Questões de EFAF Português
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Questão 8370440
EFOMM EFOMM 2006 1 FaseU MATPOR 2006
O Outro
Na redação, o secretário fazia sua cozinha, quando a senhora, não primaveril, mas ainda não invernosa, dele se aproximou timidamente. E sacando da bolsa um recorte de jornal, perguntou-lhe se sabia o endereço de Emílio Moura, autor dos versos ali estampados.
O secretário explicou-lhe que o assunto era de competência do Silva, encarregado do suplemento literário. O Silva não ia demorar, estava na hora dele. Não queria sentar-se, esperar?
Ela recolheu cuidadosamente o fragmento e dispôs-se a aguardar o Silva, que, como acontece nessas ocasiões, tardou um pouquinho. Mas que tardasse dois anos, não fazia diferença, a julgar pelo semblante da senhora, de paciente determinação.
Diante do Silva, exibiu novamente o papelzinho e fez-lhe a pergunta.
– Endereço do Emílio Moura? Pois não, minha senhora. Com licença, deixe ver aqui no caderninho: rua tal, número tantos, em Belo Horizonte ...
O rosto da senhora se transfigurou:
– Belo Horizonte" O senhor tem certeza de que ele está em Belo Horizonte"
– Se está, no momento, não sei, minha senhora. Mas sempre morou lá, isso eu posso lhe garantir.
Nova mutação se operou na fisionomia da visitante, onde o desaponto parecia querer instalar-se, mas era combatido pela dúvida:
– O senhor ... o senhor conhece pessoalmente Emílio Moura?
– Conheço, sim. Há muitos anos.
– Muitos" Que idade tem ele, mais ou menos"
– Fez cinquenta há pouco tempo, a senhora não leu nos jornais a comemoração?
– Tem certeza de que não está enganado" Perdoe a insistência, mas podia me fazer o retrato físico de Emílio Moura"
– Perfeitamente. Trata-se de um senhor alto, magro, cabelos ainda pretos, pequena costeleta, bigodinho, usa piteira e fuma cigarro de palha. Que mais? Meio calado, extremamente simpático, muito querido por todos. Completo a ficha: professor da Universidade, casado, com filhos.
A senhora olhava para o papel, dobrava-o, esboçava o gesto de jogá-lo fora, depois o desdobrava e alisava com carinho. E, na ponta de longo silêncio:
– Senhor Silva, este pedacinho de jornal me trouxe uma grande esperança e agora uma profunda decepção. Muito obrigada. Desculpe.
Ia retirar-se, sem que o Silva compreendesse níquel, mas voltou-se, e rapidamente desfolhou esta confidência:
– Há quatro anos ando à procura de Emílio Moura. Éramos muito amigos, ele fazia versos lindos, que eu, na qualidade de sua melhor amiga, lia em primeira mão. Um dia, contou-me que ia viajar para Montevidéu, onde ficaria algum tempo. Escreveu-me de lá duas vezes, e da segunda anunciava que seguiria para o Canadá. Nunca mais recebi a menor notícia. Ninguém sabe informar nada. Quando li no jornal esta poesia com o nome dele, fiquei cheia de esperança, mas agora não sei o que pensar. O senhor me diz que Emílio Moura tem cinquenta anos e é professor em Belo Horizonte. O que eu conheço tem trinta e dois anos e nunca morou em Minas, que eu saiba, mas como os versos dele são parecidos com estes que o seu jornal publicou! A mesma doçura, uma sensação de fim de tarde, meio triste, o senhor não imagine ... Enganei-me. Desculpe mais uma vez, e passe bem, Sr. Silva.
Saiu, levando nas mãos o papelzinho, como uma flor.
Carlos Drummond de Andrade
O Outro
Na redação, o secretário fazia sua cozinha, quando a senhora, não primaveril, mas ainda não invernosa, dele se aproximou timidamente. E sacando da bolsa um recorte de jornal, perguntou-lhe se sabia o endereço de Emílio Moura, autor dos versos ali estampados.
O secretário explicou-lhe que o assunto era de competência do Silva, encarregado do suplemento literário. O Silva não ia demorar, estava na hora dele. Não queria sentar-se, esperar?
Ela recolheu cuidadosamente o fragmento e dispôs-se a aguardar o Silva, que, como acontece nessas ocasiões, tardou um pouquinho. Mas que tardasse dois anos, não fazia diferença, a julgar pelo semblante da senhora, de paciente determinação.
Diante do Silva, exibiu novamente o papelzinho e fez-lhe a pergunta.
