Questões de EFAF Português
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Questão 8366811
ETECSP ETECSP 2011 1 FaseU Gerais 2011Em , Armando Nogueira publicou o livro em que aparece a crônica que você lerá a seguir. Considere-a para responder à questão.
A rua do Caloca
Bendito o bairro em que os meninos ainda podem jogar futebol pelas calçadas. Ipanema, as ruas amenas de Ipanema estão sempre cheias de meninos a chutar bolas. Hoje de manhã, mesmo, passei por dois garotinhos, um de seis anos, outro de três, no máximo: o maior ensinava, pacientemente, o menor a chutar com o peito do pé, e, ontem, a turma da Rua Barão de Jaguaribe enfrentou o time da Rua Redentor.
Quando estou folgado, subo e desço as ruas da vizinhança, olhando os meninos no futebol: são vinte, trinta de cada lado, todos garotinhos abaixo de dez anos, ardendo na pelada que nunca tem hora para acabar; não há muito rigor contra a violência, e só uma regra é respeitada – a mão na bola. Tocou o dedo na bola, falta, "quem cobra sou eu", e forma-se um bolinho em volta da bola, parece cobrança de pênalti no Maracanã.
De quando em quando, um automóvel interrompe a partida de futebol, mas invariavelmente os motoristas têm o carinho de reduzir a marcha a uma velocidade que não ponha em risco a vida das crianças e que, por outro lado, lhes permite desfrutar, ainda que como espectadores, das emoções da pelada.
Das ruas, a mais encantadora, sem desmerecer as outras, é a Redentor, que eu saúdo como a rua do time do Caloca. Pena é que, numa das esquinas, more uma senhora estranha ao clima espiritual deste bairro, onde as meninas brincam de cantigas de roda e os meninos de jogar futebol.
Se eu fosse alguma coisa neste país, já teria corrido de Ipanema aquela mulher rabugenta, que, na presença de vinte meninos, furou a bola deles com uma tesoura e, depois, cortou em pedacinhos. Só porque uma rebatida imprecisa do Diguinho jogou a bola contra a casa dela.
Era uma bonita bola, rosada, seleção de ouro, que os meninos tinham comprado em uma vaquinha por novecentos cruzeiros.
NOGUEIRA, Armando. Na grande área. Rio de Janeiro: Bloch editores, 1966 (adaptado).
Imagine que a foto a seguir será escolhida para ilustrar o texto. Pensando nisso e considerando apenas as informações presentes na imagem, identifique o trecho ideal da crônica para servir de legenda à foto.
(“Futebol na rua”, foto de Jorge Luís Stocker Jr. Disponível em: www.flickr.com/photos/thesapox/page5. Acesso em: 22 ago. 2010.)
Questão 8366810
ETECSP ETECSP 2011 1 FaseU Gerais 2011Assinale a alternativa cujos verbos completam, correta e respectivamente, o texto a seguir.
Ontem, um dos capitães dos times de basquete não __________ comparecer à reunião, por isso decidimos adiá-la para o próximo domingo.
______ na sede do clube, às horas e, quem se _______ a chegar mais cedo, poderá assistir a uma palestra sobre as regras do rúgbi.
Questão 8366777
EPCAR EPCAR 2011 1 FaseU MATPOR 2011Bruxos, vampiros e avatares
A tecnologia abre territórios fascinantes, e ameaça nos controlar: se pensarmos um pouco, sentiremos medo
Lya Luft
Cibernéticos e virtuais, nadamos num rio de novidades (18) e nos consideramos moderníssimos. (25) Um turbilhão de recursos trazidos pela ciência, pela tecnologia, nos atrai ou confunde. Se somos mais velhos, nos faz crer que jamais pegaremos esse bonde — embora ele seja para todos os que se dispuserem a nele subir, (14) não necessariamente para ser campeões ou heróis.
A tecnologia abre territórios fascinantes, e ameaça nos controlar: se pensarmos um pouco, sentiremos medo (12). O que mais vem por aí, quanto podemos lidar com essas novidades, sem saber direito quais são as positivas, quanto servem para promover progresso ou para nos exterminar ao toque do botão (19) de algum demente no poder" Exageradamente entregues a esses jogos cada dia inovados, vamos nos perder da nossa natureza real, o instinto" Viramos homens e mulheres pós-modernos, sem saber o que isso significa; (06) somos cibernéticos, somos twitteiros e blogueiros, (10) mas não passamos disso. (01) E, se não formos muito equilibrados, vamos nos transformar em hackers, e o mundo que exploda.
