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Questão 4 169830
IFMT 2012/2Texto 1
CONSUMISTAS
Ivan Ângelo
[1] De quantas calças jeans você precisa? Eu tenho três: uma índigo tradicional, que tem uns seis anos; uma bem
mais antiga, de um azul desbotado pelo tempo, aguado, já puída, que faz o papel de vigilante do peso, pois é
do tempo em que minha cintura se comportava melhor; e uma branca, a mais nova, de uns cinco anos, que
entrou no lugar de outra igualzinha que se rasgou no joelho. São suficientes para as situações e combinações,
[5] mas surpreendo-me com uma mulher, na página de moda de um grande jornal, contando vantagem: diz que
tem trinta e tantas calças jeans, e sempre acha que precisa de mais uma, quando a vê na loja. Algum detalhe
torna a nova calça "necessária"; ela "precisa" daquele jeans.
Você realmente precisa de doze pares de óculos escuros? Já não é adequado dizer "óculos de sol", porque é
moda usá-los dentro de shoppings e até em discotecas, na maior escuridão. Eles se tornaram algo mais do que
[10] óculos: são máscaras, aquela coisa que o Spirit dos quadrinhos botava nos olhos ou que o Fantasma botava
para virar outra pessoa. Eles fazem a mágica da troca de personalidade.
De quantos celulares você precisa? Apareceu no jornal uma mulher que tem dúzias. Para quê, não fiquei
sabendo, bastou-me olhar a foto da tonta com aquele mostruário de celulares, aquele despropósito. O apelo do
modelo novo é irresistível para esse tipo de gente, que não suporta a ideia de estar "desatualizada" e só se
[15] considera "in", incluída, quando possui aquela coisa que acaba de ser lançada.
De quantas camisetas você precisa? Bom, o número de camisetas que as pessoas têm é incontrolável. Nem
sempre é a gente que compra. Elas viraram "o" presente. São fáceis de achar, têm uso, têm graça. A gente
nem compra camisetas, ganha.
E tênis, de quantos você precisa? Tenho uma amiga, nem é tão jovem, que tem dezoito pares. Minha filha
[20] chegou a ter uns doze. E ela tem uma amiga que possui 27. Não consigo entender o porquê ou o para quê. Só
quem tem é que sabe as razões.
Brincos. É comum as mulheres terem trinta, quarenta, sessenta pares de brincos. Vão comprando e
acumulando ao longo da vida, vão ganhando. Não conseguem passar por uma bijuteria ou joalheria sem provar
diante do espelho um pequeno penduricalho nas orelhas. E compram, não resistem a três provadas.
[25] Carros! Você precisa de mais do que um carro? Há pessoas que têm três, quatro. Como se houvesse grande
diferença entre usar um e outro como condução. Para viajar, sim, o tipo faz diferença, e nesse caso poderiam
comprar um para as duas funções. Preferem ostentar.
Imelda Marcos gostava de sapatos, tinha 3.000, comprados com o suor do povo filipino. Já vi foto de uma perua
brasileira exibindo sua coleção de mais de duas centenas de calçados. E trinta bolsas de grife. De quantas
[30] bolsas você precisa?
É comum o consumista não conseguir escolher entre uma coisa e outra – porque escolher uma seria perder a
outra – e para pôr fim à angústia leva as duas. Na infância dos consumistas, faltaram ou falharam a orientação
na compra e o apoio à decisão tomada. Frustrações da infância pedem compensações quando o dinheiro
permite. Mas há consumistas pobres, que compram quinquilharias baratas e desnecessárias na Rua 25 de
[35] Março, enquanto as poderosas compram supérfluos caríssimos na Daslu.
Coleções não são a mesma coisa. Você coleciona bolinhas de gude, palitos de picolé, caixas de fósforos, lápis,
figurinhas, rodelas de chope, rolhas, enfim, coisas que não valem nada, e coleciona coisas que chegam a valer
muito, como selos. Não têm utilização prática. É diferente do consumo, de acumular bens de uso porque não
consegue se controlar.
[40] É diferente também de juntar raridades. Um apresentador de televisão tinha dezenas de relógios de pulso
raros, antigos. É diferente, dizia, de ter um monte de relógios mais caros do que raros, de fabricação e uso
atuais. De quantos relógios você precisa?
(Disponível em: . Acesso em: 5 mai. 2012.)
Índigo: Matéria corante azul. Cor azul. Anil.
Analise as alternativas e assinale aquela em que o termo sublinhado não está de acordo com a referência entre parênteses.
