Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 6 170575
CEFET MG 2010A questão refere-se ao texto a seguir.
Texto I
Por uma globalização mais humana
A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna- se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.
A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna- se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.
Todo o planeta é praticamente coberto por um único sistema técnico, tornado indispensável à produção e ao intercâmbio e fundamento do consumo, em suas novas formas.
Graças às novas técnicas, a informação pode se difundir instantaneamente por todo o planeta, e o conhecimento do que se passa em um lugar é possível em todos os pontos da Terra.
A produção globalizada e a informação globalizada permitem a emergência de um lucro em escala mundial, buscado pelas firmas globais que constituem o verdadeiro motor da atividade econômica.
Tudo isso é movido por uma concorrência superlativa entre os principais agentes econômicos – a competitividade.
Num mundo assim transformado, todos os lugares tendem a tornar-se globais, e o que acontece em qualquer ponto do ecúmeno (parte habitada da Terra) tem relação com o acontece em todos os demais.
Daí a ilusão de vivermos num mundo sem fronteiras, uma aldeia global. Na realidade, as relações chamadas globais são reservadas a um pequeno número de agentes, os grandes bancos e empresas transnacionais, alguns Estados, as grandes organizações internacionais.
Infelizmente, o estágio atual da globalização está produzindo ainda mais desigualdades. E, ao contrário do que se esperava, crescem o desemprego, a pobreza, a fome, a insegurança do cotidiano, num mundo que se fragmenta e onde se ampliam as fraturas sociais.
A droga, com sua enorme difusão, constitui um dos grandes flagelos desta época.
O mundo parece, agora, girar sem destino. É a chamada globalização perversa. Ela está sendo tanto mais perversa porque as enormes possibilidades oferecidas pelas conquistas científicas e técnicas não estão sendo adequadamente usadas.
Não cabe, todavia, perder a esperança, porque os progressos técnicos obtidos neste fim de século 20, se usados de uma outra maneira, bastariam para produzir muito mais alimentos do que a população atual necessita e, aplicados à medicina, reduziriam drasticamente as doenças e a mortalidade.
Um mundo solidário produzirá muitos empregos, ampliando um intercâmbio pacífico entre os povos e eliminando a belicosidade do processo competitivo, que todos os dias reduz a mão-de-obra. É possível pensar na realização de um mundo de bem-estar, onde os homens serão mais felizes, um outro tipo de globalização.
Milton Santos – Folha Online - 08 de junho de 2009.
"Um mundo solidário produzirá muitos empregos, ampliando um intercâmbio pacífico entre os povos e eliminando a belicosidade do processo competitivo (...)"
A oração sublinhada acima está corretamente interpretada em:
Questão 5 170574
CEFET MG 2010A questão refere-se ao texto a seguir.
Texto I
Por uma globalização mais humana
A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna- se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.
A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna- se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.
Todo o planeta é praticamente coberto por um único sistema técnico, tornado indispensável à produção e ao intercâmbio e fundamento do consumo, em suas novas formas.
Graças às novas técnicas, a informação pode se difundir instantaneamente por todo o planeta, e o conhecimento do que se passa em um lugar é possível em todos os pontos da Terra.
A produção globalizada e a informação globalizada permitem a emergência de um lucro em escala mundial, buscado pelas firmas globais que constituem o verdadeiro motor da atividade econômica.
Tudo isso é movido por uma concorrência superlativa entre os principais agentes econômicos – a competitividade.
Num mundo assim transformado, todos os lugares tendem a tornar-se globais, e o que acontece em qualquer ponto do ecúmeno (parte habitada da Terra) tem relação com o acontece em todos os demais.
Daí a ilusão de vivermos num mundo sem fronteiras, uma aldeia global. Na realidade, as relações chamadas globais são reservadas a um pequeno número de agentes, os grandes bancos e empresas transnacionais, alguns Estados, as grandes organizações internacionais.
