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Questão 2 165962
IFGO 2013Texto 01
O preconceito e a arrogância dos bonzinhos no debate sobre cotas
Paulo Moreira Leite
A forma mais hipócrita de combater toda política pública de acesso dos brasileiros pobres às universidades consiste em dizer que os jovens de origem humilde não irão sentir-se bem em companhia de garotos de famílias abastadas, que puderam chegar lá sem auxílio de medidas do governo.
Por esse motivo, segue o raciocínio, iniciativas como cotas, ProUni e outras, iriam prejudicar até psicologicamente aqueles alunos que pretendem beneficiar, pois estes cidadãos se sentiriam diminuídos e inferiorizados ao lado de colegas cujas famílias frequentam universidades há várias gerações.
Vamos combinar que estamos diante de um recorde em matéria de empulhação ideológica. É possível discutir as cotas a partir de argumentos políticos, pedagógicos e assim por diante.
Mas o argumento do bonzinho é apenas arrogância fantasiada de caridade.
Num país onde a desigualdade atingiu o patamar da insânia e da patologia, este raciocínio se alimenta de um desvio essencial. Consiste em considerar que um cidadão que não teve acesso a boas escolas desde o berço e encara o lado desagradável da pirâmide social logo depois de abrir os olhos é incapaz de raciocinar sobre sua condição e compreender que enfrenta dificuldades pelas quais não tem a menor responsabilidade como indivíduo, mas como herdeiro de uma estrutura social desigual e injusta.
É aquela noção de quem acredita que as pessoas que se encontram nos degraus inferiores da pirâmide desconhecem a origem histórica material de suas dificuldades e, intimamente, se consideram “inferiores” aos demais. No fundo, se sentiriam culpadas por usufruir de um certo “privilégio” que os ricos, bem nascidos e instruídos, podem dispensar — até porque o recebem por outros meios.
A vida real não é assim. Basta visitar escolas públicas e privadas que aplicam esses programas para descobrir que a maioria dos estudantes que se beneficiam de políticas compensatórias tem um desempenho igual ou até superior a seus colegas. Alguns dão duro como os demais. Outros batalham menos. Alguns fazem amigos. Outros encontram colegas que não querem ser amigos. É a vida de verdade, como se aprende até em filme sobre adolescentes americanos. A única pergunta relevante é saber se dentro de dez ou vinte anos o país estará melhor com cidadãos menos desiguais. Alguém tem alguma dúvida?
Mas os bonzinhos seguem fazendo sua parte para tornar o mundo pior. Numa canção inesquecível sobre a vida dos trabalhadores ingleses, John Lennon anotava: “assim que você nasce, eles te fazem sentir-se pequeno…”
A mensagem dos bonzinhos é essa. Os filhos de pais pobres são tão pequenos que se sentem menores mesmo quando chegam à universidade. O melhor, então, é que sejam mantidos ao longe. Pode?
Disponível em: . Acesso em: 18 out. 2012.
Considerando o texto 01, assinale a alternativa em que o sinônimo apresentado entre parênteses para a palavra em destaque está incorreto.
Questão 10 165480
IFBA 2013TEXTO III
Futebol
Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
[5] A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas de pau.
Mesma a volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
[10] São voos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
[15] — afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Futebol. Poesia errante. Disponível em: http://www.antoniomiranda.com.br/ poesia_brasis/ rio_de_janeiro/futebol_e_poesia.html>. Acesso em: 30 de maio de 2012.
A respeito dos recursos da língua usados no texto, a única afirmativa sem comprovação gramatical ou contextual, é a indicada em:
Questão 9 165479
IFBA 2013TEXTO III
Futebol
Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
[5] A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas de pau.
Mesma a volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
[10] São voos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
[15] — afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Futebol. Poesia errante. Disponível em: http://www.antoniomiranda.com.br/ poesia_brasis/ rio_de_janeiro/futebol_e_poesia.html>. Acesso em: 30 de maio de 2012.
O poema de Drummond
Questão 8 165476
IFBA 2013TEXTO II
A geração de prata
Como jovem levantador, eu já buscava conhecer meus
defeitos e minhas virtudes. E o que mais me incomodava era
o meu temperamento, minha maneira de ser. Como aprender
a usá-la em meu favor?
