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Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto

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7.497 Questões

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Modo Escuro
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Questão 21 10251864
Fácil 00:00

EFOMM 1º Dia 2020
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Estratégias de leitura Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Exibir tags
Resolução comentada

Texto

 

Como Dizia Meu Pai


  Já se tomou hábito meu, em meio a uma conversa, preceder algum comentário por uma introdução:
    — Como dizia meu pai...
   Nem sempre me reporto a algo que ele realmente dizia, sendo apenas uma maneira coloquial de dar ênfase a alguma opinião.
   De uns tempos para cá, porém, comecei a perceber que a opinião, sem ser de caso pensado, parece de fato corresponder a alguma coisa que Seu Domingos costumava dizer. Isso significará talvez — Deus queira — que insensivelmente vou me tomando com o correr dos anos cada vez mais parecido com ele. Ou, pelo menos, me identificando com a herança espiritual que dele recebi. Não raro me surpreendo, antes de agir, tentando descobrir como ele agiria em semelhantes circunstâncias, repetindo uma atitude sua, até mesmo esboçando um gesto seu. Ao formular uma ideia, percebo que estou concebendo, para nortear meu pensamento, um princípio que, se não foi enunciado por ele, só pode ter sido inspirado por sua presença dentro de mim.
    — No fim tudo dá certo...
  Ainda ontem eu tranquilizava um de meus filhos com esta frase, sem reparar que repetia literalmente o que ele costumava dizer, sempre concluindo com olhar travesso:
     — Se não deu certo, é porque ainda não chegou no fim.
   Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamávamos paizinho, a subir pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da tarde, egresso do escritório situado no porão. Ou depois do jantar, sentado com minha mãe no sofá de palhinha da varanda, como namorados, trocando notícias do dia. Os filhos guardavam zelosa distância, até que ela ia aos seus afazeres e ele se punha à disposição de cada um, para ouvir nossos problemas e ajudar a resolvê-los. Finda a última audiência, passava a mão no chapéu e na bengala e saía para uma volta, um encontro eventual com algum amigo. Regressava religiosamente uma hora depois, e tendo descido a pé até o centro, subia sempre de bonde. Se acaso ainda estávamos acordados, podíamos contar com o saquinho de balas que o paizinho nunca deixava de trazer.
    Costumava se distrair realizando pequenos consertos domésticos: uma boia de descarga, a bucha de uma torneira, um fusível queimado. Dispunha para isso da necessária habilidade e de uma preciosa caixa de ferramentas em que ninguém mais podia tocar. Aprendi com ele como é indispensável, para a boa ordem da casa, ter à mão pelo menos um alicate e uma chave de fenda. Durante algum tempo andou às voltas com o velho relógio de parede que fora de seu pai, hoje me pertence e amanhã será de meu filho: estava atrasando. Depois de remexer durante vários dias em suas entranhas, deu por findo o trabalho, embora ao remontá-lo houvessem sobrado umas pecinhas, que alegou não fazerem falta. O relógio passou a funcionar sem atrasos, e as batidas a soar em horas desencontradas. Como, aliás, acontece até hoje.
    Tinha por hábito emitir um pequeno sopro de assovio, que tanto podia ser indício de paz de espírito como do esforço para controlar a perturbação diante de algum aborrecimento.
     — As coisas são como são e não como deviam ser. Ou como gostaríamos que fossem.
    Este pronunciamento se fazia ouvir em geral quando diante de uma fatalidade a que não se poderia fugir. Queria dizer que devemos nos conformar com o fato de nossa vontade não poder prevalecer sobre a vontade de Deus - embora jamais fosse assim eloquente em suas conclusões. Estas quase sempre eram, mesmo, eivadas de certo ceticismo preventivo ante as esperanças vãs:
    — O que não tem solução, solucionado está.
    E tudo que acontece é bom — talvez não chegasse ao cúmulo do otimismo de afirmar isso, como seu filho Gerson, mas não vacilava em sustentar que toda mudança é para melhor: se mudou, é porque não estava dando certo. E se quiser que mude, não podendo fazer nada para isso, espere, que mudará por si.
     [...]
    Tudo isso que de uns tempos para cá me vem ocorrendo, às vezes inconscientemente, como legado de meu pai, teve seu coroamento há poucos dias, quando eu ia caminhando distraído pela praia. Revirava na cabeça, não sei a que propósito, uma frase ouvida desde a infância e que fazia parte de sua filosofia: não se deve aumentar a aflição dos aflitos. Esta máxima me conduziu a outra, enunciada por Carlos Drummond de Andrade no filme que fiz sobre ele, a qual certamente Seu Domingos perfilharia: não devemos exigir das pessoas mais do que elas podem dar. De repente fui fulminado por uma verdade tão absoluta que tive de parar, completamente zonzo, fechando os olhos para entender melhor. No entanto era uma verdade evangélica, de clareza cintilante como um raio de sol, cheguei a fazer uma vênia de gratidão a Seu Domingos por me havê-la enviado:
    — Só há um meio de resolver qualquer problema nosso: é resolver primeiro o do outro.
    Com o tempo, a cidade foi tomando conhecimento do seu bom senso, da experiência adquirida ao longo de uma vida sem maiores ambições: Seu Domingos, além de representante de umas firmas inglesas, era procurador de partes — solene designação para uma atividade que hoje talvez fosse referida como a de um despachante. A princípio os amigos, conhecidos, e depois até desconhecidos passaram a procurá-lo para ouvir um conselho ou receber dele uma orientação. Era de se ver a romaria no seu escritório todas as manhãs: um funcionário que dera desfalque, uma mulher abandonada pelo marido, um pai agoniado com problemas do filho — era gente assim que vinha buscar com ele alívio para a sua dúvida, o seu medo, a sua aflição. O próprio Governador, que não o conhecia pessoalmente, certa vez o consultou através de um secretário, sobre questão administrativa que o atormentava. Não se falando nos filhos: mesmo depois de ter saído de casa, mais de uma vez tomei trem ou avião e fui colher uma palavra sua que hoje tanta falta me faz.
    Resta apenas evocá-la, como faço agora, para me servir de consolo nas horas más. No momento, ele próprio está aqui a meu lado, com o seu sorriso bom.