Infelizmente, o estágio atual da globalização está produzindo ainda mais desigualdades. E, ao contrário do que se esperava, crescem o desemprego, a pobreza, a fome, a insegurança do cotidiano, num mundo que se fragmenta e onde se ampliam as fraturas sociais.
A droga, com sua enorme difusão, constitui um dos grandes flagelos desta época.
O mundo parece, agora, girar sem destino. É a chamada globalização perversa. Ela está sendo tanto mais perversa porque as enormes possibilidades oferecidas pelas conquistas científicas e técnicas não estão sendo adequadamente usadas.
Não cabe, todavia, perder a esperança, porque os progressos técnicos obtidos neste fim de século 20, se usados de uma outra maneira, bastariam para produzir muito mais alimentos do que a população atual necessita e, aplicados à medicina, reduziriam drasticamente as doenças e a mortalidade.
Um mundo solidário produzirá muitos empregos, ampliando um intercâmbio pacífico entre os povos e eliminando a belicosidade do processo competitivo, que todos os dias reduz a mão-de-obra. É possível pensar na realização de um mundo de bem-estar, onde os homens serão mais felizes, um outro tipo de globalização.
Milton Santos – Folha Online - 08 de junho de 2009.
O pronome sublinhado refere-se ao termo colocado entre parênteses em:
Questão 3 170571
CEFET MG 2010A questão refere-se ao texto a seguir.
Texto I
Por uma globalização mais humana
A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna- se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.
A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna- se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.
Todo o planeta é praticamente coberto por um único sistema técnico, tornado indispensável à produção e ao intercâmbio e fundamento do consumo, em suas novas formas.
Graças às novas técnicas, a informação pode se difundir instantaneamente por todo o planeta, e o conhecimento do que se passa em um lugar é possível em todos os pontos da Terra.
A produção globalizada e a informação globalizada permitem a emergência de um lucro em escala mundial, buscado pelas firmas globais que constituem o verdadeiro motor da atividade econômica.
Tudo isso é movido por uma concorrência superlativa entre os principais agentes econômicos – a competitividade.
Num mundo assim transformado, todos os lugares tendem a tornar-se globais, e o que acontece em qualquer ponto do ecúmeno (parte habitada da Terra) tem relação com o acontece em todos os demais.
Daí a ilusão de vivermos num mundo sem fronteiras, uma aldeia global. Na realidade, as relações chamadas globais são reservadas a um pequeno número de agentes, os grandes bancos e empresas transnacionais, alguns Estados, as grandes organizações internacionais.
Infelizmente, o estágio atual da globalização está produzindo ainda mais desigualdades. E, ao contrário do que se esperava, crescem o desemprego, a pobreza, a fome, a insegurança do cotidiano, num mundo que se fragmenta e onde se ampliam as fraturas sociais.
A droga, com sua enorme difusão, constitui um dos grandes flagelos desta época.
O mundo parece, agora, girar sem destino. É a chamada globalização perversa. Ela está sendo tanto mais perversa porque as enormes possibilidades oferecidas pelas conquistas científicas e técnicas não estão sendo adequadamente usadas.
Não cabe, todavia, perder a esperança, porque os progressos técnicos obtidos neste fim de século 20, se usados de uma outra maneira, bastariam para produzir muito mais alimentos do que a população atual necessita e, aplicados à medicina, reduziriam drasticamente as doenças e a mortalidade.
Um mundo solidário produzirá muitos empregos, ampliando um intercâmbio pacífico entre os povos e eliminando a belicosidade do processo competitivo, que todos os dias reduz a mão-de-obra. É possível pensar na realização de um mundo de bem-estar, onde os homens serão mais felizes, um outro tipo de globalização.
Milton Santos – Folha Online - 08 de junho de 2009.
Sobre o texto, pode-se afirmativar que:
I- O autor mostra-se incrédulo na capacidade humana de utilizar bem os avanços tecnológicos.