Sobre a sensação de onipotência que esse mundo (20) novo nos confere, lembro a história deliciosa do aborígine (16) que, contratado para guiar o cientista carregado de instrumentos refinados, disse-lhe: “Você e sua gente não são muito espertos, porque precisam de todas essas ferramentas simplesmente para andar no mato (26) e observar os animais".
Não vamos regredir: a civilização anda segundo seu próprio arbítrio. (09) Mas, como quase todas as coisas, seus produtos criam ambiguidade pelo excesso de aberturas e pelo receio diante do novo, (03) (21) que precisa ser domesticado, para se tornar nosso servo útil. As possibilidades do mundo virtual são quase infinitas. Sua sedução é intensa. Tão enganador quanto fascinante, no que tange à comunicação. (08) Imenso, variado, assustador, rumoroso, ameaçador e frio, porque impessoal (27). Nesse mundo difuso, somos quase onipotentes, sem maior responsabilidade, pois cada ação nem sempre corresponde a uma consequência (04) e ainda podemos nos esconder no anonimato. Criam-se sérias questões morais e éticas não resolvidas nesse território: através da mesma ferramenta que nos abre universos e nos comunica com o outro, caluniamos e somos caluniados, ameaçamos e somos ameaçados, nos despersonalizamos, nos entregamos a atividades estranhas, algumas perversas; espiamos, espreitamos, maldizemos amigos e desconhecidos, odiamos celebridades, cortamos a cabeça de quem se destaca porque se torna objeto de inveja e ressentimento, escutamos mensagens sombrias e cumprimos, talvez, ordens sinistras.
Relacionamentos pessoais começam e terminam, bem ou mal, nesse campo virtual — não muito diferente do mundo dito real, dos bares, festas e trabalho, faculdade e escola (23). Para as crianças, esse universo extenso e invasivo pode ser uma grande escola, um mestre inesgotável, um salão de jogos divertido (22) em que elas imediatamente se sentem à vontade, (05) (13) sem os limites dos adultos. Mas pode ser a estrada dos pedófilos, a alcova dos doentes, ou a passagem sobre o limite do natural e lúdico para o obsessivo e perverso.
Como quase tudo neste mundo nosso, duplo é o gume: (07) comunicar-se é positivo, mas sinais feitos na sombra, sem verdadeiro nome nem rosto, podem acabar em fantasmáticas perseguições e males(24). Singularmente, mas de maneira muito significativa, enquanto estamos velozes e espertos no computador, criando mundos virtuais, e jogando jogos cada vez mais complexos, (02) buscamos o nevoeiro desse anonimato e, na época das maiores inovações, curtimos voar com bruxos em suas vassouras, namorar vampiros e inventar avatares que vão de engraçados a sinistros. (17)
Estimulante, múltiplo, tão rico, resta saber o que vamos fazer nesse novo mundo — ou o que ele vai fazer de nós (11). Quando soubermos, estaremos afixados nele como borboletas presas com alfinete debaixo da tampa de vidro ou vaga-lumes em potes de geleia vazios, naquelas noites de verão quando a infância era apenas aquela, inocente, que ainda espia sobre nossos ombros.
Revista Veja. 17 fev. 2010
Assinale a alternativa em que a reescrita do período não afeta o seu conteúdo semântico nem o gramatical.Questão 8366776
EPCAR EPCAR 2011 1 FaseU MATPOR 2011Bruxos, vampiros e avatares
A tecnologia abre territórios fascinantes, e ameaça nos controlar: se pensarmos um pouco, sentiremos medo
Lya Luft
Cibernéticos e virtuais, nadamos num rio de novidades (18) e nos consideramos moderníssimos. (25) Um turbilhão de recursos trazidos pela ciência, pela tecnologia, nos atrai ou confunde. Se somos mais velhos, nos faz crer que jamais pegaremos esse bonde — embora ele seja para todos os que se dispuserem a nele subir, (14) não necessariamente para ser campeões ou heróis.
