Questões de EFAF Português
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Questão 8364989
EPCAR EPCAR 2013 1 FaseU MATPOR 2013
Você reconhece quando chega a felicidade?
Tenho uma forte antipatia pela obrigação de ser feliz que acompanha o Carnaval. (35)Quem foge da folia ganha o rótulo de antissocial36), depressivo ou chato. Nada contra o Carnaval. Apenas contra essa confusão de conceitos. Uma festa alegre não significa que você esteja plenamente feliz. E (37)forçar uma situação de felicidade tem tudo para terminar em arrependimento(38) e frustração.
(15)Aliás, você reconhece a felicidade quando ela chega"(16) Sabe que está sendo feliz naquele momento" Espere um pouco antes de responder. Pense de novo.
Estamos falando de felicidade! Não de uma alegria qualquer. E qual é a diferença" Bem, descrever a felicidade não é fácil. (01)Ela é muito recatada(02). Não fica ali posando para foto, sabe" Mas um Manual de Reconhecimento da felicidade diria mais ou menos o seguinte: (17)ela é mansa. Não faz barulho(18). Ao mesmo tempo é farta. (25)Quando chega, ocupa um espaço danado(26). Apesar disso, você quase não repara que ela está ali. (33)(19)Se chamar a atenção, não é ela(34). É euforia. Alegria(20). (03)A licenciosidade de uma noite de Carnaval(04). (05)Ou um reles frenesi qualquer, disfarçado de felicidade(06).
A dita cuja é discreta. Discretíssima. E muito tranquila. Ela o faz dormir melhor. (39)E olha, vou lhe contar uma coisa: a felicidade é inimiga da ansiedade(40). As duas não podem nem se ver. Essa é a melhor pista para o seu Manual de Reconhecimento da Felicidade. (21)Se você se apaixonou e está naquela fase de pura ansiedade, mesmo que esteja superfeliz, não é felicidade(22). É excitação. Paixonite. Quando a ansiedade for embora, pode ser que a felicidade chegue. Mas ninguém garante.
(41)É temperamental a felicidade(42). Não vem por qualquer coisa. E para ficar então... hi, não conheço nenhum caso de alguém que a tenha tido por perto a vida inteira. Por isso é tão importante reconhecê-la quando ela chega. Entendeu agora por que a minha pergunta" Será que você sabe mesmo quando está feliz"
Ou será que você só consegue saber que foi feliz quando a felicidade já passou?
(23) Eu estudo muito a felicidade. Mas não consigo reconhecê-la. Talvez porque eu seja péssima fisionomista(24). Ou porque ela seja muito mais esperta do que eu. Mais sábia. Fato é que eu só sei que fui feliz depois. No futuro. Olho para o passado e reconheço: (31)“Nossa, como eu fui feliz naquela época!”(32) Mas no presente ela sempre me dá uma rasteira. (27)Ando por aí, feliz da vida e nem sei que estou nesse estado(28). Por isso aproveito menos do que poderia a graça que é ter assim, tão pertinho, a tal felicidade.
Nos últimos tempos, dei para fazer uma lista de momentos felizes. E aqui é importante deixar claro que esses momentos devem durar um certo período de tempo. (07)Um episódio isolado feliz — como quatro dias de Carnaval(08), por exemplo — não significa felicidade. A felicidade, quando vem, não vem de passagem. (29)Não dura para sempre, mas dura um tempinho(30). Gosta de uma certa estabilidade, [...] Sabendo quando você foi feliz, é mais fácil descobrir por que foi feliz. Para ser ainda mais funcional, é bom que a lista seja cronológica. (13)Lendo a minha, constato que fico cada vez mais feliz e por mais tempo(14).
Será que ela está aqui agora? Não sei dizer. (11)Mas a paz de que desfruto agora é um sintoma dela(12). E isso não tem nada a ver com a tal obrigação de ser feliz desfilando no Sambódromo. Continuo meus estudos. (09)Já tenho certeza de que hoje sou mais amiga da felicidade(10) do que jamais fui em qualquer tempo.