SABINO, Fernando. A volta por cima. In: Obra Reunida v. III. Rio de Janeiro: Ed. Nova Aguilar, 1996. (Texto adaptado)

Com base no texto, responda às questões que se seguem.

“Não raro me surpreendo, antes de agir, tentando descobrir como ele agiria em semelhantes circunstâncias, repetindo uma atitude sua, até mesmo esboçando um gesto seu. Ao formular uma ideia, percebo que estou concebendo, para nortear meu pensamento, um princípio que se não foi enunciado por ele, só pode ter sido inspirado por sua presença dentro de mim.” (5°§)

Com base no fragmento acima pode-se afirmar que o narrador

 

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Questão 12 10184140
Fácil 00:00

CMM 1° Ano - Prova de Português 2020
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto Morfologia
  • Artigo Conjunções Gêneros textuais - Verbais/Dissertativos Preposição
  • Artigo de Opinião
  • Exibir tags
Resolução comentada

TEXTO

 

Como os videogames podem ser aliados da educação

 

    Eles são constantemente associados a efeitos negativos, como vício, sedentarismo e isolamento. Mas será que merecem mesmo a fama de vilão? Alguns educadores provam que, quando bem utilizados, os videogames são um eficiente recurso pedagógico, guiando um aprendizado mais interessante e significativo.
    Assim como os jogos tradicionais, os games ensinam regras, exercitam a tomada de decisão e ampliam a visão espaço-temporal e psicomotoras. A diferença que cativa é a alta tecnologia na produção de ação, sons, cores e imagens.
    “Os jogos eletrônicos têm um nível de interatividade, de imersão e de operatividade que seduz os jogadores das diferentes faixas etárias. Eles garantem protagonismo e oportunidade para que o usuário seja autor do processo”, define Lynn Alves, doutora em Educação e Comunicação e coordenadora do núcleo Comunidades Virtuais, da Universidade do Estado da Bahia. [...]