II- A globalização perversa opõe-se a um ideal de uso comum do progresso da ciência.
III- As relações globais são estabelecidas entre empresas de diferentes portes e diversos ramos.
IV- Os avanços científicos do mundo atual não são utilizados em toda sua potencialidade.
Estão corretas apenas as afirmativas
Questão 2 170570
CEFET MG 2010A questão refere-se ao texto a seguir.
Texto I
Por uma globalização mais humana
A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna- se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.
A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna- se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.
Todo o planeta é praticamente coberto por um único sistema técnico, tornado indispensável à produção e ao intercâmbio e fundamento do consumo, em suas novas formas.
Graças às novas técnicas, a informação pode se difundir instantaneamente por todo o planeta, e o conhecimento do que se passa em um lugar é possível em todos os pontos da Terra.
A produção globalizada e a informação globalizada permitem a emergência de um lucro em escala mundial, buscado pelas firmas globais que constituem o verdadeiro motor da atividade econômica.
Tudo isso é movido por uma concorrência superlativa entre os principais agentes econômicos – a competitividade.
Num mundo assim transformado, todos os lugares tendem a tornar-se globais, e o que acontece em qualquer ponto do ecúmeno (parte habitada da Terra) tem relação com o acontece em todos os demais.
Daí a ilusão de vivermos num mundo sem fronteiras, uma aldeia global. Na realidade, as relações chamadas globais são reservadas a um pequeno número de agentes, os grandes bancos e empresas transnacionais, alguns Estados, as grandes organizações internacionais.
Infelizmente, o estágio atual da globalização está produzindo ainda mais desigualdades. E, ao contrário do que se esperava, crescem o desemprego, a pobreza, a fome, a insegurança do cotidiano, num mundo que se fragmenta e onde se ampliam as fraturas sociais.
A droga, com sua enorme difusão, constitui um dos grandes flagelos desta época.
O mundo parece, agora, girar sem destino. É a chamada globalização perversa. Ela está sendo tanto mais perversa porque as enormes possibilidades oferecidas pelas conquistas científicas e técnicas não estão sendo adequadamente usadas.
Não cabe, todavia, perder a esperança, porque os progressos técnicos obtidos neste fim de século 20, se usados de uma outra maneira, bastariam para produzir muito mais alimentos do que a população atual necessita e, aplicados à medicina, reduziriam drasticamente as doenças e a mortalidade.
Um mundo solidário produzirá muitos empregos, ampliando um intercâmbio pacífico entre os povos e eliminando a belicosidade do processo competitivo, que todos os dias reduz a mão-de-obra. É possível pensar na realização de um mundo de bem-estar, onde os homens serão mais felizes, um outro tipo de globalização.
Milton Santos – Folha Online - 08 de junho de 2009.
A palavra sublinhada NÃO foi interpretada corretamente em:
Questão 18 170033
IFMT 2010/1Texto 4
O DESAFIO DE INCLUSÃO DAS CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN
Ruth de Aquino
[1] “Clara” não é normal – porque, aos sete anos, já é uma celebridade nacional. Sua vida não é como a das outras
crianças. De repente, “Clara” precisa pegar o avião de São Paulo para o Rio de Janeiro, perder aulas, deixar o
pai e correr com a mãe para a TV Globo para gravar cenas da novela Páginas da Vida. Ali, ela finge ser uma
menina discriminada por professores, órfã de mãe, rejeitada pelo pai, abandonada pela avó vilã e defendida por
uma mãe adotiva guerreira, a “Helena”. Nos bastidores das gravações, “Clara” é uma estrela. Coleguinhas a
cercam e mimam com beijinhos e biscoitos, jornalistas brasileiros e estrangeiros a assediam. “Clara” se cansa,
às vezes fica emburrada, mas está ali porque quer. Quando foi escolhida para interpretar a menina com
síndrome de Down na novela de Manoel Carlos e chacoalhar os preconceitos e mitos que continuam vivos na
população brasileira, seus pais, o cineasta Evaldo Mocarzel e Letícia Santos, explicaram que seria cansativo:
“Você quer mesmo fazer essa novela?”. “Eu vou fazer”, disse Joana Mocarzel, a “Clara” na vida real, com a
autonomia e convicção de uma criança feliz, aceita e bem resolvida. Assim como Joana, cerca de 8 mil bebês
nascem por ano no Brasil com síndrome de Down.
