Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 8 10774215
COLUNI/UFV 1° Dia 2018Nos textos narrativos, o discurso direto, o indireto e o indireto livre configuram-se como estratégias de inserção de diferentes vozes. Leia o excerto:
“Veio andando aflita da cozinha e tropeçou nos brinquedos esparramados pelo chão. A preocupação anterior se transformou em raiva. Que merda! Todos os dias tinha que falar a mesma coisa! Onde as duas haviam se metido? Por que tinham deixado tudo espalhado? Apanhou a boneca negra, a mais bonitinha, a que só faltava um braço, e arrancou o outro, depois a cabeça e as pernas.”
EVARISTO. Conceição. Olhos d’ água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016, p. 75.
Assinale a alternativa que apresenta o mesmo tipo de discurso destacado no fragmento acima.
Questão 2 10774187
COLUNI/UFV 1° Dia 2018Leia o fragmento do rap do cantor Emicida e responda à questão
Boa Esperança
Por mais que você corra irmão
Pra sua guerra vão nem se lixar
Esse é o xis da questão
Já viu eles chorar pela cor do orixá?
E os camburão o que são?
Negreiros a retraficar
Favela ainda é senzala jão
Bomba relógio prestes a estourar
(x2)
Aí
O tempero do mar foi lágrima de preto
Papo reto, como esqueletos, de outro dialeto
Só desafeto, vida de inseto, imundo
Indenização? Fama de vagabundo
Nação sem teto, Angola, keto, congo, soweto
A cor de Eto'o, maioria nos gueto
Monstro sequestro, capta-três, rapta
Violência se adapta, um dia ela volta pu cêis
Tipo campos de concentração, prantos em vão
Quis vida digna, estigma, indignação
O trabalho liberta, ou não
Com essa frase quase que os nazi, varre os judeu? extinção
[...]
Aí
Nessa equação, chata, polícia mata – Plow!
Médico salva? Não! Por que? Cor de ladrão
Desacato invenção, maldosa intenção
Cabulosa inversão, jornal distorção
Meu sangue na mão dos radical cristão
Transcendental questão, não choca opinião
Silêncio e cara no chão, conhece?
Perseguição se esquece? Tanta agressão enlouquece
Vence o Datena, com luto e audiência
Cura baixa escolaridade com auto de resistência
Pois na era cyber, cêis vai ler
Os livro que roubou nosso passado igual alzheimer, e vai ver
Que eu faço igual burkina faso
Nóiz quer ser dono do circo
Cansamos da vida de palhaço
É tipo moisés e os hebreus, pés no breu
Onde o inimigo é quem decide quando ofendeu
(Cê é loco meu)
[...]
(Disponível em: https://www.vagalume.com.br/emicida/boa-esperanca.html. Acesso em: 08 out. 2017. Adaptado.)
Releia este verso do rap Boa Esperança “O tempero do mar foi lágrima de preto”.
Analise a alternativa em que a palavra destacada NÃO tem o mesmo valor semântico que o vocábulo preto no verso acima.
Questão 15 10768620
CTI (UNIFICADO) C. Gerais 2018Leia a charge para responder à questão.

(Emidio. http://lixoanormal.blogspot.com.br, 14.12.2015)
A oração ? Meu filho, um dia tudo isto será seu! ? tem sujeito
Questão 13 10755812
COLTEC 2018Assinale a alternativa cujo trecho está CORRETAMENTE relacionado ao conto de Machado de Assis entre parênteses.
Questão 4 10755790
COLTEC 2018A peça Hamlet, de Shakespeare, narra o assassinato do pai do protagonista por Cláudio, seu tio, que toma o poder e se casa com Gertrurdes, sua mãe. Hamlet, futuro herdeiro do trono, fica em uma dúvida cruel entre matar ou não o tio.
Nessa obra de Shakespeare, citada por Machado de Assis, no conto A cartomante, há uma frase muito conhecida - “Há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia”. Uma outra frase muito conhecida da mesma peça, mas que não está explícita na narrativa machadiana, é “Ser ou não ser, eis a questão”.