Fonte: http://fundacaotelefonicavivo.org.br/educacao-do-seculo-xxi/como-os-videogames-podem-ser-aliados-da- educacao/. Adaptado.

Assinale a ordem da classificação morfológica dos termos em negrito em: “Ela, ainda, considera fundamental a alternância sadia e equilibrada entre atividade intelectual e prática”:

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Questão 4 10183963
Fácil 00:00

CMM 1° Ano - Prova de Português 2020
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Estratégias de leitura Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Reportagem
  • Exibir tags
Resolução comentada

TEXTO

 

Jogo Eletrônico: amigo ou vilão?

 

    - Meu filho, há quanto tempo você está na frente desse joguinho? Vamos desligar, rápido! E não joga mais até o fim de semana, escutou??
    Quem de vocês nunca ouviu essas palavras da mamãe ou do papai? Os jogos eletrônicos são uma febre nos dias de hoje, quase todas as crianças tiveram ou têm acesso a jogos de videogame ou de computador. E, cá entre nós, quase todas gostam muito, não é mesmo?
    Os pais é que costumam ficar muito apreensivos com esse tipo de diversão de seus pequenos, porque acham que jogar videogame não ensina nada de bom a seus filhos. Mas você sabia que especialistas enxergam muitos pontos positivos na cultura digital?
    O professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, na área de Tecnologias na Educação, Gilberto Lacerda, diz que não dá para negar que os jogos eletrônicos fazem parte da cultura do jovem hoje em dia, lembrando que cada vez crianças mais novas, de 4, 5 anos, já se dão muito bem nos joguinhos, deixando muitos adultos no chinelo.
    Longe de ser contrário a essa cultura, Gilberto Lacerda diz que os jogos eletrônicos contribuem para que os jovens desenvolvam várias habilidades, como raciocínio lógico e resolução rápida de problemas.
Quando os jogos são online, Lacerda diz que os jovens vivenciam um momento da capacidade de comunicação. Henry Jenkins, especialista em jogos de aprendizado, diz que os jogos eletrônicos encorajam as crianças a adquirirem riscos intelectuais sem grandes medos de fracasso.
    “Unir o lúdico e o educativo é o grande desafio dos jogos eletrônicos”, destaca o professor Gilberto Lacerda.
    Até aí tudo bem. O problema, diz o professor Gilberto, é quando os jogos de computador se tornam a única forma de lazer da criança. Aí, cabe aos pais – ou quem estiver cuidando da criança – estabelecer limites para os jogos eletrônicos. [...]
    Mas ainda existem correntes educacionais que não valorizam tanto a associação entre crianças e jogos eletrônicos ou computadores, principalmente nos sete primeiros anos de vida. As escolas que seguem a pedagogia Waldorf têm como proposta pedagógica o foco no desenvolvimento humano e nas atividades manuais, como o preparo do lanche de cada dia. Ela, ainda, considera fundamental a alternância sadia e equilibrada entre atividade intelectual e prática.
    O professor Valdemar W. Setzer, da Universidade de São Paulo, é adepto da pedagogia Waldorf. Para ele, crianças deveriam ficar longe dos computadores porque o aparelho forçaria um pensamento matemático próprio dos adultos, o que seria prejudicial a essa fase da vida dos pequenos.

    Observe-se uma criança usando um computador: ela está numa atitude infantil ou adulta?, questiona o professor, que decreta: “deixem as crianças serem infantis, não lhes deem acesso a TV, jogos eletrônicos e computador!”. Ele também diz que o ser humano deve pensar antes de fazer algo, avaliando as consequências de seus atos.
     E se os joguinhos forem violentos, aí as críticas são maiores. Eles podem trazer aumento de comportamento agressivo, baixa autoestima, vício e introversão.

