Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 9558190
AUTORAIS Autorais 2023 LP (LPII) Moderna 2023Leia o poema de Mário de Andrade e observe o tema central do texto.
Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
Andrade, Mário de. Pauliceia desvairada. In: Poesias completas. Edição crítica de Diléa Zanotto Manfio. Belo Horizonte: ltatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1987. p. 88.
O poema de Mário de Andrade utiliza um tom exclamativo em sua escrita porque pretende:
Questão 9558188
AUTORAIS Autorais 2023 LP (LPII) Moderna 2023Leia o texto a seguir e observe o trecho que está sendo narrado.
As crônicas da vila de Itaguaí dizem que em tempos remotos vivera ali um certo médico, o Dr. Simão Bacamarte, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas. Estudara em Coimbra e Pádua. Aos trinta e quatro anos regressou ao Brasil, não podendo el‑rei alcançar dele que ficasse em Coimbra, regendo a universidade, ou em Lisboa, expedindo os negócios da monarquia.
— A ciência, disse ele a Sua Majestade, é o meu emprego único; Itaguaí é o meu universo.
Dito isto, meteu‑se em Itaguaí, e entregou‑se de corpo e alma ao estudo da ciência, alternando as curas com as leituras, e demonstrando os teoremas com cataplasmas. Aos quarenta anos casou com D. Evarista da Costa e Mascarenhas, senhora de vinte e cinco anos, viúva de um juiz de fora, e não bonita nem simpática. Um dos tios dele, caçador de pacas perante o Eterno, e não menos franco, admirou‑se de semelhante escolha e disse‑lho. Simão Bacamarte explicou‑lhe que D. Evarista reunia condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim apta para dar‑lhe filhos robustos, sãos e inteligentes. Se além dessas prendas, — únicas dignas da preocupação de um sábio, D. Evarista era mal composta de feições, longe de lastimá‑lo, agradecia‑o a Deus, porquanto não corria o risco de preterir os interesses da ciência na contemplação exclusiva, miúda e vulgar da consorte.
ASSIS, Machado de. O alienista. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2014. p. 19-20.
A mulher já foi considerada mero adorno social durante vários períodos da história mundial; e o casamento, mera formalidade social. No texto de Machado de Assis, D. Evarista da Costa Mascarenhas foi escolhida para ser esposa de Dr. Simão Bacamarte porque:
Questão 9374870
SEMED-Maceió SEMED-MACEIO 2023 POR (9ano)A1 2023TIMIDEZ
Cecília Meireles
Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
e um dia me acabarei.
Na última estrofe desse poema, o eu lírico demonstraDisponível em: <https://www.tudoepoema.com.br/cecilia-meireles-timidez/>. Acesso em: 22 de jan. de 2023.
Questão 9252960
AUTORAIS Autorais 2023 LP (LPII) 2023Leia a estrofe a seguir e observe as palavras destacadas.
Isto, que o Amor se chama,
, que vidas enterra,
, que alvedrios prostra,
, que em palácios entra [...]
Glossário
Alvedrios: vontades.
Prostra: enfraquece.
MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos de Gregório de Matos. Seleção: J. M. Wisnik. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 303-305. Adaptado.
Qual é o efeito de sentido provocado pelo emprego da figura de linguagem anáfora na estrofe acima?
Questão 9022627
COTUCA COTUCA 2023 Gerais 2023Leia o texto a seguir, o trecho inicial de uma coluna da Folha de S. Paulo.
Precisamos falar sobre Mercedes Baptista, bailarina que fez história
Deixamos passar a efeméride do nascimento de uma das mais importantes coreógrafas negras do Brasil
Tom Farias
Jornalista e escritor, é autor de ’Carolina, uma Biografia’ e do romance ’A Bolha’
. jul. às h
Todos os anos o Brasil tem suas efemérides. Este ano nós devemos falar de algumas delas por esta coluna, algumas bem relevantes no contexto histórico e político do país, outras nem tanto. É possível que, mesmo entre as efemérides históricas ou relevantes, esqueçamos umas e outras. É natural dos brasileiros sermos acometidos de amnésia, seja por desleixo, seja por simples esquecimento mesmo .
No ano passado fomos acometidos dessa espécie de "amnésia" a que estou me referindo. É que deixamos passar uma data por demais relevante para a cultura brasileira, no seu aspecto mais sensível — a da dança. E não se trata de qualquer dança ou dançarina, trata-se da memória de uma das mais significativas coreógrafas negras do país, Mercedes Baptista.
Para reduzir um pouco do descaso com a memória de Mercedes Baptista , e destacar a passagem do centenário do seu nascimento, ocorrido no ano passado, o professor Paulo Melgaço da Silva Júnior publicou em caprichada edição "Mercedes Baptista, a Dama Negra da Dança", que saiu pelo selo Ciclo Contínuo Editorial. Trata-se de um dedicado trabalho sobre uma das maiores bailarinas negras brasileiras.
O livro, dividido em dez capítulos, fartamente ilustrado, se resume num belo esforço biográfico sobre Mercedes Baptista, abrangendo do dia de março de , data do seu nascimento, na cidade de Campos dos Goitacazes, onde teve uma infância pobre e sofrida, filha de Maria Ignácia da Silva, uma costureira da cidade , e de João Baptista Ribeiro, então "um tratador de cavalo de raça", segundo o biógrafo, até sua morte, no Rio de Janeiro, por velhice, em de agosto de .
A trajetória de Mercedes Baptista é tão relevante que chega a ser estranho pensar o quanto ela ainda hoje é ignorada e esquecida. Não só como mulher, mas como artista negra, Mercedes transformou o cenário da dança do país quando levou para os palcos a coreografia afro-brasileira como parte integrante do espetáculo da dança.
Para uma mulher que atravessou o século dançando, seu desafio foi muito grande. Os anos que vão de em diante são os mais emblemáticos e marcantes de sua carreira artística , desde os primeiros passos ao ingresso na clássica escola comandada pela bailarina russa Maria Olenewa. Esse enfrentamento vai se dar com a sua entrada, por concurso público, no histórico Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Mercedes Baptista vai ser, em , a primeira negra a integrar o Corpo de Baile do Municipal. Vai passar a viver momentos decisivos, não só pela dureza dos ensaios, mas, sobretudo, pelo racismo reinante por parte da direção que não a escala ou se a escala, não a dão destaque.
[...]
Adaptado de TomFarias, 27 de jul. de 2022, Folha de S. Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tom-farias/2022/07/precisamos-falar-sobre-mercedes-baptista-bailarina-que-fez-historia.shtml. Acesso em 27 jul. 2022.
*Efeméride: acontecimento ou fato importante.
Questão 9022626
COTUCA COTUCA 2023 Gerais 2023O texto a seguir faz parte das orelhas do livro “Marrom e Amarelo”, de Paulo Scott. Ele não é assinado, o que significa que foi escrito por alguém da própria editora que publicou a obra.
“Orelhas do livro” são as abas que aparecem na capa e na contracapa de muitas obras e costumam apresentar dois tipos de informação diferentes: uma pequena biografia da pessoa que escreveu a obra e um ou mais textos que induzem o interlocutor a ler aquele livro.
Os irmãos Federico e Lourenço são muito diferentes. Federico, um ano mais velho, é grande, calado e carrega uma raiva latente. Lourenço é bonito, joga basquete e é “muito do gente boa”, na palavra de conhecidos do bairro pobre onde cresceram. Federico é pardo claro, de “cabelo lambido”. Lourenço é negro retinto. Filhos de pai de pele retinta, célebre diretor-geral do instituto de perícia do Rio Grande do Sul, eles cresceram sob a pressão da discriminação racial. Lourenço tenta enfrentá-la com naturalidade, Federico se torna um incansável ativista das questões raciais.
Federico, o narrador desta história, foi moldado na violência dos subúrbios de Porto Alegre. Carrega uma dor que vem da incompletude nas relações amorosas e, sobretudo, dos enfrentamentos raciais em que não conseguiu se posicionar como achava que deveria.
Agora, com quarenta e nove anos, é chamado para uma comissão em Brasília, instituída pelo novo governo, para discutir o preenchimento das cotas raciais nas universidades. Em meio a debates tensos e burocracias absurdas, ele se recorda de eventos traumáticos da infância e da juventude. E as lembranças, agora, voltam para acossá-lo.
Marrom e Amarelo é um livro sem paralelo na literatura contemporânea, que retrata diferentes aspectos de um Brasil distópico, conflagrado, da inércia do comando político à crônica tensão racial de toda a sociedade. É um romance preciso, que nos faz mergulhar nos abismos expostos do país.
O objetivo principal de uma orelha de livro é apresentar determinada obra ao interlocutor. Levando em consideração essa informação, o texto da orelha do livro “Marrom e Amarelo”:Orelha do livro. Scott, Paulo. Marrom e Amarelo. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2019.
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)