisas que queremos, que precisamos, esquecer. Só que ele não sabe onde fica esse lugar. Sua esperança é de que o Destino um dia o faça encontrar-se com o seu passado. E que ele possa descobrir, nesse passado, a sua verdade.
Releia este trecho do penúltimo parágrafo do texto: “E só uma pessoa podia lhe dizer o que, afinal, ele tinha olvidado: o pesquisador”. Nele, a palavra que melhor substituiria “olvidado” é:SCLIAR, Moacyr. Folha de S.Paulo, 23 jul. 2007. p. C2.
Questão 8361756
COTUCA COTUCA 2016 1 FaseU Gerais 2016Os dilemas do esquecimento
Pouco depois de ter sido divulgada a notícia sobre a possibilidade de suprimir lembranças penosas, um discreto anúncio foi divulgado num jornal da cidade: um instituto de pesquisas estava em busca de voluntários que quisessem fazer exatamente aquilo que fora noticiado: apagar, da memória, lembranças penosas. Procedimento indolor, seguro, eficaz. Aquilo mexeu com ele. Porque havia, sim, algo que queria apagar de sua memória, um doloroso trauma. Uma recordação penosa e que não o deixava em paz. Por que, então, não recorrer à ciência" Se se tratasse de uma dor no ombro, ou no joelho, ele não hesitaria em procurar o médico; nada indicava que não devesse fazer o mesmo com o sofrimento emocional. Claro, bem que ele preferia enfrentar, de cabeça erguida, o infortúnio pelo qual passara, sem demonstrações de fraqueza; como dizia seu pai, homem não chora, e ele tinha orgulho de sua hombridade. Mas a dor foi mais forte, e no dia seguinte lá estava ele, no instituto de pesquisas. Foi encaminhado a um jovem pesquisador, que o recebeu com um sorriso afável e indagou se estava pronto a se submeter à experiência. Com uma condição: queria absoluto sigilo. O pesquisador tranquilizou-o: só nós dois saberemos do que se passou aqui, disse. E eu sou absolutamente confiável, acrescentou, com um sorriso. O procedimento foi rápido. Um aparelho foi colocado sobre seu crânio, o pesquisador pediu que ele evocasse a recordação dolorosa e aí apertou um botão. Ouviu-se um zumbido, e, no instante seguinte, ele já não lembrava mais nada daquilo que lhe causara tanto sofrimento. De que se tratara, mesmo" De uma mulher que o rejeitara" Aparentemente sim, mas que mulher" Como se chamava, onde vivia?
Ainda espantado, despediu-se do pesquisador e foi para casa. Achou que sua vida se transformaria, que poderia se divertir, conhecer mulheres. Realmente isso aconteceu, mas mesmo assim a inquietude persistia. Por fim deu-se conta: o que agora o incomodava era o fato de ele ter esquecido. Queria lembrar o tal incidente, por mais deprimente que fosse. Voltaria a sofrer, talvez, mas isso não lhe importava: era a verdade que ele buscava, a amarga verdade. E só uma pessoa podia lhe dizer o que, afinal, ele tinha olvidado: o pesquisador. Foi ao instituto, falou com a secretária. Ela arregalou os olhos: – Mas então você não sabe? O doutor morreu num acidente! Sem uma palavra, ele voltou para casa. Com a certeza de que existe um lugar onde se concentram aquelas coisas que queremos, que precisamos, esquecer. Só que ele não sabe onde fica esse lugar. Sua esperança é de que o Destino um dia o faça encontrar-se com o seu passado. E que ele possa descobrir, nesse passado, a sua verdade.
Releia o trecho: “Claro, bem que ele preferia enfrentar, de cabeça erguida, o infortúnio pelo qual passara, sem demonstrações de fraqueza; como dizia seu pai, homem não chora, e ele tinha orgulho da sua hombridade”. Nele foram usados o pretérito mais-que-perfeito do indicativo (“passara”) e o pretérito imperfeito do indicativo (“tinha”), pois:SCLIAR, Moacyr. Folha de S.Paulo, 23 jul. 2007. p. C2.
Questão 20 1384850
CN 2° Dia 2016Texto para a questão.
O desaparecimento dos livros na vida cotidiana e a diminuição da leitura é preocupante quando sabemos que os livros são dispositivos fundamentais na formação subjetiva das pessoas. Nos perguntamos sobre o que os meios de comunicação fazem conosco: da televisão ao computador, dos brinquedos ao telefone celular, somos formados por objetos e aparelhos.
Se em nossa época a leitura diminui vertiginosamente, ao mesmo tempo, cresce o elogio da lgnorância, nossa velha conhecida. Há, nesse contexto, dois tipos de ignorância em relação às quais os livros são potentes ou impotentes. Uma é a ignorância filosófica, aquela que em Sócrates se expunha na ironia do "sei-que-nada-sei". Aquele que não sabe e quer saber pode procurar os livros, esses objetos que guardam tantas informações, tantos conteúdos, que podemos esperar deles muita coisa: perguntas e, até mesmo, respostas. A outra é a ignorância prepotente, à qual alguns filósofos deram o nome de "burrice". Pela burrice, essa forma cognitiva impotente e, contudo, muito prepotente, alguém transforma o não saber em suposto saber, a resposta pronta é transformada em verdade. Nesse caso, os livros são esquecidos. Eles são desnecessários como "meios para o saber". Cancelada a curiosidade, como sinal de um desejo de conhecimento, os livros tornam-se inúteis. Assim, a ignorância que nos permite saber se opõe à que nos deforma por estagnação. A primeira gosta dos livros, a segunda os detesta.
[...]
Para aprender a perguntar, precisamos aprender a ler. Não porque o pensamento dependa da gramática ou da língua formal, mas porque ler é um tipo de experiência que nos ensina a desenvolver raciocínios, nos ensina a entender, a ouvir e a falar para compreender. Nos ensina a interpretar. Nos ajuda, portanto, a elaborar questões, a fazer perguntas. Perguntas que nos ajudam a dialogar, ou seja, a entrar em contato com o outro. Nem que este outro seja, em um primeiro momento, apenas cada um de nós mesmos.
Pensar, esse ato que está faltando entre nós, começa aí, muitas vezes em silêncio, quando nos dedicamos a esse gesto simples e ao mesmo tempo complexo que é ler um livro. É lamentável que as pessoas sucumbam ao clima programado da cultura em que ler é proibido. Os meios tecnológicos de comunicação são insidiosos nesse momento, pois prometem uma completude que o ato de ler um livro nunca prometeu. É que o ato da leitura nunca nos engana. Por isso, também, muitos afastam-se dele. Muitos que foram educados para não pensar, passam a não gostar do que não conhecem. Mas há quem tenha descoberto esse prazer que é o prazer de pensar a partir da experiência da linguagem - compreensão e diálogo - que sempre está ofertada em um livro. Certamente para essas pessoas, o mundo todo - e ela mesma - é algo bem diferente.
(TIBURI, Márcia. Potência do pensamento: por uma filosofia política da leitura. Disponível em http://revistacult .uol.com.br —- 31 de jan. 2016 = com adaptações)
Assinale a opção na qual a regência do verbo destacado foi utilizada de acordo com a modalidade padrão.
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