Questões de EFAF Português
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Questão 8 10682230
CMM 6º Ano - Português 2020ESTRANHAS GENTILEZAS
Ivan Ângelo
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza. Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de espera, nos embates familiares, e depois economizam com a gente.
Comigo, dá-se o contrário, é o que estou notando de uns dias pra cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho tomou corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai. Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua, com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem transitáveis nas ruas dos Jardins. Num restaurante caro o maître, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me de que o jornal chegou. Os vizinhos de cima silenciam após as dez da noite.
Caminhões baixam a luz dos faróis quando cruzam comigo na estrada. Motoristas, mesmo mulheres, cedem-me a preferência nas esquinas. Vendedores de bugigangas nos faróis de trânsito passam direto pelo meu carro, sem me olhar. Até crianças cumprimentam-me cúmplices: oi, tio.
Que está acontecendo? Quem e por que está querendo me convencer de que as pessoas são um doce? Penso: não são gentilezas, são homenagens aos meus cabelos brancos, por eu ter aguentado tanto, como se fosse um atleta de maratona, daqueles retardatários que são mais aplaudidos na chegada do que os vencedores.
A última manobra: botaram um pintassilgo a cantar para mim na árvore em frente à janela do meu apartamento de segundo andar.
Que significa isto? Que querem comigo? Que complô é este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza? Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco, desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes de entrar pela porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher, saio malhumorado do banco, atravesso a avenida arriscando a vida entre bólidos, um caminhão joga-me a água suja de uma poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo a sonhar com gentilezas.
Fonte: ÂNGELO, Ivan. O comprador de aventuras. São Paulo: Ática, 2000.
Glossário
Embates: choque, encontro forte de opiniões
Imprecisos: que não se podem precisar, vago, sem clareza
Tenuemente: suavemente
Mobilizava: mexia
Esquivas: afastadas
Transitáveis: agradáveis
Jardins: bairro elegante de São Paulo
Maître: funcionário responsável por agendamentos e reservas nos restaurantes
Retardatários: atrasados
Pintassilgo: espécie de passarinho
Complô: trama, armação
Apreensivo: preocupado Bólidos: carros velozes
Marque a opção em que se estabelece uma relação de causa e consequência, respectivamente.
Questão 6 10682224
CMM 6º Ano - Português 2020ESTRANHAS GENTILEZAS
Ivan Ângelo
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza. Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de espera, nos embates familiares, e depois economizam com a gente.
Comigo, dá-se o contrário, é o que estou notando de uns dias pra cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho tomou corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai. Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua, com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem transitáveis nas ruas dos Jardins. Num restaurante caro o maître, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me de que o jornal chegou. Os vizinhos de cima silenciam após as dez da noite.
Caminhões baixam a luz dos faróis quando cruzam comigo na estrada. Motoristas, mesmo mulheres, cedem-me a preferência nas esquinas. Vendedores de bugigangas nos faróis de trânsito passam direto pelo meu carro, sem me olhar. Até crianças cumprimentam-me cúmplices: oi, tio.
Que está acontecendo? Quem e por que está querendo me convencer de que as pessoas são um doce? Penso: não são gentilezas, são homenagens aos meus cabelos brancos, por eu ter aguentado tanto, como se fosse um atleta de maratona, daqueles retardatários que são mais aplaudidos na chegada do que os vencedores.
A última manobra: botaram um pintassilgo a cantar para mim na árvore em frente à janela do meu apartamento de segundo andar.
Que significa isto? Que querem comigo? Que complô é este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza? Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco, desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes de entrar pela porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher, saio malhumorado do banco, atravesso a avenida arriscando a vida entre bólidos, um caminhão joga-me a água suja de uma poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo a sonhar com gentilezas.
Fonte: ÂNGELO, Ivan. O comprador de aventuras. São Paulo: Ática, 2000.
