Questões de EFAF Português - Sintaxe
1.422 Questões
Questão 8364616
EMBRAER EMBRAER 2014 ConhecimentosGerais 2014Leia os quadrinhos.

(Folha de S.Paulo, )
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas nas falas das personagens devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Questão 8364357
ETECSP ETECSP 2014 1 FaseU Gerais 2014Leia o texto de Tatiana Belinki, autora que nasceu na Rússia e viveu até os 10 anos na cidade de Riga, na Letônia, de onde emigrou para o Brasil. Nesse texto, ela relembra sua chegada ao nosso país.
Musa paradisíaca
Hoje, na quitanda, vi duas donas de casa pondo as mãos na cabeça: "Trinta e seis cruzeirospor uma dúzia de bananas! É o fim do mundo, onde já se viu uma coisa dessas!"E a conversa continuava nesse tom. Mas eu fui e paguei prazerosamente o preço de um cacho dourado. Tudo está pela hora da morte, concordo. Mas banana não! Acho que nunca a banana será cara demais para mim, e eu conto por quê.
Para mim, a banana é bem mais que aquela fruta amarela, perfumada, de polpa alva, macia e saborosa, que se apresenta numa abundância nababesca em cachos e pencas. O aspecto, o sabor, o perfume da banana está indissoluvelmente associados com minha infância longínqua na terra nórdica de onde eu vim, nas praias do Mar Báltico.
Naquele tempo, naquele lugar, uma banana era uma novidade e uma raridade. Numa certa época do ano, ela aparecia na cidade, em algumas casas muito finas, solitária e formosa, exposta na vitrina. Solitária, sim - uma de cada vez. E uma banana custava uma quantia fabulosa, porque meu pai comprava mesmo uma só, e a trazia para casa onde ela era admirada e namorada durante horas, para depois ser solenemente descascada e repartida em partes milimetricamente iguais entre nós crianças, que a saboreávamos lentamente, conservando o bocadinho de polpa suave na boca o mais possível, com pena de engoli-lo.
Imaginem, pois, o meu espanto maravilhado ao desembarcar do navio no porto de Santos e dar de cara com todo um carregamento de bananas, cachos e mais cachos enormes, num exagero de abundância que só em contos de fadas!
Naquele dia, me empachei de bananas até quase estourar. Foi aos dez anos de idade, a minha primeira grande impressão gastronômica do Trópico de Capricórnio - e nunca mais me refiz dela. Até hoje sou fiel ao meu primeiro amor brasileiro - a banana.
Se eu fosse poeta, como Pablo Neruda, por exemplo, que escreveu Ode à cebola, eu escreveria uma Ode à banana.
E não estou sozinha neste meu entusiasmo pela mais brasileira das frutas, porque se eu não tivesse razão, os cientistas, que não são as pessoas mais sentimentais do mundo, não a teriam batizado com o nome poético de Musa paradisíaca.
(BELINKI, Tatiana. Olhos de ver. São Paulo: Moderna, 1996. Adaptado)
cruzeiro: moeda utilizada no Brasil à época em que a crônica foi escrita
ode: poema de exaltação, de elogio
Leia as frases reescritas a partir do texto e assinale a alternativa em que o verbo em destaque está corretamente empregado de acordo com a gramática normativa.Questão 8364105
EFOMM EFOMM 2014 1 FaseU PORING 2014Um cinturão
Graciliano Ramos
As minhas primeiras relações com a justiça foram dolorosas e deixaram-me funda impressão. Eu devia ter quatro ou cinco anos, por aí, e figurei na qualidade de réu. Certamente já me haviam feito representar esse papel, mas ninguém me dera a entender que se tratava de julgamento. Batiam-me porque podiam bater-me, e isto era natural.
Os golpes que recebi antes do caso do cinturão, puramente físicos, desapareciam quando findava a dor. Certa vez minha mãe surrou-me com uma corda nodosa que me pintou as costas de manchas sangrentas. Moído, virando a cabeça com dificuldade, eu distinguia nas costelas grandes lanhos vermelhos. Deitaram-me, enrolaram-me em panos molhados com água de sal - e houve uma discussão na família. Minha avó, que nos visitava, condenou o procedimento da filha e esta afligiu-se. Irritada, ferira-me à toa, sem querer. Não guardei ódio a minha mãe: o culpado era o nó. Se não fosse ele, a flagelação me haveria causado menor estrago. E estaria esquecida. A história do cinturão, que veio pouco depois, avivou-a.
