Questões de EFAF Português
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Questão 8366618
COTUCA COTUCA 2011 1 FaseU Gerais 2011Observe o trecho abaixo:
________ que ele chegara _________ São Paulo, não se contentara ________ apenas morar perto ________ sua casa, mas insistia __________ vê-la ________ todo momento, importunando-a com suas atitudes inconvenientes.
A alternativa que preencheria corretamente todas as lacunas é:
Questão 8366603
COTIL COTIL 2011 1 FaseU Gerais 2011O traje
Nunca nos lembramos desse nosso traje cotidiano que é a linguagem. Muitos a usam como trapos, mas, se tomassem consciência disso, ligeiro tratariam de melhorar, caprichar, conseguir uma vestimenta mais adequada.
Por que será que somos displicentes com esse instrumento tão nosso, o que mais empregamos, aquele que até crianças e analfabetos manejam a vida inteira?
Talvez nos tenhamos acostumado demais com ele. É demasiadamente nosso como um braço, um olho e nunca chegamos a nos dar realmente conta de que esse braço é meio curto, o olho meio vesgo ou míope.
Não falo na linguagem oral, nessa comunicação espontânea que obedece a leis próprias, que vão do menor esforço à coerção social. Falo da linguagem escrita, essa que os analfabetos não manejam, mas que muito doutor esgrime como se não soubesse além da cartilha.
Nem precisamos procurar os mais ignorantes. Abre-se jornal, abre-se revista (de cultura também, sim, senhores!) e os monstrinhos nos saltam aos olhos.
Pontuação? Ninguém sabe. Vírgulas parecem derramadas pela página por algum duende maluco, que quisesse brincar de fazer frases ambíguas, pensamentos tortos, expressões esmolambadas.
Verbos? "Detei-vos", "intervido", "mantesse" são mimos constantes. Não há sujeito que concorde com verbo numa página de fio a pavio. Lá pelas tantas um ouvido deseducado, um escriba relaxado solta as maiores heresias.
E a ortografia? Acreditem ou não, ainda agora ouço universitários e professores afirmando que "acento, para mim, não existe mais!"
Pobres alunos, de tão desanimados ou desiludidos mestres: lá vêm as crianças para casa trocando acentos como bêbados trocam as pernas.
Todas essas pessoas: estudantes, professores, jornalistas, intelectuais, morreriam de vergonha se fossem apanhados em público de cuecas ou trapos. Mas, olhe lá, a linguagem escrita de muita gente boa por aí não vai além de uma tanguinha de Adão e muito mal colocada... deixa à mostra um bom pedaço de vergonha.
O texto apresentado é predominantementeLUFT, Lya. Matéria do cotidiano. Porto Alegre: Grafosul; ELRS, 1978.
Questão 8366600
COTIL COTIL 2011 1 FaseU Gerais 2011O traje
Nunca nos lembramos desse nosso traje cotidiano que é a linguagem. Muitos a usam como trapos, mas, se tomassem consciência disso, ligeiro tratariam de melhorar, caprichar, conseguir uma vestimenta mais adequada.
Por que será que somos displicentes com esse instrumento tão nosso, o que mais empregamos, aquele que até crianças e analfabetos manejam a vida inteira?
Talvez nos tenhamos acostumado demais com ele. É demasiadamente nosso como um braço, um olho e nunca chegamos a nos dar realmente conta de que esse braço é meio curto, o olho meio vesgo ou míope.
Não falo na linguagem oral, nessa comunicação espontânea que obedece a leis próprias, que vão do menor esforço à coerção social. Falo da linguagem escrita, essa que os analfabetos não manejam, mas que muito doutor esgrime como se não soubesse além da cartilha.
Nem precisamos procurar os mais ignorantes. Abre-se jornal, abre-se revista (de cultura também, sim, senhores!) e os monstrinhos nos saltam aos olhos.
Pontuação? Ninguém sabe. Vírgulas parecem derramadas pela página por algum duende maluco, que quisesse brincar de fazer frases ambíguas, pensamentos tortos, expressões esmolambadas.
Verbos? "Detei-vos", "intervido", "mantesse" são mimos constantes. Não há sujeito que concorde com verbo numa página de fio a pavio. Lá pelas tantas um ouvido deseducado, um escriba relaxado solta as maiores heresias.
E a ortografia? Acreditem ou não, ainda agora ouço universitários e professores afirmando que "acento, para mim, não existe mais!"
Pobres alunos, de tão desanimados ou desiludidos mestres: lá vêm as crianças para casa trocando acentos como bêbados trocam as pernas.
Todas essas pessoas: estudantes, professores, jornalistas, intelectuais, morreriam de vergonha se fossem apanhados em público de cuecas ou trapos. Mas, olhe lá, a linguagem escrita de muita gente boa por aí não vai além de uma tanguinha de Adão e muito mal colocada... deixa à mostra um bom pedaço de vergonha.
Assinale a alternativa que melhor explica o que a autora expõe no último parágrafo do texto.LUFT, Lya. Matéria do cotidiano. Porto Alegre: Grafosul; ELRS, 1978.