Glossário
Embates: choque, encontro forte de opiniões
Imprecisos: que não se podem precisar, vago, sem clareza
Tenuemente: suavemente
Mobilizava: mexia
Esquivas: afastadas
Transitáveis: agradáveis
Jardins: bairro elegante de São Paulo
Maître: funcionário responsável por agendamentos e reservas nos restaurantes
Retardatários: atrasados
Pintassilgo: espécie de passarinho
Complô: trama, armação
Apreensivo: preocupado Bólidos: carros velozes
Assinale a alternativa na qual a palavra em destaque possui um significado que, para o autor, está associada ou é semelhante às “gentilezas” observadas por ele:
Questão 2 10682217
CMM 6º Ano - Português 2020ESTRANHAS GENTILEZAS
Ivan Ângelo
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza. Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de espera, nos embates familiares, e depois economizam com a gente.
Comigo, dá-se o contrário, é o que estou notando de uns dias pra cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho tomou corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai. Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua, com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem transitáveis nas ruas dos Jardins. Num restaurante caro o maître, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me de que o jornal chegou. Os vizinhos de cima silenciam após as dez da noite.
Caminhões baixam a luz dos faróis quando cruzam comigo na estrada. Motoristas, mesmo mulheres, cedem-me a preferência nas esquinas. Vendedores de bugigangas nos faróis de trânsito passam direto pelo meu carro, sem me olhar. Até crianças cumprimentam-me cúmplices: oi, tio.
Que está acontecendo? Quem e por que está querendo me convencer de que as pessoas são um doce? Penso: não são gentilezas, são homenagens aos meus cabelos brancos, por eu ter aguentado tanto, como se fosse um atleta de maratona, daqueles retardatários que são mais aplaudidos na chegada do que os vencedores.
A última manobra: botaram um pintassilgo a cantar para mim na árvore em frente à janela do meu apartamento de segundo andar.
Que significa isto? Que querem comigo? Que complô é este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza? Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco, desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes de entrar pela porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher, saio malhumorado do banco, atravesso a avenida arriscando a vida entre bólidos, um caminhão joga-me a água suja de uma poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo a sonhar com gentilezas.
Fonte: ÂNGELO, Ivan. O comprador de aventuras. São Paulo: Ática, 2000.
Glossário
Embates: choque, encontro forte de opiniões
Imprecisos: que não se podem precisar, vago, sem clareza
Tenuemente: suavemente
Mobilizava: mexia
Esquivas: afastadas
Transitáveis: agradáveis
Jardins: bairro elegante de São Paulo
Maître: funcionário responsável por agendamentos e reservas nos restaurantes
Retardatários: atrasados
Pintassilgo: espécie de passarinho
Complô: trama, armação
Apreensivo: preocupado Bólidos: carros velozes
Julgue verdadeiras ou falsas as afirmativas sobre o Texto.
I – O texto apresenta narrador-personagem que tem conhecimento do que se passa na mente das personagens.
II – O espaço onde se desenvolve o conflito é o bairro no qual se encontram o narrador e seus vizinhos.
III – O clímax se inicia com a reflexão do narrador sobre a abrupta mudança no comportamento das pessoas.
IV – Sobre os personagens secundários, podemos afirmar que todos agem como vilões na narrativa.
V – Há registros de tempo cronológico ao longo da narrativa, uma vez que os fatos acontecem em sequência.
A sequência correta é:
Questão 1 10682207
CMM 6º Ano - Português 2020ESTRANHAS GENTILEZAS
Ivan Ângelo
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza. Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de espera, nos embates familiares, e depois economizam com a gente.
Comigo, dá-se o contrário, é o que estou notando de uns dias pra cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho tomou corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai. Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua, com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem transitáveis nas ruas dos Jardins. Num restaurante caro o maître, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me de que o jornal chegou. Os vizinhos de cima silenciam após as dez da noite.
Caminhões baixam a luz dos faróis quando cruzam comigo na estrada. Motoristas, mesmo mulheres, cedem-me a preferência nas esquinas. Vendedores de bugigangas nos faróis de trânsito passam direto pelo meu carro, sem me olhar. Até crianças cumprimentam-me cúmplices: oi, tio.