A tecnologia abre territórios fascinantes, e ameaça nos controlar: se pensarmos um pouco, sentiremos medo (12). O que mais vem por aí, quanto podemos lidar com essas novidades, sem saber direito quais são as positivas, quanto servem para promover progresso ou para nos exterminar ao toque do botão (19) de algum demente no poder" Exageradamente entregues a esses jogos cada dia inovados, vamos nos perder da nossa natureza real, o instinto" Viramos homens e mulheres pós-modernos, sem saber o que isso significa; (06) somos cibernéticos, somos twitteiros e blogueiros, (10) mas não passamos disso. (01) E, se não formos muito equilibrados, vamos nos transformar em hackers, e o mundo que exploda.
Sobre a sensação de onipotência que esse mundo (20) novo nos confere, lembro a história deliciosa do aborígine (16) que, contratado para guiar o cientista carregado de instrumentos refinados, disse-lhe: “Você e sua gente não são muito espertos, porque precisam de todas essas ferramentas simplesmente para andar no mato (26) e observar os animais".
Não vamos regredir: a civilização anda segundo seu próprio arbítrio. (09) Mas, como quase todas as coisas, seus produtos criam ambiguidade pelo excesso de aberturas e pelo receio diante do novo, (03) (21) que precisa ser domesticado, para se tornar nosso servo útil. As possibilidades do mundo virtual são quase infinitas. Sua sedução é intensa. Tão enganador quanto fascinante, no que tange à comunicação. (08) Imenso, variado, assustador, rumoroso, ameaçador e frio, porque impessoal (27). Nesse mundo difuso, somos quase onipotentes, sem maior responsabilidade, pois cada ação nem sempre corresponde a uma consequência (04) e ainda podemos nos esconder no anonimato. Criam-se sérias questões morais e éticas não resolvidas nesse território: através da mesma ferramenta que nos abre universos e nos comunica com o outro, caluniamos e somos caluniados, ameaçamos e somos ameaçados, nos despersonalizamos, nos entregamos a atividades estranhas, algumas perversas; espiamos, espreitamos, maldizemos amigos e desconhecidos, odiamos celebridades, cortamos a cabeça de quem se destaca porque se torna objeto de inveja e ressentimento, escutamos mensagens sombrias e cumprimos, talvez, ordens sinistras.
Relacionamentos pessoais começam e terminam, bem ou mal, nesse campo virtual — não muito diferente do mundo dito real, dos bares, festas e trabalho, faculdade e escola (23). Para as crianças, esse universo extenso e invasivo pode ser uma grande escola, um mestre inesgotável, um salão de jogos divertido (22) em que elas imediatamente se sentem à vontade, (05) (13) sem os limites dos adultos. Mas pode ser a estrada dos pedófilos, a alcova dos doentes, ou a passagem sobre o limite do natural e lúdico para o obsessivo e perverso.
Como quase tudo neste mundo nosso, duplo é o gume: (07) comunicar-se é positivo, mas sinais feitos na sombra, sem verdadeiro nome nem rosto, podem acabar em fantasmáticas perseguições e males(24). Singularmente, mas de maneira muito significativa, enquanto estamos velozes e espertos no computador, criando mundos virtuais, e jogando jogos cada vez mais complexos, (02) buscamos o nevoeiro desse anonimato e, na época das maiores inovações, curtimos voar com bruxos em suas vassouras, namorar vampiros e inventar avatares que vão de engraçados a sinistros. (17)
Estimulante, múltiplo, tão rico, resta saber o que vamos fazer nesse novo mundo — ou o que ele vai fazer de nós (11). Quando soubermos, estaremos afixados nele como borboletas presas com alfinete debaixo da tampa de vidro ou vaga-lumes em potes de geleia vazios, naquelas noites de verão quando a infância era apenas aquela, inocente, que ainda espia sobre nossos ombros.
Revista Veja. 17 fev. 2010
Assinale a alternativa em que a relação semântica apresentada nos parênteses não está presente no excerto analisado.Questão 8366774
EPCAR EPCAR 2011 1 FaseU MATPOR 2011Bruxos, vampiros e avatares
A tecnologia abre territórios fascinantes, e ameaça nos controlar: se pensarmos um pouco, sentiremos medo
Lya Luft
Cibernéticos e virtuais, nadamos num rio de novidades (18) e nos consideramos moderníssimos. (25) Um turbilhão de recursos trazidos pela ciência, pela tecnologia, nos atrai ou confunde. Se somos mais velhos, nos faz crer que jamais pegaremos esse bonde — embora ele seja para todos os que se dispuserem a nele subir, (14) não necessariamente para ser campeões ou heróis.
