Questões de EFAF Português
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Questão 28 10736243
EFOMM 1° Dia - Inglês e Português 2022Texto
Direito e avesso
Rachel de Queiroz
Conheci uma moça que escondia como um crime certa feia cicatriz de queimadura que tinha no corpo. De pequena a mãe lhe ensinara a ocultar aquela marca de fogo e nem sei que impulso de desabafo levou-a a me falar nela; e creio que logo se arrependeu, pois me obrigou a jurar que jamais repetiria a alguém o seu segredo. Se agora o conto é porque a moça é morta e a sua cicatriz já estará em nada, levada com o resto pelas águas de março, que levam tudo.
Lembrou-me isso ao escutar outra moça, também vaidosa e bonita, que discorria perante várias pessoas a respeito de uma deformação congênita que ela, moça, tem no coração. Falava daquilo com mal disfarçado orgulho, como se ter coração defeituoso fosse uma distinção aristocrática que se ganha de nascença e não está ao alcance de qualquer um.
E aí saí pensando em como as pessoas são estranhas. Qualquer deformação, por mais mínima, sendo em parte visível do nosso corpo, a gente a combate, a disfarça, oculta como um vício feio. Este senhor, por exemplo, que nos explica, abundantemente, ser vítima de divertículos (excrescências em forma de apêndice que apareceram no seu duodeno), teria o mesmo gosto em gabar-se da anomalia se em lugar dos divertículos tivesse lobinhos pendurados no nariz? Nunca vi ninguém expor com orgulho a sua mão de seis dedos, a sua orelha malformada; mas a má formação interna é marca de originalidade, que se descreve aos outros com evidente orgulho.
Doença interna só se esconde por medo da morte — isto é, por medo de que, a notícia se espalhando, chegue a morte mais depressa. Não sendo por isso, quem tem um sopro no coração se gaba dele como de falar japonês.
Parece que o principal impedimento é o estético. Pois se todos gostam de se distinguir da multidão, nem que seja por uma anomalia, fazem ao mesmo tempo questão de que essa anomalia não seja visivelmente deformante. Ter o coração do lado direito é uma glória, mas um braço menor que o outro é uma tragédia. Alguém com os dois olhos límpidos pode gostar de épater uma roda de conversa, explicando que não enxerga coisíssima nenhuma por um daqueles límpidos olhos, e permitirá mesmo que os circunstantes curiosos lhe examinem o olho cego e constatem de perto que realmente não se nota diferença nenhuma com o olho são. Mas tivesse aquela pessoa o olho que não enxerga coalhado pela gota-serena, jamais se referina ao defeito em público; e, caso o fizesse, por excentricidade de "temperamento sarcástico ou masoquista, os “circunstantes bem-educados se sentiram na obrigação de desviar a vista e mudar de assunto.
Mulheres discutem com prazer seus casos ginecológicos; uma diz abertamente que já não tem um ovário, outra, que o médico lhe diagnosticou um útero infantil. Mas, se ela tivesse um pé infantil, ou seios senis, será que os declararia com a mesma complacência?
Antigamente havia as doenças secretas, que só se nomeavam em segredo ou sob pseudônimo. De um tísico, por exemplo, se dizia que estava “fraco do peito”, e talvez tal reserva nascesse do medo do contágio, que todo mundo tinha. Mas dos malucos também se dizia que “estavam nervosos” e do câncer ainda hoje se faz mistério — e nem câncer e nem doidice pegam. Não somos todos mesmo muito estranhos? Gostamos de ser diferentes — contanto que a diferença não se veja. O bastante para chamar atenção, mas não tanto que pareça feio.
Fonte: O melhor da crônica brasileira, 1/ Ferreira Gullar... [et al.]. 5º ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2007.
Vocabulário:
épater: impressionar
Com base no Texto, responda às questões que se segue.
Assinale a opção em que a oração sublinhada cumpre a função de um objeto direto.
Questão 15 10734936
IFSP Tarde 2022Leia o seguinte quadrinho da Dona Anésia:

WILLTIRANDO. Dona Anésia. Disponível em: https://www.instagram.com/dona.anesia/. Acesso em: 06 out.2021.
Escolha a alternativa que completa corretamente o espaço na seguinte afirmação:
Na oração “Irritada estou eu, com esse latido infernal”, o termo irritada estou eu desempenha a função de _____________, uma vez que está modificando um substantivo com função de sujeito.
Questão 12 10734926
IFSP Tarde 2022As histórias em quadrinhos reproduzem, por escrito, a linguagem falada, utilizando algumas estratégias de equivalência para recriar efeitos da oralidade.
