Questões de EFAF Português - Gramática
1.745 Questões
Questão 2 169253
IFPE 2014
TEXTO 1
BRASI DE CIMA E BRASI DE BAXO (Fragmento)
Meu compadre Zé Fulô,
Meu amigo e companhêro,
Faz quage um ano que eu tou
Neste Rio de Janêro;
Eu saí do Cariri
Maginando que isto aqui
Era uma terra de sorte,
Mas fique sabendo tu
Que a miséra aqui no Su
É esta mesma do Norte.
Tudo o que procuro acho.
Eu pude vê neste crima,
Que tem o Brasi de Baxo
E tem o Brasi de Cima.
Brasi de Baxo, coitado!
É um pobre abandonado;
Um do ôtro é bem deferente:
Brasi de Cima é pra frente,
Brasi de Baxo é pra trás.
Aqui no Brasil de Cima,
Não há dô nem indigença,
Reina o mais soave crima
De riqueza e de opulença;
Só se fala de progresso,
Riqueza e novo processo
De grandeza e produção.
Porém, no Brasi de Baxo
Sofre a feme e sofre o macho
A mais dura privação.
Brasi de cima festeja
Com orquestra e com banquete,
De uísque dréa e cerveja
Não tem quem conte os rodete.
Brasi de baxo, coitado!
Vê das casa despejado
Home, menino e muié
Sem achá onde morá
Proque não pode pagá
O dinhêro do alugué.
No Brasi de Cima anda
As trombeta em arto som
Ispaiando as propaganda
De tudo aquilo que é bom.
No Brasi de Baxo a fome
Matrata, fere e consome
Sem ninguém lhe defendê;
O desgraçado operaro
Ganha um pequeno salaro
Que não dá pra vive
Inquanto o Brasi de cima
Fala de transformação,
Industra, matéra-prima,
Descobertas e invenção,
No Brasi de Baxo isiste
O drama penoso e triste
Da negra necissidade;
É uma coisa sem jeito
E o povo não tem dereito
Nem de dizê a verdade.
No Brasi de Baxo eu vejo
Nas ponta das pobre rua
O descontente cortejo
De criança quage nua.
Vai um grupo de garoto
Faminto, doente e roto
Mode caçá o que comê
O de Cima tem cartaz,
Onde os carro põe o lixo,
Como se eles fosse bicho
Sem direito de vivê.
Estas pequenas pessoa,
Estes fio do abandono,
Que veve vagando à toa
Como objeto sem dono,
De manêra que horroriza,
Deitado pela marquiza,
Dromindo aqui e aculá
No mais penoso relaxo,
É deste Brasi de Baxo
A crasse dos Marginá.
Meu Brasi de Baxo, amigo,
Pra onde é que você vai?
Nesta vida do mendigo
Que não tem mãe nem tem pai?
Não se afrija, nem se afobe,
O que com o tempo sobe,
O tempo mesmo derruba;
Tarvez ainda aconteça
Que o Brasi de Cima desça
E o Brasi de Baxo suba.
[...]
(ASSARÉ, Patativa do. Melhores poemas. Seleção de Cláudio Portella. São Paulo: Global, 2006. p.329-332)
Ao observar a variedade linguística e o nível de linguagem utilizados no poema, é correto caracterizar o eu lírico como
Questão 33 168941
IFRS 2014O que significa orégano
[01] Você eu não sei, mas eu estou preocupadíssimo com ___ revelação de que os americanos têm
[02] monitorado tudo que é dito e escrito no Brasil nos últimos anos. Ouvem nossos telefonemas, leem nossos
[03] e-mails e, provavelmente, examinem o nosso lixo, atrás de indícios da nossa periculosidade. O que me
[04] preocupa é que essa informação, depois de coletada e classificada, é analisada talvez pelas mesmas
[05] pessoas que nunca duvidaram que o Saddam Hussein tivesse armas de destruição em massa e nunca
[06] estranharam que os sequestradores daqueles aviões que derrubaram as torres, no onze de nove, não se
[07] interessassem pelas aulas de aterrissagem nos seus cursos de aviação. Quer dizer, que garantia nós
[08] temos que não se enganarão de novo, e verão ameaças ___ segurança americana nas nossas
[09] comunicações mais inocentes? Um simples telefonema entre namorados (“desliga você”, “não, desliga
[10] você”) pode ser interpretado como parte de um plano para sabotar centrais elétricas. Um pedido para
[11] troca de bujão de gás, uma evidente referência cifrada à explosão da Casa Branca. O fato é que tenho
[12] tentado recapitular todos os meus telefonemas e e-mails nos últimos anos, com medo de que um deles,
[13] mal interpretado, acabe provocando minha aniquilação por um drone.
[14] Ou então me vejo chegando aos Estados Unidos, sendo barrado por um agente da imigração e levado
[15] para uma sala sem janelas, onde sou cercado por outros agentes, provavelmente da CIA, que me pedem
[16] explicações sobre um telefonema, obviamente em código, que fiz antes de viajar. Reconheço minha voz
[17] na gravação
[18] — O que quer dizer “à calabresa”, Mr. Verissimo? — pergunta um dos agentes
[19] Estou confuso. Não consigo pensar. Calabresa, calabresa...
[20] — Alguma referência à máfia? Uma ligação da organização terrorista ___ qual o senhor evidentemente
[21] pertence, como a camorra, visando a um atentado aqui nos Estados Unidos? O senhor veio se encontrar
[22] com ___ máfia americana para acertar os detalhes do complô. É isso, Mr. Verissimo?
[23] — Não, não. Eu...
