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Questão 8369696
CN CN 2006 1 FaseU POR 2007O amigo da onça
A Onça, que é bicho valente - mas nem sempre atilado, como se pensa — , estava quietinha no seu canto, quando lhe apareceu o compadre Lobo e lhe foi dizendo:— Saiba de uma coisa, comadre Onça: você - com perdão da palavra - não é, como supõe, o bicho mais valente e destemido que existe no mundo , nem também o Leão, com toda a sua prosa de rei dos animais.
— Como assim! - gritou a Onça, enfurecida — Então, como é isso, grande pedaço de idiota" Haverá bicho mais valente e poderoso do que eu"
O Lobo, adoçando a voz, respondeu:
— Ó comadre, me perdoe. Estou arrependido de dizer tal coisa ... Mas a minha intenção foi preveni-la contra um bicho terrível que apareceu nesta paragem. Uma pessoa prevenida vale por duas.
— Sim, não deixa você de ter alguma razão — acudiu a Onça mais acomodada. — Mas sempre quero saber o nome desse bicho. Como se chama?
— Esse bicho, comadre, chama-se homem, conforme me disse o amigo papagaio. Nunca vi em minha vida animal de mais perigosa valentia . Ele sim, e ninguém mais, é o que me parece ser mesmo o verdadeiro rei dos animais. Basta dizer que, de longe, o vi matar, com dois espirros, nada menos do que um leão e uma hiena . Ih! Comadre, com o estrondo dos espirros parecia que tudo ia pelos ares. Deus nos livre!
— Oh! Compadre, não me diga!
— É como lhe conto. E o que mais admira ê ser o bicho-homem de pequeno porte. Parece até fraco, e é muito mal servido de unhas e dentes. Deve ser um bicho misterioso e encantado.
— Pois bem, compadre, estou curiosa, e desejo que, sem demora, me conduza ao lugar onde se encontra tão estranho animal.
— Ah, comadre, peça-me tudo, menos isso. Pelos estragos que, de longe, vi o homem fazer com seus malditos espirros, nunca me atreveria a tal aventura ...
— Pois queira ou não queira, tem de mostrar-me o bicho, ou então, agora mesmo perderá a vida.
— Lá por isso não seja - disse o Lobo amedrontado. —Iremos. Mas havemos de tomar todas as precauções. —Eu com a sua licença— posso correr mais do que a comadre. Assim, levaremos uma embira daquelas que não arrebentam nuncaAmarro uma das pontas no pescoço da comadre e a outra em minha cintura. Em caso de perigo, se for preciso fugir, a comadre e eu corremos.
— Fugir! Veja lá o que diz! Você já viu, seu podrela, alguma vez onça fugir?
— Não me expliquei bem. Eu é que fugirei. A comadre será apenas arrastada por mim. Isso não é fugir. Está certo?
— Está bem. Faremos como propõe.
E partiram. A Onça com a embira atada ao pescoço, e o Lobo, muito respeitoso e tímido, a puxá-la.
Quando chegaram ao destino , o bicho-homem, surpreendido ao avistá-los, tirou da cinta a garrucha, e, atarantado, bateu fogo, isto é, espirrou, uma, duas vezes, que foi mesmo um estrondo de todos os diabos.
O Lobo então mais que depressa disparou numa corrida desabalada, redobrando quanto podia as forças para arrastar a Onça pela forte embira que tinha atado nopescoço dela .
De repente, já muito distante, o Lobo sentiu que a Onça estava mais pesada. Parou então e contemplou a companheira estendida no chão, com os dentes arreganhados, sem o mais leve movimento.
O Lobo, sem perceber que a Onça havia morrido enforcada no laço da embira - antes pensando que estivesse apenas cansada —, disse-lhe, tremendo como varas verdes.
— He lá, comadre! Não ri não que o negócio é sério!
GOMES, Lindolfo. IN:Os 100 melhores contos de humor da literatura universal. Org. Flávio Moreira da Costa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001, p. 522-3.
