Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 9 622139
COTUCA 2018Carlos Alberto Soffredini foi um escritor brasileiro, autor de diversas peças teatrais, dentre elas, Na carrêra do divino, cujo principal objetivo é caracterizar o caipira brasileiro. Para isso, realizou uma pesquisa específica antes da escrita desse texto, por não ser falante do dialeto caipira. Leia a seguir um trecho dessa peça, para responder à questão.
Cena I
A querência – O Rancho
[...]
JECA – Tô fazeno, tô fazeno...
[...]
MONTEIRO LOBATO (NARRADOR) – “Em três dias uma choça1, que por eufemismo chamam casa, brota da terra como um urupê2”.
JECA – Tá pronta, muié.
NHÁ RITA – (vendo) Eita fremosura!
JECA – Baldeia pra cá as trapizonga3 mór da gente pindurá...
MONTEIRO LOBATO (NARRADOR) – “Tiram tudo do lugar: os esteios, os caibros, as ripas, os barrotes, o cipó que os liga, o barro das paredes e a palha do teto.”
JECA - ... [...] a enchada... e o santinho pindura naquela parede lá qu’ié pr’ele escorá. Aquela num tá lá muito bem barrotada...
NHÁ RITA – Vai caí?
JECA – C’o santinho escorano? Vê lá se ela tem corage...
MONTEIRO LOBATO (NARRADOR) – “Tão íntima é a comunhão dessas palhoças4 com a terra local que dariam ideia de coisa nascida do chão por obra espontânea da natureza – se a natureza fosse capaz de criar coisas tão feias.”
Adaptado de Soffredini: obras principais: Na carrêra do divino. Organização de Renata Soffredini e Lígia Balista. São Paulo: Giostri, 2017. p. 26-27.
Vocabulário:
1 Construção precária, revestida de palha ou de folhas.
2 Espécie de cogumelo.
3 Conjunto de coisas confusas ou desordenadas.
4 Casa coberta de palha.
Monteiro Lobato, apresentado como uma voz narrativa, em uma de suas ponderações, analisa: “Em três dias uma choça, que por eufemismo chamam casa, brota da terra como um urupê”. A utilização de “eufemismo” nesse período indica que:
Questão 8 622138
COTUCA 2018O livro “Este seu Olhar”, organizado por Regina Zilberman, publica textos de autores consagrados que, a partir de uma fotografia importante de suas vidas, escrevem histórias que relembram a infância, fatos marcantes, momentos felizes e tristes. Na apresentação do livro, a organizadora escreve o que chama de “Receita de escrita”. Leia-a, a seguir, para responder à questão.
RECEITA DE ESCRITA
1. Ingredientes:
1 foto de infância;
1 autor;
1 leitor;
muita imaginação.
2. Modo de preparo:
Pense primeiro: qual é minha foto preferida? Qual delas me provoca lembranças especiais? Que retrato traduz um momento importante de minha vida?
Feita a escolha, separe a foto, mas deixe-a a seu alcance.
Agora, volte a refletir: o que essa foto me diz? O que ela conta de mim? Essa etapa pode levar algum tempo, mas não procure apressar seus pensamentos. Principalmente porque sua imaginação começará a ser movimentada, já que, como toda foto, esta conta uma história.
Volte à foto, que estava separada. E responda: que história ela conta? Uma narrativa começa a se organizar: o início poderá anteceder a imagem representada no retrato, mas, a esse começo, seguir-se-ão ações, vivenciadas por seres reais ou imaginários, humanos ou não. As ações requerem continuidade, movimento, conflito e solução. Eis que se forma uma narrativa, a que você – e só você – compôs. Responsável pela elaboração do texto, você pode participar dele como personagem, testemunha ou mero narrador; pode relembrar um fato passado ou projetar um acontecimento futuro; e, assim como teve um começo, disporá de um final, em que os eventos mostrarão um sucesso ou um fracasso, mas, de toda maneira, um acabamento.
Retorne a seu conto, depois de terminá-lo, pois ele requer revisões, rearranjos, sincronização e afinamento dos dados. Supõe-se que a elaboração de um texto é linear, mas, como ocorre à leitura, a escrita exige um permanente vaivém, segundo o qual cabe regressar ao começo, a cada movimento de avanço.
Não deixe, porém, a foto de lado, pois ela regula a história em construção, como se fosse um mecanismo de controle e aprovação constantes. Se a imagem desencadeia a ficção, esta não pode perder de vista o ponto de partida, para que você integre o visual e o oral, a figura e o discurso suscitado por ela.