Fonte: http://www.plenarinho.gov.br/noticias/reportagem-especial/jogo-eletronico-amigo-ou-vilao. Adaptado.

O texto apresenta diversos argumentos de autoridade, citando especialistas como Gilberto Lacerda, Henry Jenkins e Valdemar W. Setzer.

 

De acordo com o texto, pode-se afirmar que:

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Questão 12 10173942
Fácil 00:00

CMC 1° Ano Prova de Portugues 2020
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Argumentativo Estratégias de leitura Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Conto
  • Exibir tags

TEXTO I

 

Os riscos da infância na rede
Livro discute o uso da tecnologia pelas crianças e alerta para os perigos da dependência virtual


         Especialistas em comportamento digital apontam que as crianças brasileiras são mais ativas do que a
média mundial na internet, o que as tornam perigosamente dependentes dos ambientes virtuais. Celulares e
tablets são cada vez mais usados para entreter os pequenos em situações de estresse, como refeições em
restaurantes, por exemplo. Perfis em redes sociais também são criados muito precocemente. Diante deste
cenário, já imaginou o que aconteceria se, de um dia para outro, todos os aparelhos eletrônicos deixassem de
funcionar? Essa é a proposta de Juliana Grasso, no recém-lançado livro “Amanhã, como será?”, da Tempo Editora.

Com foco no público infanto-juvenil, a publicação conta a história de Gabriel, um garoto de 11 anos
dependente de computadores, tablets e smartphones que se vê completamente perdido após uma tempestade
destruir todos os seus aparelhos eletrônicos. Com o acidente, o menino, que usava os dispositivos para estudar,
se comunicar e brincar, precisa redescobrir as brincadeiras e alegrias de uma infância sem tecnologia. A autora
se inspirou nas experiências cotidianas para escrever o livro,

“A tecnologia está super disponível, tanto para adultos, quanto para crianças. Hoje, mesmo muito
novinhas, elas assistem a vídeos pelo celular na hora de comer, o que faz muito mal”, diz Juliana. “É possível
retomar as formas antigas de contato, aprendizado e recreação.” Para ela, essa overdose de tecnologia na
infância pode transformar meninas e meninos em adultos antissociais e dependentes. Pesquisa “Kids of Today
and Tomorrow — Um olhar Bem Próximo Sobre Essa Geração”, da Viacom Internacional Media Networks,
valida essa afirmação. Ela indicou que, apesar de o cenário ser sombrio em praticamente todos os países
desenvolvidos, as crianças brasileiras têm uma predisposição maior ao vício virtual.

Disponível em: http:/istoe.com.br/os-riscos-da-infancia-na-rede Acesso em 23 set.2020.

 

TEXTO II

 

Perfis de redes sociais são retratos ideais de nós mesmos

 

Desde as priscas eras do Orkut, em minhas perambulações pelas redes sociais, noto o fenômeno. Entro no
perfil de uma moça e começo a olhar suas fotos: encontro-a ali ainda criança, vestida de odalisca, num Camaval
do século 20; a vejo com seu cachorro, numa praia, recentemente; com uma turma na piscina de um sítio, no
final da adolescência; numa 3x4 com o namorado, espremida na mesma cabine, talvez numa viagem à Europa.

Então, sem que eu me dê conta, um retrato puxa o meu olhar. Minha reação imediata, naquele interregno
mental em que as pupilas já captaram a imagem, mas o cérebro ainda não teve tempo de processá-la, é de
surpresa: como ela saiu bem nessa foto! Só um segundo depois percebo o engano: quem saiu bem não foi a
garota do perfil, mas a Penélope Cruz, Marilyn Monroe, Sarah Jessica Parker ou outra atriz famosa, cuja
imagem foi contrabandeada para aquele álbum por conta de alguma semelhança com sua dona. Olho as outras
fotos. Comparo. E da distância — às vezes menor, às vezes maior — entre a estrela de cinema e a mulher do
Facebook, surgem sentimentos contraditórios.
        De início, topar com a destoante atriz me dava certa pena: afinal, por mais bonita que fosse a moça, nunca
alcançava a musa. “Será que ela acredita mesmo ser parecida com a Sharon Stone?”, eu pensava com uma
pitada de vergonha alheia, como se estivesse diante de uma pessoa incapaz de lidar com a realidade, uma
pessoa com delírios de grandeza, com delírios de beleza.

Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação óbvia de que todo perfil de rede social é um retrato
ideal de nós mesmos. Se ponho um link para um filme de Woody Allen, se cito uma frase de Nietzsche; mesmo
quando posto uma foto de um churrasco, não estou eu, também, editando-me? Tentando pegar esse aglomerado
de defeitos, qualidades, ansiedades, desejos e frustrações e emoldurá-lo de modo a valorizar o quadro —
engraçado, profundo, hedonista?

Pensando bem, nem precisamos ir até o exagero das redes sociais — essa versão caricaturada de nós
mesmos. Toda vez que nos vestimos, que abrimos a boca para emitir uma opinião, toda vez que empurramos o
mundo pra baixo e o corpo pra frente, dando um passo, de peito aberto, ombros curvados, de nariz empinado ou
de olhos pro chão, estamos travando esta negociação entre o real e o ideal. Estamos enviando aos outros e a nós
mesmos a soma de nossos fardos e de nossas aspirações.

Há pobres que se vestem de ricos e ricos que se vestem de pobres, magrelos que andam de braços
arqueados, como se fossem musculosos, feiosos que entram em um restaurante crentes que são o George
Clooney e possíveis galãs e divas que, ignorantes ou culpados por suas belezas, caminham por aí mais
parecidos com Tims Burtons e Zezé de Macedos. No fim, acabamos sendo um meio-termo entre o ator e o
roteiro que tentamos escrever.

Hoje, portanto, admiro as moças que colocam fotos de belas atrizes entre as suas. Vejo ali um pouco de
ousadia, um pouco de esperança, e, acima de tudo, algo oposto ao que eu via antes: não um delírio, a tentativa
de fugir de si próprias, mas a capacidade de aceitarem-se na harmoniosa mistura entre o que são e o que
gostariam de ser.

Antônio Prata
Disponível em: littp:/wwwl folha .vol.com.br/ Acesso em 23 set.2020.

TEXTO III

 

Selfies 

 

Muita gente se irrita, e tem razão, com o uso indiscriminado dos celulares. Fossem só para falar, já seria
Tuim. Mas servem também para tirar fotografias, e com isso somos invadidos no Facebook com imagens de
gatos subindo na cortina, focinhos de cachorro farejando a câmera, pratos de torresmo, brownie e feijoada.

Se depender do que vejo com meus filhos — dez e 12 anos -, o tempo dos “selfies” está de todo modo
chegando ao fim. Eles já começam a achar ridícula a mania de tirar retratos de si mesmo em qualquer ocasião.
Torna-se até um motivo de preconceito para com os colegas.

“Fulaninha? Tira fotos na frente do espelho.” Hábito que pode ser compreensível, contudo. Imagino
alguém dedicado a melhorar sua forma física, registrando seus progressos semanais. Ou apenas entregue, no
início da adolescência, à descoberta de si mesmo.
         A bobeira se revela em outras situações: é o caso de quem tira um “selfie” tendo ao fundo a torre Eiffel,
ou (pior) ao lado de, sei lá, Tony Ramos ou Cauã Reymond.

Seria apenas o registro de algo importante que nos acontece — e tudo bem. O problema fica mais
complicado se pensarmos no caso das fotos de comida. Em primeiro lugar, vejo em tudo isso uma espécie de
degradação da experiência. Ou seja, é como se aquilo que vivemos de fato — uma estadia em Paris, o jantar num
restaurante — não pudesse ser vivido e sentido como aquilo que é.