PADRÃO, Ana Paula. Revista ISTOÉ. 2206, de 22 fev. 2012. (Adaptado.)
Você reconhece quando chega a felicidade?
Tenho uma forte antipatia pela obrigação de ser feliz que acompanha o Carnaval. (35)Quem foge da folia ganha o rótulo de antissocial36), depressivo ou chato. Nada contra o Carnaval. Apenas contra essa confusão de conceitos. Uma festa alegre não significa que você esteja plenamente feliz. E (37)forçar uma situação de felicidade tem tudo para terminar em arrependimento(38) e frustração.
(15)Aliás, você reconhece a felicidade quando ela chega"(16) Sabe que está sendo feliz naquele momento" Espere um pouco antes de responder. Pense de novo.
Estamos falando de felicidade! Não de uma alegria qualquer. E qual é a diferença" Bem, descrever a felicidade não é fácil. (01)Ela é muito recatada(02). Não fica ali posando para foto, sabe" Mas um Manual de Reconhecimento da felicidade diria mais ou menos o seguinte: (17)ela é mansa. Não faz barulho(18). Ao mesmo tempo é farta. (25)Quando chega, ocupa um espaço danado(26). Apesar disso, você quase não repara que ela está ali. (33)(19)Se chamar a atenção, não é ela(34). É euforia. Alegria(20). (03)A licenciosidade de uma noite de Carnaval(04). (05)Ou um reles frenesi qualquer, disfarçado de felicidade(06).
A dita cuja é discreta. Discretíssima. E muito tranquila. Ela o faz dormir melhor. (39)E olha, vou lhe contar uma coisa: a felicidade é inimiga da ansiedade(40). As duas não podem nem se ver. Essa é a melhor pista para o seu Manual de Reconhecimento da Felicidade. (21)Se você se apaixonou e está naquela fase de pura ansiedade, mesmo que esteja superfeliz, não é felicidade(22). É excitação. Paixonite. Quando a ansiedade for embora, pode ser que a felicidade chegue. Mas ninguém garante.
(41)É temperamental a felicidade(42). Não vem por qualquer coisa. E para ficar então... hi, não conheço nenhum caso de alguém que a tenha tido por perto a vida inteira. Por isso é tão importante reconhecê-la quando ela chega. Entendeu agora por que a minha pergunta" Será que você sabe mesmo quando está feliz"
Ou será que você só consegue saber que foi feliz quando a felicidade já passou?
(23) Eu estudo muito a felicidade. Mas não consigo reconhecê-la. Talvez porque eu seja péssima fisionomista(24). Ou porque ela seja muito mais esperta do que eu. Mais sábia. Fato é que eu só sei que fui feliz depois. No futuro. Olho para o passado e reconheço: (31)“Nossa, como eu fui feliz naquela época!”(32) Mas no presente ela sempre me dá uma rasteira. (27)Ando por aí, feliz da vida e nem sei que estou nesse estado(28). Por isso aproveito menos do que poderia a graça que é ter assim, tão pertinho, a tal felicidade.
Nos últimos tempos, dei para fazer uma lista de momentos felizes. E aqui é importante deixar claro que esses momentos devem durar um certo período de tempo. (07)Um episódio isolado feliz — como quatro dias de Carnaval(08), por exemplo — não significa felicidade. A felicidade, quando vem, não vem de passagem. (29)Não dura para sempre, mas dura um tempinho(30). Gosta de uma certa estabilidade, [...] Sabendo quando você foi feliz, é mais fácil descobrir por que foi feliz. Para ser ainda mais funcional, é bom que a lista seja cronológica. (13)Lendo a minha, constato que fico cada vez mais feliz e por mais tempo(14).
Será que ela está aqui agora? Não sei dizer. (11)Mas a paz de que desfruto agora é um sintoma dela(12). E isso não tem nada a ver com a tal obrigação de ser feliz desfilando no Sambódromo. Continuo meus estudos. (09)Já tenho certeza de que hoje sou mais amiga da felicidade(10) do que jamais fui em qualquer tempo.
