Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
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Questão 6 15497890
CPM/ERJ 6 Ano 2026Dez minutos de idade
A enfermeira surgida de uma porta me impôs silêncio com o dedo junto aos lábios e mandou-me entrar. Estava nascendo! Era um menino.
Nem bonito nem feio; tem boca, orelhas, sexo e nariz no seu devido lugar, cinco dedos em cada mão e em cada pé. Realizou a grande temeridade de nascer, e saiu-se bem da empreitada. Já enfrentou dez minutos de vida. Ainda traz consigo, nos olhinhos esgazeados, um resto de eternidade.
Portanto, alegremo-nos. A vida também não é bonita nem feia. Tem bocas que murmuram preces, orelhas sábias no escutar, sexos que se contentam, perfumes vários para o nariz, mãos que se apertam, dedos que acariciam, múltiplos caminhos para os pés. É verdade que algumas palavras, melhor fora nunca dizê-las, outras nunca escutá-las. Olhos há que procuram ver o que não podem, alguns narizes se metem onde não devem. Há muito prazer insatisfeito, muito desejo vão. Mãos que se fecham. Pés que se atropelam. Mas o simples ato de nascer já pressupõe tudo isso, o primeiro ar que se respira já contém as impurezas do mundo. O primeiro vagido é um desafio. A vida aceitou um novo corpo e o batismo vai traçar-lhe um destino. A luta se inicia: mais um que será salvo. Portanto, alegremo-nos.
Menino sem nome ainda, não te prometo nada. Não sei se terás infância: brinquedos, quintal, monte de areia, fruta verde, casca de árvore, passarinho, porão de fantasmas, formigas em fila, beira de rio, galinha no choco, caco de vidro, pé machucado. O mundo de hoje, tal como o estou vendo da janela do meu apartamento, desconfio que te reserva para a infância um miraculoso aparelho eletrocosmogônico de brincar. Ou apenas uma eterna garrafa de Coca-Cola e um delicioso Chicabon.
Aceita, menino, esses inofensivos divertimentos. Leva-os a sério, com toda aquela seriedade grave da infância, chupa o Chicabon, bebe a Coca-Cola, desmonta e torna a montar a miraculosa máquina de brincar de nosso século que a imaginação de teu pai jamais poderia sequer conceber. Impõe a essas coisas e a essa vida que te oferecerão como infância a sofreguidão da tua boca, a ousadia de teus olhos e a força de tuas mãos. Imprime a tudo que tocares a alegria que me deste por nasceres. Qualquer que seja tua infância, conquista-a, que te abençoo. Dela te nascerá uma convicção. Conquista-a também – e vá viver, em meu nome. Nada te posso dar senão um nome.
Nada te posso dar. No teu primeiro instante de vida minha estrela não se apagou. Partiu-se em duas e lá no alto uma delas te espera, será tua. Nada te posso dar senão um nome e esta estrela. Se acreditares em estrela, vai buscá-la.
SABINO, Fernando. Dez minutos de idade. In: A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962. p. 216-218.]. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13156/dez-minutosde-idade. Acesso em: 05 ago. 2025.
Glossário:
• Chicabon: picolé.
• Temeridade: ousadia excessiva.
• Esgazeados: agitados.
No trecho: “Aceita, menino, esses inofensivos divertimentos. Leva-os a sério, com toda aquela seriedade grave da infância, chupa o Chicabon, bebe a Coca-Cola, desmonta e torna a montar a miraculosa máquina de brincar de nosso século que a imaginação de teu pai jamais poderia sequer conceber.”, as palavras destacadas são consideradas verbos
Questão 5 15497768
CPM/ERJ 6 Ano 2026Dez minutos de idade
A enfermeira surgida de uma porta me impôs silêncio com o dedo junto aos lábios e mandou-me entrar. Estava nascendo! Era um menino.
Nem bonito nem feio; tem boca, orelhas, sexo e nariz no seu devido lugar, cinco dedos em cada mão e em cada pé. Realizou a grande temeridade de nascer, e saiu-se bem da empreitada. Já enfrentou dez minutos de vida. Ainda traz consigo, nos olhinhos esgazeados, um resto de eternidade.
