Questões de EFAF Português
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Questão 8387918
AUTORAIS POR 9AF 008 ENU006 2019A RUA
Eu amo a rua. Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim se não julgasse, e razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos vós. Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; nas cidades, nas aldeias, nos povoados, não porque soframos, com a dor e os desprazeres, a lei e a polícia, mas porque nos une, nivela e agremia o amor da rua. É este mesmo o sentimento imperturbável e indissolúvel, o único que, como a própria vida, resiste às idades e às épocas. Tudo se transforma, tudo varia - o amor, o ódio, o egoísmo. Hoje é mais amargo o riso, mais dolorosa a ironia. Os séculos passam, deslizam, levando as coisas fúteis e os acontecimentos notáveis. Só persiste e fica, legado das gerações cada vez maior, o amor da rua (...)
Pode-se interpretar o “amor da rua” a que o cronista faz referência no texto como:RIO, João do. A rua. In: A alma encantadora das ruas: crônicas. Organização Raúl Antelo São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 28.
Questão 8387916
AUTORAIS POR 9AF 008 ENU006 2019A RUA
Eu amo a rua. Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim se não julgasse, e razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos vós. Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; nas cidades, nas aldeias, nos povoados, não porque soframos, com a dor e os desprazeres, a lei e a polícia, mas porque nos une, nivela e agremia o amor da rua. É este mesmo o sentimento imperturbável e indissolúvel, o único que, como a própria vida, resiste às idades e às épocas. Tudo se transforma, tudo varia - o amor, o ódio, o egoísmo. Hoje é mais amargo o riso, mais dolorosa a ironia. Os séculos passam, deslizam, levando as coisas fúteis e os acontecimentos notáveis. Só persiste e fica, legado das gerações cada vez maior, o amor da rua (...)
“Tudo se transforma, tudo varia – o amor, o ódio, o egoísmo”. No trecho citado, o termo "tudo" tem função coesiva, ou seja, auxilia no encadeamento de ideias. Na ligação que estabelece com os termos amor, ódio e egoísmo, o termo tudo sugere:RIO, João do. A rua. In: A alma encantadora das ruas: crônicas. Organização Raúl Antelo São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 28.
Questão 8387914
AUTORAIS POR 9AF 008 ENU006 2019
A CRISE DA ESCRITA
Por Antônio Fidalgo
Fala-se frequentemente em crise da leitura. Professores queixam-se de que os alunos não leem, livrarias encerram e bibliotecas tornam-se centros de convívio. A tiragem numa edição de livros é cada vez menor e a taxa de leitura de jornais diminui continuamente. A razão da crise reside sem dúvida no surgimento dos meios áudio e vídeo, rádio, televisão e telefone. Muito simplesmente as pessoas não leem porque preferem ver televisão ou porque preferem um filme a um livro.
Fala-se da crise da leitura, mas essa é acompanhada da crise da escrita. Antigamente as pessoas eram obrigadas a escrever de vez em quando, ao menos uma carta. Isso era, porém, quando não havia telefones ou as chamadas eram muito caras. Hoje a comunicação tornou-se instantânea e a bem dizer ubíqua com os telemóveis, liquidando a comunicação postal. É verdade que o correio eletrônico e os serviços de mensagens instantâneas pela Internet promoveram na última década a escrita, mas os avanços nesta área, permitindo serviços gratuitos de voz e transmissão de vídeo, estão por sua vez a diminuir o uso da escrita.
Não obstante a taxa de analfabetismo ter descido extraordinariamente nas últimas décadas, e o nível de educação ter aumentado significativamente, continua a verificar-se uma pobreza tremenda quanto à capacidade de escrita. Pegar no telefone e fazer uma chamada é algo que qualquer pessoa faz com a maior naturalidade e sem esforço, mas redigir um pequeno texto, por mais curto que seja, é uma dificuldade que a maior parte rejeita.