Questão 23 168553
IFMG 2012Analise a imagem abaixo e assinale a alternativa que indica o vício de linguagem que está explicitado:

Questão 22 168551
IFMG 2012Leia a charge:

Disponível em: www.newtonsilva.com. Acesso em: 10. mar. 2011
A linguagem do texto NÃO revela:
Questão 21 168550
IFMG 2012O Coveiro
Millôr Fernandes
Ele foi cavando, cavando, cavando, pois sua profissão – coveiro – era cavar. Mas, de repente, na distração do ofício que amava, percebeu que cavara demais. Tentou sair da cova e não conseguiu. Levantou o olhar para cima e viu que sozinho não conseguiria sair. Gritou. Ninguém atendeu. Gritou mais forte. Ninguém veio. Enrouqueceu de gritar, cansou de esbravejar, desistiu com a noite. Sentou-se no fundo da cova, desesperado. A noite chegou, subiu, fez-se o silêncio das horas tardias. Bateu o frio da madrugada e, na noite escura, não se ouviu um som humano, embora o cemitério estivesse cheio de pipilos e coaxares naturais dos matos. Só pouco depois da meia-noite é que vieram uns passos. Deitado no fundo da cova o coveiro gritou. Os passos se aproximaram. Uma cabeça ébria apareceu lá em cima, perguntou o que havia: O que é que há? O coveiro então gritou, desesperado: Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio terrível! Mas, coitado! – condoeu-se o bêbado – Tem toda razão de estar com frio. Alguém tirou a terra de cima de você, meu pobre mortinho! E, pegando a pá, encheu-a e pôs-se a cobri-lo cuidadosamente. Reflexão: Nos momentos graves é preciso verificar muito bem para quem se apela.
Considere as afirmativas a seguir:
I. No primeiro parágrafo, a repetição da palavra cavando (cavando, cavando, cavando) representa recurso estilístico utilizado pelo autor para dar ênfase à profissão da personagem.
II. Em “Bateu o frio da madrugada e, na noite escura, não se ouviu um som humano, embora o cemitério estivesse cheio de pipilos e coaxares naturais dos matos”, a conjunção “embora” estabelece uma relação semântica de causa/consequência entre as orações.
III. Os verbos da oração “Enrouqueceu de gritar, cansou de esbravejar, desistiu com a noite” são classificados como intransitivos.
IV. O trecho “Gritou. Ninguém atendeu.” pode ser substituído, sem perda de sentido, pela oração “Gritou, mas ninguém atendeu”.
Estão corretas as afirmativas:
Questão 20 168549
IFMG 2012O Coveiro
Millôr Fernandes
Ele foi cavando, cavando, cavando, pois sua profissão – coveiro – era cavar. Mas, de repente, na distração do ofício que amava, percebeu que cavara demais. Tentou sair da cova e não conseguiu. Levantou o olhar para cima e viu que sozinho não conseguiria sair. Gritou. Ninguém atendeu. Gritou mais forte. Ninguém veio. Enrouqueceu de gritar, cansou de esbravejar, desistiu com a noite. Sentou-se no fundo da cova, desesperado. A noite chegou, subiu, fez-se o silêncio das horas tardias. Bateu o frio da madrugada e, na noite escura, não se ouviu um som humano, embora o cemitério estivesse cheio de pipilos e coaxares naturais dos matos. Só pouco depois da meia-noite é que vieram uns passos. Deitado no fundo da cova o coveiro gritou. Os passos se aproximaram. Uma cabeça ébria apareceu lá em cima, perguntou o que havia: O que é que há? O coveiro então gritou, desesperado: Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio terrível! Mas, coitado! – condoeu-se o bêbado – Tem toda razão de estar com frio. Alguém tirou a terra de cima de você, meu pobre mortinho! E, pegando a pá, encheu-a e pôs-se a cobri-lo cuidadosamente. Reflexão: Nos momentos graves é preciso verificar muito bem para quem se apela.
No trecho “embora o cemitério estivesse cheio de pipilos e coaxares naturais dos matos”, o termo destacado significa, de acordo com o contexto:
Questão 20 168050
IFMA 2012A questão refere-se ao texto.
TEXTO
PRECISO APRENDER A SER SÓ
Ah! Se eu te pudesse fazer entender
Sem teu amor, eu não posso viver
Que sem nós dois, o que resta sou eu
Eu assim tão só
E eu preciso aprender a ser só
Poder dormir sem sentir teu calor
E ver que foi só um sonho e passou.
(Marcos Valle & Paulo Sérgio Valle. In NICOLA, José de. Língua Literatura e Interação. São Paulo: Scipione, 1998. )
Considerando a palavra “só” no texto, indique a opção em que as três ocorrências da palavra estejam corretas quanto à concordância nominal, respectivamente:
06
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