Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 3 15398353
IFRJ 2023Texto I
Azul da pele preta
Marília Pereira de Jesus
A corrida para pegar os dois ônibus que me levariam até o campus da universidade não foi suficiente para que eu não chegasse atrasada. A brisa boa do outono rolava quando pisei no gramado da faculdade para participar do trote. Ter chegado atrasada foi motivo suficiente para os veteranos me pintarem de smurffet, uma personagem de uma história em quadrinhos que tem a pele azul. Aceitei a brincadeira e, depois de ser pintada, corri para encontrar o grupo que já estava esperando o ônibus para irmos recolher dinheiro
Alguns dias depois, assim que pisei novamente no gramado, mas dessa vez para a festa de recepção dos calouros, qual não foi o susto de uma menina que recolheu dinheiro comigo no Centro da Cidade durante todo o dia de trote, eu pintada de smurffet e ela de pirata, quando me viu na minha própria pele e exclamou: “Você não é branca!”
Muito se fala sobre apreciar o caminho, olhar a paisagem e não se concentrar apenas na chegada – nesse caso o diploma –, mas tantas coisas aconteceram desde o dia do trote até hoje. Apreciar o caminho quando ele é composto por solidão e dor não faz nossos olhos brilharem de alegria. Os meus, muitas vezes, brilharam por serem reservatórios de lágrimas de tristeza por não me reconhecer em nada que compunha o ambiente acadêmico. Os pontos de vista variavam, mas as imagens não.
Eu poderia estar sentada assistindo aula, de pé apresentando seminário para a turma e até mesmo de cabeça baixa lendo um texto: as imagens, de pessoas reais ou descritas, não se pareciam com a minha.
Os professores eram brancos, os alunos, em sua maioria, eram brancos, a bibliografia era branca e isso acabava me afastando cada dia mais do sentimento de pertencimento, o qual só experimentei muito tempo depois de me tornar aluna.
Foi num semestre, após uma greve, que me inscrevi em uma disciplina que tinha como foco as mulheres pretas. No primeiro dia de aula, diferente de tudo o que eu já tinha vivido, a professora começou a aula com todos de pé em roda, num primeiro momento, de mãos dadas e depois pediu para que a gente olhasse nos olhos da pessoa do lado, se apresentasse e desse um abraço, se tivesse vontade. Todos tiveram vontade. A emoção de conhecer e reconhecer nossos pares tomou conta do ambiente.
Era uma sala de aula cheia, cheia mesmo, de mulheres pretas! Eu me via em todas as direções que eu olhava e depois me encontrei em todas as narrativas que ouvi. Encontrar um lugar para compartilhar minhas vivências, falar das dores de “Nós” na primeira pessoa, foi um processo de cura. Na bibliografia desse curso, só tinha autoras negras e o aprofundamento nos estudos de e sobre mulheres negras me fez despertar para muitas questões que antes eu naturalizava.
Uma delas é sobre como o racismo destruiu minha autoestima e fez com que eu negasse minha própria imagem durante muito tempo. Passei quase toda a minha vida me desenhando com os cabelos esticados, olhos azuis ou verdes e não pintando o meu corpo, apenas o contornando com o lápis de cor marrom mais claro da caixa.
Mas, foi durante uma dinâmica de autorretrato proposta pela professora, que teve o cuidado de levar uma caixa de lápis de cor com vários tons de marrom, que eu me desenhei como uma mulher preta pela primeira vez. Em todos os encontros dessa disciplina, eu despertava para alguma questão, mas nesse dia eu tive um grande impacto.
Foi como se pesasse de uma vez tudo o que eu tinha vivido até aquele momento dentro do espaço acadêmico e, só nesse dia, eu consegui despertar para o motivo pelo qual na mente da menina pintada de pirata, ao me ver sem a tinta azul que cobria a minha pele, eu só poderia ser branca.
Mas eu era preta e estava lá.
(PASSOS, André (Org). Conversas pretas e outros papos. Rio de Janeiro, RJ: Editora Conexão 7, 2021)
Os hiperônimos de “ônibus”, “azul”, “solidão” são, respectivamente:
Questão 2 15398352
IFRJ 2023Texto I
Azul da pele preta
Marília Pereira de Jesus
A corrida para pegar os dois ônibus que me levariam até o campus da universidade não foi suficiente para que eu não chegasse atrasada. A brisa boa do outono rolava quando pisei no gramado da faculdade para participar do trote. Ter chegado atrasada foi motivo suficiente para os veteranos me pintarem de smurffet, uma personagem de uma história em quadrinhos que tem a pele azul. Aceitei a brincadeira e, depois de ser pintada, corri para encontrar o grupo que já estava esperando o ônibus para irmos recolher dinheiro
Alguns dias depois, assim que pisei novamente no gramado, mas dessa vez para a festa de recepção dos calouros, qual não foi o susto de uma menina que recolheu dinheiro comigo no Centro da Cidade durante todo o dia de trote, eu pintada de smurffet e ela de pirata, quando me viu na minha própria pele e exclamou: “Você não é branca!”