[5] Estudos ou voleibol –– a tudo me dedico de um modo
que muitos consideram obsessivo. Conheço atletas com essa
característica que obtiveram resultados fantásticos em suas
modalidades. Não tinham grande talento, mas sabiam
perseverar. Eu mesmo talvez não voltasse à seleção
[10] brasileira, depois do primeiro corte, se não teimasse.
Para dar um exemplo conhecido, recorro ao futebol. Quem
não conhece a história de Cafu? Apesar de reprovado em
mais de 10 peneiras –– os testes em que os clubes
selecionam jovens jogadores ––, ele não desistiu. Até que,
[15] um dia, alguém percebeu que aquela lateral de habilidade
limitada possuía qualidades fundamentais, como
determinação, seriedade e força interior.
Aqui cabe uma dúvida: será que as limitações que viam
em Cafu não estavam nos treinadores que o avaliavam? Será
[20] que as restrições não estavam nos padrões de avaliação,
que valorizavam apenas o virtuosismo e não as qualidades
que o levariam a ocupar o posto de capitão da seleção
pentacampeã mundial?
BERNARDINHO. A geração de Prata. In: Transformando suor em ouro. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. p. 41-42.
A respeito do léxico usado na elaboração do texto, é verdadeiro o que se afirma sobre os termos transcritos em:
Questão 6 165473
IFBA 2013TEXTO II
A geração de prata
Como jovem levantador, eu já buscava conhecer meus
defeitos e minhas virtudes. E o que mais me incomodava era
o meu temperamento, minha maneira de ser. Como aprender
a usá-la em meu favor?
[5] Estudos ou voleibol –– a tudo me dedico de um modo
que muitos consideram obsessivo. Conheço atletas com essa
característica que obtiveram resultados fantásticos em suas
modalidades. Não tinham grande talento, mas sabiam
perseverar. Eu mesmo talvez não voltasse à seleção
[10] brasileira, depois do primeiro corte, se não teimasse.
Para dar um exemplo conhecido, recorro ao futebol. Quem
não conhece a história de Cafu? Apesar de reprovado em
mais de 10 peneiras –– os testes em que os clubes
selecionam jovens jogadores ––, ele não desistiu. Até que,
[15] um dia, alguém percebeu que aquela lateral de habilidade
limitada possuía qualidades fundamentais, como
determinação, seriedade e força interior.
Aqui cabe uma dúvida: será que as limitações que viam
em Cafu não estavam nos treinadores que o avaliavam? Será
[20] que as restrições não estavam nos padrões de avaliação,
que valorizavam apenas o virtuosismo e não as qualidades
que o levariam a ocupar o posto de capitão da seleção
pentacampeã mundial?
BERNARDINHO. A geração de Prata. In: Transformando suor em ouro. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. p. 41-42.
Na conclusão do seu relato, Bernardinho, ex-jogador de voleibol e técnico da seleção de voleibol masculino, leva o leitor a fazer algumas reflexões.
Nos questionamentos levantados por ele, fica claro que
Questão 5 165472
IFBA 2013TEXTO I
Dois Entendidos
Dizem que tem uma memória extraordinária e sabe tudo
sobre futebol. Suas lembranças desafiam contestação.
Um dia, porém, viu-se numa reunião em que se achava
outro com igual prestígio. E os dois acabaram se defrontando:
[5] — Você se lembra da primeira Copa Roca disputada no
Brasil?
–– perguntou-lhe o outro.
— Se me lembro.
E disse o dia, o mês e o ano.
[10] — Fazia um calor danado.
— Isso mesmo: um calor danado. Lembra-se da
formação do time brasileiro?
— Quem é que não se lembra?
Cantou para o outro o time todo. O outro ia confirmando
[15] com a cabeça. Fez apenas uma ressalva quanto ao extremaesquerda.
— Eu sei: mas estou falando o time titular. Agora vou lhe
dizer os reservas.
Declamou a lista dos reservas, e sugeriu, por sua vez:
[20] — Você naturalmente se lembra da formação do time
argentino.
O outro embatucou: o time argentino? Não, isso ninguém
era capaz de dizer.