[2] Assumir um filho biológico Down e lutar por ele é uma atitude que todos compreendem e admiram. Adotar é uma
decisão que foge ao entendimento comum. Muitas pessoas inteligentes, educadas e instruídas reagem de forma
irracional. “Essa mulher deve ser internada.” Ou “essa mulher deve ser colocada num pedestal”. As duas reações
irritam igualmente a “Helenas”. Nem loucas nem santas. As mulheres que decidem adotar crianças Down o
fazem por motivos individuais e intransferíveis. Não existe nem um pingo de caridade nisso. Fazem por elas
mesmas, porque acham mais rica a vida assim. E se lançam num aprendizado que não tem fim.
[3] A falta de informação sobre o que é a síndrome de Down é a maior vilã. Mitos e tabus fortes vêm de tempos
remotos. Lendas diziam que essa s crianças eram “filhos da cobra”, por terem olhos puxados e o pescoço mais
grosso. Muitas eram sacrificadas, colocadas por xamãs em cestinhas com ovos para a cobra comer. Não menos
cruel é a atitude de tempos recentes. Por falta de estímulos e abandono, a maioria dos Down era deixada em
sanatórios e ficava retardada. Em 1866, essa anomalia genética foi primeiramente chamada de mongolismo, por
causa dos traços orientais identificados pelo médico inglês John Langdon Down. Daí a expressão mongolóide,
que se tornou pejorativa, associada a retardo mental. Só em 1958, o médico francês Jérome Lejeune detalhou a
síndrome genética e, em homenagem ao doutor Down, rebatizou a anomalia. Lajeune descobriu o que tornara os
Down “diferentes” dos outros e semelhantes entre si: um cromossomo extra no par 21, dos 23 pares de
cromossomos existentes em cada célula humana.
[4] A novela do horário nobre da Globo está levantando uma questão que ainda incomoda. A idéia de incluir uma
menina Down surgiu do longa-metragem dirigido por Evaldo Mocarzel, pai de Joana, a Clara da novela. Quando
Joana nasceu, Evaldo viu seu mundo desmoronar por falta de informação. Só aceitou a filha de fato quando ela
se submeteu a uma cirurgia de coração, aos 4 meses de idade. “Nesse momento”, diz Evaldo, “pensei: eu quero
ou não que essa menina vingue?”. Foi quando percebeu que sua felicidade dependia do sucesso da operação de
Joana. “Fiz o documentário que eu gostaria de ter visto na maternidade. Exorcizei meus fantasmas quando
Joana se operou”, diz ele.
Fonte: AQUINO, Ruth de. O desafio da inclusão de crianças com síndrome de Down. Revista Época, [s.l.:s.n.], [200-].
