Questões de EFAF Português
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Questão 5 10739404
IFF 2023/2TEXTO I
O Rei dos Animais
Saiu o leão a fazer sua pesquisa estatística, para verificar se ainda era o Rei das Selvas. Os tempos tinham mudado muito, as condições do progresso alterado a psicologia e os métodos de combate das feras, as relações de respeito entre os animais já não eram as mesmas, de modo que seria bom indagar. Não que restasse ao Leão qualquer dúvida quanto à sua realeza. Mas assegurar-se é uma das constantes do espírito humano, e, por extensão, do espírito animal. Ouvir da boca dos outros a consagração do nosso valor, saber o sabido, quando ele nos é favorável, eis um prazer dos deuses. Assim o Leão encontrou o Macaco e perguntou: "Hei, você aí, macaco — quem é o rei dos animais?" O Macaco, surpreendido pelo rugir indagatório, deu um salto de pavor e, quando respondeu, já estava no mais alto galho da mais alta árvore da floresta: "Claro que é você, Leão, claro que é você!".
Satisfeito, o Leão continuou pela floresta e perguntou ao papagaio: "Currupaco, papagaio. Quem é, segundo seu conceito, o Senhor da Floresta, não é o Leão?" E como aos papagaios não é dado o dom de improvisar, mas apenas o de repetir, lá repetiu o papagaio: "Currupaco... não é o Leão? Não é o Leão? Currupaco, não é o Leão?"
Cheio de si, prosseguiu o Leão pela floresta em busca de novas afirmações de sua personalidade. Encontrou a coruja e perguntou: "Coruja, não sou eu o maioral da mata?" "Sim, és tu", disse a coruja. Mas disse de sábia, não de crente. E lá se foi o Leão, mais firme no passo, mais alto de cabeça. Encontrou o tigre. "Tigre, — disse em voz de estentor — eu sou o rei da floresta. Certo?" O tigre rugiu, hesitou, tentou não responder, mas sentiu o barulho do olhar do Leão fixo em si, e disse, rugindo contrafeito: "Sim". E rugiu ainda mais malhumorado e já arrependido, quando o leão se afastou.
Três quilômetros adiante, numa grande clareira, o Leão encontrou o elefante. Perguntou: "Elefante, quem manda na floresta, quem é Rei, Imperador, Presidente da República, dono e senhor de árvores e de seres, dentro da mata?" O elefante pegou-o pela tromba, deu três voltas com ele pelo ar, atirou-o contra o tronco de uma árvore e desapareceu floresta adentro. O Leão caiu no chão, tonto e ensanguentado, levantou-se lambendo uma das patas, e murmurou: "Que diabo, só porque não sabia a resposta não era preciso ficar tão zangado".
MORAL: CADA UM TIRA DOS ACONTECIMENTOS A CONCLUSÃO QUE BEM ENTENDE.
FERNANDES, Millôr. Fábulas fabulosas. São Paulo: Círculo do Livro/Nórdica, 1976.
TEXTO II
O Leão
Leão! Leão! Leão!
Rugindo como o trovão
Deu um pulo, e era uma vez
Um cabritinho montês.
Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!
Tua goela é uma fornalha
Teu salto, uma labareda
Tua garra, uma navalha
Cortando a presa na queda.
Leão longe, leão perto
Nas areias do deserto.
Leão alto, sobranceiro
Junto do despenhadeiro.
Leão na caça diurna
Saindo a correr da furna.
Leão! Leão! Leão!
Foi Deus que te fez ou não?
O salto do tigre é rápido
Como o raio; mas não há
Tigre no mundo que escape
Do salto que o Leão dá.
Não conheço quem defronte
O feroz rinoceronte.
Pois bem se ele vê o Leão
Foge como um furacão.
Leão se esgueirando, à espera
Da passagem de outra fera...
Vem o tigre; como um dardo
Cai-lhe em cima o leopardo
E enquanto brigam, tranquilo
O leão fica olhando aquilo.
Quando se cansam, o leão
Mata um com cada mão.
Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!
MORAES, Vinícius. A arca de Noé: poemas infantis. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.
O Texto I apresenta a visão do leão como um animal poderoso.
