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Questão 1 9547021
IFSul - Rio-Grandense Verão 2020Leia o texto a seguir para responder à questão.
Só o ensino superior salva
Sou do tipo que chora. Batizado, casamento*, mas principalmente formatura. Como é bonita a
chance e o cumprimento do estudo. Pra todo mundo, universal mesmo. Imagina a oportunidade a
quem só poderia se formar em escola pública. De arrepiar. Por isso comemoro aqui o diploma de
mais 423 alunos da URCA, a Universidade Regional do Cariri, conforme leio no site “Miséria”, o
[5] jornal da minha aldeia universalíssima. A festa foi nesta quinta (08/08) e haja orgulho na gente
de pequenas cidades e da roça nos arredores da Chapada do Araripe. São 12,5 mil alunos nesta
escola mantida pelo governo cearense.
Sou do tipo que chora com o ensino público e gratuito e a chance para quem vem lá do
mato. Na formatura da URCA, haja primos, pense num povo metido, né, ave palavra, que orgulho
[10] enquadrado na parede. Pense numa “balbúrdia”, esse povo “lá de nós”, como na bendita
linguagem caririense, formada em Artes Visuais, Biologia, Ciências Econômicas, Ciências Sociais,
Direito, Enfermagem, Educação Física, Engenharia de Produção, Física, Geografia, História,
Letras, Matemática, Pedagogia, Teatro e Tecnologia da Construção Civil. Pense!
E mais orgulhosamente ainda vos digo: a URCA, segundo o Instituto Nacional de Estudos e
[15] Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), viva o gênio Anísio Teixeira, tem a menor taxa de
evasão universitária do Brasil, apenas 4,47%. Como a turma dá valor ao candeeiro iluminista
sertões adentro. Choro um Orós inteiro e ainda derramo minhas lágrimas no Jaguaribe, rio que
constava nos meus livros didáticos como o “rio mais seco do mundo”. Desculpa aí, hoje só venho
com as grandezas.
[20] Hoje, se eu pudesse, faria você também refletir com um discurso na linha do David Foster
Wallace (1962-2008). Aquela sua fala como paraninfo de uma turma de formandos americanos
do Kenyon College, em 2005, Gambier, Ohio. Ele escreveu uma singularíssima fábula sobre —
repare só! — dois peixinhos e a água. Recomendo a leitura. O texto está no livro Ficando longe
do fato de já estar meio que longe de tudo (Companhia das Letras).
[25] De Ohio ao Cariri. Além da URCA, em 2013 conquistamos (nada é de graça) a UFCA, a
brava Universidade Federal do Cariri. Era um facho, uma fogueira, era um candeeiro, era uma
lamparina, era uma luminária a gás butano, fez-se a luz, pardon matriz iluminista, perdão Paris,
mas o mundo e o futuro será de um certo Cariri que peleja, aprende a preservar e estuda, somos
a própria ideia viva de Patrimônio Universal da Humanidade, só falta o referendo da Unesco —
[30] escuto os mestres do Reizado ao fundo, que batuque afro-indígena-futurista.
[...]
Só deixo o meu Cariri, no último pau-de-arara. Qual o quê, corri léguas rodoviárias, rumo
ao Recife, a bordo da viação Princesa do Agreste, ainda no comecinho dos anos 1980. Espírito
beatnik, por desejo e necessidade, deixei Juazeiro — onde morava —, o Crato de nascença, a
[35] Santana (Sítio das Cobras) afetiva de infância e a Nova Olinda das primeiras letras. Seria o
primeiro representante do clã (risos rurais amarcodianos) dos Sá-Menezes-Freire-Novais, família
meio pernambucana meio cearense, a chegar ao ensino superior. Um Xicobrás, diria, 100%
escolha pública, do primário ao campus da UFPE. Hoje tenho uma penca de primos a cada nova
formatura, sem precisar sequer sair dos arredores de casa.
[40] E pensar que não havia a ideia de universidade no meu terreiro. Nada disso do que hoje
comemoro com os formandos da URCA e UFCA. [...].
Só nos resta defender [...]. Sem sequer o direito ao VAR (olho no lance) da história.
jmmmmmmmmmmmkk kkll l çnçççlllçlxsp. Eita, desculpa, caro leitor, pela incompreensão da
escrita, é que minha filha Irene invadiu esta crônica — tentando ver a Pepa Pig — e dedilhou
[45] involuntariamente estas mal-traçadas linhas. [...]
Texto adaptado de Xico Sá, publicado em 10 ago. 2019. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/10/opinion/1565450440_001442.html. Acesso em: 14 ago. 2019
* Os termos sublinhados neste texto representam hyperlinks no texto original publicado no sítio eletrônico do jornal El País. Conforme o dicionário Michaelis, hyperlink é, “no contexto da hipermídia e do hipertexto, endereço que aparece em destaque (geralmente sublinhado ou apresentado em uma cor diferente)”.