– Endereço do Emílio Moura? Pois não, minha senhora. Com licença, deixe ver aqui no caderninho: rua tal, número tantos, em Belo Horizonte ...
O rosto da senhora se transfigurou:
– Belo Horizonte" O senhor tem certeza de que ele está em Belo Horizonte"
– Se está, no momento, não sei, minha senhora. Mas sempre morou lá, isso eu posso lhe garantir.
Nova mutação se operou na fisionomia da visitante, onde o desaponto parecia querer instalar-se, mas era combatido pela dúvida:
– O senhor ... o senhor conhece pessoalmente Emílio Moura?
– Conheço, sim. Há muitos anos.
– Muitos" Que idade tem ele, mais ou menos"
– Fez cinquenta há pouco tempo, a senhora não leu nos jornais a comemoração?
– Tem certeza de que não está enganado" Perdoe a insistência, mas podia me fazer o retrato físico de Emílio Moura"
– Perfeitamente. Trata-se de um senhor alto, magro, cabelos ainda pretos, pequena costeleta, bigodinho, usa piteira e fuma cigarro de palha. Que mais? Meio calado, extremamente simpático, muito querido por todos. Completo a ficha: professor da Universidade, casado, com filhos.
A senhora olhava para o papel, dobrava-o, esboçava o gesto de jogá-lo fora, depois o desdobrava e alisava com carinho. E, na ponta de longo silêncio:
– Senhor Silva, este pedacinho de jornal me trouxe uma grande esperança e agora uma profunda decepção. Muito obrigada. Desculpe.
Ia retirar-se, sem que o Silva compreendesse níquel, mas voltou-se, e rapidamente desfolhou esta confidência:
– Há quatro anos ando à procura de Emílio Moura. Éramos muito amigos, ele fazia versos lindos, que eu, na qualidade de sua melhor amiga, lia em primeira mão. Um dia, contou-me que ia viajar para Montevidéu, onde ficaria algum tempo. Escreveu-me de lá duas vezes, e da segunda anunciava que seguiria para o Canadá. Nunca mais recebi a menor notícia. Ninguém sabe informar nada. Quando li no jornal esta poesia com o nome dele, fiquei cheia de esperança, mas agora não sei o que pensar. O senhor me diz que Emílio Moura tem cinquenta anos e é professor em Belo Horizonte. O que eu conheço tem trinta e dois anos e nunca morou em Minas, que eu saiba, mas como os versos dele são parecidos com estes que o seu jornal publicou! A mesma doçura, uma sensação de fim de tarde, meio triste, o senhor não imagine ... Enganei-me. Desculpe mais uma vez, e passe bem, Sr. Silva.
Saiu, levando nas mãos o papelzinho, como uma flor.
Carlos Drummond de Andrade
Lido o texto, observe atentamente cada quesito e assinale somente UMA alternativa correta em cada questão.
“Na redação, o secretário fazia sua cozinha, quando a senhora, não primaveril, mas ainda não invernosa, dele se aproximou.”
Nessa passagem destacada, o autor, quanto à personagem principal da crônica, fornece ao leitor uma informação acerca:
Questão 8370432
CN CN 2005 1 FaseU POR 2006O importante é escrever
()O importante é escrever(), Quem escreve é levado a isolar-se da agitação, a pensar, a refletir. Aí está o mérito da redação. Quem escreve concentra-se, analisa, raciocina, critica, apresenta soluções próprias. Quem ()escreve dá valor a si mesmo(), aprende a ver em profundidade, descobre o mérito relativo das coisas e põe às claras os enganos e os sofismas dos que nos pretendem ludibriar.
Escrever é o mais adequado meio para a formação de nossa personalidade, como seres livres, independentes, realizados intimamente. Escrever é lutar contra os que nos impingem ideias prontas, frases feitas para substituir nossos pensamentos e nossa linguagem. Pensemos nisso. ()Dediquemo-nos à redação(), principalmente por esses motivos. A redação faz-nos meditar sobre a vida, sobre os homens e sobre nós mesmos. ()Leva-nos a ser mais humanos(), a amar nosso semelhante, a respeitá-lo, a comunicar-nos com ele mais frequentemente.
Em todo o segundo parágrafo, é evidenciado que a redação contribui paraRIBEIRO, Manoel Pinto. Gramática aplicada da Língua Portuguesa. Ed. Metáfora, 2003.
Questão 8370426
CN CN 2005 1 FaseU POR 2006Texto II
Economia de palavras: um mal do século
O uso abusivo do coloquialismo na linguagem oral, especialmente entre os jovens, abre a polêmica entre os filólogos. Para uns, há uma dificuldade cada vez maior na expressão do pensamento. Para outros, o mais importante é se fazer entender pelo interlocutor.
