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Questão 8367501
EFOMM EFOMM 2010 1 FaseU PORING 2010Bruno Lichtenstein
Rubem Braga
18 de Julho de 1939
Foi preso o menino Bruno Lichtenstein, que arrombou a Faculdade de Medicina. O menino Bruno Lichtenstein não é arrombador profissional. Apenas acontece que o menino Bruno Lichtenstein tem um amigo, e esse amigo é um cachorro, e esse cachorro ia ser trucidado cientificamente, para estudos, na Faculdade de Medicina. O poeta mineiro Djalma Andrade tem um soneto que acaba mais ou menos assim:
"se entre os amigos encontrei cachorros,
entre os cachorros encontrei-te, amigo”.
Mas com toda a certeza o menino Bruno Lichtenstein jamais leu esses versos. Também com certeza nunca lhe explicaram o que é vivissecção, nem lhe disseram que seu cão ia ser vivisseccionado. Tudo o que ele sabia é que lhe haviam carregado o cachorro e que iam matá-lo. Se fosse pedi-lo, naturalmente, não o dariam. Quem, neste mundo, haveria de se preocupar com o pobre menino Bruno Lichtenstein e o seu pobre cão? Mas o cachorro era seu amigo — e estava lá, metido em um porão, esperando a hora de morrer. E só uma pessoa no mundo podia salvá-lo: um menino pobre chamado Bruno Lichtenstein. Com esse sobrenome de principado, Bruno Lichtenstein é um garoto sem dinheiro. Não pagará a licença de seu amigo. Mas Bruno Lichtenstein havia de salvar a vida de seu amigo — de qualquer jeito. E jeito só havia um: ir lá e tirar o cachorro. De longe, Bruno Lichtenstein chorava, pensando ouvir o ganido triste de um condenado à morte. Via homens cruéis metendo o bisturi na carne quente de seu amigo: via sangue derramado. Horrível, horrível. Bruno Lichtenstein sentiu que seria o último dos infames se não agisse imediatamente.
Agiu. Escalou uma janela, arrebentou um vidro, saltou. Estava dentro do edifício. Andando pelas salas desertas, foi até onde estava o seu amigo. Sentiu que o seu coração batia mais depressa. Deu um assovio, um velho assovio de amizade.
Um vulto se destacou em um salto - e um focinho quente e úmido lambeu a mão de Bruno Lichtenstein. Agora era fugir para a rua, para a liberdade, para a vida...
Bruno Lichtenstein, da cabeça aos pés, tremia de susto e de alegria. Foi aí que ele ouviu uma voz áspera e espantada de homem. Era o dr. Loforte. O dr. Loforte surpreendeu o menino. Um menino podre, que tremia, que havia arrombado a Faculdade. Só podia ser um ladrão! Bruno Lichtenstein não explicou nada — e fez bem. Para o dr. Loforte um cachorro não é um cachorro — é um material de estudo como outro qualquer.
Na polícia apareceu o pai do menino. O pai, o professor e o delegado conversaram longamente — e Bruno Lichtenstein não ouvia nada. Só ouvia, lá longe, o ganir de um condenado à morte.
Já te entregaram o cachorro, esse cachorro ia ser trucidado cientificamente, para estudos, na Faculdade de Medicina. Tu o mereceste, porque tu foste amigo. Não te deram nem te darão medalha nenhuma — porque não há medalha nenhuma para distinguir a amizade. Mas te entregaram o teu cachorro, o cachorro que reivindicaste como um pequeno herói. Tu é um homem, Bruno Lichtenstein — um homem no sentido decente da palavra, muito mais homem que muito homem. Um aperto de mão, Bruno Lichtenstein.
"Bruno Lichtenstein não explicou nada — e fez bem." (5º parágrafo) O termo sublinhado cumpre a mesma função sintática que o termo destacado na opçãoBRAGA, Rubem. 1939 — Um episódio em Porto Alegre (Uma fada no front). Rio de Janeiro. Record, 2002. pg 37.
Questão 8367444
CN CN 2009 1 FaseU Demais 2010Eles blogam. E você?
Após o surgimento da rede mundial de computadores, no início da década de , testemunhamos uma revolução nas tecnologias de comunicação instantânea. Nós, que nascemos em um mundo anterior à internet, aprendemos a viver no universo constituído por coisas palpáveis: casas, máquinas, roupas etc. O contato se estabelecia entre seres humanos reais por meios "físicos”: cartas, telefonemas, encontros.
Em um mundo concreto, a escola não poderia ser diferente: livros, giz, carteiras, quadro-negro, mural. Esse espaço é ainda hoje definido por uma série de símbolos de um tempo passado e tem se mantido relativamente inalterado desde o século XIX. Os alunos atuais, porém, são nativos digitais. Em outras palavras: nasceram em um mundo no qual já existiam computadores, internet, telefone celular, tocadores de MP3, videogames, programas de comunicação instantânea (MSN, Google Talk etc.) e muitas outras ferramentas da era digital. Seu mundo é definido por coisas imateriais: imagens, dados e sons que trafegam e são armazenados no espaço virtual.
Um dos aspectos mais sedutores do ciberespaço é o seu poder de articulação social. Foi no fim da década de que os usuários da Internet descobriram uma ferramenta facilitadora da interação escrita entre diferentes pessoas conectadas em uma rede virtual: os weblogs, que logo ficaram conhecidos como blogs. O termo é formado pelas palavras web (rede, em inglês) e log (registro, anotação diária). A velocidade de reprodução da blogosfera é assustadora: mil novos blogs por dia, blog por semana.