3. Modo de servir – modo de ler:
Sirva uma primeira porção a seu leitor, que poderá ser, nesse momento, você mesmo. Sirva, porém, novas porções a outros destinatários, porque eles percorrerão a trilha da leitura, descrita na receita anterior. A leitura apresenta-se de novo, porque, sem o diálogo com o outro, a escrita não completa seu ciclo, o significado não se apresenta, a comunicação não se estabelece. A escrita depende da leitura, porque esta provoca novas escritas, reaparecendo o processo infinito mencionado antes. Incendiada pela imaginação e mediada pelos recursos da ficção, a expressão verbal dispõe de inúmeros meios de se manifestar, e impedi-los é limitar a ação humana.
Sirva-se, pois, à vontade e constantemente, a exemplo dos escritores que formam este livro.
Adaptado de Este seu olhar. Organização e apresentação de Regina Zilberman. São Paulo: Moderna, 2006.
Releia este trecho inicial do texto: “Pense primeiro: qual é minha foto preferida? Qual delas me provoca lembranças especiais? Que retrato traduz um momento importante de minha vida?”. Sobre as construções estabelecidas nele, assinale a alternativa correta.
Questão 7 622134
COTUCA 2018O livro “Este seu Olhar”, organizado por Regina Zilberman, publica textos de autores consagrados que, a partir de uma fotografia importante de suas vidas, escrevem histórias que relembram a infância, fatos marcantes, momentos felizes e tristes. Na apresentação do livro, a organizadora escreve o que chama de “Receita de escrita”. Leia-a, a seguir, para responder à questão.
RECEITA DE ESCRITA
1. Ingredientes:
1 foto de infância;
1 autor;
1 leitor;
muita imaginação.
2. Modo de preparo:
Pense primeiro: qual é minha foto preferida? Qual delas me provoca lembranças especiais? Que retrato traduz um momento importante de minha vida?
Feita a escolha, separe a foto, mas deixe-a a seu alcance.
Agora, volte a refletir: o que essa foto me diz? O que ela conta de mim? Essa etapa pode levar algum tempo, mas não procure apressar seus pensamentos. Principalmente porque sua imaginação começará a ser movimentada, já que, como toda foto, esta conta uma história.
Volte à foto, que estava separada. E responda: que história ela conta? Uma narrativa começa a se organizar: o início poderá anteceder a imagem representada no retrato, mas, a esse começo, seguir-se-ão ações, vivenciadas por seres reais ou imaginários, humanos ou não. As ações requerem continuidade, movimento, conflito e solução. Eis que se forma uma narrativa, a que você – e só você – compôs. Responsável pela elaboração do texto, você pode participar dele como personagem, testemunha ou mero narrador; pode relembrar um fato passado ou projetar um acontecimento futuro; e, assim como teve um começo, disporá de um final, em que os eventos mostrarão um sucesso ou um fracasso, mas, de toda maneira, um acabamento.
Retorne a seu conto, depois de terminá-lo, pois ele requer revisões, rearranjos, sincronização e afinamento dos dados. Supõe-se que a elaboração de um texto é linear, mas, como ocorre à leitura, a escrita exige um permanente vaivém, segundo o qual cabe regressar ao começo, a cada movimento de avanço.
Não deixe, porém, a foto de lado, pois ela regula a história em construção, como se fosse um mecanismo de controle e aprovação constantes. Se a imagem desencadeia a ficção, esta não pode perder de vista o ponto de partida, para que você integre o visual e o oral, a figura e o discurso suscitado por ela.
3. Modo de servir – modo de ler:
Sirva uma primeira porção a seu leitor, que poderá ser, nesse momento, você mesmo. Sirva, porém, novas porções a outros destinatários, porque eles percorrerão a trilha da leitura, descrita na receita anterior. A leitura apresenta-se de novo, porque, sem o diálogo com o outro, a escrita não completa seu ciclo, o significado não se apresenta, a comunicação não se estabelece. A escrita depende da leitura, porque esta provoca novas escritas, reaparecendo o processo infinito mencionado antes. Incendiada pela imaginação e mediada pelos recursos da ficção, a expressão verbal dispõe de inúmeros meios de se manifestar, e impedi-los é limitar a ação humana.
Sirva-se, pois, à vontade e constantemente, a exemplo dos escritores que formam este livro.
Adaptado de Este seu olhar. Organização e apresentação de Regina Zilberman. São Paulo: Moderna, 2006.
Escolha a alternativa que melhor analisa a construção do trecho “Volte à foto, que estava separada. E responda: que história ela conta?”.
Questão 6 622132
COTUCA 2018O livro “Este seu Olhar”, organizado por Regina Zilberman, publica textos de autores consagrados que, a partir de uma fotografia importante de suas vidas, escrevem histórias que relembram a infância, fatos marcantes, momentos felizes e tristes. Na apresentação do livro, a organizadora escreve o que chama de “Receita de escrita”. Leia-a, a seguir, para responder à questão.