O Texto II, por sua vez, reforça essa visão, como pode ser evidenciado no verso
Questão 4 10739403
IFF 2023/2O Rei dos Animais
Saiu o leão a fazer sua pesquisa estatística, para verificar se ainda era o Rei das Selvas. Os tempos tinham mudado muito, as condições do progresso alterado a psicologia e os métodos de combate das feras, as relações de respeito entre os animais já não eram as mesmas, de modo que seria bom indagar. Não que restasse ao Leão qualquer dúvida quanto à sua realeza. Mas assegurar-se é uma das constantes do espírito humano, e, por extensão, do espírito animal. Ouvir da boca dos outros a consagração do nosso valor, saber o sabido, quando ele nos é favorável, eis um prazer dos deuses. Assim o Leão encontrou o Macaco e perguntou: "Hei, você aí, macaco — quem é o rei dos animais?" O Macaco, surpreendido pelo rugir indagatório, deu um salto de pavor e, quando respondeu, já estava no mais alto galho da mais alta árvore da floresta: "Claro que é você, Leão, claro que é você!".
Satisfeito, o Leão continuou pela floresta e perguntou ao papagaio: "Currupaco, papagaio. Quem é, segundo seu conceito, o Senhor da Floresta, não é o Leão?" E como aos papagaios não é dado o dom de improvisar, mas apenas o de repetir, lá repetiu o papagaio: "Currupaco... não é o Leão? Não é o Leão? Currupaco, não é o Leão?"
Cheio de si, prosseguiu o Leão pela floresta em busca de novas afirmações de sua personalidade. Encontrou a coruja e perguntou: "Coruja, não sou eu o maioral da mata?" "Sim, és tu", disse a coruja. Mas disse de sábia, não de crente. E lá se foi o Leão, mais firme no passo, mais alto de cabeça. Encontrou o tigre. "Tigre, — disse em voz de estentor — eu sou o rei da floresta. Certo?" O tigre rugiu, hesitou, tentou não responder, mas sentiu o barulho do olhar do Leão fixo em si, e disse, rugindo contrafeito: "Sim". E rugiu ainda mais malhumorado e já arrependido, quando o leão se afastou.
Três quilômetros adiante, numa grande clareira, o Leão encontrou o elefante. Perguntou: "Elefante, quem manda na floresta, quem é Rei, Imperador, Presidente da República, dono e senhor de árvores e de seres, dentro da mata?" O elefante pegou-o pela tromba, deu três voltas com ele pelo ar, atirou-o contra o tronco de uma árvore e desapareceu floresta adentro. O Leão caiu no chão, tonto e ensanguentado, levantou-se lambendo uma das patas, e murmurou: "Que diabo, só porque não sabia a resposta não era preciso ficar tão zangado".
MORAL: CADA UM TIRA DOS ACONTECIMENTOS A CONCLUSÃO QUE BEM ENTENDE.
FERNANDES, Millôr. Fábulas fabulosas. São Paulo: Círculo do Livro/Nórdica, 1976.
O trecho que comprova a presença de um narrador-observador na história é
Questão 10 10739242
IFF 2023/1
FREITAS, Digo. Defeito. Diário de ideias gráficas quase originais. Disponível em: https://digofreitas.com/hq/outros-57-defeito/. Acesso em: 24 set. 2022.
Ao relacionar os elementos verbais com os não verbais, fica perceptível no Texto que o personagem humano demonstra
Questão 9 10736957
COTUCA 2023O texto a seguir faz parte das orelhas do livro “Marrom e Amarelo”, de Paulo Scott. Ele não é assinado, o que significa que foi escrito por alguém da própria editora que publicou a obra. Leia-o para responder às questões
“Orelhas do livro” são as abas que aparecem na capa e na contracapa de muitas obras e costumam apresentar dois tipos de informação diferentes: uma pequena biografia da pessoa que escreveu a obra e um ou mais textos que induzem o interlocutor a ler aquele livro.
Os irmãos Federico e Lourenço são muito diferentes. Federico, um ano mais velho, é grande, calado e carrega uma raiva latente. Lourenço é bonito, joga basquete e é “muito do gente boa”, na palavra de conhecidos do bairro pobre onde cresceram. Federico é pardo claro, de “cabelo lambido”. Lourenço é negro retinto. Filhos de pai de pele retinta, célebre diretor-geral do instituto de perícia do Rio Grande do Sul, eles cresceram sob a pressão da discriminação racial. Lourenço tenta enfrentá-la com naturalidade, Federico se torna um incansável ativista das questões raciais.