Na frase “[...] pensei: eu quero ou não que essa criança vingue?” (4º parágrafo), o sentido da palavra sublinhada pode ser definido, de acordo com o contexto em que foi utilizada, como:
Questão 16 170031
IFMT 2010/1Texto 4
O DESAFIO DE INCLUSÃO DAS CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN
Ruth de Aquino
[1] “Clara” não é normal – porque, aos sete anos, já é uma celebridade nacional. Sua vida não é como a das outras
crianças. De repente, “Clara” precisa pegar o avião de São Paulo para o Rio de Janeiro, perder aulas, deixar o
pai e correr com a mãe para a TV Globo para gravar cenas da novela Páginas da Vida. Ali, ela finge ser uma
menina discriminada por professores, órfã de mãe, rejeitada pelo pai, abandonada pela avó vilã e defendida por
uma mãe adotiva guerreira, a “Helena”. Nos bastidores das gravações, “Clara” é uma estrela. Coleguinhas a
cercam e mimam com beijinhos e biscoitos, jornalistas brasileiros e estrangeiros a assediam. “Clara” se cansa,
às vezes fica emburrada, mas está ali porque quer. Quando foi escolhida para interpretar a menina com
síndrome de Down na novela de Manoel Carlos e chacoalhar os preconceitos e mitos que continuam vivos na
população brasileira, seus pais, o cineasta Evaldo Mocarzel e Letícia Santos, explicaram que seria cansativo:
“Você quer mesmo fazer essa novela?”. “Eu vou fazer”, disse Joana Mocarzel, a “Clara” na vida real, com a
autonomia e convicção de uma criança feliz, aceita e bem resolvida. Assim como Joana, cerca de 8 mil bebês
nascem por ano no Brasil com síndrome de Down.
[2] Assumir um filho biológico Down e lutar por ele é uma atitude que todos compreendem e admiram. Adotar é uma
decisão que foge ao entendimento comum. Muitas pessoas inteligentes, educadas e instruídas reagem de forma
irracional. “Essa mulher deve ser internada.” Ou “essa mulher deve ser colocada num pedestal”. As duas reações
irritam igualmente a “Helenas”. Nem loucas nem santas. As mulheres que decidem adotar crianças Down o
fazem por motivos individuais e intransferíveis. Não existe nem um pingo de caridade nisso. Fazem por elas
mesmas, porque acham mais rica a vida assim. E se lançam num aprendizado que não tem fim.
[3] A falta de informação sobre o que é a síndrome de Down é a maior vilã. Mitos e tabus fortes vêm de tempos
remotos. Lendas diziam que essa s crianças eram “filhos da cobra”, por terem olhos puxados e o pescoço mais
grosso. Muitas eram sacrificadas, colocadas por xamãs em cestinhas com ovos para a cobra comer. Não menos
cruel é a atitude de tempos recentes. Por falta de estímulos e abandono, a maioria dos Down era deixada em
sanatórios e ficava retardada. Em 1866, essa anomalia genética foi primeiramente chamada de mongolismo, por
causa dos traços orientais identificados pelo médico inglês John Langdon Down. Daí a expressão mongolóide,
que se tornou pejorativa, associada a retardo mental. Só em 1958, o médico francês Jérome Lejeune detalhou a
síndrome genética e, em homenagem ao doutor Down, rebatizou a anomalia. Lajeune descobriu o que tornara os
Down “diferentes” dos outros e semelhantes entre si: um cromossomo extra no par 21, dos 23 pares de
cromossomos existentes em cada célula humana.
[4] A novela do horário nobre da Globo está levantando uma questão que ainda incomoda. A idéia de incluir uma
menina Down surgiu do longa-metragem dirigido por Evaldo Mocarzel, pai de Joana, a Clara da novela. Quando
Joana nasceu, Evaldo viu seu mundo desmoronar por falta de informação. Só aceitou a filha de fato quando ela
se submeteu a uma cirurgia de coração, aos 4 meses de idade. “Nesse momento”, diz Evaldo, “pensei: eu quero
ou não que essa menina vingue?”. Foi quando percebeu que sua felicidade dependia do sucesso da operação de
Joana. “Fiz o documentário que eu gostaria de ter visto na maternidade. Exorcizei meus fantasmas quando
Joana se operou”, diz ele.
Fonte: AQUINO, Ruth de. O desafio da inclusão de crianças com síndrome de Down. Revista Época, [s.l.:s.n.], [200-].
Nos aspectos fonológicos do texto, a acentuação gráfica da palavra biológico, na frase “Assumir um filho biológico Down e lutar por ele é uma atitude [...]” (2º parágrafo), obedece à mesma regra de acentuação da palavra:
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