RECEITA DE ESCRITA
1. Ingredientes:
1 foto de infância;
1 autor;
1 leitor;
muita imaginação.
2. Modo de preparo:
Pense primeiro: qual é minha foto preferida? Qual delas me provoca lembranças especiais? Que retrato traduz um momento importante de minha vida?
Feita a escolha, separe a foto, mas deixe-a a seu alcance.
Agora, volte a refletir: o que essa foto me diz? O que ela conta de mim? Essa etapa pode levar algum tempo, mas não procure apressar seus pensamentos. Principalmente porque sua imaginação começará a ser movimentada, já que, como toda foto, esta conta uma história.
Volte à foto, que estava separada. E responda: que história ela conta? Uma narrativa começa a se organizar: o início poderá anteceder a imagem representada no retrato, mas, a esse começo, seguir-se-ão ações, vivenciadas por seres reais ou imaginários, humanos ou não. As ações requerem continuidade, movimento, conflito e solução. Eis que se forma uma narrativa, a que você – e só você – compôs. Responsável pela elaboração do texto, você pode participar dele como personagem, testemunha ou mero narrador; pode relembrar um fato passado ou projetar um acontecimento futuro; e, assim como teve um começo, disporá de um final, em que os eventos mostrarão um sucesso ou um fracasso, mas, de toda maneira, um acabamento.
Retorne a seu conto, depois de terminá-lo, pois ele requer revisões, rearranjos, sincronização e afinamento dos dados. Supõe-se que a elaboração de um texto é linear, mas, como ocorre à leitura, a escrita exige um permanente vaivém, segundo o qual cabe regressar ao começo, a cada movimento de avanço.
Não deixe, porém, a foto de lado, pois ela regula a história em construção, como se fosse um mecanismo de controle e aprovação constantes. Se a imagem desencadeia a ficção, esta não pode perder de vista o ponto de partida, para que você integre o visual e o oral, a figura e o discurso suscitado por ela.
3. Modo de servir – modo de ler:
Sirva uma primeira porção a seu leitor, que poderá ser, nesse momento, você mesmo. Sirva, porém, novas porções a outros destinatários, porque eles percorrerão a trilha da leitura, descrita na receita anterior. A leitura apresenta-se de novo, porque, sem o diálogo com o outro, a escrita não completa seu ciclo, o significado não se apresenta, a comunicação não se estabelece. A escrita depende da leitura, porque esta provoca novas escritas, reaparecendo o processo infinito mencionado antes. Incendiada pela imaginação e mediada pelos recursos da ficção, a expressão verbal dispõe de inúmeros meios de se manifestar, e impedi-los é limitar a ação humana.
Sirva-se, pois, à vontade e constantemente, a exemplo dos escritores que formam este livro.
Adaptado de Este seu olhar. Organização e apresentação de Regina Zilberman. São Paulo: Moderna, 2006.
A autora apresenta diferentes frases interrogativas ao longo de sua “Receita de escrita”. Qual o objetivo principal delas?
Questão 5 622130
COTUCA 2018O livro “Este seu Olhar”, organizado por Regina Zilberman, publica textos de autores consagrados que, a partir de uma fotografia importante de suas vidas, escrevem histórias que relembram a infância, fatos marcantes, momentos felizes e tristes. Na apresentação do livro, a organizadora escreve o que chama de “Receita de escrita”. Leia-a, a seguir, para responder à questão.
RECEITA DE ESCRITA
1. Ingredientes:
1 foto de infância;
1 autor;
1 leitor;
muita imaginação.
2. Modo de preparo:
Pense primeiro: qual é minha foto preferida? Qual delas me provoca lembranças especiais? Que retrato traduz um momento importante de minha vida?
Feita a escolha, separe a foto, mas deixe-a a seu alcance.
Agora, volte a refletir: o que essa foto me diz? O que ela conta de mim? Essa etapa pode levar algum tempo, mas não procure apressar seus pensamentos. Principalmente porque sua imaginação começará a ser movimentada, já que, como toda foto, esta conta uma história.
Volte à foto, que estava separada. E responda: que história ela conta? Uma narrativa começa a se organizar: o início poderá anteceder a imagem representada no retrato, mas, a esse começo, seguir-se-ão ações, vivenciadas por seres reais ou imaginários, humanos ou não. As ações requerem continuidade, movimento, conflito e solução. Eis que se forma uma narrativa, a que você – e só você – compôs. Responsável pela elaboração do texto, você pode participar dele como personagem, testemunha ou mero narrador; pode relembrar um fato passado ou projetar um acontecimento futuro; e, assim como teve um começo, disporá de um final, em que os eventos mostrarão um sucesso ou um fracasso, mas, de toda maneira, um acabamento.