Se me entrego a tirar fotos de mim mesmo na viagem, em vez de simplesmente viajar, posso — estar
fugindo das minhas próprias sensações. Desdobro o meu “self” (cabe bem a palavra) em duas entidades
distintas: aquela pessoa que está em Paris, e aquela que tira a foto de quem está em Paris.

Pode ser narcisismo, é claro. Mas o narcisismo não precisa viajar para lugar nenhum. À complicação não
surge do sujeito, surge do objeto. O que me incomoda é a torre Eiffel; o que fazer com ela? O que fazer de
minha relação com a torre Eiffel?

Poderia unir-me à paisagem, sentir como respiro diante daquela triunfal elevação de ferro e nuvem, deixar
que meu olhar atravesse o seu duro rendilhado que fosforesce ao sol, fazer-me diminuir entre as quatro vigas
curvas daquela catedral sem clero e sem paredes.

Perco tempo no centro imóvel desse mecanismo, que é como o ponteiro único de um relógio que tem seu
mostrador na circunferência do horizonte. Grupos de turistas se fazem e desfazem, há ruídos e crianças.

Pego, entretanto, o meu celular: tiro uma foto de mim mesmo na torre Eiffel. O mundo se fechou no visor
do aparelho. Não por acaso eu brinco, fazendo uma careta idiota; dou de costas para o monumento, mas estou
na verdade dando as costas para a vida.[...]

Talvez as coisas não sejam tão desesperadoras. Imagine-se que daqui a cem anos, depois de uma guerra
atômica e de uma catástrofe climática que destruam o mundo civilizado, um pesquisador recupere os “selfies” e
as fotos de batata frita.

“Como as pessoas eram felizes naquela época!” A alternativa seria dizer: “Como eram tontas!”.
Dependerá, por certo, dos humores do pesquisador.

Marcelo Coelho
Disponível em: http://marcelocoelho. blogfolha.uol.com br/2014/04/23/selfies.shtml Acesso em 23 set.2020.

TEXTO IV

 

Eu! Eu! Eu! A era do narcisismo digital


        Se Narciso, o personagem mitológico que caiu na água por estar contemplando seu reflexo, vivesse hoje,
inundaria suas redes sociais com selfies nas quais apareceria em primeiro plano mostrando seu físico invejável e
sua vida perfeita.

        Vivemos em uma época em que o narcisismo penetrou profundamente: buscamos a aprovação de amigos

— embora seja mais apropriado dizer seguidores, o que não é o mesmo — em redes sociais, para nos sentirmos

bem em relação a nós mesmos. E toda vez que recebemos um “like”, nosso ego cresce. Para obter esses

“gostos”, muitas pessoas projetam uma versão idealizada de si mesmas, alimentando o personagem que
desejam e não o que realmente são.

(Texto adaptado)

Disponível em: https:/hvww psicologia sdobrasil.com.br/eu-eu-eu-a-era-do-narcisismo-digital/ Acesso em 23 set.2020.
 

TEXTO V 

 

O Mito de Narciso

 

Segundo a lenda, Narciso nasceu na região grega da Boécia. Ele era muito belo e quando nasceu um dos
oráculos, chamado Tirésias, disse que Narciso seria muito atraente e que teria uma vida bem longa.
Entretanto, ele não deveria admirar sua beleza, ou melhor, ver seu rosto, uma vez que isso amaldiçoaria sua
vida.

Além de ter uma beleza estonteante, a qual despertava a atenção de muitas pessoas (homens e
mulheres), Narciso era arrogante e orgulhoso. E, ao invés de se apaixonar por outras pessoas que o
admiravam, ele ficou apaixonado por sua própria imagem, ao vê-la refletida num lago.

(Texto adaptado)
Disponível em: hteps://www.todamateria.com.br/o-mito-de-narcisa/ Acesso em 23 ser.2020.

O valor sintático-semântico da partícula “que”, na função de conjunção integrante, pode variar de acordo com a sua posição na frase, como no exemplo abaixo retirado do texto V. 