Portanto, alegremo-nos. A vida também não é bonita nem feia. Tem bocas que murmuram preces, orelhas sábias no escutar, sexos que se contentam, perfumes vários para o nariz, mãos que se apertam, dedos que acariciam, múltiplos caminhos para os pés. É verdade que algumas palavras, melhor fora nunca dizê-las, outras nunca escutá-las. Olhos há que procuram ver o que não podem, alguns narizes se metem onde não devem. Há muito prazer insatisfeito, muito desejo vão. Mãos que se fecham. Pés que se atropelam. Mas o simples ato de nascer já pressupõe tudo isso, o primeiro ar que se respira já contém as impurezas do mundo. O primeiro vagido é um desafio. A vida aceitou um novo corpo e o batismo vai traçar-lhe um destino. A luta se inicia: mais um que será salvo. Portanto, alegremo-nos.
Menino sem nome ainda, não te prometo nada. Não sei se terás infância: brinquedos, quintal, monte de areia, fruta verde, casca de árvore, passarinho, porão de fantasmas, formigas em fila, beira de rio, galinha no choco, caco de vidro, pé machucado. O mundo de hoje, tal como o estou vendo da janela do meu apartamento, desconfio que te reserva para a infância um miraculoso aparelho eletrocosmogônico de brincar. Ou apenas uma eterna garrafa de Coca-Cola e um delicioso Chicabon.
Aceita, menino, esses inofensivos divertimentos. Leva-os a sério, com toda aquela seriedade grave da infância, chupa o Chicabon, bebe a Coca-Cola, desmonta e torna a montar a miraculosa máquina de brincar de nosso século que a imaginação de teu pai jamais poderia sequer conceber. Impõe a essas coisas e a essa vida que te oferecerão como infância a sofreguidão da tua boca, a ousadia de teus olhos e a força de tuas mãos. Imprime a tudo que tocares a alegria que me deste por nasceres. Qualquer que seja tua infância, conquista-a, que te abençoo. Dela te nascerá uma convicção. Conquista-a também – e vá viver, em meu nome. Nada te posso dar senão um nome.
Nada te posso dar. No teu primeiro instante de vida minha estrela não se apagou. Partiu-se em duas e lá no alto uma delas te espera, será tua. Nada te posso dar senão um nome e esta estrela. Se acreditares em estrela, vai buscá-la.
SABINO, Fernando. Dez minutos de idade. In: A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962. p. 216-218.]. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13156/dez-minutosde-idade. Acesso em: 05 ago. 2025.
Glossário:
• Chicabon: picolé.
• Temeridade: ousadia excessiva.
• Esgazeados: agitados.
O texto é considerado uma crônica, pois
Questão 4 15497628
CPM/ERJ 6 Ano 2026Dez minutos de idade
A enfermeira surgida de uma porta me impôs silêncio com o dedo junto aos lábios e mandou-me entrar. Estava nascendo! Era um menino.
Nem bonito nem feio; tem boca, orelhas, sexo e nariz no seu devido lugar, cinco dedos em cada mão e em cada pé. Realizou a grande temeridade de nascer, e saiu-se bem da empreitada. Já enfrentou dez minutos de vida. Ainda traz consigo, nos olhinhos esgazeados, um resto de eternidade.
Portanto, alegremo-nos. A vida também não é bonita nem feia. Tem bocas que murmuram preces, orelhas sábias no escutar, sexos que se contentam, perfumes vários para o nariz, mãos que se apertam, dedos que acariciam, múltiplos caminhos para os pés. É verdade que algumas palavras, melhor fora nunca dizê-las, outras nunca escutá-las. Olhos há que procuram ver o que não podem, alguns narizes se metem onde não devem. Há muito prazer insatisfeito, muito desejo vão. Mãos que se fecham. Pés que se atropelam. Mas o simples ato de nascer já pressupõe tudo isso, o primeiro ar que se respira já contém as impurezas do mundo. O primeiro vagido é um desafio. A vida aceitou um novo corpo e o batismo vai traçar-lhe um destino. A luta se inicia: mais um que será salvo. Portanto, alegremo-nos.
Menino sem nome ainda, não te prometo nada. Não sei se terás infância: brinquedos, quintal, monte de areia, fruta verde, casca de árvore, passarinho, porão de fantasmas, formigas em fila, beira de rio, galinha no choco, caco de vidro, pé machucado. O mundo de hoje, tal como o estou vendo da janela do meu apartamento, desconfio que te reserva para a infância um miraculoso aparelho eletrocosmogônico de brincar. Ou apenas uma eterna garrafa de Coca-Cola e um delicioso Chicabon.