Podemos imaginar uma sociedade em que desapareça a comunicação escrita, em que toda a comunicação seja feita oral e visualmente, por telefones e videofones, e em que as mensagens sejam gravadas, ouvidas ou vistas a qualquer altura. Mas o que convém lembrar é que a escrita é a forma disciplinada do pensar. O que torna a escrita difícil não é o desenhar as letras, é o ordenar as palavras, é seguir a estrutura lógico-gramatical que a escrita impõe. É verdade que a língua é oral e que é a língua, não a sua escrita, a exigir essa estrutura. Mas as infrações que passam despercebidas ou que se desculpam na oralidade tornam-se patentes e insuportáveis na escrita. Há quem fale, e até quem o faça publicamente na pele de político ou de personalidade, e não construa uma frase bem feita. Mas isso seria inaceitável na escrita.
A crise da escrita, a dificuldade de escrever um texto sentida pela maior parte das pessoas, incluindo os universitários, é sintoma de uma crise do pensamento, do pensamento ordenado.
(URBI ET ORBI – Jornal Online da UBI – Universidade da Beira Interior, , Covilhã, Portugal. 9 de julho de 2015. Disponível em: http://www.urbi.ubi.pt/060110/editorial.html)
Encontramos algumas palavras que expressam um envolvimento do autor com o tema tratado e indicam seu ponto de vista. Marque a opção cuja expressão sublinhada demonstra, ao invés disso, distanciamento ou isenção por parte do autor.
A CRISE DA ESCRITA
Por Antônio Fidalgo
Fala-se frequentemente em crise da leitura. Professores queixam-se de que os alunos não leem, livrarias encerram e bibliotecas tornam-se centros de convívio. A tiragem numa edição de livros é cada vez menor e a taxa de leitura de jornais diminui continuamente. A razão da crise reside sem dúvida no surgimento dos meios áudio e vídeo, rádio, televisão e telefone. Muito simplesmente as pessoas não leem porque preferem ver televisão ou porque preferem um filme a um livro.
Fala-se da crise da leitura, mas essa é acompanhada da crise da escrita. Antigamente as pessoas eram obrigadas a escrever de vez em quando, ao menos uma carta. Isso era, porém, quando não havia telefones ou as chamadas eram muito caras. Hoje a comunicação tornou-se instantânea e a bem dizer ubíqua com os telemóveis, liquidando a comunicação postal. É verdade que o correio eletrônico e os serviços de mensagens instantâneas pela Internet promoveram na última década a escrita, mas os avanços nesta área, permitindo serviços gratuitos de voz e transmissão de vídeo, estão por sua vez a diminuir o uso da escrita.
Não obstante a taxa de analfabetismo ter descido extraordinariamente nas últimas décadas, e o nível de educação ter aumentado significativamente, continua a verificar-se uma pobreza tremenda quanto à capacidade de escrita. Pegar no telefone e fazer uma chamada é algo que qualquer pessoa faz com a maior naturalidade e sem esforço, mas redigir um pequeno texto, por mais curto que seja, é uma dificuldade que a maior parte rejeita.
Podemos imaginar uma sociedade em que desapareça a comunicação escrita, em que toda a comunicação seja feita oral e visualmente, por telefones e videofones, e em que as mensagens sejam gravadas, ouvidas ou vistas a qualquer altura. Mas o que convém lembrar é que a escrita é a forma disciplinada do pensar. O que torna a escrita difícil não é o desenhar as letras, é o ordenar as palavras, é seguir a estrutura lógico-gramatical que a escrita impõe. É verdade que a língua é oral e que é a língua, não a sua escrita, a exigir essa estrutura. Mas as infrações que passam despercebidas ou que se desculpam na oralidade tornam-se patentes e insuportáveis na escrita. Há quem fale, e até quem o faça publicamente na pele de político ou de personalidade, e não construa uma frase bem feita. Mas isso seria inaceitável na escrita.
A crise da escrita, a dificuldade de escrever um texto sentida pela maior parte das pessoas, incluindo os universitários, é sintoma de uma crise do pensamento, do pensamento ordenado.
(URBI ET ORBI – Jornal Online da UBI – Universidade da Beira Interior, , Covilhã, Portugal. 9 de julho de 2015. Disponível em: http://www.urbi.ubi.pt/060110/editorial.html)
Questão 8387913
AUTORAIS POR 9AF 008 ENU006 2019
A CRISE DA ESCRITA
Por Antônio Fidalgo
Fala-se frequentemente em crise da leitura. Professores queixam-se de que os alunos não leem, livrarias encerram e bibliotecas tornam-se centros de convívio. A tiragem numa edição de livros é cada vez menor e a taxa de leitura de jornais diminui continuamente. A razão da crise reside sem dúvida no surgimento dos meios áudio e vídeo, rádio, televisão e telefone. Muito simplesmente as pessoas não leem porque preferem ver televisão ou porque preferem um filme a um livro.