Federico, o narrador desta história, foi moldado na violência dos subúrbios de Porto Alegre. Carrega uma dor que vem da incompletude nas relações amorosas e, sobretudo, dos enfrentamentos raciais em que não conseguiu se posicionar como achava que deveria.
Agora, com quarenta e nove anos, é chamado para uma comissão em Brasília, instituída pelo novo governo, para discutir o preenchimento das cotas raciais nas universidades. Em meio a debates tensos e burocracias absurdas, ele se recorda de eventos traumáticos da infância e da juventude. E as lembranças, agora, voltam para acossá-lo.
Marrom e Amarelo é um livro sem paralelo na literatura contemporânea, que retrata diferentes aspectos de um Brasil distópico, conflagrado, da inércia do comando político à crônica tensão racial de toda a sociedade. É um romance preciso, que nos faz mergulhar nos abismos expostos do país.
Orelha do livro. Scott, Paulo. Marrom e Amarelo. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2019.
Muitas vezes, nas leituras de textos variados, o leitor se depara com palavras cujos significados ele não conhece, mas que podem ser compreendidos pelo contexto.
Com isso em mente, uma interpretação possível para a palavra “acossar”, que aparece ao final do terceiro parágrafo, na construção “acossá-lo”, é:
Questão 8 10736956
COTUCA 2023O texto a seguir faz parte das orelhas do livro “Marrom e Amarelo”, de Paulo Scott. Ele não é assinado, o que significa que foi escrito por alguém da própria editora que publicou a obra. Leia-o para responder às questões
“Orelhas do livro” são as abas que aparecem na capa e na contracapa de muitas obras e costumam apresentar dois tipos de informação diferentes: uma pequena biografia da pessoa que escreveu a obra e um ou mais textos que induzem o interlocutor a ler aquele livro.
Os irmãos Federico e Lourenço são muito diferentes. Federico, um ano mais velho, é grande, calado e carrega uma raiva latente. Lourenço é bonito, joga basquete e é “muito do gente boa”, na palavra de conhecidos do bairro pobre onde cresceram. Federico é pardo claro, de “cabelo lambido”. Lourenço é negro retinto. Filhos de pai de pele retinta, célebre diretor-geral do instituto de perícia do Rio Grande do Sul, eles cresceram sob a pressão da discriminação racial. Lourenço tenta enfrentá-la com naturalidade, Federico se torna um incansável ativista das questões raciais.
Federico, o narrador desta história, foi moldado na violência dos subúrbios de Porto Alegre. Carrega uma dor que vem da incompletude nas relações amorosas e, sobretudo, dos enfrentamentos raciais em que não conseguiu se posicionar como achava que deveria.
Agora, com quarenta e nove anos, é chamado para uma comissão em Brasília, instituída pelo novo governo, para discutir o preenchimento das cotas raciais nas universidades. Em meio a debates tensos e burocracias absurdas, ele se recorda de eventos traumáticos da infância e da juventude. E as lembranças, agora, voltam para acossá-lo.
Marrom e Amarelo é um livro sem paralelo na literatura contemporânea, que retrata diferentes aspectos de um Brasil distópico, conflagrado, da inércia do comando político à crônica tensão racial de toda a sociedade. É um romance preciso, que nos faz mergulhar nos abismos expostos do país.
Orelha do livro. Scott, Paulo. Marrom e Amarelo. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2019.
Sabendo que os pronomes são utilizados para retomar termos que já foram citados anteriormente, ou para antecipar novos termos que aparecerão nos textos, releia o primeiro parágrafo do texto e assinale a alternativa que contém o termo correto ao qual o pronome “la”, no verbo “enfrentá-la”, se refere.
Questão 13 10735045
IFSP Prova B 2023São Paulo, 04 de outubro de 2021.
À Diretoria da Escola ALM
Diretor J. ALM
Assunto: obras de infraestrutura
Como já é de conhecimento geral, a escola iniciou obras de infraestrutura há alguns meses e, na parte do muro, essa obra tem trazido transtornos para minha casa. Segundo o responsável pelo projeto, não haveria danos a meu muro, mas o que tenho constatado não é isso. Ao contrário, rachaduras e problemas na base são alguns dos problemas que identifiquei.
Por isso, solicito providências imediatas desta diretoria, a fim de que não haja necessidade de acionar os órgãos competentes.
Respeitosamente,
J. MLA
Após a leitura, assinale a alternativa que apresenta a interpretação correta em relação às características da carta de reclamação acima:
06
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