A tecnologia abre territórios fascinantes, e ameaça nos controlar: se pensarmos um pouco, sentiremos medo (12). O que mais vem por aí, quanto podemos lidar com essas novidades, sem saber direito quais são as positivas, quanto servem para promover progresso ou para nos exterminar ao toque do botão (19) de algum demente no poder" Exageradamente entregues a esses jogos cada dia inovados, vamos nos perder da nossa natureza real, o instinto" Viramos homens e mulheres pós-modernos, sem saber o que isso significa; (06) somos cibernéticos, somos twitteiros e blogueiros, (10) mas não passamos disso. (01) E, se não formos muito equilibrados, vamos nos transformar em hackers, e o mundo que exploda.
Sobre a sensação de onipotência que esse mundo (20) novo nos confere, lembro a história deliciosa do aborígine (16) que, contratado para guiar o cientista carregado de instrumentos refinados, disse-lhe: “Você e sua gente não são muito espertos, porque precisam de todas essas ferramentas simplesmente para andar no mato (26) e observar os animais".
Não vamos regredir: a civilização anda segundo seu próprio arbítrio. (09) Mas, como quase todas as coisas, seus produtos criam ambiguidade pelo excesso de aberturas e pelo receio diante do novo, (03) (21) que precisa ser domesticado, para se tornar nosso servo útil. As possibilidades do mundo virtual são quase infinitas. Sua sedução é intensa. Tão enganador quanto fascinante, no que tange à comunicação. (08) Imenso, variado, assustador, rumoroso, ameaçador e frio, porque impessoal (27). Nesse mundo difuso, somos quase onipotentes, sem maior responsabilidade, pois cada ação nem sempre corresponde a uma consequência (04) e ainda podemos nos esconder no anonimato. Criam-se sérias questões morais e éticas não resolvidas nesse território: através da mesma ferramenta que nos abre universos e nos comunica com o outro, caluniamos e somos caluniados, ameaçamos e somos ameaçados, nos despersonalizamos, nos entregamos a atividades estranhas, algumas perversas; espiamos, espreitamos, maldizemos amigos e desconhecidos, odiamos celebridades, cortamos a cabeça de quem se destaca porque se torna objeto de inveja e ressentimento, escutamos mensagens sombrias e cumprimos, talvez, ordens sinistras.
Relacionamentos pessoais começam e terminam, bem ou mal, nesse campo virtual — não muito diferente do mundo dito real, dos bares, festas e trabalho, faculdade e escola (23). Para as crianças, esse universo extenso e invasivo pode ser uma grande escola, um mestre inesgotável, um salão de jogos divertido (22) em que elas imediatamente se sentem à vontade, (05) (13) sem os limites dos adultos. Mas pode ser a estrada dos pedófilos, a alcova dos doentes, ou a passagem sobre o limite do natural e lúdico para o obsessivo e perverso.
Como quase tudo neste mundo nosso, duplo é o gume: (07) comunicar-se é positivo, mas sinais feitos na sombra, sem verdadeiro nome nem rosto, podem acabar em fantasmáticas perseguições e males(24). Singularmente, mas de maneira muito significativa, enquanto estamos velozes e espertos no computador, criando mundos virtuais, e jogando jogos cada vez mais complexos, (02) buscamos o nevoeiro desse anonimato e, na época das maiores inovações, curtimos voar com bruxos em suas vassouras, namorar vampiros e inventar avatares que vão de engraçados a sinistros. (17)
Estimulante, múltiplo, tão rico, resta saber o que vamos fazer nesse novo mundo — ou o que ele vai fazer de nós (11). Quando soubermos, estaremos afixados nele como borboletas presas com alfinete debaixo da tampa de vidro ou vaga-lumes em potes de geleia vazios, naquelas noites de verão quando a infância era apenas aquela, inocente, que ainda espia sobre nossos ombros.
Revista Veja. 17 fev. 2010
Segundo o texto, é incorreto afirmar queQuestão 8366773
EPCAR EPCAR 2011 1 FaseU MATPOR 2011Bruxos, vampiros e avatares
A tecnologia abre territórios fascinantes, e ameaça nos controlar: se pensarmos um pouco, sentiremos medo
Lya Luft
Cibernéticos e virtuais, nadamos num rio de novidades (18) e nos consideramos moderníssimos. (25) Um turbilhão de recursos trazidos pela ciência, pela tecnologia, nos atrai ou confunde. Se somos mais velhos, nos faz crer que jamais pegaremos esse bonde — embora ele seja para todos os que se dispuserem a nele subir, (14) não necessariamente para ser campeões ou heróis.