Aceita, menino, esses inofensivos divertimentos. Leva-os a sério, com toda aquela seriedade grave da infância, chupa o Chicabon, bebe a Coca-Cola, desmonta e torna a montar a miraculosa máquina de brincar de nosso século que a imaginação de teu pai jamais poderia sequer conceber. Impõe a essas coisas e a essa vida que te oferecerão como infância a sofreguidão da tua boca, a ousadia de teus olhos e a força de tuas mãos. Imprime a tudo que tocares a alegria que me deste por nasceres. Qualquer que seja tua infância, conquista-a, que te abençoo. Dela te nascerá uma convicção. Conquista-a também – e vá viver, em meu nome. Nada te posso dar senão um nome.
Nada te posso dar. No teu primeiro instante de vida minha estrela não se apagou. Partiu-se em duas e lá no alto uma delas te espera, será tua. Nada te posso dar senão um nome e esta estrela. Se acreditares em estrela, vai buscá-la.
SABINO, Fernando. Dez minutos de idade. In: A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962. p. 216-218.]. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13156/dez-minutosde-idade. Acesso em: 05 ago. 2025.
Glossário:
• Chicabon: picolé.
• Temeridade: ousadia excessiva.
• Esgazeados: agitados.
No trecho: “Menino sem nome ainda, não te prometo nada”, o narrador assume um tom confessional.
O que essa escolha estilística revela sobre a visão do autor em relação às expectativas da paternidade e da infância?
Questão 3 15497602
CPM/ERJ 6 Ano 2026Dez minutos de idade
A enfermeira surgida de uma porta me impôs silêncio com o dedo junto aos lábios e mandou-me entrar. Estava nascendo! Era um menino.
Nem bonito nem feio; tem boca, orelhas, sexo e nariz no seu devido lugar, cinco dedos em cada mão e em cada pé. Realizou a grande temeridade de nascer, e saiu-se bem da empreitada. Já enfrentou dez minutos de vida. Ainda traz consigo, nos olhinhos esgazeados, um resto de eternidade.
Portanto, alegremo-nos. A vida também não é bonita nem feia. Tem bocas que murmuram preces, orelhas sábias no escutar, sexos que se contentam, perfumes vários para o nariz, mãos que se apertam, dedos que acariciam, múltiplos caminhos para os pés. É verdade que algumas palavras, melhor fora nunca dizê-las, outras nunca escutá-las. Olhos há que procuram ver o que não podem, alguns narizes se metem onde não devem. Há muito prazer insatisfeito, muito desejo vão. Mãos que se fecham. Pés que se atropelam. Mas o simples ato de nascer já pressupõe tudo isso, o primeiro ar que se respira já contém as impurezas do mundo. O primeiro vagido é um desafio. A vida aceitou um novo corpo e o batismo vai traçar-lhe um destino. A luta se inicia: mais um que será salvo. Portanto, alegremo-nos.
Menino sem nome ainda, não te prometo nada. Não sei se terás infância: brinquedos, quintal, monte de areia, fruta verde, casca de árvore, passarinho, porão de fantasmas, formigas em fila, beira de rio, galinha no choco, caco de vidro, pé machucado. O mundo de hoje, tal como o estou vendo da janela do meu apartamento, desconfio que te reserva para a infância um miraculoso aparelho eletrocosmogônico de brincar. Ou apenas uma eterna garrafa de Coca-Cola e um delicioso Chicabon.
Aceita, menino, esses inofensivos divertimentos. Leva-os a sério, com toda aquela seriedade grave da infância, chupa o Chicabon, bebe a Coca-Cola, desmonta e torna a montar a miraculosa máquina de brincar de nosso século que a imaginação de teu pai jamais poderia sequer conceber. Impõe a essas coisas e a essa vida que te oferecerão como infância a sofreguidão da tua boca, a ousadia de teus olhos e a força de tuas mãos. Imprime a tudo que tocares a alegria que me deste por nasceres. Qualquer que seja tua infância, conquista-a, que te abençoo. Dela te nascerá uma convicção. Conquista-a também – e vá viver, em meu nome. Nada te posso dar senão um nome.
Nada te posso dar. No teu primeiro instante de vida minha estrela não se apagou. Partiu-se em duas e lá no alto uma delas te espera, será tua. Nada te posso dar senão um nome e esta estrela. Se acreditares em estrela, vai buscá-la.