Essas duas citações permitem estabelecer uma relação com o conto A cartomante, de Machado de Assis.
Questão 1 10755785
COLTEC 2018Leia o poema para responder as questões.
A um Bruxo, Com Amor
Carlos Drummond de Andrade
Em certa casa da Rua Cosme Velho
(que se abre no vazio)
venho visitar-te; e me recebes
na sala trajestada com simplicidade
onde pensamentos idos e vividos
perdem o amarelo
de novo interrogando o céu e a noite.
Outros leram da vida um capítulo, tu leste o livro inteiro.
Daí esse cansaço nos gestos e, filtrada,
uma luz que não vem de parte alguma
pois todos os castiçais
estão apagados.
Contas a meia voz
maneiras de amar e de compor os ministérios
e deitá-los abaixo, entre malinas
e bruxelas.
Conheces a fundo
a geologia moral dos Lobo Neves
e essa espécie de olhos derramados
que não foram feitos para ciumentos.
E ficas mirando o ratinho meio cadáver
com a polida, minuciosa curiosidade
de quem saboreia por tabela
o prazer de Fortunato, vivisseccionista amador.
Olhas para a guerra, o murro, a facada
como para uma simples quebra da monotonia universal
e tens no rosto antigo
uma expressão a que não acho nome certo
(das sensações do mundo a mais sutil):
volúpia do aborrecimento?
ou, grande lascivo, do nada?
O vento que rola do Silvestre leva o diálogo,
e o mesmo som do relógio, lento, igual e seco,
tal um pigarro que parece vir do tempo da Stoltz e do gabinete Paraná,
mostra que os homens morreram.
A terra está nua deles.
Contudo, em longe recanto,
a ramagem começa a sussurrar alguma coisa
que não se estende logo
aparece a canção das manhãs novas.
Bem a distingo, ronda clara:
É Flora,
com olhos dotados de um mover particular
ente mavioso e pensativo;
Marcela, a rir com expressão cândida (e outra coisa);
Virgília,
cujos olhos dão a sensação singular de luz úmida;
Mariana, que os tem redondos e namorados;
e Sancha, de olhos intimativos;
e os grandes, de Capitu, abertos como a vaga do mar lá fora,
o mar que fala a mesma linguagem
obscura e nova de D. Severina
e das chinelinhas de alcova de Conceição.
A todas decifraste íris e braços
e delas disseste a razão última e refolhada
moça, flor mulher flor
canção de mulher nova...
E ao pé dessa música dissimulas (ou insinuas, quem sabe)
o turvo grunhir dos porcos, troça concentrada e filosófica
entre loucos que riem de ser loucos
e os que vão à Rua da Misericórdia e não a encontram.
O eflúvio da manhã,
quem o pede ao crepúsculo da tarde?
Uma presença, o clarinete,
vai pé ante pé procurar o remédio,
mas haverá remédio para existir
senão existir?
E, para os dias mais ásperos, além
da cocaína moral dos bons livros?
Que crime cometemos além de viver
e porventura o de amar
não se sabe a quem, mas amar?
Todos os cemitérios se parecem,
e não pousas em nenhum deles, mas onde a dúvida
apalpa o mármore da verdade, a descobrir
a fenda necessária;
onde o diabo joga dama com o destino,
estás sempre aí, bruxo alusivo e zombeteiro,
que resolves em mim tantos enigmas.
Um som remoto e brando
rompe em meio a embriões e ruínas,
eternas exéquias e aleluias eternas,
e chega ao despistamento de teu pencenê.
O estribeiro Oblivion
bate à porta e chama ao espetáculo
promovido para divertir o planeta Saturno.
Dás volta à chave,
envolves-te na capa,
e qual novo Ariel, sem mais resposta,
sais pela janela, dissolves-te no ar.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1988.
O poema de Drummond é uma homenagem ao escritor Machado de Assis.
Marque a alternativa que contenha comentário INCORRETO sobre o verso do poema.
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