PADRÃO, Ana Paula. Revista ISTOÉ. 2206, de 22 fev. 2012. (Adaptado.)
Leia atentamente a charge e, a seguir, assinale a alternativa incorreta.

Questão 8364988
EPCAR EPCAR 2013 1 FaseU MATPOR 2013
Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la(03). Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente, pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. (04)Essa pessoa que atenda ao anúncio(05) só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, (01)implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo(02). Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S.: Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.
Clarice Lispector. http://pensador.uol.com.br/frase. Acesso em: 30 maio. 2012.
Assinale a afirmativa falsa a respeito do texto.
Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la(03). Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente, pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. (04)Essa pessoa que atenda ao anúncio(05) só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, (01)implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo(02). Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S.: Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.
Clarice Lispector. http://pensador.uol.com.br/frase. Acesso em: 30 maio. 2012.
Questão 8364987
EPCAR EPCAR 2013 1 FaseU MATPOR 2013
Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la(03). Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente, pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. (04)Essa pessoa que atenda ao anúncio(05) só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, (01)implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo(02). Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S.: Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.
Clarice Lispector. http://pensador.uol.com.br/frase. Acesso em: 30 maio. 2012.
Quanto à classificação do gênero textual e à função da linguagem predominante no texto, pode-se dizer que se trata de um(a)
Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la(03). Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente, pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. (04)Essa pessoa que atenda ao anúncio(05) só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, (01)implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo(02). Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S.: Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.
Clarice Lispector. http://pensador.uol.com.br/frase. Acesso em: 30 maio. 2012.
Questão 8364984
EPCAR EPCAR 2013 1 FaseU MATPOR 2013
A Felicidade
Tristeza não tem fim felicidade sim.
A felicidade é como a pluma
que o vento vai levando pelo ar,
voa tão leve, mas tem a vida breve
precisa que haja vento sem parar.
A felicidade do pobre
parece a grande ilusão do carnaval
a gente trabalha o ano inteiro
por um momento de sonho
pra fazer a fantasia
de rei ou de pirata ou jardineira
pra tudo se acabar na quarta-feira.
A felicidade é como a gota de orvalho
numa pétala de flor,
brilha tranquila
depois de leve oscila
e cai como uma lágrima de amor.
A minha felicidade
está sonhando nos olhos
da minha namorada
É como esta noite, passando,
passando em busca da madrugada
Fale baixo por favor
pra que ela acorde
alegre com o dia
oferecendo beijos de amor.
MORAES, Vinicius e JOBIM, Tom. As mais belas serestas brasileiras. 9ª ed. Belo Horizonte: Barvalle Indústria Gráfica Ltda, 1989.
De acordo com a 3ª estrofe, só não se pode afirmar que
A Felicidade
Tristeza não tem fim felicidade sim.
A felicidade é como a pluma
que o vento vai levando pelo ar,
voa tão leve, mas tem a vida breve
precisa que haja vento sem parar.
A felicidade do pobre
parece a grande ilusão do carnaval
a gente trabalha o ano inteiro
por um momento de sonho
pra fazer a fantasia
de rei ou de pirata ou jardineira
pra tudo se acabar na quarta-feira.
A felicidade é como a gota de orvalho
numa pétala de flor,
brilha tranquila
depois de leve oscila
e cai como uma lágrima de amor.
A minha felicidade
está sonhando nos olhos
da minha namorada
É como esta noite, passando,
passando em busca da madrugada
Fale baixo por favor
pra que ela acorde
alegre com o dia
oferecendo beijos de amor.
MORAES, Vinicius e JOBIM, Tom. As mais belas serestas brasileiras. 9ª ed. Belo Horizonte: Barvalle Indústria Gráfica Ltda, 1989.
Questão 8364978
COTIL COTIL 2013 1 FaseU Gerais 2013Militantes em causa própria
Eles nasceram no auge da discussão ambiental e herdarão um planeta caótico. Quem é a geração em busca de um futuro mais verde e saudável?