SABINO, Fernando. Dez minutos de idade. In: A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962. p. 216-218.]. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13156/dez-minutosde-idade. Acesso em: 05 ago. 2025.
Glossário:
• Chicabon: picolé.
• Temeridade: ousadia excessiva.
• Esgazeados: agitados.
A que se refere a “estrela” mencionada no final da crônica?
Questão 2 15497599
CPM/ERJ 6 Ano 2026Dez minutos de idade
A enfermeira surgida de uma porta me impôs silêncio com o dedo junto aos lábios e mandou-me entrar. Estava nascendo! Era um menino.
Nem bonito nem feio; tem boca, orelhas, sexo e nariz no seu devido lugar, cinco dedos em cada mão e em cada pé. Realizou a grande temeridade de nascer, e saiu-se bem da empreitada. Já enfrentou dez minutos de vida. Ainda traz consigo, nos olhinhos esgazeados, um resto de eternidade.
Portanto, alegremo-nos. A vida também não é bonita nem feia. Tem bocas que murmuram preces, orelhas sábias no escutar, sexos que se contentam, perfumes vários para o nariz, mãos que se apertam, dedos que acariciam, múltiplos caminhos para os pés. É verdade que algumas palavras, melhor fora nunca dizê-las, outras nunca escutá-las. Olhos há que procuram ver o que não podem, alguns narizes se metem onde não devem. Há muito prazer insatisfeito, muito desejo vão. Mãos que se fecham. Pés que se atropelam. Mas o simples ato de nascer já pressupõe tudo isso, o primeiro ar que se respira já contém as impurezas do mundo. O primeiro vagido é um desafio. A vida aceitou um novo corpo e o batismo vai traçar-lhe um destino. A luta se inicia: mais um que será salvo. Portanto, alegremo-nos.
Menino sem nome ainda, não te prometo nada. Não sei se terás infância: brinquedos, quintal, monte de areia, fruta verde, casca de árvore, passarinho, porão de fantasmas, formigas em fila, beira de rio, galinha no choco, caco de vidro, pé machucado. O mundo de hoje, tal como o estou vendo da janela do meu apartamento, desconfio que te reserva para a infância um miraculoso aparelho eletrocosmogônico de brincar. Ou apenas uma eterna garrafa de Coca-Cola e um delicioso Chicabon.
Aceita, menino, esses inofensivos divertimentos. Leva-os a sério, com toda aquela seriedade grave da infância, chupa o Chicabon, bebe a Coca-Cola, desmonta e torna a montar a miraculosa máquina de brincar de nosso século que a imaginação de teu pai jamais poderia sequer conceber. Impõe a essas coisas e a essa vida que te oferecerão como infância a sofreguidão da tua boca, a ousadia de teus olhos e a força de tuas mãos. Imprime a tudo que tocares a alegria que me deste por nasceres. Qualquer que seja tua infância, conquista-a, que te abençoo. Dela te nascerá uma convicção. Conquista-a também – e vá viver, em meu nome. Nada te posso dar senão um nome.
Nada te posso dar. No teu primeiro instante de vida minha estrela não se apagou. Partiu-se em duas e lá no alto uma delas te espera, será tua. Nada te posso dar senão um nome e esta estrela. Se acreditares em estrela, vai buscá-la.
SABINO, Fernando. Dez minutos de idade. In: A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962. p. 216-218.]. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13156/dez-minutosde-idade. Acesso em: 05 ago. 2025.
Glossário:
• Chicabon: picolé.
• Temeridade: ousadia excessiva.
• Esgazeados: agitados.
De acordo com o texto, como o autor descreve a vida?
Questão 39 15480396
CMRJ 6 ano 2026TEXTO
O Leão Covarde
Por todo esse tempo, Dorothy e os companheiros andaram em meio à densa floresta.
- Quanto tempo leva para sairmos da floresta? - perguntou ela ao Lenhador.
- Não sei, nunca fui à Cidade das Esmeraldas. Meu pai foi uma vez. Disse que a viagem é longa
e o percurso, perigoso, mas tudo fica bonito, próximo à cidade onde vive o Grande Oz. Não temos o
[5] que temer. Trouxe a lata de óleo, o Espantalho não se machuca e você traz na testa a marca que a
protege de qualquer perigo.
- Mas, e Totó? O que vai protegê-lo?
- Nós o protegeremos, caso corra perigo - disse o Lenhador.
Nesse exato momento, ouviu-se terrível rugido e um leão enorme surgiu no meio do caminho.
