Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 9125492
COTIL COTIL 2018 1 FaseU Gerais 2018Os filhos do lixo
Lya Luft
Há quem diga que dou esperança; há quem proteste que sou pessimista. Eu digo que os maiores otimistas são aqueles que, apesar do que vivem ou observam, continuam apostando na vida, trabalhando, cultivando afetos e tendo projetos. Às vezes, porém, escrevo com dor. Como hoje.
Acabo de assistir a uma reportagem sobre crianças do Brasil que vivem do lixo. Digamos que são o lixo deste país, e nós permitimos ou criamos isso. Eu mesma já vi com estes olhos gente morando junto de lixões, e crianças disputando com urubus pedaços de comida estragada para matar a fome.
A reportagem era uma história de terror - mas verdadeira, nossa, deste país. Uma jovem de menos de anos trazia numa carretinha feita de madeiras velhas seus três filhos, de , e ano. Chegavam ao lixão, e a maiorzinha, já treinada, saía a catar coisas úteis, sobretudo comida. Logo estavam os três comendo, e a mãe, indagada, explicou com simplicidade: "A gente tem de sobreviver, né?".
Não sei como é possível alguém dizer que este país vai bem enquanto esses fatos, e outros semelhantes, acontecem. Pois, sendo na nossa pátria, não importa em que recanto for, tudo nos diz respeito, como nos dizem respeito a malandragem e a roubalheira, a mentira e a impunidade e o falso ufanismo. Ouvimos a toda hora que nunca o país esteve tão bem. Até que em algumas coisas, talvez muitas, melhoramos.
Mas quem somos, afinal" Que país somos, que gente nos tornamos, se vemos tudo isso e continuamos comendo, bebendo, trabalhando e estudando como se nem fosse conosco" Deve ser o nosso jeito de sobreviver - não comendo lixo concreto, mas engolindo esse lixo moral e fingindo que está tudo bem. Pois, se nos convencermos de que isso acontece no nosso meio, no nosso país, talvez na nossa cidade, e nos sentirmos parte disso, responsáveis por isso, o que se poderia fazer?
Assinale a alternativa que NÃO contém uma característica comum ao texto lido.Disponível em: https://renatavalerafatec.files.wordpress.com/2017/02/acervo-digital-veia-os-filhos-do-lixo.pdf.
Questão 8945381
COTUCA COTUCA 2018 1 FaseU Gerais 2018Carlos Alberto Soffredini foi um escritor brasileiro, autor de diversas peças teatrais, dentre elas, Na carrêra do divino, cujo principal objetivo é caracterizar o caipira brasileiro. Para isso, realizou uma pesquisa específica antes da escrita desse texto, por não ser falante do dialeto caipira. Leia a seguir um trecho dessa peça.
Cena I
A querência – O Rancho
[...]
JECA – Tô fazeno, tô fazeno...
[...]
MONTEIRO LOBATO (NARRADOR) – “Em três dias uma choça, que por eufemismo chamam casa, brota da terra como um urupê”.
JECA – Tá pronta, muié.
NHÁ RITA – (vendo) Eita fremosura!
JECA – Baldeia pra cá as trapizonga mór da gente pindurá...
MONTEIRO LOBATO (NARRADOR) – “Tiram tudo do lugar: os esteios, os caibros, as ripas, os barrotes, o cipó que os liga, o barro das paredes e a palha do teto.”
JECA - ... [...] a enchada... e o santinho pindura naquela parede lá qu’ié pr’ele escorá. Aquela num tá lá muito bem barrotada...
NHÁ RITA – Vai caí?
JECA – C’o santinho escorano? Vê lá se ela tem corage...
MONTEIRO LOBATO (NARRADOR) – “Tão íntima é a comunhão dessas palhoças com a terra local que dariam ideia de coisa nascida do chão por obra espontânea da natureza – se a natureza fosse capaz de criar coisas tão feias.”
Adaptado de Soffredini: obras principais: Na carrêra do divino. Organização de Renata Soffredini e Lígia Balista. São Paulo: Giostri, .p. -.
Vocabulário:
Construção precária, revestida de palha ou de folhas.
Espécie de cogumelo.
Conjunto de coisas confusas ou desordenadas.
Casa coberta de palha.