Questão 8369695
CN CN 2006 1 FaseU POR 2007O amigo da onça
A Onça, que é bicho valente - mas nem sempre atilado, como se pensa — , estava quietinha no seu canto, quando lhe apareceu o compadre Lobo e lhe foi dizendo:— Saiba de uma coisa, comadre Onça: você - com perdão da palavra - não é, como supõe, o bicho mais valente e destemido que existe no mundo , nem também o Leão, com toda a sua prosa de rei dos animais.
— Como assim! - gritou a Onça, enfurecida — Então, como é isso, grande pedaço de idiota" Haverá bicho mais valente e poderoso do que eu"
O Lobo, adoçando a voz, respondeu:
— Ó comadre, me perdoe. Estou arrependido de dizer tal coisa ... Mas a minha intenção foi preveni-la contra um bicho terrível que apareceu nesta paragem. Uma pessoa prevenida vale por duas.
— Sim, não deixa você de ter alguma razão — acudiu a Onça mais acomodada. — Mas sempre quero saber o nome desse bicho. Como se chama?
— Esse bicho, comadre, chama-se homem, conforme me disse o amigo papagaio. Nunca vi em minha vida animal de mais perigosa valentia . Ele sim, e ninguém mais, é o que me parece ser mesmo o verdadeiro rei dos animais. Basta dizer que, de longe, o vi matar, com dois espirros, nada menos do que um leão e uma hiena . Ih! Comadre, com o estrondo dos espirros parecia que tudo ia pelos ares. Deus nos livre!
— Oh! Compadre, não me diga!
— É como lhe conto. E o que mais admira ê ser o bicho-homem de pequeno porte. Parece até fraco, e é muito mal servido de unhas e dentes. Deve ser um bicho misterioso e encantado.
— Pois bem, compadre, estou curiosa, e desejo que, sem demora, me conduza ao lugar onde se encontra tão estranho animal.
— Ah, comadre, peça-me tudo, menos isso. Pelos estragos que, de longe, vi o homem fazer com seus malditos espirros, nunca me atreveria a tal aventura ...
— Pois queira ou não queira, tem de mostrar-me o bicho, ou então, agora mesmo perderá a vida.
— Lá por isso não seja - disse o Lobo amedrontado. —Iremos. Mas havemos de tomar todas as precauções. —Eu com a sua licença— posso correr mais do que a comadre. Assim, levaremos uma embira daquelas que não arrebentam nuncaAmarro uma das pontas no pescoço da comadre e a outra em minha cintura. Em caso de perigo, se for preciso fugir, a comadre e eu corremos.
— Fugir! Veja lá o que diz! Você já viu, seu podrela, alguma vez onça fugir?
— Não me expliquei bem. Eu é que fugirei. A comadre será apenas arrastada por mim. Isso não é fugir. Está certo?
— Está bem. Faremos como propõe.
E partiram. A Onça com a embira atada ao pescoço, e o Lobo, muito respeitoso e tímido, a puxá-la.
Quando chegaram ao destino , o bicho-homem, surpreendido ao avistá-los, tirou da cinta a garrucha, e, atarantado, bateu fogo, isto é, espirrou, uma, duas vezes, que foi mesmo um estrondo de todos os diabos.
O Lobo então mais que depressa disparou numa corrida desabalada, redobrando quanto podia as forças para arrastar a Onça pela forte embira que tinha atado nopescoço dela .
De repente, já muito distante, o Lobo sentiu que a Onça estava mais pesada. Parou então e contemplou a companheira estendida no chão, com os dentes arreganhados, sem o mais leve movimento.
O Lobo, sem perceber que a Onça havia morrido enforcada no laço da embira - antes pensando que estivesse apenas cansada —, disse-lhe, tremendo como varas verdes.
— He lá, comadre! Não ri não que o negócio é sério!
GOMES, Lindolfo. IN:Os 100 melhores contos de humor da literatura universal. Org. Flávio Moreira da Costa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001, p. 522-3.
Questão 16 82329
OBMEP Nível 2 2007Manuela quer pintar as quatro paredes de seu quarto usando as cores azul, rosa, verde e branco, cada parede de uma cor diferente. Ela não quer que as paredes azul e rosa fiquem de frente uma para a outra. De quantas maneiras diferentes ela pode pintar seu quarto?