[10] Bastou erguer uma pata para o Espantalho voar para fora da estrada. Atacou o Lenhador de Lata com
garras afiadas.
O cachorrinho tinha, agora, um inimigo pela frente. Correu em direção à fera, e o leão abriu a
bocarra para devorá-lo. Dorothy, sentindo que poderia perder o amigo, sem avaliar o perigo, avançou
e deu um tapa no focinho do leão. Gritou:
[15] - Você não vai morder o Totó! Onde já se viu bicho do seu tamanho brigar com cachorrinho tão
pequeno? Não tem vergonha, não?
- Mas eu não mordi - disse o Leão, esfregando a pata no focinho, onde a menina tinha batido.
- Não, mas tentou. Você não passa de um covarde.
- Eu sei disso - disse o Leão, baixando a cabeça, envergonhado. - Sou mesmo um covarde, o que
[20] posso fazer?
- E eu é que vou saber? Imagine, atacar um homem de palha como o Espantalho!
- Ele é de palha, é? - perguntou o Leão, surpreso, ao ver Dorothy erguer o companheiro.
- É claro que é! - respondeu ela, ainda furiosa.
- Ah, então foi por isso que caiu fácil. Fiquei surpreso ao vê-lo sair voando. O outro também é
[25] de palha?
- Não, é de lata. - enquanto falava, ajudava o Lenhador a ficar em pé.
- Então foi por isso que estraguei as unhas. Quando arranharam a lata, senti um frio na espinha.
E esse animal que você gosta tanto, o que é?
- É Totó, o meu cachorro.
[30] - É de lata ou de palha?
- Nem de uma coisa nem de outra. É de carne.
- Como é estranho e pequenino, visto de perto. Ninguém atacaria um animalzinho desses, a não
ser um covarde como eu - disse, triste, o Leão.
- E por que você é covarde? - perguntou ela, admirada com a declaração.
[35] - Ah, é um mistério. Acho que nasci assim. Os outros animais da floresta pensam que sou valente,
pois o leão é considerado o Rei dos animais. Disseram-me que, se rugir alto, deixo todos apavorados
e fogem do meu caminho. Mas, se encontro alguém à minha frente, quem fica em pânico sou eu. Se
um elefante, tigre ou urso resolvesse me enfrentar, eu sairia correndo. Sou um completo covarde. Sorte
minha os bichos fugirem, mal ouvem o meu rugido.
[40] - Isso não está certo. O Rei dos Animais não pode ser um covarde. - disse o Espantalho.
- Sei disso - respondeu o Leão, enxugando uma lágrima com a ponta da cauda. - É o que me
deixa infeliz. Basta eu pressentir perigo que meu coração dispara.
- Talvez você tenha algum problema cardíaco - disse o Lenhador.
- É, pode ser - foi o comentário do Leão.
[45] - Se for, sorte sua. Prova que tem coração. Eu, como não tenho, jamais vou sofrer de doença
cardíaca.
O Leão, pensativo, disse:
- Talvez, se eu tivesse coração, não fosse covarde.
- Você tem cérebro? - perguntou o Espantalho.
[50] - Acho que sim. Nunca olhei para saber.
- Eu não tenho. Minha cabeça é cheia de palha. Por isso vou ao Grande Oz pedir que me dê um.
- E eu vou pedir um coração - disse o Lenhador.
- E eu, que me mande, com Totó, de volta para casa - acrescentou Dorothy.
- Posso ir com vocês? - perguntou o Leão. - A vida sem um pouco de coragem é insuportável.
[55] - Vai ser bom - disse a menina. - Assim os animais selvagens vão se manter afastados.
Mais uma vez, o grupo se pôs a caminho.
(BAUM, L. Frank. O Mágico de Oz. Tradução e adaptação Ugia Cademartori. São Paulo: FTD, 2008. p. 25-27)
Releia o trecho do texto a seguir e responda à questão proposta:
|
"Disse que a viagem é longa e o percurso, perigoso, mas tudo fica bonito, próximo à cidade onde vive o Grande Oz." (1. 3-4)
"- Você não vai morder o Totó! Onde já se viu bicho do seu tamanho brigar com cachorrinho tão pequeno?" (1. 15-16) |
A palavra "onde" aparece nos trechos acima com finalidades diferentes.
O primeiro "onde" se refere à cidade do Grande Oz.
O segundo
06
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