A tecnologia abre territórios fascinantes, e ameaça nos controlar: se pensarmos um pouco, sentiremos medo (12). O que mais vem por aí, quanto podemos lidar com essas novidades, sem saber direito quais são as positivas, quanto servem para promover progresso ou para nos exterminar ao toque do botão (19) de algum demente no poder" Exageradamente entregues a esses jogos cada dia inovados, vamos nos perder da nossa natureza real, o instinto" Viramos homens e mulheres pós-modernos, sem saber o que isso significa; (06) somos cibernéticos, somos twitteiros e blogueiros, (10) mas não passamos disso. (01) E, se não formos muito equilibrados, vamos nos transformar em hackers, e o mundo que exploda.
Sobre a sensação de onipotência que esse mundo (20) novo nos confere, lembro a história deliciosa do aborígine (16) que, contratado para guiar o cientista carregado de instrumentos refinados, disse-lhe: “Você e sua gente não são muito espertos, porque precisam de todas essas ferramentas simplesmente para andar no mato (26) e observar os animais".
Não vamos regredir: a civilização anda segundo seu próprio arbítrio. (09) Mas, como quase todas as coisas, seus produtos criam ambiguidade pelo excesso de aberturas e pelo receio diante do novo, (03) (21) que precisa ser domesticado, para se tornar nosso servo útil. As possibilidades do mundo virtual são quase infinitas. Sua sedução é intensa. Tão enganador quanto fascinante, no que tange à comunicação. (08) Imenso, variado, assustador, rumoroso, ameaçador e frio, porque impessoal (27). Nesse mundo difuso, somos quase onipotentes, sem maior responsabilidade, pois cada ação nem sempre corresponde a uma consequência (04) e ainda podemos nos esconder no anonimato. Criam-se sérias questões morais e éticas não resolvidas nesse território: através da mesma ferramenta que nos abre universos e nos comunica com o outro, caluniamos e somos caluniados, ameaçamos e somos ameaçados, nos despersonalizamos, nos entregamos a atividades estranhas, algumas perversas; espiamos, espreitamos, maldizemos amigos e desconhecidos, odiamos celebridades, cortamos a cabeça de quem se destaca porque se torna objeto de inveja e ressentimento, escutamos mensagens sombrias e cumprimos, talvez, ordens sinistras.
Relacionamentos pessoais começam e terminam, bem ou mal, nesse campo virtual — não muito diferente do mundo dito real, dos bares, festas e trabalho, faculdade e escola (23). Para as crianças, esse universo extenso e invasivo pode ser uma grande escola, um mestre inesgotável, um salão de jogos divertido (22) em que elas imediatamente se sentem à vontade, (05) (13) sem os limites dos adultos. Mas pode ser a estrada dos pedófilos, a alcova dos doentes, ou a passagem sobre o limite do natural e lúdico para o obsessivo e perverso.
Como quase tudo neste mundo nosso, duplo é o gume: (07) comunicar-se é positivo, mas sinais feitos na sombra, sem verdadeiro nome nem rosto, podem acabar em fantasmáticas perseguições e males(24). Singularmente, mas de maneira muito significativa, enquanto estamos velozes e espertos no computador, criando mundos virtuais, e jogando jogos cada vez mais complexos, (02) buscamos o nevoeiro desse anonimato e, na época das maiores inovações, curtimos voar com bruxos em suas vassouras, namorar vampiros e inventar avatares que vão de engraçados a sinistros. (17)
Estimulante, múltiplo, tão rico, resta saber o que vamos fazer nesse novo mundo — ou o que ele vai fazer de nós (11). Quando soubermos, estaremos afixados nele como borboletas presas com alfinete debaixo da tampa de vidro ou vaga-lumes em potes de geleia vazios, naquelas noites de verão quando a infância era apenas aquela, inocente, que ainda espia sobre nossos ombros.
Revista Veja. 17 fev. 2010
Assinale a alternativa em que o trecho apresentado traduz um aspecto positivo em relação à tecnologia.06
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