Questão 9 82322
OBMEP Nível 2 2007José e seus parentes moram em algumas das cidades A, B, C, D e E, indicadas na figura com as distâncias entre elas. Ele saiu de sua cidade e viajou 13 km para visitar seu tio, depois mais 21 km para visitar sua irmã e, finalmente, mais 12 km para ver sua mãe. Em qual cidade mora a mãe de José?

Questão 33 10629263
CMSM 5ª Série 2006Leia o texto abaixo e depois responda ao item.
TEXTO

PECHADA
O apelido foi instantâneo. No primeiro dia de
aula, o aluno novo já estava sendo chamado de
“Gaúcho”. Porque era gaúcho. Recém-chegado do Rio
Grande do Sul, com um sotaque carregado.
[5] - Aí, Gaúcho!
- Fala, Gaúcho!
Perguntaram para a professora por que o gaúcho falava diferente. A professora explicou que cada região
tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão grandes assim. Afinal, todos falavam português. Variava a
pronúncia, mas a língua era uma só. E os alunos não achavam formidável que num país do tamanho do Brasil todos
[10] falassem a mesma língua, só com pequenas variações?
- Mas o Gaúcho fala “tu”- disse o gordo Jorge, que era quem mais implicava com o novato.
- E fala certo – disse a professora. – Pode-se dizer “tu” e pode-se dizer “você”. Os dois estão certos. Os
dois são português.
O gordo Jorge fez cara de quem não se entregara.
[15] Um dia o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que acontecera.
- O pai atravessou a sinaleira e pechou.
- O quê?
- O pai. Atravessou a sinaleira e pechou.
A professora sorriu. Depois achou que não era caso para sorrir. Afinal, o pai do menino atravessara uma
[20] sinaleira e pechara. Podia estar, naquele momento, em algum hospital. Gravemente pechado. Com pedaços de
sinaleira sendo retirados do seu corpo.
- O que foi que ele disse, tia? – quis saber o gordo Jorge.
- Que o pai dele atravessou uma sinaleira e pechou.
- O que é isso?
[25] - Gaúcho... quer dizer, Rodrigo: explique para a classe o que aconteceu.
- Nós vinha...
- Nós vínhamos.
- Nós vínhamos de auto, o pai não viu a sinaleira fechada, passou no vermelho e deu uma pechada noutro
auto.
[30] A professora varreu a classe com seu sorriso. Estava claro o que acontecera? Ao mesmo tempo procurava
uma tradução para o relato do gaúcho. Não podia admitir que não o entendera. Não com o gordo Jorge rindo
daquele jeito.
“Sinaleira”, obviamente, era sinal, semáforo.“Auto” era automóvel, carro. Mas “pechar” o que era?
Bater, claro. Mas de onde viera aquela estranha palavra? Só muitos dias depois a professora descobriu que
[35] “pechar” vinha do espanhol e queria dizer bater com o peito, e até lá teve que se esforçar para convencer o gordo
Jorge de que era mesmo brasileiro o que falava o novato. Que já ganhara outro apelido: Pechada.
- Aí, Pechada!
- Fala, Pechada!
(Luís Fernando Verissimo. Nova Escola, 2005.)
Na frase: "Ao mesmo tempo, procurava uma tradução para o relato do gaúcho." (linhas nº 30- 31), os termos sublinhados, são respectivamente:
Questão 8370564
MACK MACK 2006 2 FaseU PFQ 2006
Assinale a alternativa correta.01 Parabéns. Estou encantado com seu sucesso. Chegar aqui não foi
02 fácil, eu sei. Na verdade, suspeito que foi um pouco mais difícil do
03 que você imagina. Para início de conversa, para você estar aqui
04 agora, trilhões de átomos agitados tiveram de se reunir de uma
05 maneira intrincada e intrigantemente providencial a fim de criá-lo.
06 Essa é uma organização tão especializada e particular que nunca
07 antes foi tentada e só existirá desta vez. Nos próximos anos, essas
08 partículas minúsculas se dedicarão totalmente aos bilhões de esforços
09 jeitosos e cooperativos necessários para mantê-lo intacto e deixá-lo
10 experimentar o estado agradabilíssimo, mas ao qual não damos o
11 devido valor, conhecido como existência.
(Fonte: Adaptado de Bill Bryson)
06
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