Muito se fala sobre apreciar o caminho, olhar a paisagem e não se concentrar apenas na chegada – nesse caso o diploma –, mas tantas coisas aconteceram desde o dia do trote até hoje. Apreciar o caminho quando ele é composto por solidão e dor não faz nossos olhos brilharem de alegria. Os meus, muitas vezes, brilharam por serem reservatórios de lágrimas de tristeza por não me reconhecer em nada que compunha o ambiente acadêmico. Os pontos de vista variavam, mas as imagens não.
Eu poderia estar sentada assistindo aula, de pé apresentando seminário para a turma e até mesmo de cabeça baixa lendo um texto: as imagens, de pessoas reais ou descritas, não se pareciam com a minha.
Os professores eram brancos, os alunos, em sua maioria, eram brancos, a bibliografia era branca e isso acabava me afastando cada dia mais do sentimento de pertencimento, o qual só experimentei muito tempo depois de me tornar aluna.
Foi num semestre, após uma greve, que me inscrevi em uma disciplina que tinha como foco as mulheres pretas. No primeiro dia de aula, diferente de tudo o que eu já tinha vivido, a professora começou a aula com todos de pé em roda, num primeiro momento, de mãos dadas e depois pediu para que a gente olhasse nos olhos da pessoa do lado, se apresentasse e desse um abraço, se tivesse vontade. Todos tiveram vontade. A emoção de conhecer e reconhecer nossos pares tomou conta do ambiente.
Era uma sala de aula cheia, cheia mesmo, de mulheres pretas! Eu me via em todas as direções que eu olhava e depois me encontrei em todas as narrativas que ouvi. Encontrar um lugar para compartilhar minhas vivências, falar das dores de “Nós” na primeira pessoa, foi um processo de cura. Na bibliografia desse curso, só tinha autoras negras e o aprofundamento nos estudos de e sobre mulheres negras me fez despertar para muitas questões que antes eu naturalizava.
Uma delas é sobre como o racismo destruiu minha autoestima e fez com que eu negasse minha própria imagem durante muito tempo. Passei quase toda a minha vida me desenhando com os cabelos esticados, olhos azuis ou verdes e não pintando o meu corpo, apenas o contornando com o lápis de cor marrom mais claro da caixa.
Mas, foi durante uma dinâmica de autorretrato proposta pela professora, que teve o cuidado de levar uma caixa de lápis de cor com vários tons de marrom, que eu me desenhei como uma mulher preta pela primeira vez. Em todos os encontros dessa disciplina, eu despertava para alguma questão, mas nesse dia eu tive um grande impacto.
Foi como se pesasse de uma vez tudo o que eu tinha vivido até aquele momento dentro do espaço acadêmico e, só nesse dia, eu consegui despertar para o motivo pelo qual na mente da menina pintada de pirata, ao me ver sem a tinta azul que cobria a minha pele, eu só poderia ser branca.
Mas eu era preta e estava lá.
(PASSOS, André (Org). Conversas pretas e outros papos. Rio de Janeiro, RJ: Editora Conexão 7, 2021)
“ [...] eu pintada de smurffet e ela de pirata, quando me viu na minha própria pele e exclamou: “Você não é branca!”.
No trecho destacado acima, observa-se o discurso:
Questão 1 15398335
IFRJ 2023Texto I
Azul da pele preta
Marília Pereira de Jesus
A corrida para pegar os dois ônibus que me levariam até o campus da universidade não foi suficiente para que eu não chegasse atrasada. A brisa boa do outono rolava quando pisei no gramado da faculdade para participar do trote. Ter chegado atrasada foi motivo suficiente para os veteranos me pintarem de smurffet, uma personagem de uma história em quadrinhos que tem a pele azul. Aceitei a brincadeira e, depois de ser pintada, corri para encontrar o grupo que já estava esperando o ônibus para irmos recolher dinheiro
Alguns dias depois, assim que pisei novamente no gramado, mas dessa vez para a festa de recepção dos calouros, qual não foi o susto de uma menina que recolheu dinheiro comigo no Centro da Cidade durante todo o dia de trote, eu pintada de smurffet e ela de pirata, quando me viu na minha própria pele e exclamou: “Você não é branca!”
Muito se fala sobre apreciar o caminho, olhar a paisagem e não se concentrar apenas na chegada – nesse caso o diploma –, mas tantas coisas aconteceram desde o dia do trote até hoje. Apreciar o caminho quando ele é composto por solidão e dor não faz nossos olhos brilharem de alegria. Os meus, muitas vezes, brilharam por serem reservatórios de lágrimas de tristeza por não me reconhecer em nada que compunha o ambiente acadêmico. Os pontos de vista variavam, mas as imagens não.
