Questões de EFAF Português
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Questão 17 10415061
CMT 2018TEXTO
Bruxas não existem
(Moacyr Scliar)

Quando eu era garoto, acreditava em bruxas, mulheres malvadas que passavam o
tempo todo maquinando coisas perversas. Os meus amigos também acreditavam nisso. A
prova para nós era uma mulher muito velha, uma solteirona que morava numa casinha
caindo aos pedaços no fim da nossa rua. Seu nome era Ana Custódio, mas nós só a
[5] chamávamos de “bruxa”.
Era muito feia, ela; gorda, enorme, os cabelos pareciam palha, o nariz era comprido,
ela tinha uma enorme verruga no queixo. E estava sempre falando sozinha. Nunca tínhamos
entrado na casa, mas tínhamos a certeza de que, se fizéssemos isso, nós a encontraríamos
preparando venenos num grande caldeirão.
[10] Nossa diversão predileta era incomodá-la. Volta e meia invadíamos o pequeno pátio
para dali roubar frutas e quando, por acaso, a velha saía à rua para fazer compras no
pequeno armazém ali perto, corríamos atrás dela gritando “bruxa, bruxa!”.
Um dia encontramos, no meio da rua, um bode morto. A quem pertencera esse animal
nós não sabíamos, mas logo descobrimos o que fazer com ele: jogá-lo na casa da bruxa. O
[15] que seria fácil. Ao contrário do que sempre acontecia, naquela manhã, e talvez por
esquecimento, ela deixara aberta a janela da frente. Sob o comando do João Pedro, que era
nosso líder, levantamos o bicho, que era grande e pesava bastante, e com muito esforço nós
o levamos até a janela. Tentamos empurrá-lo para dentro, mas aí os chifres ficaram presos
na cortina.
[20] - Vamos logo – gritava João Pedro -, antes que a bruxa apareça. E ela apareceu. No
momento exato em que, finalmente, conseguíamos introduzir o bode pela janela, a porta se
abriu e ali estava ela, a bruxa, empunhando um cabo de vassoura. Rindo, saímos correndo.
Eu, gordinho, era o último.
E então aconteceu. De repente, enfiei o pé num buraco e caí. De imediato senti uma
[25] dor terrível na perna e não tive dúvida: estava quebrada. Gemendo, tentei me levantar, mas
não consegui. E a bruxa, caminhando com dificuldade, mas com o cabo de vassoura na mão,
aproximava-se. Àquela altura a turma estava longe, ninguém poderia me ajudar. E a mulher,
sem dúvida, descarregaria em mim sua fúria.
Em um momento, ela estava junto a mim, transtornada de raiva. Mas aí viu minha
[30] perna e instantaneamente mudou. Agachou-se junto a mim e começou a examiná-la com
uma habilidade surpreendente.
- Está quebrada – disse por fim –, mas podemos dar um jeito. Não se preocupe, sei
fazer isso. Fui enfermeira muitos anos, trabalhei em hospital. Confie em mim.
Dividiu o cabo de vassoura em três pedaços e com eles, e com seu cinto de pano,
[35] improvisou uma tala, imobilizando-me a perna. A dor diminuiu muito e, amparado nela, fui
até minha casa. “Chame uma ambulância”, disse a mulher à minha mãe. Sorriu.
Tudo ficou bem. Levaram-me para o hospital, o médico engessou minha perna e em
poucas semanas eu estava recuperado. Desde então, deixei de acreditar em bruxas. E
tornei-me grande amigo de uma senhora que morava em minha rua, uma senhora muito boa
[40] que se chamava Ana Custódio.
https://novaescola.org.br/conteudo/4159/bruxas-nao-existem acesso em 20/5/2018 às 09h30
Considerando os detalhes indicados no texto, é possível afirmar que as lembranças do narrador fazem referência a um espaço físico específico.
A narrativa ocorre:
Questão 16 10414997
CMT 2018TEXTO
Bruxas não existem
(Moacyr Scliar)

Quando eu era garoto, acreditava em bruxas, mulheres malvadas que passavam o
tempo todo maquinando coisas perversas. Os meus amigos também acreditavam nisso. A
prova para nós era uma mulher muito velha, uma solteirona que morava numa casinha
caindo aos pedaços no fim da nossa rua. Seu nome era Ana Custódio, mas nós só a
[5] chamávamos de “bruxa”.
Era muito feia, ela; gorda, enorme, os cabelos pareciam palha, o nariz era comprido,
ela tinha uma enorme verruga no queixo. E estava sempre falando sozinha. Nunca tínhamos
entrado na casa, mas tínhamos a certeza de que, se fizéssemos isso, nós a encontraríamos
preparando venenos num grande caldeirão.