Retorne a seu conto, depois de terminá-lo, pois ele requer revisões, rearranjos, sincronização e afinamento dos dados. Supõe-se que a elaboração de um texto é linear, mas, como ocorre à leitura, a escrita exige um permanente vaivém, segundo o qual cabe regressar ao começo, a cada movimento de avanço.
Não deixe, porém, a foto de lado, pois ela regula a história em construção, como se fosse um mecanismo de controle e aprovação constantes. Se a imagem desencadeia a ficção, esta não pode perder de vista o ponto de partida, para que você integre o visual e o oral, a figura e o discurso suscitado por ela.
3. Modo de servir – modo de ler:
Sirva uma primeira porção a seu leitor, que poderá ser, nesse momento, você mesmo. Sirva, porém, novas porções a outros destinatários, porque eles percorrerão a trilha da leitura, descrita na receita anterior. A leitura apresenta-se de novo, porque, sem o diálogo com o outro, a escrita não completa seu ciclo, o significado não se apresenta, a comunicação não se estabelece. A escrita depende da leitura, porque esta provoca novas escritas, reaparecendo o processo infinito mencionado antes. Incendiada pela imaginação e mediada pelos recursos da ficção, a expressão verbal dispõe de inúmeros meios de se manifestar, e impedi-los é limitar a ação humana.
Sirva-se, pois, à vontade e constantemente, a exemplo dos escritores que formam este livro.
Adaptado de Este seu olhar. Organização e apresentação de Regina Zilberman. São Paulo: Moderna, 2006.
O texto é apresentado no formato do gênero receita, mas:
Questão 13 618039
COTIL 1° Ano 2018TEXTO PARA A QUESTÃO
MENOR ABANDONADO
Cora Coralina
De onde vens, criança?
Que mensagem trazes de futuro?
Por que tão cedo esse batismo impuro
que mudou teu nome?
[5] Em que galpão, casebre, invasão, favela,
ficou esquecida tua mãe?...
E teu pai, em que selva escura
se perdeu, perdendo o caminho
do barraco humilde?...
[10] Criança periférica rejeitada...
Teu mundo é um submundo.
Mão nenhuma te valeu na derrapada.
Ao acaso das ruas – nosso encontro.
És tão pequeno... e eu tenho medo.
[15] Medo de você crescer, ser homem.
Medo da espada de teus olhos...
Medo da tua rebeldia antecipada.
Nego a esmola que me pedes
Culpa-me tua indigência inconsciente
[20] Revolta-me tua infância desvalida
Quisera escrever versos de fogo,
e sou mesquinha.
Pudesse eu te ajudar, criança-estigma
Defender tua causa, cortar tua raiz
[25] chagada...
És o lema sombrio de uma bandeira
que levanto,
pedindo para ti – Menor Abandonado,
Escolas de Artesanato – Mater et Magistra
[30] que possam te salvar, deter a tua queda...
Ninguém comigo na floresta escura...
E o meu grito impotente se perde
na acústica indiferente das cidades.
Escolas de Artesanato para reduzir
[35] o gigantismo enfermo
da criança enferma
é o meu perdido S.O.S.
Estou sozinha na floresta escura
e o meu apelo se perdeu inútil
[40] na acústica insensível da cidade.
És o infante de um terceiro mundo
em lenta rotação para o encontro
do futuro.
Há um fosso de separação
[45] entre três mundos.
E tu – Menor Abandonado,
és a pedra, o entulho e o aterro
desse fosso.
Quisera a tempo te alcançar,
[50] mudar teu rumo.
De novo te vestir a veste branca
de um novo catecúmeno.
És tanto e tantos teus irmãos
na selva densa...
[55] E eu sozinha na cidade imensa!
“Escolas de ofícios Mãe e Mestra”
para tua legião.
Mãe para o amor.
Mestra para o ensino.
[60] Passa, criança... Segue o teu destino.
Além é o teu encontro.
Estarás sentado, curvado, taciturno.
Sete “homens bons” te julgarão.
Um juiz togado dirá textos de Lei
[65] que nunca entenderás.
- Mais uma vez mudarás de nome.
E dentro de uma casa muito grande
e muito triste – serás um número.
(...)
http://vermelho.org.br/noticia/43468-1
"De onde vens, criança? (verso 1)
Onde pode ser empregado com ou sem preposição, dependendo do verbo que o rege.
Assinale a resposta em que temos o emprego correto desse advérbio interrogativo.
06
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