Leia a seguinte tirinha e responda ao que se pede:

QUINO. Toda Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
Assinale a alternativa correta a respeito dos recursos empregados para levar ao leitor uma experiência de leitura próxima à da fala:
Questão 12 10734816
IFSP Manhã 2022Observe os seguintes períodos e verifique o conectivo sublinhado em cada um deles:
I- A corrupção traz muitas desvantagens onde ficamos sujeitos a políticos que nos roubam.
II- Os EUA são os maiores poluidores do mundo e, por consequência, são os que menos se preocupam com a poluição.
III-Eu fui dormir mais cedo porque estava com muito sono.
IV-Fazia muito frio, bem como fomos à praia
De acordo com a análise das orações, assinale a alternativa correta:
Questão 7 10734800
IFSP Manhã 2022Texto I
A Parassubordinação em Tempos de Economia Compartilhada
[...] Entretanto, por mais que os motoristas de aplicativo possuam a liberdade de escolher o melhor horário de trabalho, os mesmos estão sujeitos a inúmeras adversidades, tais como violência física, violência psicológica, degradação remuneratória, jornadas excessivamente longas, o risco de ser excluído da plataforma por permanecer por um tempo razoável sem efetuar o transporte de passageiros, dentre tantos outros. [...]
MENDONÇA, Yago Barros. A Parassubordinação em Tempos de Economia Compartilhada. Jus.com. br, 11/2020. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/86749/a-parassubordinacao-em-tempos- -de-economia-compartilhada. Acesso em: 07 out. 2021. Fragmento.
Texto II
Música popular brasileira/educação experiências transversais em práticas escolares
[...] Produziu-se na área de saberes e práticas escolares duas experiências didático-pedagógicas. A primeira, com a orientação deste pesquisador e colaboração de professores e alunos sobre o tema “As quatorze músicas mais importantes do século XX”, segundo a escolha da ABL (Academia Brasileira de Letras). A segunda experiência sobre o Golpe de 1964, os anos de chumbo visto pela MPB. No contato havido com orientadores pedagógicos, diretores e professores de diversas áreas e particularmente com os professores de artes, aproveitou-se a oportunidade e efetuou-se um levantamento sobre as dificuldades, possibilidades e impossibilidades da utilização de MBP (Música Popular Brasileira) no âmbito da Escola. [...]
CONCEIÇÃO, F. B. Música popular brasileira/educação – experiências transversais em práticas escolares. Akrópolis – Revista de Ciências Humanas da UNIPAR, v. 24, n. 2, 2016. Disponível em: https://revistas.unipar.br/index.php/akropolis/article/view/6336. Acesso em: 07 out. 2021. Fragmento.
Considere as afirmações a seguir:
I. No texto I, o adjetivo “excluído” está incorreto segundo a norma-padrão, pois ele deve concordar, em gênero e número, com o substantivo a que se refere.
II. No texto I, a palavra “longas”, tratada inadequadamente como adjetivo, deve permanecer no singular, já que, por ser advérbio, ela não deve ser pluralizada.
III. No texto II, o verbo “produziu-se” não atende às exigências da norma-padrão, pois ele necessariamente deve concordar, em número e pessoa, com o seu sujeito.
IV. No texto II, os termos “orientadores pedagógicos, diretores e professores de diversas áreas” exigem que os verbos dos quais eles têm a função de sujeito sejam pluralizados.
Assinale a opção que contempla apenas afirmações que seguem a norma-padrão da Língua Portuguesa:
Questão 6 10724421
Colégio Embraer 2022Leia o texto para responder à questão.
Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas asas duras como couraça e, ao levantar um pouco a cabeça, viu seu ventre abaulado1 , marrom, dividido por nervuras arqueadas, no topo do qual a coberta, prestes a deslizar de vez, ainda mal se sustinha. Suas numerosas pernas, lastimavelmente finas em comparação com o volume do resto do corpo, tremulavam desamparadas diante dos seus olhos.
– O que aconteceu comigo? – pensou.
Não era um sonho. Seu quarto, um autêntico quarto humano, só que um pouco pequeno demais, permanecia calmo entre as quatro paredes bem conhecidas. Sobre a mesa, na qual se espalhava, desempacotado, um mostruário de tecidos – Samsa era caixeiro-viajante –, pendia a imagem que ele havia recortado fazia pouco tempo de uma revista ilustrada e colocado numa bela moldura. Representava uma dama de chapéu de pele e boá2 de pele, sentada em posição ereta, erguia ao encontro do espectador um pesado regalo3 , também de pele, no qual desaparecia todo o seu antebraço.
O olhar de Gregor dirigiu-se então para a janela e o tempo turvo – ouviam-se gotas de chuva batendo no zinco do parapeito – deixou-o inteiramente melancólico.
(Franz Kafka, A metamorfose, 1977)
1 abaulado: arqueado, curvado
2 boá: estola, xale
3 regalo: agasalho para as mãos
Ocorre sujeito simples posposto ao verbo e predicado verbal na seguinte oração do texto:
06
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