Julgue o que se afirma sobre o texto em relação ao seu gênero textual.
I. O uso de termos e de expressões próprios da língua coloquial associados à língua culta tem por finalidade a aproximação com o leitor ao apresentar o assunto com menor grau de formalidade.
II. As interjeições ave (linha 9) e viva (linha 15) reproduzem o entusiasmo que toma conta do narrador em virtude da formatura de 423 alunos em uma universidade regional da sua terra natal.
III. A utilização de expressões da linguagem informal e a referência a outros textos, bem como a presença de hyperlinks na publicação original, não são recursos próprios do gênero textual crônica.
Estão corretas as afirmativas
Questão 8945248
COTIL COTIL 2020 1 FaseU Gerais 2020
Disponível em: https://latuffcartoons.wordpress.com/2013/11/11/charge-ciminacional-espaco-reservado-aos-indigenas-no-brasil/. Acesso em: 03/08/2019.
Em relação à charge acima, pode-se inferir que:
O autor faz uma crítica explícita à forma como é tratada a questão de demarcação de terras indígenas no país.
A charge retrata fielmente a visão de que os indígenas são acomodados pelo fato de estarem acostumados a receber ajuda da classe mais abastada da sociedade.
A charge ilustra o descaso da população para com a situação dos indígenas no país.
A construção do sentido da charge se baseia em aspectos verbais e não-verbais.
Estão corretas apenas as proposições:
Questão 8945245
COTIL COTIL 2020 1 FaseU Gerais 2020Daniel Munduruku: “Eu não sou índio, não existem índios no Brasil”
— Peço licença para entrar no território de vocês⁴. Eu venho questionar esse olhar quadrado⁵ que o ocidente desenvolveu e que exclui olhares circulares².
Foi assim que Daniel Munduruku deu início à sua fala histórica na Feira do Livro de Porto Alegre, trazendo a oralidade e a ancestralidade de seu povo em uma hora de conversa. (...) Doutor em Educação pela USP, Pós-Doutor em Literatura pela Universidade de São Carlos e autor de livros, Daniel iniciou sua fala desconstruindo o imaginário que a média da população brasileira tem em relação à palavra “índio” e a sua carga simbólica.
— Quando leem minha biografia, dizem que não sou mais índio, que já sou “civilizado”. Eu não sou índio e não existem índios no Brasil. Essa palavra não diz o que eu sou, diz o que as pessoas acham que eu sou. Essa palavra não revela minha identidade, revela a imagem que as pessoas têm e que muitas vezes é negativa.
Segundo o escritor, há dois conceitos no imaginário da sociedade brasileira intrínsecos a esta palavra: o olhar romântico, do “índio” que vive no meio do mato, e o aspecto ideológico que considera que “índios são preguiçosos e atrasam o progresso⁷”. Esse imaginário, fruto do pensamento ocidental e colonizador, criou um achatamento da riqueza cultural brasileira, explicou Daniel.
— Quando a gente chama alguém de índio, não ofende só uma pessoa, ofende culturas que existem há milhares de anos. Esse olhar linear empobrece nossa experiência de humanidade⁶. A gente defende um sistema de vida que tem dado certo há mil anos — afirmou.
Um dos povos indígenas do país, o povo Munduruku vive no Pará, Amazonas e Mato Grosso. Segundo Daniel, há cerca de mil pessoas da etnia Munduruku no Brasil.
— No dia de abril, a gente comemora um equívoco, porque se esconde a diversidade de povos que existem no Brasil³. Cada povo cria seu modo de estar no mundo a partir da cultura, que é alimentada pela língua que ele fala. E cada povo tem suas tradições, sua crença, cultura, política e economia. Nós aprendemos que só existe a língua portuguesa por aqui, né? Mas no Brasil existem línguas muito antigas e diferentes entre si. E a língua é uma leitura de mundo. Quando a gente generaliza e diz que “o índio chama casa de oca”, imediatamente a gente está esquecendo que oca é apenas um jeito de falar. E essas línguas são tão diferentes entre si quanto o português é diferente do chinês. Se um Kaingang fala a língua dele, eu não sei para onde vai, porque é de um tronco linguístico diferente. Aí vocês podem entender porque o povo tupi (que é o meu caso, o povo Munduruku é tupi) se organiza de um jeito e porque o povo Kaingang, que é do tronco Macro-Je, se organiza de outro jeito.