“Ele era muito belo e quando nasceu um dos oráculos, chamado Tirésias, — |
disse que Narciso seria muito atraente e que teria uma vida bem longa.” (linhas 1 e 2).


Identifique, dentre as alternativas extraídas dos fragmentos dos textos norteadores componentes desta prova, qual partícula “que” tem o mesmo valor sintático-semântico da apresentada no exemplo acima.

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Questão 8 10173779
Fácil 00:00

CMC 1° Ano Prova de Portugues 2020
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Estratégias de leitura Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Notícia
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Resolução comentada

 

TEXTO

 

Selfies 

 

Muita gente se irrita, e tem razão, com o uso indiscriminado dos celulares. Fossem só para falar, já seria
Tuim. Mas servem também para tirar fotografias, e com isso somos invadidos no Facebook com imagens de
gatos subindo na cortina, focinhos de cachorro farejando a câmera, pratos de torresmo, brownie e feijoada.

Se depender do que vejo com meus filhos — dez e 12 anos -, o tempo dos “selfies” está de todo modo
chegando ao fim. Eles já começam a achar ridícula a mania de tirar retratos de si mesmo em qualquer ocasião.
Torna-se até um motivo de preconceito para com os colegas.

“Fulaninha? Tira fotos na frente do espelho.” Hábito que pode ser compreensível, contudo. Imagino
alguém dedicado a melhorar sua forma física, registrando seus progressos semanais. Ou apenas entregue, no
início da adolescência, à descoberta de si mesmo.
         A bobeira se revela em outras situações: é o caso de quem tira um “selfie” tendo ao fundo a torre Eiffel,
ou (pior) ao lado de, sei lá, Tony Ramos ou Cauã Reymond.

Seria apenas o registro de algo importante que nos acontece — e tudo bem. O problema fica mais
complicado se pensarmos no caso das fotos de comida. Em primeiro lugar, vejo em tudo isso uma espécie de
degradação da experiência. Ou seja, é como se aquilo que vivemos de fato — uma estadia em Paris, o jantar num
restaurante — não pudesse ser vivido e sentido como aquilo que é.

Se me entrego a tirar fotos de mim mesmo na viagem, em vez de simplesmente viajar, posso — estar
fugindo das minhas próprias sensações. Desdobro o meu “self” (cabe bem a palavra) em duas entidades
distintas: aquela pessoa que está em Paris, e aquela que tira a foto de quem está em Paris.

Pode ser narcisismo, é claro. Mas o narcisismo não precisa viajar para lugar nenhum. À complicação não
surge do sujeito, surge do objeto. O que me incomoda é a torre Eiffel; o que fazer com ela? O que fazer de
minha relação com a torre Eiffel?

Poderia unir-me à paisagem, sentir como respiro diante daquela triunfal elevação de ferro e nuvem, deixar
que meu olhar atravesse o seu duro rendilhado que fosforesce ao sol, fazer-me diminuir entre as quatro vigas
curvas daquela catedral sem clero e sem paredes.

Perco tempo no centro imóvel desse mecanismo, que é como o ponteiro único de um relógio que tem seu
mostrador na circunferência do horizonte. Grupos de turistas se fazem e desfazem, há ruídos e crianças.

Pego, entretanto, o meu celular: tiro uma foto de mim mesmo na torre Eiffel. O mundo se fechou no visor
do aparelho. Não por acaso eu brinco, fazendo uma careta idiota; dou de costas para o monumento, mas estou
na verdade dando as costas para a vida.[...]

Talvez as coisas não sejam tão desesperadoras. Imagine-se que daqui a cem anos, depois de uma guerra
atômica e de uma catástrofe climática que destruam o mundo civilizado, um pesquisador recupere os “selfies” e
as fotos de batata frita.

“Como as pessoas eram felizes naquela época!” A alternativa seria dizer: “Como eram tontas!”.
Dependerá, por certo, dos humores do pesquisador.