[24] — Notamos que, mais de uma vez na gravação, o senhor diz “sem orégano, sem orégano”. Deduzimos
[25] que ___ uma divergência dentro do complô entre vocês e a máfia, uns a favor de se usar “orégano” no
[26] atentado, outros contra. O que, exatamente, significa “orégano”?
[27] Finalmente, me dou conta.
[28] — Orégano significa orégano. Eu estava pedindo uma...
[29] — Por favor, não faça pouco da nossa inteligência, Mr. Verissimo. Não gastamos milhões de dólares
[30] para ouvir que orégano significa orégano.
VERISSIMO, Luis Fernando. O que significa orégano. In: O Estado de S. Paulo, 18 jul. 2013.
Assinale a alternativa que NÃO justifica adequadamente o acento gráfico das palavras destacadas:
Questão 3 167904
IFMA 2014A expansão portuguesa
Na expansão portuguesa houve de tudo um pouco: descobrimentos, em absoluto, e não apenas para os europeus, de novas terras, novos mares, novas estrelas; evangelização com mão armada e também com martírio e novos métodos linguísticos; troca de riquezas, de ideias, de técnicas, de animais e de plantas; guerra e paz armada com violência extrema de todas as partes; fome de honra; coragem para além do que pode a força humana; altruísmo, sacrifício; antropofagia no limite e recusa dela; confronto de culturas.
Enquanto a Europa mergulhava em intermináveis guerras de poder, sob bandeiras religiosas, o que fazia correr então os portugueses? A fome de ouro e das riquezas, o cheiro da canela, a fama, o medo com suas correias de obediência, a ânsia de poder, a fé em Deus, essencial para esconjurar os demônios e a morte e para o perdão dos horrorosos pecados, o espírito de aventura, o desejo de ir além, o apelo de desconhecido.
(COELHO, Antônio Borges. Os argonautas e seu velo de ouro (séculos XV-XVI). In: Histórias de Portugal. Bauru: EDUSC; São Paulo: UNESP; Portugal: Instituto Camões, 2000. P. 58-59)
Referindo-se ao texto “A expansão portuguesa”, podemos afirmar que a função da linguagem predominante é:
Questão 46 167691
IFSP 2014Capim-guiné
Plantei um sítio
No sertão de Piritiba
Dois pés de guataiba
Caju, manga e cajá
Tem abacate, jenipapo
E bananeira
Milho verde, macaxeira
Como diz no Ceará
Com muita raça
Fiz tudo aqui sozinho
Nem um pé de passarinho
Veio a terra semeá
Agora veja
Cumpadi, a safadeza
Cumeçô a marvadeza
Todo bicho vem prá cá
Suçuarana só fez perversidade
Pardal foi pra cidade
Piruá minha saqüé
Qüé! Qüé!
Dona raposa
Só vive na mardade
Me faça a caridade
Se vire e dê no pé
Sagüi trepado
No pé da goiabeira
Sariguê na macaxeira
Tem inté tamanduá...
Minhas galinha
Já num fica mais parada
E o galo de madrugada
Tem medo de cantá
(Disponível em: http://letras.mus.br/raul-seixas/90581/. Acesso em 22.10.2013. Adaptado)
Sobre a linguagem utilizada na letra da música, é correto o que se afirma em:
Questão 43 167687
IFSP 2014A jabuticaba só nasce mesmo no Brasil?
Em seu discurso de agradecimento pelo prêmio de Economista do ano em 2003, Pérsio Arida, um dos idealizadores do Plano Real, utilizou um argumento inusitado para justificar a taxa de juros de equilíbrio de 8% ao ano no Brasil. “Certas coisas são iguais à jabuticaba, só ocorrem no Brasil”, explicou ele na época. Rapidamente, jornalistas e intelectuais passaram a citar a frase como parte da chamada “Teoria da Jabuticaba”, com o objetivo de explicar em seus textos o porquê de alguns fenômenos só acontecerem no Brasil.
Se nas Ciências Humanas a tal teoria parece fazer sucesso, do ponto de vista biológico ela está equivocada. Quem garante isso é o pesquisador da APT (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios) Eduardo Suguino que tratou de derrubar alguns mitos sobre a ocorrência do famoso fruto. “A jabuticaba pode até ser nativa do Brasil, mas não ocorre só aqui”, explicou. “Ela já apareceu em países como Argentina e México em sua forma natural”.
Ainda de acordo com Suguino, a jabuticabeira pode ser cultivada em qualquer canto do planeta. Como se trata de uma planta propagada por semente, são necessárias apenas três condições para que ela se desenvolva: água, oxigênio e calor. Mesmo assim, ele faz questão de ponderar sobre a suposta universalidade do tradicional vegetal. “Apesar de possuir essa capacidade de ser cultivada em qualquer lugar, a jabuticabeira pode ser prejudicada por alguns fatores ambientais”, afirma. Depois, o pesquisador ainda forneceu exemplos de casos em que o vegetal pode sofrer danos. “Se levar um exemplar para a Europa durante o inverno, ele dificilmente sobreviverá fora de um vaso ou de ambiente protegido”.
(Disponível em http:// www.blogdoscuriosos.com.br . Acesso em 19.10.2013. Adaptado)
De acordo com o texto, pode-se afirmar que a função da linguagem utilizada predominantemente pelo autor é
Questão 14 165887
IFGO 2014
Disponivel em: http://www.maiszero.com/2011/06/charge-do-facebook.html. Acesso em: 10 nov. 2013.
Na charge:
I. O sentido é construído somente pela linguagem verbal.
II. O aspecto visual sobrepõe-se ao verbal.
III. O sentido é gerado a partir da fala da garotinha e a inferência sugerida pela imagem.
Está(ão) correta(s):
06
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