(Época, 18 jun. 2012)
O paulistano Pedro Sartori, de 13 anos, passou as férias de janeiro com o pai, a mãe e as três irmãs nos Estados Unidos, dividindo-se entre as montanhas-russas da Disney, espetáculos de baleias orcas no Sea World e visitas a seus super-heróis favoritos nos parques da Universal. Embarcaram num avião em São Paulo rumo a Orlando e, depois de 15 dias, retornaram ao Brasil com as malas cheias de mimos e um monte de história para contar. Em outros tempos, seria uma viagem inocente. Em época de mudanças climáticas, derretimento das geleiras e extinção de espécies, um simples passeio pode vir embutido de um sentimento de culpa. De volta para o colégio Bandeirantes, a escola particular onde estuda, Pedro estimou na aula de ciência quanto ele e a família emitiram de gases do efeito estufa, uma das causas do aquecimento global, na ida aos EUA. O cálculo, feito por um site, mostra quanto cada um poluiu e quantas árvores poderia plantar para aliviar seu pecado. Pedro precisa plantar 38 mudas no solo para pagar sua conta.
Esse é um dos carmas da geração de Pedro, nascida no auge do caos ambiental. Ela precisa agora assumir a responsabilidade pelo passivo de seus antecessores. O prenúncio da catástrofe está em toda parte. No comercial de TV que mostra um urso-polar desolado sobre a única ilha que não derreteu. Ou na campanha de uma ONG em que um motosserra destrói a floresta. O bombardeio não se restringe aos problemas que assolam a Terra. Essas crianças e jovens – que vieram ao mundo entre a Rio 92, quando a discussão das mazelas ganhou fôlego, e a Rio+20 – sofrem uma chuva de cobranças.
“Esse é um dos carmas da geração de Pedro, nascida no auge do caos ambiental. Ela precisa agora assumir a responsabilidade pelo passivo de seus antecessores.”
À expressão em destaque, de acordo com o contexto, pode ser atribuído o sentido de:
Questão 8364977
COTIL COTIL 2013 1 FaseU Gerais 2013Militantes em causa própria
Eles nasceram no auge da discussão ambiental e herdarão um planeta caótico. Quem é a geração em busca de um futuro mais verde e saudável?
(Época, 18 jun. 2012)
O paulistano Pedro Sartori, de 13 anos, passou as férias de janeiro com o pai, a mãe e as três irmãs nos Estados Unidos, dividindo-se entre as montanhas-russas da Disney, espetáculos de baleias orcas no Sea World e visitas a seus super-heróis favoritos nos parques da Universal. Embarcaram num avião em São Paulo rumo a Orlando e, depois de 15 dias, retornaram ao Brasil com as malas cheias de mimos e um monte de história para contar. Em outros tempos, seria uma viagem inocente. Em época de mudanças climáticas, derretimento das geleiras e extinção de espécies, um simples passeio pode vir embutido de um sentimento de culpa. De volta para o colégio Bandeirantes, a escola particular onde estuda, Pedro estimou na aula de ciência quanto ele e a família emitiram de gases do efeito estufa, uma das causas do aquecimento global, na ida aos EUA. O cálculo, feito por um site, mostra quanto cada um poluiu e quantas árvores poderia plantar para aliviar seu pecado. Pedro precisa plantar 38 mudas no solo para pagar sua conta.
Esse é um dos carmas da geração de Pedro, nascida no auge do caos ambiental. Ela precisa agora assumir a responsabilidade pelo passivo de seus antecessores. O prenúncio da catástrofe está em toda parte. No comercial de TV que mostra um urso-polar desolado sobre a única ilha que não derreteu. Ou na campanha de uma ONG em que um motosserra destrói a floresta. O bombardeio não se restringe aos problemas que assolam a Terra. Essas crianças e jovens – que vieram ao mundo entre a Rio 92, quando a discussão das mazelas ganhou fôlego, e a Rio+20 – sofrem uma chuva de cobranças.
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