Fala-se da crise da leitura, mas essa é acompanhada da crise da escrita. Antigamente as pessoas eram obrigadas a escrever de vez em quando, ao menos uma carta. Isso era, porém, quando não havia telefones ou as chamadas eram muito caras. Hoje a comunicação tornou-se instantânea e a bem dizer ubíqua com os telemóveis, liquidando a comunicação postal. É verdade que o correio eletrônico e os serviços de mensagens instantâneas pela Internet promoveram na última década a escrita, mas os avanços nesta área, permitindo serviços gratuitos de voz e transmissão de vídeo, estão por sua vez a diminuir o uso da escrita.
Não obstante a taxa de analfabetismo ter descido extraordinariamente nas últimas décadas, e o nível de educação ter aumentado significativamente, continua a verificar-se uma pobreza tremenda quanto à capacidade de escrita. Pegar no telefone e fazer uma chamada é algo que qualquer pessoa faz com a maior naturalidade e sem esforço, mas redigir um pequeno texto, por mais curto que seja, é uma dificuldade que a maior parte rejeita.
Podemos imaginar uma sociedade em que desapareça a comunicação escrita, em que toda a comunicação seja feita oral e visualmente, por telefones e videofones, e em que as mensagens sejam gravadas, ouvidas ou vistas a qualquer altura. Mas o que convém lembrar é que a escrita é a forma disciplinada do pensar. O que torna a escrita difícil não é o desenhar as letras, é o ordenar as palavras, é seguir a estrutura lógico-gramatical que a escrita impõe. É verdade que a língua é oral e que é a língua, não a sua escrita, a exigir essa estrutura. Mas as infrações que passam despercebidas ou que se desculpam na oralidade tornam-se patentes e insuportáveis na escrita. Há quem fale, e até quem o faça publicamente na pele de político ou de personalidade, e não construa uma frase bem feita. Mas isso seria inaceitável na escrita.
A crise da escrita, a dificuldade de escrever um texto sentida pela maior parte das pessoas, incluindo os universitários, é sintoma de uma crise do pensamento, do pensamento ordenado.
(URBI ET ORBI – Jornal Online da UBI – Universidade da Beira Interior, , Covilhã, Portugal. 9 de julho de 2015. Disponível em: http://www.urbi.ubi.pt/060110/editorial.html)
Observe o seguinte fragmento do texto: “Hoje a comunicação tornou-se instantânea e a bem dizer ubíqua com os telemóveis, liquidando a comunicação postal.” Com base no contexto, poderíamos substituir “ubíqua”, sem prejuízo de significado, pela palavra:
A CRISE DA ESCRITA
Por Antônio Fidalgo
Fala-se frequentemente em crise da leitura. Professores queixam-se de que os alunos não leem, livrarias encerram e bibliotecas tornam-se centros de convívio. A tiragem numa edição de livros é cada vez menor e a taxa de leitura de jornais diminui continuamente. A razão da crise reside sem dúvida no surgimento dos meios áudio e vídeo, rádio, televisão e telefone. Muito simplesmente as pessoas não leem porque preferem ver televisão ou porque preferem um filme a um livro.
Fala-se da crise da leitura, mas essa é acompanhada da crise da escrita. Antigamente as pessoas eram obrigadas a escrever de vez em quando, ao menos uma carta. Isso era, porém, quando não havia telefones ou as chamadas eram muito caras. Hoje a comunicação tornou-se instantânea e a bem dizer ubíqua com os telemóveis, liquidando a comunicação postal. É verdade que o correio eletrônico e os serviços de mensagens instantâneas pela Internet promoveram na última década a escrita, mas os avanços nesta área, permitindo serviços gratuitos de voz e transmissão de vídeo, estão por sua vez a diminuir o uso da escrita.