Sétimo idioma mais falado no mundo, o português continua sendo um insondável mistério para a maioria absoluta de seus usuários. Os números comprovam: o brasileiro utiliza, em média, bem menos de um por cento das cerca de duzentas e sessenta mil palavras existentes na língua. A estimativa é do filólogo Antônio Houaiss, que constata com tristeza o empobrecimento da linguagem ao longo dos anos. Segundo ele, as novas gerações têm demonstrado uma dificuldade cada vez maior para articular o pensamento, pois não conseguem exprimir o que pensam. Opinião semelhante à do gramático Napoleão Mendes de Almeida, para quem o uso da linguagem coloquial incentiva a preguiça. Houaiss, anos, e Napoleão, anos, são os principais guardiões da integridade do vernáculo no País. Outro especialista, o professor de filologia e língua portuguesa da USP Dino Pretti atua em outra linha. Para ele, o falante culto não é aquele que domina perfeitamente todas as regras gramaticais, mas sim aquele que consegue adaptar o seu nível de linguagem de acordo com seu interlocutor, mesmo que isso resulte em agressões ocasionais ao vernáculo.
Antônio Houaiss traz na ponta da língua duas explicações para a dificuldade de articulação a que se refere: o abandono do setor educacional do País e os baixos salários dos professores.
Não há dúvida que a juventude urbana de hoje, como um todo, revela um relativo empobrecimento no uso da língua e de seu vocabulário. E isso por uma razão muito simples: nunca no Brasil o ensino primário, que é a base desta linguagem, foi tão torpe quanto está sendo.
Naturalmente, para as meras relações de amor, de comer, de locomover-se, é possível se comunicar com um número reduzido de palavras. Mas, à medida que os jovens tiverem que entrar no mercado de trabalho, e numa função relativamente qualificada, os horizontes verbais e gramaticais terão que se ampliar.
A partir da análise dos posicionamentos dos autores citados no texto, assinale a opção correta.Prodoctor, 1995. p. 42 (adaptado).
Questão 8370425
CN CN 2005 1 FaseU POR 2006Texto II
Economia de palavras: um mal do século
O uso abusivo do coloquialismo na linguagem oral, especialmente entre os jovens, abre a polêmica entre os filólogos. Para uns, há uma dificuldade cada vez maior na expressão do pensamento. Para outros, o mais importante é se fazer entender pelo interlocutor.
Sétimo idioma mais falado no mundo, o português continua sendo um insondável mistério para a maioria absoluta de seus usuários. Os números comprovam: o brasileiro utiliza, em média, bem menos de um por cento das cerca de duzentas e sessenta mil palavras existentes na língua. A estimativa é do filólogo Antônio Houaiss, que constata com tristeza o empobrecimento da linguagem ao longo dos anos. Segundo ele, as novas gerações têm demonstrado uma dificuldade cada vez maior para articular o pensamento, pois não conseguem exprimir o que pensam. Opinião semelhante à do gramático Napoleão Mendes de Almeida, para quem o uso da linguagem coloquial incentiva a preguiça. Houaiss, anos, e Napoleão, anos, são os principais guardiões da integridade do vernáculo no País. Outro especialista, o professor de filologia e língua portuguesa da USP Dino Pretti atua em outra linha. Para ele, o falante culto não é aquele que domina perfeitamente todas as regras gramaticais, mas sim aquele que consegue adaptar o seu nível de linguagem de acordo com seu interlocutor, mesmo que isso resulte em agressões ocasionais ao vernáculo.
Antônio Houaiss traz na ponta da língua duas explicações para a dificuldade de articulação a que se refere: o abandono do setor educacional do País e os baixos salários dos professores.
Não há dúvida que a juventude urbana de hoje, como um todo, revela um relativo empobrecimento no uso da língua e de seu vocabulário. E isso por uma razão muito simples: nunca no Brasil o ensino primário, que é a base desta linguagem, foi tão torpe quanto está sendo.
Naturalmente, para as meras relações de amor, de comer, de locomover-se, é possível se comunicar com um número reduzido de palavras. Mas, à medida que os jovens tiverem que entrar no mercado de trabalho, e numa função relativamente qualificada, os horizontes verbais e gramaticais terão que se ampliar.
Assinale a opção que apresenta o valor semântico correto para os termos destacados.Prodoctor, 1995. p. 42 (adaptado).