— Pois então tome lá.
[25] E recitou o time argentino. O outro, meio ressabiado,
procurou recuperar o terreno perdido.
— Para nomes não sou muito bom. Mas me lembro que
o goleiro argentino segurou um pênalti.
–– Um pênalti mal cobrado, foi por isso: faltavam sete
[30] minutos para acabar o jogo.
O outro, como que ocasionalmente, disse quem cobrara
o pênalti, fazendo nova investida:
— E lhe digo mais: o juiz apitou quinze “fouls” contra nós
no primeiro tempo, dezessete contra eles. No segundo
[35] tempo...
— Está aí; isso eu não sou capaz de garantir. Tudo mais
sobre o jogo eu lhe digo. Aliás, sobre esse jogo, ou qualquer
outro que você quiser, de 1929 para cá. Mas essa história de
número de “fouls”. Como é que você sabe disso com tanta
[40] certeza?
— Sei — tornou o outro, triunfante — porque fui o juiz da
partida.
Com essa ele não contava. O juiz da partida.
— Como é mesmo o seu nome?
[45] Ficou a rolar na língua o nome do outro.
— Você tinha algum apelido?
O outro deu uma gargalhada:
— Juiz, com apelido? Naquele tempo, eu já me fazia
respeitar.
[50] — Sei, sei — e ele sacudiu a cabeça, pensativo.
— Engraçado, me lembro perfeitamente do juiz, não se
parecia com você. Chamava-se... Espera aí: se não me falha
a memória...
— Ela costuma falhar, meu velho.
[55] Ao redor, a expectativa dos circundantes crescia, ante o
duelo dos dois entendidos.
— .... o juiz era grande, pesadão, anulou um gol nosso,
houve um começo de sururu...
— Emagreci muito desde então. E anulei o gol porque já
[60] tinha apitado quando ele chutou. Houve realmente um ligeiro
incidente, mas fiz valer minha autoridade, e o jogo prosseguiu.
— Você já tinha apitado...
— Já tinha apitado.
Os dois se olharam em silêncio.
[65] — Quer dizer que quem apitou aquele jogo foi você ––
recomeçou ele, intrigado.
— Fui eu. E lhe digo mais: quando Fausto fez aquele gol
de fora da área...
— Já na prorrogação.
[70] — Na prorrogação: quiseram protestar dizendo que ele
estava impedido...
— Não estava impedido.
— Eu sei que não estava.Tanto assim que não anulei.
Mesmo porque a regra, naquele tempo, era diferente.
[75] — Nem naquele tempo, nem hoje nem nunca aquilo seria
impedimento. Se o juiz me anula aquele gol...
— ...teria que anular também o primeiro gol dos
argentinos...
— ...que foi feito exatamente nas mesmas condições.
[80] Calaram-se um instante, medindo forças. Mas o outro
teve a infelicidade de acrescentar:
— Mesmo que o bandeirinha tivesse assinalado...
Ele saltou de súbito, brandindo o dedo no ar:
— Já sei! isso mesmo! Você não foi juiz coisa nenhuma!
[85] Você era o bandeirinha! Me lembro muito bem de você: era
mais gordo mesmo, todo agitadinho, corria se requebrando...
Tinha o apelido de Zuzu.
O outro não teve forças para negar e se rendeu à
memória do adversário. Mesmo porque, encafifado, fazia uma
[90] cara de Zuzu.
SABINO, Fernando. Os dois entendidos. A Companheira de Viagem. Disponível em:. Acesso em: 28 de maio de 2012.
Quanto às funções que os elementos da língua exercem no texto, é verdadeiro o que se afirma em:
I – “meu velho” (l. 54) funciona como aposto na oração de que faz parte.
II – “dos circundantes” (l. 55) completa o sentido da expressão “a expectativa” (l. 55).
III – “grande” (l. 57) é um predicativo de “o juiz” (l. 57).
IV – “Houve” (l. 58) é uma forma verbal que sinaliza a existência de uma oração sem sujeito.
V– “que” (l. 65) e “que” (l. 79) são conectivos que introduzem, no contexto, orações que recebem a mesma classificação.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a
06
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