Meu pai dormia na rede, armada na sala enorme. Tudo é nebuloso. Paredes extraordinariamente afastadas, rede infinita, os armadores longe, e meu pai acordando, levantando-se de mau humor, batendo com os chinelos no chão, a cara enferrujada.
Naturalmente não me lembro da ferrugem, das rugas, da voz áspera, do tempo que ele consumiu rosnando uma exigência. Sei que estava bastante zangado, e isto me trouxe a covardia habitual. Desejei vê-lo dirigir-se a minha mãe e a José Baía, pessoas grandes, que não levavam pancada. Tentei ansiosamente fixar-me nessa esperança frágil. A força de meu pai encontraria resistência e gastar-se-ia em palavras.
Débil e ignorante, incapaz de conversa ou defesa, fui encolher-me num canto, para lá dos caixões verdes. Se o pavor não me segurasse, tentaria escapulir-me: pela porta da frente chegaria ao açude, pela do corredor acharia o pé de turco. Devo ter pensado nisso, imóvel, atrás dos caixões. Só queria que minha mãe, sinhá Leopoldina, Amaro e José Baía surgissem de repente, me livrassem daquele perigo.
Ninguém veio, meu pai me descobriu acocorado e sem fôlego, colado ao muro, e arrancou-me dali violentamente, reclamando um cinturão. Onde estava o cinturão? Eu não sabia, mas era difícil explicar-me: atrapalhava-me, gaguejava, embrutecido, sem atinar com o motivo da raiva. Os modos brutais, coléricos, atavam-me; os sons duros morriam, desprovidos de significação.
Não consigo reproduzir toda a cena. Juntando vagas lembranças dela a fatos que se deram depois, imagino os berros de meu pai, a zanga terrível, a minha tremura infeliz. Provavelmente fui sacudido. O assombro gelava-me o sangue, escancarava-me os olhos.
Onde estava o cinturão? Impossível responder. Ainda que tivesse escondido o infame objeto, emudeceria, tão apavorado me achava. Situações deste gênero constituíram as maiores torturas da minha infância, e as consequências delas me acompanharam.
O homem não me perguntava se eu tinha guardado a miserável correia: ordenava que a entregasse imediatamente. Os seus gritos me entravam na cabeça, nunca ninguém se esgoelou de semelhante maneira.
Onde estava o cinturão? Hoje não posso ouvir uma pessoa falar alto. O coração bate-me forte, desanima, como se fosse parar, a voz emperra, a vista escurece, uma cólera doida agita coisas adormecidas cá dentro. A horrível sensação 80 de que me furam os tímpanos com pontas de ferro.
Onde estava o cinturão? A pergunta repisada ficou-me na lembrança: parece que foi pregada a martelo.
A fúria louca ia aumentar, causar-me sério desgosto. Conservar-me-ia ali desmaiado, encolhido, movendo os dedos frios, os beiços trêmulos e silenciosos. Se o moleque José ou um cachorro entrasse na sala, talvez as pancadas se transferissem. O moleque e os cachorros eram inocentes, mas não se tratava disto. Responsabilizando qualquer deles, meu pai me esqueceria, deixar-me-ia fugir, esconder-me na beira do açude ou no quintal. Minha mãe, José Baía, Amaro, sinhá Leopoldina, o moleque e os cachorros da fazenda abandonaram-me. Aperto na garganta, a casa a girar, o meu corpo a cair lento, voando, abelhas de todos os cortiços enchendo-me os ouvidos - e, nesse zunzum, a pergunta medonha. Náusea, sono. Onde estava o cinturão? Dormir muito, atrás de caixões, livre do martírio.
Havia uma neblina, e não percebi direito os movimentos de meu pai. Não o vi aproximar-se do torno e pegar o chicote. A mão cabeluda prendeu-me, arrastou-me para o meio da sala, afolha de couro fustigou-me as costas. Uivos, alarido inútil, estertor. Já então eu devia saber que gogos e adulações exasperavam o algoz. Nenhum socorro. José Baía, meu amigo, era um pobre-diabo.
Achava-me num deserto. A casa escura, triste; as pessoas tristes. Penso com horror nesse ermo, recordo-me de cemitérios e de ruínas mal-assombradas. Cerravam-se as portas e as janelas, do teto negro pendiam teias de aranha. Nos quartos lúgubres minha irmãzinha engatinhava, começava a aprendizagem dolorosa.
Junto de mim, um homem furioso, segurando-me um braço, açoitando-me. Talvez as vergastadas não fossem muito fortes: comparadas ao que senti depois, quando me ensinaram a carta de A B C, valiam pouco. Certamente o meu choro, os saltos, as tentativas para rodopiar na sala como carrapeta eram menos um sinal de dor que a explosão do medo reprimido. Estivera sem bulir,quase sem respirar. Agora esvaziava os pulmões, movia-me num desespero.
O suplício durou bastante, mas, por muito prolongado que tenha sido, não igualava a mortificação da fase preparatória: o olho duro a magnetizar-me, os gestos ameaçadores, a voz rouca a mastigar uma interrogação incompreensível.
Solto, fui enroscar-me perto dos caixões, coçar as pisaduras, engolir soluços, gemer 135 baixinho e embalar-me com os gemidos. Antes de adormecer, cansado, vi meu pai dirigir-se à rede, afastar as varandas, sentar-se e logo se levantar, agarrando uma tira de sola, o maldito cinturão, a que desprendera a fivela quando se deitara. Resmungou e entrou a passear agitado. Tive a impressão de que ia falar-me: baixou a cabeça, a cara enrugada serenou, os olhos esmoreceram, procuraram o refugio onde me abatia, aniquilado.
Pareceu-me que a figura imponente minguava - e a minha desgraça diminuiu. Se meu pai se tivesse chegado a mim, eu o teria recebido sem o arrepio que a presença dele sempre me deu. Não se aproximou: conservou-se longe, rondando, inquieto. Depois se afastou.
Sozinho, vi-o de novo cruel e forte, soprando, espumando. E ali permaneci, miúdo, insignificante, tão insignificante e miúdo como as aranhas que trabalhavam na telha negra.
Foi esse o primeiro contato que tive com a justiça.
Nas opções que se seguem as formas verbais sublinhadas são locuções verbais, exceto:OBS.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo Ortográfico.
Questão 9 421534
IFSudesteMinas 2014A questão seguinte é baseada em excertos do texto, mas não é questão de interpretação. Sua resolução, porém, deve ser feita considerando os fragmentos no contexto do texto.
Assinale a alternativa em que o termo destacado NÃO pode ser substituído pela palavra ou expressão indicada entre parênteses:
Questão 6 170290
CEFET MG 2014“Sarah conta que ficou envergonhada, pois, depois de um certo tempo, já não gostava mais do texto e não o achava digno de um escritor do talento de Luis Fernando Verissimo.”
Considerando-se a relação sintático-semântica entre os termos desse período, é Correto afirmar que
Questão 14 169754
IFMT 2014/1TEXTO 4
FÁBULAS NADA FABULOSAS
Josué Marcilio
Bom cabrito é o que mais berra onde canta o sabiá.
A raposa chegou junto à videira. Uma cerca alta de arame farpado impedia o acesso. As uvas estavam altas e
imaturas. A raposa deu três ou quatro pulos, não alcançou. Então ela se lembrou de que era carnívora. “Estão
verdes”, disse desdenhosamente, quando lhe caiu uma jabuticaba no focinho. Ela pensou: E se fosse uma
[5] melancia? Ficou num alumbramento, então atingiu a iluminação.
A cigarra trabalhou o verão inteiro. A formiga, só na gandaia. A cigarra, só na batalha. A formiga foi pro motel
com mil machos, curtiu incríveis bacanais. A cigarra buscou a quintessência do som paschoal-hermético, foi ao
Xingu ouvir a música dos xavantes, aprendeu a tocar cítara. Chegou o Inverno, a formiga se mandou pro
[10] formigueiro. A cigarra foi organizar seu show. A formiga se cansou da monotonia do formigueiro, tanto mais que
naquele país não havia inverno, e foi procurar a cigarra. Não sabia tocar nada, não podia sentir cheiro de
açúcar que saía correndo e largava tudo. A cigarra, com uma paciência de gênio, ia aguentando tudo. No dia da
estreia, uma frente fria do sul, os cuiabanos ficaram todos encorujados em casa. Na noite, só o silêncio,
quebrado por uma ou outra muriçoca, seu violino desafinado.
[15] A formiga queria atravessar o lago. O elefante, depois de muita insistência dela, concordou em levá-la no
lombo. Apanhou a formiga com a tromba e botou nas costas, arriando as pernas sob o peso. No meio da
travessia, ela se lembrou de que estava sem calcinha e cravou o ferrão no elefante. “Mas você não prometeu
que desta vez ia se controlar?”, protestou o elefante. “É que eu quero afogar o ganso”, disse a formiga, e tome
ferroada. O elefante começou a despertar seu lado masoquista, então disse: “Judia de mim, judia, se eu não
[20] sou merecedor desse amor...”.
À beira dum riacho, lobo e cordeiro. O primeiro, feroz, procurando pretexto, e os dois bebendo água. “Vê se não
suja a água que eu tou bebendo, ô guri.” “Tou sujando não, tio, a água corre daí pra cá.” “Tio é a vó. Foi você
que me insultou mês passado, não foi?” “Nasci há quinze dias.” “Se não foi você, foi seu irmão.” O lobo olhava
míope, não distinguia entre o cordeiro e o reflexo. Ventava. “Precisa tremer não, meu filho”, de repente ficou
[25] paternal. “Não tou tremendo. Por que não usa óculos? Esta fábula já perdeu o suspense, foi repetida mais de
mil vezes para todas as crianças do planeta, perdi o medo e o suspense. Acaba logo com essa lengalenga.” “Tá
bem. Você não tem irmãos, né?” “Não, mas se quiser posso citar Cervantes, Platão e Nietzsche.” Não foi
preciso.
Toda vez que o rato da cidade ia visitar o primo do campo ficava bestificado. O campo não era mais aquele.
[30] Máquinas cada vez mais sofisticadas, aditivos e defensivos cada vez mais ofensivos. Tecnologia e química
davam nova cor à roça. Quando o rato caipira ia à cidade, só via desolação e queixas. O barraco onde o primo
urbano morava não tinha nada, a comida cada vez mais minguada na panela. Mas o mundo é pequeno e as
coisas mudam. O rato da cidade comprou um aparelho de som barulhento, e quando o primo do campo vinha
fazer-lhe visita, nunca mais pôde dormir tranquilo: às cinco da manhã começava a choradeira abominável. Foi
[35] assim que o rato da roça veio a conhecer as drupa caipira.
O corvo estava com um beço pedalo de quico no beijo, ou seja, um belo pedaço de queijo no bico. A raposa
ainda estava com dor de barriga porque comera muita uva verde, com casca, semente e tudo, mas não podia
perder a ocasião. E começou a elogiar o corvo. Que ele tinha as asas mais pretas que as asas da graúna –
original, hein? Que ele tinha o rabo mais bonito que o do pavão. O corvo não se conteve. Quando ouviu tão
[40] babosos elogios, segurou o pedaço de quico, não, pedico de quaço, ah sei lá, com um dos pés, e disse: “Toda
essa demagogia só por causa de um mísero pedeijo de caço? Pode ficar com ele, eu não gosto”. E jogou o
queijo aos pés da raposa. Nisso, ia passando o rato do campo, de volta da visita ao seu primo da cidade; mais
que ligeiro, apanhou o queijo e fugiu. A raposa ficou vendo navios. Navios e estrelas.
Quem nunca comeu melado dá bom dia pra cachorro.
(Adaptado de: MARCILIO, Josué. Fábulas nada fabulosas. In: _____. Fábulas nada fabulosas. Cuiabá: Edição do Autor, 1999. p. 39- 41).
Em “[...] não podia sentir cheiro de açúcar que saía correndo e largava tudo” (linhas 11-12), o vocábulo sublinhado exerce a função sintática de:
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