Não obstante a taxa de analfabetismo ter descido extraordinariamente nas últimas décadas, e o nível de educação ter aumentado significativamente, continua a verificar-se uma pobreza tremenda quanto à capacidade de escrita. Pegar no telefone e fazer uma chamada é algo que qualquer pessoa faz com a maior naturalidade e sem esforço, mas redigir um pequeno texto, por mais curto que seja, é uma dificuldade que a maior parte rejeita.
Podemos imaginar uma sociedade em que desapareça a comunicação escrita, em que toda a comunicação seja feita oral e visualmente, por telefones e videofones, e em que as mensagens sejam gravadas, ouvidas ou vistas a qualquer altura. Mas o que convém lembrar é que a escrita é a forma disciplinada do pensar. O que torna a escrita difícil não é o desenhar as letras, é o ordenar as palavras, é seguir a estrutura lógico-gramatical que a escrita impõe. É verdade que a língua é oral e que é a língua, não a sua escrita, a exigir essa estrutura. Mas as infrações que passam despercebidas ou que se desculpam na oralidade tornam-se patentes e insuportáveis na escrita. Há quem fale, e até quem o faça publicamente na pele de político ou de personalidade, e não construa uma frase bem feita. Mas isso seria inaceitável na escrita.
A crise da escrita, a dificuldade de escrever um texto sentida pela maior parte das pessoas, incluindo os universitários, é sintoma de uma crise do pensamento, do pensamento ordenado.
(URBI ET ORBI – Jornal Online da UBI – Universidade da Beira Interior, , Covilhã, Portugal. 9 de julho de 2015. Disponível em: http://www.urbi.ubi.pt/060110/editorial.html)
Questão 8387911
AUTORAIS POR 9AF 008 ENU006 2019Cidade Partida
Cidade Negra
Na cidade todo mundo fala
A violência é uma roleta russa
Não escolhe a vítima
Em toda parte é igual
Na hora errada, em qualquer lugar
O mundo é um quintal
Sou artista, sou pobre, sou negro, sou pai
Sou patrão, operário, criança
sou vítima da cidade partida
Eu não vou ficar a esperar a minha vez
Eu quero andar pelas ruas livre
Tenho direito à justiça, liberdade, proteção
Não quero mais, amor
Viver exilado, sem consciência
Meu coração é de paz
Mas não aguenta mais violência
Basta, minha palavra diz basta
Meu corpo inteiro diz não
Não há lugar para mais violência
Basta, quanto silêncio, esse frio
O sangue mancha a encosta verde do Rio
As cidades tratam de suas misérias
Como quem trata uma praga
Que não para de crescer
Enquanto os ricos
Não olharem para ela
Será sempre uma panela
Que a pressão faz explodir
Disponível em: www.letras.mus.br/cidade-negra/518633/.
Vocabulário
roleta russa: jogo perigoso com uso de armar de fogo
exilado: expulso de sua pátria
Ao relacionar o título do texto “Cidade partida” e os seus quatro últimos versos, pode-se inferir que:Questão 8387910
AUTORAIS POR 9AF 008 ENU006 2019Cidade Partida
Cidade Negra
Na cidade todo mundo fala
A violência é uma roleta russa
Não escolhe a vítima
Em toda parte é igual
Na hora errada, em qualquer lugar
O mundo é um quintal
Sou artista, sou pobre, sou negro, sou pai
Sou patrão, operário, criança
sou vítima da cidade partida
Eu não vou ficar a esperar a minha vez
Eu quero andar pelas ruas livre
Tenho direito à justiça, liberdade, proteção
Não quero mais, amor
Viver exilado, sem consciência
Meu coração é de paz
Mas não aguenta mais violência
Basta, minha palavra diz basta
Meu corpo inteiro diz não
Não há lugar para mais violência
Basta, quanto silêncio, esse frio
O sangue mancha a encosta verde do Rio
As cidades tratam de suas misérias
Como quem trata uma praga
Que não para de crescer
Enquanto os ricos
Não olharem para ela
Será sempre uma panela
Que a pressão faz explodir
Disponível em: www.letras.mus.br/cidade-negra/518633/.
Vocabulário
roleta russa: jogo perigoso com uso de armar de fogo
exilado: expulso de sua pátria
Nos versos “As cidades tratam de suas misérias / como quem trata uma praga / que não para de crescer”, o termo “praga” é utilizado para problematizar a vida urbana. Esse uso sugere que os problemas da cidade são como:06
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