O blog se caracteriza por apresentar as observações pessoais de seu "dono" (o criador do blog) sobre temas que variam de acordo com os interesses do blogueiro e também de acordo com o tipo de blog. As possibilidades são infinitas: há blogs pessoais, políticos, culturais, esportivos, jornalísticos, de humor etc.
Os textos que o blogueiro insere no blog são chamados de posts. Em português, o termo já deu origem a um verbo, "postar", que significa "escrever uma entrada em um blog". Os posts são cronológicos, porém apresentados em ordem inversa: sempre do mais recente para o mais antigo. Os internautas que visitam um blog podem fazer comentários aos posts.
Justamente porque facilitam a comunicação e permitem a interação entre usuários de todas as partes, os blogs são interessantes ferramentas pedagógicas. Se a escola é o espaço preferencial para a construção do conhecimento, nada mais lógico do que levar os blogs para a sala de aula, porque eles têm como vocação a produção de conteúdo. Por que não criar um blog de uma turma, do qual participem todos os alunos, para comentar temas atuais, para debater questões polêmicas, para criar um contexto real em que o texto escrito surja como algo natural?
Na blogosfera, informação é poder. E os jovens sabem disso, porque conhecem o ciberespaço. O entusiasmo pela criação de um blog coletivo certamente será acompanhado pelo desejo de transformá-lo em ponto de parada obrigatória para os leitores que vagam no universo virtual. E esse desejo será um motivador muito importante. Para conquistar leitores, os autores de um blog precisam não só ter o que dizer, mas, também, saber como dizer o que querem, escolher imagens instigantes, criar títulos provocadores.
Uma vez criado o blog da turma, as possibilidades pedagógicas a ele associadas multiplicam-se. Para gerar conteúdo consistente é necessário pesquisar, considerar diferentes pontos de vista sobre temas polêmicos, avaliar a necessidade de ilustrar determinados conceitos com imagens, definir critérios para a moderação dos comentários, escolher os temas preferenciais a serem abordados etc. Todos esses procedimentos estão na base da construção de conhecimento. Outro aspecto muito importante é que os jovens, em uma situação rara no espaço escolar, vão constatar que, nesse caso, quem domina o conhecimento são eles. Pela primeira vez não precisarão virar "analógicos" para se adaptar ao universo da sala de aula. Eu blogo. Eles blogam. E você?
ABAURRE, Maria Luiza. Revista Carta na Escola (adaptado).
Observe as frases abaixo.
Como continha informações imprecindíveis aos alunos, o blog teve repercusão imediata.
Um blog não deve ter conteúdo obsceno, que provoque ultraje ou constranja os usuários.
A criação de blogs das turmas começou como algo despretensioso, mas a destreza dos alunos motivou todo o colégio.
Graças à cessão de material por parte dos professores, minha turma teve o privilégio de criar um blog voltado para os assuntos tratados em sala.
Assinale a opção em que TODAS as palavras estão grafadas corretamente.
Questão 8367416
COTUCA COTUCA 2010 1 FaseU Gerais 2010Somente uma das redações abaixo está correta quanto ao emprego dos verbos; selecione-a.
Questão 8367415
COTUCA COTUCA 2010 1 FaseU Gerais 2010Observe os pares de frases:
1. Conversaram acerca da venda do imóvel.
2. Conversaram a cerca de duas horas sobre a venda do imóvel.
1. Pela janela entreaberta, testemunhou, abismado, que o monge dormia na sela.
2. Pela janela entreaberta, testemunhou, abismado, que o monge dormia na cela.
1. A descrição dos personagens não cabe neste contexto.
2. A discrição dos personagens não cabe neste contexto.
1. Os senadores mais velhos se preparavam para caçar tucanos.
2. Os senadores mais velhos se preparavam para cassar tucanos.
1. O magistrado empenhou-se para absolver o real sentido daquele depoimento.
2. Diante da falta de provas, um magistrado jamais irá absorver um réu.
Os dois empregos dos termos destacados se ajustam adequadamente ao contexto em:
Questão 8367414
COTUCA COTUCA 2010 1 FaseU Gerais 2010Nos exemplos de frases abaixo, há variações de sentido relacionadas ao uso de conectores diferentes.
1. Fazer um trabalho para a UNICAMP.
2. Fazer um trabalho na UNICAMP.
3. Fazer um trabalho sobre a UNICAMP.
4. Fazer um trabalho como a UNICAMP.
5. Fazer um trabalho com a UNICAMP.
Observe as possíveis variações de sentido e preencha os parênteses na ordem que reproduz uma correspondência adequada entre exemplos e seus significados.
() A UNICAMP sediou a realização do trabalho.
() O trabalho foi feito em parceria com a UNICAMP.
() A UNICAMP foi tema do trabalho.
() O trabalho seguiu a linha proposta pela UNICAMP.
() A UNICAMP solicitou o trabalho.
Assinale, agora, a alternativa que contém a sequência correta:
Questão 8367412
COTUCA COTUCA 2010 1 FaseU Gerais 2010
“Como toda menina, Maria queria uma amiga que estivesse sempre disposta a brincar com ela e a levasse a sério.”
“Como toda menina, Maria queria uma amiga que estivesse sempre disposta a brincar com ela e a levasse a sério.”
A partir da leitura do trecho acima, é correto afirmar que:
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