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Questão 5 165876
IFGO 2014Texto 01
Por que nunca entrei no Facebook
Eugenio Bucci
– Não, não estou no Facebook.
Quando a gente diz isso numa roda, num jantar ou num ponto de ônibus, a conversa silencia. Olhares incrédulos saltam sobre nossa figura tímida, como luzes de otorrinolaringologistas do futuro, tentando investigar nossas limitações ocultas. Analfabetismo digital? Conservadorismo? Alguém arrisca um “em que planeta você vive?”. Outro sente pena e tenta ser simpático: “Até minha avó está no Face, é tão friendly”.
Aí, vem aquela voz categórica, que procura dar o sinal definitivo dos tempos: “Minha filha já nem usa mais email. Com ela, é tudo pelo Facebook”. É assim que os 46,3 milhões de brasileiros que mantêm um perfil pessoal na maior rede social do planeta tratam os outros, os que estão de fora. Fazem ar de espanto. Fazem chiste, bullying, assédio moral.
E não obstante: Não, não estou no Facebook. E acho que tenho razão. Errados estão os 845 milhões de viventes que, em todas as línguas, em todos os países, puseram lá suas fotografias (tem gente sem camisa!) ao lado de seus depoimentos confessionais. Viventes e morrentes, é bom saber. Há poucas semanas, o escritor Humberto Werneck, em sua coluna dominical no jornal O Estado de São Paulo, registrou um dado um tanto mórbido. Quando um sujeito morre – isso acontece –, o perfil do defunto fica lá, intacto. O perfil do morto não entra em putrefação, nem vai para debaixo da tela. Os outros usuários, estes vivos, mas desavisados, podem “curtir” até cansar. O perfil não se mexe nem sai de cena. Não há coveiros digitais no tempo real. De todo modo, como não frequento isso que Werneck chamou de “cemitério virtual”, não posso saber como é. Apenas presumo que deva ser aflitivo. Também por isso, ali não entro nem morto.
A fonte da minha resistência, contudo, não está nessa situação terrível, não da morte em vida, mas da vida em morte a que a grande rede pode nos sentenciar. Também não está nas fotos de gente sem camisa. A evasão de intimidades em que estamos submersos é a regra totalitária. Até mesmo a fé – algo ainda mais íntimo que o sexo – ganhou estatuto de espetáculo nas telas eletrônicas, e a transcendência do espírito se converteu em explicitude obscena. Entre o lúbrico e o religioso, não é o festival abrasivo nauseante de intimidades que me mantém distante. Não é também a frivolidade.
O que mais me afasta desse tipo de rede social é o comércio. Nada contra as feiras livres, que, em qualquer lugar, em qualquer tempo, concentram as mais autênticas vibrações da cultura (a melhor porta de entrada para o viajante que quer conhecer uma cidade é a feira livre). Agora, o comércio no Facebook é outra história. Ele é ainda mais funéreo que a presença dos clientes mortos que não pagam nem arredam pé. Ali, a mercadoria é o freguês, o que vai ficando cada dia mais evidente, com denúncias crescentes sobre o uso de informações pessoais mercadejadas pelos administradores do site. Ali dentro, as mais exibicionistas intimidades adquirem um sinistro valor de troca para as mais intrincadas estratégias mercadológicas.
Já no tempo do Orkut – no qual também nunca pus os pés, ou os dedos, ou os dígitos – esse fantasma existia. Hoje, no Facebook, o velho fantasma é corpóreo, material, indisfarçável em seu jogo desigual. O usuário alimenta o usurário – com seu próprio trabalho, não remunerado. Clicando “curti” para lá e para cá, o freguês fabrica alegremente o “database marketing” que o vende sem que ele saiba. Estou fora. Muito obrigado.
Disponível em: . Acesso em: 10 nov. 2013. [Adaptado]
Considere o fragmento:
“A fonte da minha resistência, contudo, não está nessa situação terrível, não da morte em vida, mas da vida em morte a que a grande rede pode nos sentenciar”.
A conjunção “mas” pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por:
Questão 2 165873
IFGO 2014Texto
Por que nunca entrei no Facebook
Eugenio Bucci
– Não, não estou no Facebook.
Quando a gente diz isso numa roda, num jantar ou num ponto de ônibus, a conversa silencia. Olhares incrédulos saltam sobre nossa figura tímida, como luzes de otorrinolaringologistas do futuro, tentando investigar nossas limitações ocultas. Analfabetismo digital? Conservadorismo? Alguém arrisca um “em que planeta você vive?”. Outro sente pena e tenta ser simpático: “Até minha avó está no Face, é tão friendly”.
Aí, vem aquela voz categórica, que procura dar o sinal definitivo dos tempos: “Minha filha já nem usa mais email. Com ela, é tudo pelo Facebook”. É assim que os 46,3 milhões de brasileiros que mantêm um perfil pessoal na maior rede social do planeta tratam os outros, os que estão de fora. Fazem ar de espanto. Fazem chiste, bullying, assédio moral.
E não obstante: Não, não estou no Facebook. E acho que tenho razão. Errados estão os 845 milhões de viventes que, em todas as línguas, em todos os países, puseram lá suas fotografias (tem gente sem camisa!) ao lado de seus depoimentos confessionais. Viventes e morrentes, é bom saber. Há poucas semanas, o escritor Humberto Werneck, em sua coluna dominical no jornal O Estado de São Paulo, registrou um dado um tanto mórbido. Quando um sujeito morre – isso acontece –, o perfil do defunto fica lá, intacto. O perfil do morto não entra em putrefação, nem vai para debaixo da tela. Os outros usuários, estes vivos, mas desavisados, podem “curtir” até cansar. O perfil não se mexe nem sai de cena. Não há coveiros digitais no tempo real. De todo modo, como não frequento isso que Werneck chamou de “cemitério virtual”, não posso saber como é. Apenas presumo que deva ser aflitivo. Também por isso, ali não entro nem morto.
A fonte da minha resistência, contudo, não está nessa situação terrível, não da morte em vida, mas da vida em morte a que a grande rede pode nos sentenciar. Também não está nas fotos de gente sem camisa. A evasão de intimidades em que estamos submersos é a regra totalitária. Até mesmo a fé – algo ainda mais íntimo que o sexo – ganhou estatuto de espetáculo nas telas eletrônicas, e a transcendência do espírito se converteu em explicitude obscena. Entre o lúbrico e o religioso, não é o festival abrasivo nauseante de intimidades que me mantém distante. