Questões de EFAF Português
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Questão 7 14994527
COLTEC 2024Em 1997, como forma de resgatar e atualizar a crítica do poema O Navio Negreiro, de Castro Alves, três grandes nomes de nossa MPB – Caetano Veloso, Maria Bethânia e Carlinhos Brown – lançaram uma canção de mesmo nome, que resgata excertos do texto poético original e os musica, além de acrescentar elementos externos, extraídos do cancioneiro popular da capoeira.
Veja um fragmento da letra dessa canção:
Estamos em pleno mar
Era um sonho dantesco, o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho
Em sangue a se banhar
Tinir de ferros, estalar do açoite
Legiões de homens negros como a noite
Horrendos a dançar
Negras mulheres suspendendo as tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas rega o sangue das mães
Outras moças, mas nuas, espantadas
No turbilhão de espectros, arrastadas em ânsia e mágoa vãs
E ri-se a orquestra, irônica, estridente
E da ronda fantástica a serpente faz doudas espirais
Se o velho arqueja, se no chão resvala
Ouvem-se gritos, o chicote estala
E voam mais e mais
Presa nos elos de uma só cadeia
A multidão, faminta, cambaleia e chora
E dança ali
Um, de raiva delira, outro, enlouquece
Outro, que de martírios embrutece
Cantando, geme e ri
no entanto, o capitão manda a manobra
(Que chegou agora?) E após, fitando o céu que se desdobra
(É o navio negreiro) tão puro sobre o mar
(Com o escravos de Angola) diz do fumo entre os densos nevoeiros
Vibrai rijo o chicote, marinheiros, fazei-os mais dançar
E ri-se a orquestra, irônica, estridente
E da ronda fantástica, a serpente faz doudas espirais
Qual num sonho dantesco as sombras voam
Gritos, ais, maldições, preces ressoam
E ri-se Satanás (que navio é esse)
Senhor Deus dos desgraçados
Dizei-me vós, Senhor Deus (é o navio negreiro)
Se é loucura, se é verdade (com escravos de Angola)
Tanto horror perante os céus
Ó mar (que navio é esse)
Por que não apagas com a esponja de tuas vagas
(Que chegou agora?) De teu manto este borrão?
Astros, noite, tempestades (é o navio negreiro)
Rolai das imensidades (com escravos de Angola)
Varrei os mares, o tufão [...]
VELOSO, Caetano. O navio negreiro. In: Livro. Mercury Records, 1997. (Adapt.)
Assinale a alternativa em que o recurso linguístico apresentado NÃO é utilizado na letra da canção.
Questão 4 14994516
COLTEC 2024Leia o texto abaixo antes de responder à questão.
A palavra surgiu em resposta ao substantivo utopia para significar o oposto deste: um pesadelo político-social em vez de um lugar que atingiu a perfeição nesse sentido, como o imaginado pelo inglês Thomas Morus (1478-1535) no livro para cujo título criou seu neologismo de imenso sucesso, com base nos elementos gregos ou + topos, “não lugar”.
O pesadelo do qual não se acorda
A distopia, nascida como nome de gênero literário, sintetiza nosso tempo
Parece quase distópico, fruto de alguma distorção no espaço-tempo da linguagem e do pensamento: a palavra distopia, séria candidata a termo-síntese da experiência humana neste início de século, não constava dos nossos dicionários poucos anos atrás.
Ou melhor, constava, mas com outro sentido. O Aurélio e o Houaiss registravam distopia apenas como um termo médico que quer dizer “localização anômala de um órgão no corpo”.
Essa, na verdade, é outra palavra. A distopia que virou figurinha fácil em nosso vocabulário – e hoje já é aceita pelo Houaiss, que bom – nada tem a ver com medicina, embora se refira a doenças metafóricas que atacam o organismo social.
Veio do inglês “dystopia” e a princípio se restringia ao vocabulário das artes, em especial da literatura, nomeando um gênero narrativo consolidado no século passado como cruzamento entre ficção científica e sátira política.