Monteiro Lobato, apresentado como uma voz narrativa, em uma de suas ponderações, analisa: “Em três dias uma choça, que por eufemismo chamam casa, brota da terra como um urupê”. A utilização de “eufemismo” nesse período indica que:Questão 8945379
COTUCA COTUCA 2018 1 FaseU Gerais 2018O livro “Este seu Olhar”, organizado por Regina Zilberman, publica textos de autores consagrados que, a partir de uma fotografia importante de suas vidas, escrevem histórias que relembram a infância, fatos marcantes, momentos felizes e tristes. Na apresentação do livro, a organizadora escreve o que chama de “Receita de escrita”. Leia-a, a seguir:
RECEITA DE ESCRITA
Ingredientes:
foto de infância;
autor;
leitor;
muita imaginação.
Modo de preparo:
Pense primeiro: qual é minha foto preferida" Qual delas me provoca lembranças especiais" Que retrato traduz um momento importante de minha vida?
Feita a escolha, separe a foto, mas deixe-a a seu alcance.
Agora, volte a refletir: o que essa foto me diz" O que ela conta de mim" Essa etapa pode levar algum tempo, mas não procure apressar seus pensamentos. Principalmente porque sua imaginação começará a ser movimentada, já que, como toda foto, esta conta uma história.
Volte à foto, que estava separada. E responda: que história ela conta? Uma narrativa começa a se organizar: o início poderá anteceder a imagem representada no retrato, mas, a esse começo, seguir-se-ão ações, vivenciadas por seres reais ou imaginários, humanos ou não. As ações requerem continuidade, movimento, conflito e solução. Eis que se forma uma narrativa, a que você — e só você — compôs. Responsável pela elaboração do texto, você pode participar dele como personagem, testemunha ou mero narrador; pode relembrar um fato passado ou projetar um acontecimento futuro; e, assim como teve um começo, disporá de um final, em que os eventos mostrarão um sucesso ou um fracasso, mas, de toda maneira, um acabamento.
Retorne a seu conto, depois de terminá-lo, pois ele requer revisões, rearranjos, sincronização e afinamento dos dados. Supõe-se que a elaboração de um texto é linear, mas, como ocorre à leitura, a escrita exige um permanente vaivém, segundo o qual cabe regressar ao começo, a cada movimento de avanço.
Não deixe, porém, a foto de lado, pois ela regula a história em construção, como se fosse um mecanismo de controle e aprovação constantes. Se a imagem desencadeia a ficção, esta não pode perder de vista o ponto de partida, para que você integre o visual e o oral, a figura e o discurso suscitado por ela.
Modo de servir – modo de ler:
Sirva uma primeira porção a seu leitor, que poderá ser, nesse momento, você mesmo. Sirva, porém, novas porções a outros destinatários, porque eles percorrerão a trilha da leitura, descrita na receita anterior. A leitura apresenta-se de novo, porque, sem o diálogo com o outro, a escrita não completa seu ciclo, o significado não se apresenta, a comunicação não se estabelece. A escrita depende da leitura, porque esta provoca novas escritas, reaparecendo o processo infinito mencionado antes. Incendiada pela imaginação e mediada pelos recursos da ficção, a expressão verbal dispõe de inúmeros meios de se manifestar, e impedi-los é limitar a ação humana.
Sirva-se, pois, à vontade e constantemente, a exemplo dos escritores que formam este livro.
Escolha a alternativa que melhor analisa a construção do trecho “Volte à foto, que estava separada. E responda: que história ela conta?”.Adaptado de Este seu olhar. Organização e apresentação de Regina Zilberman. São Paulo: Moderna, .
Questão 8945376
COTUCA COTUCA 2018 1 FaseU Gerais 2018No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Carlos Drummond de Andrade. Poesia Completa. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, . p. .

Observe os tempos verbais apresentados nos dois textos e escolha a alternativa que melhor os analisa.Sérgio Vaz. Disponível em https://www.facebook.com/poetasergio.vaz2 Acesso em (Adaptado).
Questão 8945375
COTUCA COTUCA 2018 1 FaseU Gerais 2018No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Carlos Drummond de Andrade. Poesia Completa. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, . p. .

O texto de Sérgio Vaz foi escrito inspirado no de Carlos Drummond de Andrade. Analise qual das alternativas a seguir melhor se refere à relação estabelecida entre os dois textos.Sérgio Vaz. Disponível em https://www.facebook.com/poetasergio.vaz2 Acesso em (Adaptado).
Questão 8945373
COTUCA COTUCA 2018 1 FaseU Gerais 2018
A interpretação da imagem e dos diálogos, em conjunto, sugere que:Quino. Que presente inapresentável. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, . p. .
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)