Marcelo Coelho
Disponível em: http://marcelocoelho. blogfolha.uol.com br/2014/04/23/selfies.shtml Acesso em 23 set.2020.

 

Observe o texto, “Selfie”.

 

Considerando sua temática e características dos gêneros textuais, é correto afirmar que:

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Questão 7 10171450
Fácil 00:00

IFFar* 1° Ano - Processo Seletivo Cursos Técnicos Integra 2020
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Morfologia
  • Estrutura e formação das palavras
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Resolução comentada

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.

 

Você tem um segredo?

Bruna Lombardi


[01] Segredo é aquilo que você só conta para uma pessoa. Essa pessoa também só conta para uma
pessoa, que conta para mais alguém e assim por diante. E o seu segredo se torna uma fofoca
subterrânea, velada, que se comenta aos sussurros até que um dia, assim como a força das águas
arrebenta o dique, seu segredo não revelado explode e se espalha nas redes sociais.
[05] Como quem conta um conto aumenta um ponto, seu segredo – que passou por muitas bocas,
autores, colaboradores, gente criativa e com imaginação – se tornou ainda mais atraente, divertido,
inusitado. E aquilo que você, um dia, por impulso e confiança, passou adiante, agora volta para você,
num efeito bumerangue, só que com uma história agregada completamente surpreendente.
Todos gostamos de segredos, sem eles não existiria literatura, dramaturgia, conflito. Pessoas
[10] carregam segredos por uma vida, famílias compartilham segredos, crianças adoram segredos.
Como os gatos, somos todos muito curiosos.
A curiosidade é uma das forças mais motivadoras para o nosso crescimento.
Mas por que temos segredos?
Provavelmente porque in____imos alguma lei social, moral ou de valor pessoal. Escondemos
[15] coisas que, acreditamos, possam nos ferir ou ferir alguém. Possam machucar nossas relações,
pessoais ou profissionais, nossa imagem, nossa conduta, possam ter consequências que tememos.
Eu estava em Los Angeles quando Jack Nicholson, um dos ícones do cinema mundial, descobriu,
por meio de um repórter durante uma entrevista, que sua verdadeira mãe era, na verdade, sua irmã
June, e que Ethel, que ele acreditava ser sua mãe, era sua avó. Um segredo guardado durante
[20] décadas no coração dessas mulheres para se protegerem de uma sociedade puritana acabou revelado
e exposto na mídia, deixando Jack chocado e revoltado com as mulheres que tanto significavam para
ele. Isso deteriorou sua confiança nas mulheres e nos seus próprios relacionamentos.
Você pode imaginar quantos segredos se escondem atrás das janelas iluminadas de uma cidade,
quantos se espalham pelos campos, pelas pequenas aldeias, espremidos dentro da alma de cada um
[25] que os carregam?
A liberdade, a transparência, de ser o que somos e de revelar nossa verdade para o mundo vem
sendo conquistada aos poucos, mas seu preço é ainda muito alto.
A dor e o sofrimento que cada um se impinge escondendo alguma coisa também podem custar
caro demais. Podem custar uma vida.
[30] O nosso meio social deveria nos ajudar a expandir nossa alma, e não ser a nossa prisão.
Seja o que for, erro, desafeto, crime, traição, seja sua própria identidade, sua orientação sexual,
seu desejo, sua mudança, suas novas escolhas.
Existem milhões de pequenos e grandes segredos, de mentiras que pesam e nos sugam, de
fatos que drenam a nossa energia.
[35] Estamos nesse lindo planeta de passagem. Viemos para nos conhecermos e nos expressarmos,
para conquistarmos o nosso espaço, para descobrirmos a nossa missão.
Temos que conquistar o direito de ser quem somos e conseguir unificar o que a gente pensa, o
que a gente faz e o que a gente diz.

Texto adaptado. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas (09-08-2019)

Relativamente à Estrutura e Formação de Palavras, assinale a alternativa correta.

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