A palavra surgiu em resposta ao substantivo utopia para significar o oposto deste: um pesadelo político-social em vez de um lugar que atingiu a perfeição nesse sentido, como o imaginado pelo inglês Thomas Morus (1478-1535) no livro para cujo título criou seu neologismo de imenso sucesso, com base nos elementos gregos ou + topos, “não lugar”.
Perto de utopia, palavra consagrada e já com meio milênio no lombo, distopia ainda é uma criança. Como toda criança, não para de crescer. Segundo os etimologistas, seu ano de estreia na crítica literária de língua inglesa é 1952. Bem antes disso, em 1868, o filósofo John Stuart Mill – mais um inglês nessa história – tinha sacado a palavra da manga como novidade absoluta.
Num discurso crítico ao governo, disse: “Talvez seja elogioso demais rotulá-los de utópicos, melhor seria chamá-los distópicos, cacotópicos”. Registre-se o pioneirismo de Mill, mas seu neologismo de ocasião passou décadas sendo apenas isso mesmo. Não pegou – não logo.
Quando foram lançados por outros dois ingleses os livros que se tornariam as matrizes do gênero distópico –“Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, em 1932, e “1984”, de George Orwell, em 1949 –, a palavra ainda não circulava. Logo grudaria nesses romances para sempre, mas de modo retroativo.
Dos anos 60 aos 90 do século passado, enquanto eram ignorados pelos dicionaristas, o substantivo distopia e o adjetivo distópico faziam aparições esparsas na imprensa brasileira como anglicismos úteis, mas eruditos. A maioria das aparições se dava nas páginas de crítica literária.
Em janeiro de 1983, nesta Folha, o jornalista Sérgio Augusto se queixou do insucesso da palavra no Brasil: “Num país como o nosso, cuja economia parece administrada por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias [do antigo programa humorístico “Os Trapalhões”], a palavra distopia deveria andar à solta na boca do povo.”
Bem, o xará pode ficar tranquilo: chegamos lá. Foi preciso que o mundo piorasse bem mais, mergulhando na distopia real do colapso climático, do populismo de extrema-direita, da revitalização retrógrada do nacionalismo, do racismo e do fundamentalismo religioso, da burrice epidêmica da Terra plana e das teorias conspiratórias mais descabeladas.
[...] Foi preciso que a economia, em vez da comédia leve dos Trapalhões, encontrasse seu símile num filme de terror como “O Massacre da Serra Elétrica”. A realidade ficou inimaginável sem a distopia.
Sérgio Rodrigues
Escritor e jornalista, autor de “O Drible” e “Viva a Língua Brasileira”.
RODRIGUES, Sérgio. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2022/06/o-pesadelo-do qual-nao-se-acorda.shtml. Acesso em: 17 jun. 22. (Adapt.)
Assinale a alternativa em que a palavra sublinhada NÃO se refere ao termo entre os parênteses.
Questão 2 14994505
COLTEC 2024Leia o texto abaixo antes de responder à questão.
A palavra surgiu em resposta ao substantivo utopia para significar o oposto deste: um pesadelo político-social em vez de um lugar que atingiu a perfeição nesse sentido, como o imaginado pelo inglês Thomas Morus (1478-1535) no livro para cujo título criou seu neologismo de imenso sucesso, com base nos elementos gregos ou + topos, “não lugar”.
O pesadelo do qual não se acorda
A distopia, nascida como nome de gênero literário, sintetiza nosso tempo
Parece quase distópico, fruto de alguma distorção no espaço-tempo da linguagem e do pensamento: a palavra distopia, séria candidata a termo-síntese da experiência humana neste início de século, não constava dos nossos dicionários poucos anos atrás.
Ou melhor, constava, mas com outro sentido. O Aurélio e o Houaiss registravam distopia apenas como um termo médico que quer dizer “localização anômala de um órgão no corpo”.
Essa, na verdade, é outra palavra. A distopia que virou figurinha fácil em nosso vocabulário – e hoje já é aceita pelo Houaiss, que bom – nada tem a ver com medicina, embora se refira a doenças metafóricas que atacam o organismo social.
Veio do inglês “dystopia” e a princípio se restringia ao vocabulário das artes, em especial da literatura, nomeando um gênero narrativo consolidado no século passado como cruzamento entre ficção científica e sátira política.