Que está acontecendo? Quem e por que está querendo me convencer de que as pessoas são um doce? Penso: não são gentilezas, são homenagens aos meus cabelos brancos, por eu ter aguentado tanto, como se fosse um atleta de maratona, daqueles retardatários que são mais aplaudidos na chegada do que os vencedores.
A última manobra: botaram um pintassilgo a cantar para mim na árvore em frente à janela do meu apartamento de segundo andar.
Que significa isto? Que querem comigo? Que complô é este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza? Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco, desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes de entrar pela porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher, saio malhumorado do banco, atravesso a avenida arriscando a vida entre bólidos, um caminhão joga-me a água suja de uma poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo a sonhar com gentilezas.
Fonte: ÂNGELO, Ivan. O comprador de aventuras. São Paulo: Ática, 2000.
Glossário
Embates: choque, encontro forte de opiniões
Imprecisos: que não se podem precisar, vago, sem clareza
Tenuemente: suavemente
Mobilizava: mexia
Esquivas: afastadas
Transitáveis: agradáveis
Jardins: bairro elegante de São Paulo
Maître: funcionário responsável por agendamentos e reservas nos restaurantes
Retardatários: atrasados
Pintassilgo: espécie de passarinho
Complô: trama, armação
Apreensivo: preocupado Bólidos: carros velozes
É possível afirmar, de acordo com o texto, que
Questão 8 10652519
IFCE* 6º Ano 2020/1Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada
Carolina Maria de Jesus
[1] 17 DE MAIO Levantei nervosa. Com vontade de morrer. Já que os pobres estão mal colocados, para que viver?
[2] Será que os pobres de outro país sofrem igual aos pobres do Brasil? Eu estava discontente que até cheguei a brigar com
[3] o meu filho José Carlos sem motivo...
[4] ... Chegou um caminhão aqui na favela. O motorista e o seu ajudante jogam umas latas. É linguiça enlatada.
[5] Penso: é assim que fazem esses comerciantes insaciaveis. Ficam esperando os preços subir na ganancia de ganhar mais.
[6] E quando apodrece jogam para os corvos e os infelizes favelados.
[7] Não houve briga. Eu até estou achando isso aqui monotono. Vejo as crianças abrir as latas de linguiça e
[8] exclamar satisfeitas:
[9] _ Hum! Tá gostosa!
[10] A Dona Alice deu-me uma para experimentar. Mas a lata está estufada. Já está podre.
Trecho disponível em: JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo – diário de uma favelada. São Paulo:Ática, 2001.
No trecho “Eu estava discontente que até cheguei a brigar com o meu filho José Carlos sem motivo...” (linhas 2 e 3), a expressão em destaque tem a mesma função em
Questão 6 10652503
IFCE* 6º Ano 2020/1Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada
Carolina Maria de Jesus
[1] 17 DE MAIO Levantei nervosa. Com vontade de morrer. Já que os pobres estão mal colocados, para que viver?
[2] Será que os pobres de outro país sofrem igual aos pobres do Brasil? Eu estava discontente que até cheguei a brigar com
[3] o meu filho José Carlos sem motivo...
[4] ... Chegou um caminhão aqui na favela. O motorista e o seu ajudante jogam umas latas. É linguiça enlatada.
[5] Penso: é assim que fazem esses comerciantes insaciaveis. Ficam esperando os preços subir na ganancia de ganhar mais.
[6] E quando apodrece jogam para os corvos e os infelizes favelados.
[7] Não houve briga. Eu até estou achando isso aqui monotono. Vejo as crianças abrir as latas de linguiça e
[8] exclamar satisfeitas:
[9] _ Hum! Tá gostosa!
[10] A Dona Alice deu-me uma para experimentar. Mas a lata está estufada. Já está podre.
Trecho disponível em: JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo – diário de uma favelada. São Paulo:Ática, 2001.
A informação de que “Não houve briga” (linha 7) deixa subentendido que
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