Questão 8370424
CN CN 2005 1 FaseU POR 2006Texto II
Economia de palavras: um mal do século
O uso abusivo do coloquialismo na linguagem oral, especialmente entre os jovens, abre a polêmica entre os filólogos. Para uns, há uma dificuldade cada vez maior na expressão do pensamento. Para outros, o mais importante é se fazer entender pelo interlocutor.
Sétimo idioma mais falado no mundo, o português continua sendo um insondável mistério para a maioria absoluta de seus usuários. Os números comprovam: o brasileiro utiliza, em média, bem menos de um por cento das cerca de duzentas e sessenta mil palavras existentes na língua. A estimativa é do filólogo Antônio Houaiss, que constata com tristeza o empobrecimento da linguagem ao longo dos anos. Segundo ele, as novas gerações têm demonstrado uma dificuldade cada vez maior para articular o pensamento, pois não conseguem exprimir o que pensam. Opinião semelhante à do gramático Napoleão Mendes de Almeida, para quem o uso da linguagem coloquial incentiva a preguiça. Houaiss, anos, e Napoleão, anos, são os principais guardiões da integridade do vernáculo no País. Outro especialista, o professor de filologia e língua portuguesa da USP Dino Pretti atua em outra linha. Para ele, o falante culto não é aquele que domina perfeitamente todas as regras gramaticais, mas sim aquele que consegue adaptar o seu nível de linguagem de acordo com seu interlocutor, mesmo que isso resulte em agressões ocasionais ao vernáculo.
Antônio Houaiss traz na ponta da língua duas explicações para a dificuldade de articulação a que se refere: o abandono do setor educacional do País e os baixos salários dos professores.
Não há dúvida que a juventude urbana de hoje, como um todo, revela um relativo empobrecimento no uso da língua e de seu vocabulário. E isso por uma razão muito simples: nunca no Brasil o ensino primário, que é a base desta linguagem, foi tão torpe quanto está sendo.
Naturalmente, para as meras relações de amor, de comer, de locomover-se, é possível se comunicar com um número reduzido de palavras. Mas, à medida que os jovens tiverem que entrar no mercado de trabalho, e numa função relativamente qualificada, os horizontes verbais e gramaticais terão que se ampliar.
Assinale a opção que apresenta a classificação gramatical correta para a palavra destacada.Prodoctor, 1995. p. 42 (adaptado).
Questão 8370423
CN CN 2005 1 FaseU POR 2006Texto II
Economia de palavras: um mal do século
O uso abusivo do coloquialismo na linguagem oral, especialmente entre os jovens, abre a polêmica entre os filólogos. Para uns, há uma dificuldade cada vez maior na expressão do pensamento. Para outros, o mais importante é se fazer entender pelo interlocutor.
Sétimo idioma mais falado no mundo, o português continua sendo um insondável mistério para a maioria absoluta de seus usuários. Os números comprovam: o brasileiro utiliza, em média, bem menos de um por cento das cerca de duzentas e sessenta mil palavras existentes na língua. A estimativa é do filólogo Antônio Houaiss, que constata com tristeza o empobrecimento da linguagem ao longo dos anos. Segundo ele, as novas gerações têm demonstrado uma dificuldade cada vez maior para articular o pensamento, pois não conseguem exprimir o que pensam. Opinião semelhante à do gramático Napoleão Mendes de Almeida, para quem o uso da linguagem coloquial incentiva a preguiça. Houaiss, anos, e Napoleão, anos, são os principais guardiões da integridade do vernáculo no País. Outro especialista, o professor de filologia e língua portuguesa da USP Dino Pretti atua em outra linha. Para ele, o falante culto não é aquele que domina perfeitamente todas as regras gramaticais, mas sim aquele que consegue adaptar o seu nível de linguagem de acordo com seu interlocutor, mesmo que isso resulte em agressões ocasionais ao vernáculo.
Antônio Houaiss traz na ponta da língua duas explicações para a dificuldade de articulação a que se refere: o abandono do setor educacional do País e os baixos salários dos professores.
Não há dúvida que a juventude urbana de hoje, como um todo, revela um relativo empobrecimento no uso da língua e de seu vocabulário. E isso por uma razão muito simples: nunca no Brasil o ensino primário, que é a base desta linguagem, foi tão torpe quanto está sendo.
Naturalmente, para as meras relações de amor, de comer, de locomover-se, é possível se comunicar com um número reduzido de palavras. Mas, à medida que os jovens tiverem que entrar no mercado de trabalho, e numa função relativamente qualificada, os horizontes verbais e gramaticais terão que se ampliar.
A partir do terceiro parágrafo, é correto afirmar que:Prodoctor, 1995. p. 42 (adaptado).
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