Eu poderia estar sentada assistindo aula, de pé apresentando seminário para a turma e até mesmo de cabeça baixa lendo um texto: as imagens, de pessoas reais ou descritas, não se pareciam com a minha.
Os professores eram brancos, os alunos, em sua maioria, eram brancos, a bibliografia era branca e isso acabava me afastando cada dia mais do sentimento de pertencimento, o qual só experimentei muito tempo depois de me tornar aluna.
Foi num semestre, após uma greve, que me inscrevi em uma disciplina que tinha como foco as mulheres pretas. No primeiro dia de aula, diferente de tudo o que eu já tinha vivido, a professora começou a aula com todos de pé em roda, num primeiro momento, de mãos dadas e depois pediu para que a gente olhasse nos olhos da pessoa do lado, se apresentasse e desse um abraço, se tivesse vontade. Todos tiveram vontade. A emoção de conhecer e reconhecer nossos pares tomou conta do ambiente.
Era uma sala de aula cheia, cheia mesmo, de mulheres pretas! Eu me via em todas as direções que eu olhava e depois me encontrei em todas as narrativas que ouvi. Encontrar um lugar para compartilhar minhas vivências, falar das dores de “Nós” na primeira pessoa, foi um processo de cura. Na bibliografia desse curso, só tinha autoras negras e o aprofundamento nos estudos de e sobre mulheres negras me fez despertar para muitas questões que antes eu naturalizava.
Uma delas é sobre como o racismo destruiu minha autoestima e fez com que eu negasse minha própria imagem durante muito tempo. Passei quase toda a minha vida me desenhando com os cabelos esticados, olhos azuis ou verdes e não pintando o meu corpo, apenas o contornando com o lápis de cor marrom mais claro da caixa.
Mas, foi durante uma dinâmica de autorretrato proposta pela professora, que teve o cuidado de levar uma caixa de lápis de cor com vários tons de marrom, que eu me desenhei como uma mulher preta pela primeira vez. Em todos os encontros dessa disciplina, eu despertava para alguma questão, mas nesse dia eu tive um grande impacto.
Foi como se pesasse de uma vez tudo o que eu tinha vivido até aquele momento dentro do espaço acadêmico e, só nesse dia, eu consegui despertar para o motivo pelo qual na mente da menina pintada de pirata, ao me ver sem a tinta azul que cobria a minha pele, eu só poderia ser branca.
Mas eu era preta e estava lá.
(PASSOS, André (Org). Conversas pretas e outros papos. Rio de Janeiro, RJ: Editora Conexão 7, 2021)
No texto, Azul da pele preta, de Marília Pereira de Jesus, o modo de organização do discurso predominante é:
Questão 13 15398258
FIRJAN 2023Leia o texto para responder a questão.

Disponível em http://bichinhosdejardim.com/page/8/
No último quadrinho, há uma crítica sobre como as redes sociais
Questão 12 15398253
FIRJAN 2023Leia o texto para responder a questão.

Disponível em http://bichinhosdejardim.com/page/8/
A tirinha chama atenção para um hábito ao falar sobre a tecnologia, que é
Questão 11 15398251
FIRJAN 2023Leia o texto para responder a questão.
O Metaverso já é uma realidade. Será mesmo? O conceito que tem atraído investimentos milionários de empresas como Meta (antigo Facebook), Roblox, Microsoft e outras companhias ao redor do mundo tem uma perspectiva bastante interessante sob um ponto de vista mais teórico, pensado como uma revolução tecnológica.
Porém, colocar essa tecnologia em prática e fazer com que ela faça parte do dia a dia das pessoas requer tempo, energia e aportes financeiros um tanto quanto desafiadores
Essa realidade se torna ainda mais latente quando tomamos como referência o Brasil, país em que 47 milhões de pessoas (28% da população) ainda não têm acesso à internet, segundo a pesquisa TIC Domicílios, do Comitê Gestor da Internet (CGI.br).
Se a reprodução de vídeos de alta qualidade já tem dificuldades para quem possui uma baixa conectividade, mergulhar em um universo 3D complexo irá exigir muito mais!
Óculos, Hardware e Realidade Virtual
Nesse momento, o Metaverso se depara com o seu segundo desafio: com quais valores esses óculos de realidade virtual chegarão ao mercado? Estudantes, pessoas de baixa renda, idosos poderão usufruir da tecnologia ou ela só vai abrir ainda mais um abismo social?
Essa preocupação com uma possível segregação causada pela tecnologia é fundamental e precisa ser levantada. Afinal, o objetivo da plataforma é ser a nova internet. Correto?
Adaptado de https://www.linkedin.com/pulse/metaverso-na-pr%C3%A1tica-os-desafios-de-implementar-fabiana-schaeffer/?trk=articles_directory&originalSubdomain=pt
Há uma opinião no trecho
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)