[10] Nossa diversão predileta era incomodá-la. Volta e meia invadíamos o pequeno pátio
para dali roubar frutas e quando, por acaso, a velha saía à rua para fazer compras no
pequeno armazém ali perto, corríamos atrás dela gritando “bruxa, bruxa!”.
Um dia encontramos, no meio da rua, um bode morto. A quem pertencera esse animal
nós não sabíamos, mas logo descobrimos o que fazer com ele: jogá-lo na casa da bruxa. O
[15] que seria fácil. Ao contrário do que sempre acontecia, naquela manhã, e talvez por
esquecimento, ela deixara aberta a janela da frente. Sob o comando do João Pedro, que era
nosso líder, levantamos o bicho, que era grande e pesava bastante, e com muito esforço nós
o levamos até a janela. Tentamos empurrá-lo para dentro, mas aí os chifres ficaram presos
na cortina.
[20] - Vamos logo – gritava João Pedro -, antes que a bruxa apareça. E ela apareceu. No
momento exato em que, finalmente, conseguíamos introduzir o bode pela janela, a porta se
abriu e ali estava ela, a bruxa, empunhando um cabo de vassoura. Rindo, saímos correndo.
Eu, gordinho, era o último.
E então aconteceu. De repente, enfiei o pé num buraco e caí. De imediato senti uma
[25] dor terrível na perna e não tive dúvida: estava quebrada. Gemendo, tentei me levantar, mas
não consegui. E a bruxa, caminhando com dificuldade, mas com o cabo de vassoura na mão,
aproximava-se. Àquela altura a turma estava longe, ninguém poderia me ajudar. E a mulher,
sem dúvida, descarregaria em mim sua fúria.
Em um momento, ela estava junto a mim, transtornada de raiva. Mas aí viu minha
[30] perna e instantaneamente mudou. Agachou-se junto a mim e começou a examiná-la com
uma habilidade surpreendente.
- Está quebrada – disse por fim –, mas podemos dar um jeito. Não se preocupe, sei
fazer isso. Fui enfermeira muitos anos, trabalhei em hospital. Confie em mim.
Dividiu o cabo de vassoura em três pedaços e com eles, e com seu cinto de pano,
[35] improvisou uma tala, imobilizando-me a perna. A dor diminuiu muito e, amparado nela, fui
até minha casa. “Chame uma ambulância”, disse a mulher à minha mãe. Sorriu.
Tudo ficou bem. Levaram-me para o hospital, o médico engessou minha perna e em
poucas semanas eu estava recuperado. Desde então, deixei de acreditar em bruxas. E
tornei-me grande amigo de uma senhora que morava em minha rua, uma senhora muito boa
[40] que se chamava Ana Custódio.
https://novaescola.org.br/conteudo/4159/bruxas-nao-existem acesso em 20/5/2018 às 09h30
O protagonista e seus amigos tinham certeza de que as bruxas existiam, porque
Questão 6 10408684
CPM 2018Leia com atenção a tira que segue para responder a esta questão sobre letras, fonemas e dígrafos.

Schulz, Charles M. felicidade é ... Porto Alegre, RS: L&PM, 2015. p. 42
Quanto às palavras OBJETIVO – PROPÓSITO – SIGNIFICADO, é correto dizer que
Questão 14 10391134
OBG 2ª FASE (Online) 2018Leia o texto, observe o infográfico e responda o que se pede.
“O Brasil ocupa a incômoda 5º posição em um ranking global de assassinatos de mulheres. Essa taxa só é maior em El Salvador, na Colômbia, na Guatemala e na Rússia e o detalhe assustador é que a maioria desses crimes são cometidos por alguém da própria família. (...). Pelo menos metade dos assassinatos acontecem em ambientes familiares e são cometidos por alguém conhecido. Maridos, companheiros e ex-parceiros são responsáveis por um em cada três assassinatos de mulheres. Outro dado que chama a atenção é que os crimes contra as mulheres têm caraterísticas diferentes. Enquanto sete de cada 10 homens são assassinados a tiro, a maioria das mulheres no Brasil é vítima de facas, objetos cortantes ou estrangulamento, o que indica, segundo a pesquisa, que não são ações premeditadas, mas crimes de ódio ou ‘passionais’”.
Fonte: Portal G1 (10/11/2015).