Questão 8366599
COTIL COTIL 2011 1 FaseU Gerais 2011O traje
Nunca nos lembramos desse nosso traje cotidiano que é a linguagem. Muitos a usam como trapos, mas, se tomassem consciência disso, ligeiro tratariam de melhorar, caprichar, conseguir uma vestimenta mais adequada.
Por que será que somos displicentes com esse instrumento tão nosso, o que mais empregamos, aquele que até crianças e analfabetos manejam a vida inteira?
Talvez nos tenhamos acostumado demais com ele. É demasiadamente nosso como um braço, um olho e nunca chegamos a nos dar realmente conta de que esse braço é meio curto, o olho meio vesgo ou míope.
Não falo na linguagem oral, nessa comunicação espontânea que obedece a leis próprias, que vão do menor esforço à coerção social. Falo da linguagem escrita, essa que os analfabetos não manejam, mas que muito doutor esgrime como se não soubesse além da cartilha.
Nem precisamos procurar os mais ignorantes. Abre-se jornal, abre-se revista (de cultura também, sim, senhores!) e os monstrinhos nos saltam aos olhos.
Pontuação? Ninguém sabe. Vírgulas parecem derramadas pela página por algum duende maluco, que quisesse brincar de fazer frases ambíguas, pensamentos tortos, expressões esmolambadas.
Verbos? "Detei-vos", "intervido", "mantesse" são mimos constantes. Não há sujeito que concorde com verbo numa página de fio a pavio. Lá pelas tantas um ouvido deseducado, um escriba relaxado solta as maiores heresias.
E a ortografia? Acreditem ou não, ainda agora ouço universitários e professores afirmando que "acento, para mim, não existe mais!"
Pobres alunos, de tão desanimados ou desiludidos mestres: lá vêm as crianças para casa trocando acentos como bêbados trocam as pernas.
Todas essas pessoas: estudantes, professores, jornalistas, intelectuais, morreriam de vergonha se fossem apanhados em público de cuecas ou trapos. Mas, olhe lá, a linguagem escrita de muita gente boa por aí não vai além de uma tanguinha de Adão e muito mal colocada... deixa à mostra um bom pedaço de vergonha.
Frequentemente ocorrem incorreções na conjugação de alguns verbos, como bem exemplifica o texto: “detei-vos”, ”intervido”, “mantesse”. Falha da mesma natureza ocorre em todas as orações que seguem, exceto em:LUFT, Lya. Matéria do cotidiano. Porto Alegre: Grafosul; ELRS, 1978.
Questão 8366598
COTIL COTIL 2011 1 FaseU Gerais 2011O traje
Nunca nos lembramos desse nosso traje cotidiano que é a linguagem. Muitos a usam como trapos, mas, se tomassem consciência disso, ligeiro tratariam de melhorar, caprichar, conseguir uma vestimenta mais adequada.
Por que será que somos displicentes com esse instrumento tão nosso, o que mais empregamos, aquele que até crianças e analfabetos manejam a vida inteira?
Talvez nos tenhamos acostumado demais com ele. É demasiadamente nosso como um braço, um olho e nunca chegamos a nos dar realmente conta de que esse braço é meio curto, o olho meio vesgo ou míope.
Não falo na linguagem oral, nessa comunicação espontânea que obedece a leis próprias, que vão do menor esforço à coerção social. Falo da linguagem escrita, essa que os analfabetos não manejam, mas que muito doutor esgrime como se não soubesse além da cartilha.
Nem precisamos procurar os mais ignorantes. Abre-se jornal, abre-se revista (de cultura também, sim, senhores!) e os monstrinhos nos saltam aos olhos.
Pontuação? Ninguém sabe. Vírgulas parecem derramadas pela página por algum duende maluco, que quisesse brincar de fazer frases ambíguas, pensamentos tortos, expressões esmolambadas.
Verbos? "Detei-vos", "intervido", "mantesse" são mimos constantes. Não há sujeito que concorde com verbo numa página de fio a pavio. Lá pelas tantas um ouvido deseducado, um escriba relaxado solta as maiores heresias.
E a ortografia? Acreditem ou não, ainda agora ouço universitários e professores afirmando que "acento, para mim, não existe mais!"
Pobres alunos, de tão desanimados ou desiludidos mestres: lá vêm as crianças para casa trocando acentos como bêbados trocam as pernas.
Todas essas pessoas: estudantes, professores, jornalistas, intelectuais, morreriam de vergonha se fossem apanhados em público de cuecas ou trapos. Mas, olhe lá, a linguagem escrita de muita gente boa por aí não vai além de uma tanguinha de Adão e muito mal colocada... deixa à mostra um bom pedaço de vergonha.
LUFT, Lya. Matéria do cotidiano. Porto Alegre: Grafosul; ELRS, 1978.
Compare o uso das aspas nos trechos a seguir:
"Detei-vos”, "intervido” "mantesse”.
Universitários e professores afirmando que “acento, para mim, não existe mais! ”
Assinale a alternativa errada:
Questão 8366581
EFOMM EFOMM 2011 1 FaseU PORING 2011A última crônica
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando- se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. Ao meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho — um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns pra você. . .“ Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo, O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido — vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
Em todos os períodos a expressão sublinhada é efetivamente um adjetivo, exceto em:SABINO, Fernando. A companheira de viagem. Rio de Janeiro: Record, 1972.
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