A palavra surgiu em resposta ao substantivo utopia para significar o oposto deste: um pesadelo político-social em vez de um lugar que atingiu a perfeição nesse sentido, como o imaginado pelo inglês Thomas Morus (1478-1535) no livro para cujo título criou seu neologismo de imenso sucesso, com base nos elementos gregos ou + topos, “não lugar”.
Perto de utopia, palavra consagrada e já com meio milênio no lombo, distopia ainda é uma criança. Como toda criança, não para de crescer. Segundo os etimologistas, seu ano de estreia na crítica literária de língua inglesa é 1952. Bem antes disso, em 1868, o filósofo John Stuart Mill – mais um inglês nessa história – tinha sacado a palavra da manga como novidade absoluta.
Num discurso crítico ao governo, disse: “Talvez seja elogioso demais rotulá-los de utópicos, melhor seria chamá-los distópicos, cacotópicos”. Registre-se o pioneirismo de Mill, mas seu neologismo de ocasião passou décadas sendo apenas isso mesmo. Não pegou – não logo.
Quando foram lançados por outros dois ingleses os livros que se tornariam as matrizes do gênero distópico –“Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, em 1932, e “1984”, de George Orwell, em 1949 –, a palavra ainda não circulava. Logo grudaria nesses romances para sempre, mas de modo retroativo.
Dos anos 60 aos 90 do século passado, enquanto eram ignorados pelos dicionaristas, o substantivo distopia e o adjetivo distópico faziam aparições esparsas na imprensa brasileira como anglicismos úteis, mas eruditos. A maioria das aparições se dava nas páginas de crítica literária.
Em janeiro de 1983, nesta Folha, o jornalista Sérgio Augusto se queixou do insucesso da palavra no Brasil: “Num país como o nosso, cuja economia parece administrada por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias [do antigo programa humorístico “Os Trapalhões”], a palavra distopia deveria andar à solta na boca do povo.”
Bem, o xará pode ficar tranquilo: chegamos lá. Foi preciso que o mundo piorasse bem mais, mergulhando na distopia real do colapso climático, do populismo de extrema-direita, da revitalização retrógrada do nacionalismo, do racismo e do fundamentalismo religioso, da burrice epidêmica da Terra plana e das teorias conspiratórias mais descabeladas.
[...] Foi preciso que a economia, em vez da comédia leve dos Trapalhões, encontrasse seu símile num filme de terror como “O Massacre da Serra Elétrica”. A realidade ficou inimaginável sem a distopia.
Sérgio Rodrigues
Escritor e jornalista, autor de “O Drible” e “Viva a Língua Brasileira”.
RODRIGUES, Sérgio. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2022/06/o-pesadelo-do qual-nao-se-acorda.shtml. Acesso em: 17 jun. 22. (Adapt.)
O fragmento do texto que possui tom mais factual que opinativo é:
Questão 25 14905210
OP 6 e 7 Ano - 1 fase 2024Você sabia que a língua falada pelos famosos guerreiros vikings foi o nórdico antigo? Dela surgiram línguas como o dinamarquês, o sueco, o norueguês e o islandês. Observe abaixo algumas sentenças em nórdico antigo e suas traduções:

Com base nas sentenças acima, como traduzir para o nórdico antigo a frase abaixo?
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Questão 23 14900992
OP 8 e 9 Ano - 1 Fase 2024O trecho a seguir foi extraído do “Sermão da Sexagésima”, de Pe. Antônio Vieira.

As expressões destacadas “de entendimentos agudos” e “de vontades endurecidas” são sinônimas, respectivamente, dos adjetivos...
Questão 18 14900953
OP 8 e 9 Ano - 1 Fase 2024No poema “A Tempestade”, Gonçalves Dias relata, em linguagem poética e com diversas metáforas, as diferentes etapas de uma tempestade. Considere a estrofe a seguir:

Sembrar: lembrar; parecer; simular.
Primor: qualidade do que é superior; excelência; perfeição.
Arrebol: cor rubra visível no céu ao amanhecer ou ao pôr do sol.
Em resumo, qual cena está descrita nos versos acima? Assinale a alternativa mais adequada.
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