(http://www.nonada.com.br/2017/11/daniel-munduruku-eu-nao-sou-indio-nao-existem-indios-no-brasil/)
O autor também criticou o uso da palavra “tribo” para se referir às aldeias e etnias, já que ela significa apenas um pedaço de um povo. Já a palavra “índio” não tem relação alguma com o verdadeiro significado dos povos originários do Brasil. Ao ser perguntado sobre a maneira mais adequada de tratamento, Daniel defendeu o uso da palavra “indígena”, que significa “nativo”, e pediu também que sejam consideradas as etnias.
Questão 8945244
COTIL COTIL 2020 1 FaseU Gerais 2020Do Pará ao Brasil
Vamos tentar sintetizar algumas informações sobre a questão indígena no Brasil, procurando mostrar como nossa pátria acolhe muitas culturas em suas fronteiras. Há no Brasil uma diversidade cultural bastante acentuada, ou seja, aqui em nosso país convivem pessoas que têm modos de vida diferentes. Para nos certificar de que isso é verdade, basta lembrar que a cidade de São Paulo, a maior do Brasil, acolhe pessoas oriundas de vários lugares do mundo¹: orientais (coreanos, japoneses, chineses), europeus (portugueses, italianos, entre outros) etc. Cada grupo de pessoas que mora nesta cidade e não deixa de lado suas tradições religiosas, seu jeito de falar, suas comidas, seu jeito de vestir etc. forma o que chamamos de colônias, e elas conquistam seu espaço na medida em que valorizam a própria cultura. Embora para o povo de São Paulo não haja nada de anormal na vida dessas pessoas, ele, o povo, percebe que são diferentes no que se refere a hábitos e costumes. Para todos os efeitos, os estrangeiros passam a fazer parte da vida da cidade como verdadeiros “adotados”, pois contribuem para o seu desenvolvimento.
Isso vale para todos os estados do Brasil. Cada um tem seu jeito próprio de manifestar suas tradições culturais.
Neste mesmo Brasil de milhões de habitantes, moram aqueles que a história passou a chamar de índios. E quantos são os índios no Brasil? Aproximadamente mil, e são assim chamados por conta de sua existência em nossa terra quando o Brasil foi “descoberto”, em . Estima-se que nessa época havia mais de milhões de indígenas ocupando nossa terra de norte a sul, e eles pertenciam a quase mil povos diferentes.
Ao longo da história do Brasil, muitos povos foram exterminados pela ganância dos estrangeiros, até que restassem apenas duzentos povos com grande diversidade cultural. Isso significa que esses povos são diferentes entre si, não existindo, por isso, o índio brasileiro, e sim pessoas que se relacionam diferentemente com a natureza em busca da sobrevivência e que, devido a um preconceito sem sentido (baseado na tecnologia do não índio), foram rejeitadas como autênticos filhos da terra chamada Brasil.
Considere o fragmento: “...a cidade de São Paulo, a maior do Brasil, acolhe pessoas oriundas de vários lugares do mundo...” (ref. 1). Indique a única alternativa em que o sentido do texto se altera ao se fazer a substituição do termo destacado.MUNDURUKU, Daniel. Histórias de Índio. Ilustrações Laurabeatriz. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1996.
Questão 8392920
ANA POR 9AF 008 ANA025 2020Leia o texto abaixo e respondas a questão
Segundo o texto, o cientista americano está preocupado com:O problema ecológico
Se uma nave extraterrestre invadisse o espaço aéreo da Terra, com certeza seus tripulantes diriam que neste planeta não habita uma civilização inteligente, tamanho é o grau de destruição dos recursos naturais. Essas são palavras de um renomado cientista americano. Apesar dos avanços obtidos, a humanidade ainda não descobriu os valores fundamentais da existência.
O que chamamos orgulhosamente de civilização nada mais é do que uma agressão às coisas naturais. A grosso modo, a tal civilização significa a devastação das florestas, a poluição dos rios, o envenenamento das terras e a deterioração da qualidade do ar. O que chamamos de progresso não passa de uma degradação deliberada e sistemática que o homem vem promovendo há muito tempo, uma autêntica guerra contra a natureza.
Afrânio Primo. Jornal Madhva (adaptado).
Disponível em http:www.syntonia.com/textos/textoseecologia/ problemaecológico.htm – (Censo 2006)
Questão 8392907
ANA POR 9AF 008 ANA015 2020Leia o texto abaixo a seguir.
Pressa
Só tenho tempo pras manchetes no metrô
E o que acontece na novela
Alguém me conta no corredor
Escolho os filmes que eu não vejo
no elevador
Pelas estrelas que eu encontro na crítica do leitor
Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim
Eu me concentro em apostilas coisa tão normal
Leio os roteiros de viagem enquanto rola o comercial
Conheço quase o mundo inteiro por cartão-postal
Eu sei de quase tudo um pouco e quase tudo mal
Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa
mas nada tanto assim
Bruno e Leoni Fortunato. Greatest Hits’80.WEA
Identifica-se termo da linguagem informal em
06
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