Fonte: https://www.revistaforum.com.br/wp-content/uploads/2016/07/violencia_mulheres_negras_infografico- 01.png
De acordo com os dados e informações do enunciado e de seus conhecimentos sobre o assunto, pode-se afirmar corretamente que:
Questão 19 10297127
OBR 1° Ano - Nível 5 Fase 2 2018Piaimã1
A inteligência do herói estava muito perturbada. Acordou com os berros da bicharia lá embaixo nas ruas, disparando entre as malocas temíveis. E aquele diacho de sagüi-açu2 (...) não era sagüim não, chamava elevador e era uma máquina. De-manhãzinha ensinaram que todos aqueles piados berros cuquiadas sopros roncos esturros não eram nada disso não, eram mas cláxons3 campainhas apitos buzinas e tudo era máquina. As onças pardas não eram onças pardas, se chamavam fordes hupmobiles chevrolés dodges mármons e eram máquinas. Os tamanduás os boitatás4 as inajás5 de curuatás6 de fumo, em vez eram caminhões bondes autobondes anúncios-luminosos relógios faróis rádios motocicletas telefones gorjetas postes chaminés... Eram máquinas e tudo na cidade era só máquina! O herói aprendendo calado. De vez em quando estremecia. Voltava a ficar imóvel escutando assuntando maquinando numa cisma assombrada. Tomou-o um respeito cheio de inveja por essa deusa de deveras forçuda, Tupã7 famanado que os filhos da mandioca chamavam de Máquina, mais cantadeira que a Mãe-d’água8 , em bulhas9 de sarapantar10.
Então resolveu ir brincar com a Máquina pra ser também imperador dos filhos da mandioca. Mas as três cunhãs11 deram muitas risadas e falaram que isso de deuses era gorda mentira antiga, que não tinha deus não e que com a máquina ninguém não brinca porque ela mata. A máquina não era deus não, nem possuía os distintivos femininos de que o herói gostava tanto. Era feita pelos homens. Se mexia com eletricidade com fogo com água com vento com fumo, os homens aproveitando as forças da natureza. Porém jacaré acreditou? nem o herói! (...) Macunaíma passou então uma semana sem comer nem brincar só maquinando nas brigas sem vitória dos filhos da mandioca com a Máquina. A Máquina era que matava os homens porém os homens é que mandavam na Máquina... Constatou pasmo que os filhos da mandioca eram donos sem mistério e sem força da máquina sem mistério sem querer sem fastio, incapaz de explicar as infelicidades por si. Estava nostálgico assim. Até que uma noite, suspenso no terraço dum arranhacéu com os manos, Macunaíma concluiu:
— Os filhos da mandioca não ganham da máquina nem ela ganha deles nesta luta. Há empate.
Não concluiu mais nada porque inda não estava acostumado com discursos porém palpitava pra ele muito embrulhadamente muito! que a máquina devia de ser um deus de que os homens não eram verdadeiramente donos só porque não tinham feito dela uma Iara explicável mas apenas uma realidade do mundo. De toda essa embrulhada o pensamento dele sacou bem clarinha uma luz: os homens é que eram máquinas e as máquinas é que eram homens.
Macunaíma deu uma grande gargalhada. Percebeu que estava livre outra vez e teve uma satisfa mãe.
MÁRIO DE ANDRADE, Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Belo Horizonte: Itatiaia, 1986.
Vocabulário:
1 Piaimã – personagem do romance
2 sagüi-açu, sagüim – macacos pequenos
3 cláxon – buzina externa nos automóveis antigos
4 boitatá – cobra-de-fogo, na mitologia tupi-guarani
5 inajá – palmeira de tamanho médio
6 curuatá – flor de palmeira
7 Tupã – entidade da mitologia tupi-guarani
8 Mãe-d’água – espécie de sereia das águas amazônicas
9 bulha – confusão de sons
10 sarapantar – espantar
11 cunhã – mulher jovem, em tupi
Com base neste trecho da obra clássica de Mário de Andrade, pode-se afirmar que:
Questão 3 10290483
OBR 1° Ano - Nível 3 2018O pesquisador Flávio, que trabalha na área de robótica em Sorocaba, comprou o robô G.L.O.R.Y.
por um site na Internet. O robô foi enviado de Ilha Solteira para Sorocaba por correio, porém, teve
seu sistema de som danificado durante a viagem. O pesquisador percebeu esse dano durante alguns testes de fala, ouvindo a mensagem: “Olá, eu sou o robô G.L.O.R.Y., fui criado com o objetivo de ser SSHHHH em projetos de pesquisa. SSHHHH três anos que fui criado. Caso SSHHHH algum problema em minha programação, por favor, contate meu fabricante.”
As palavras que devem substituir o lugar dos chiados SSHHHH, que completam a mensagem, com grafia e concordância verbal corretas, são:
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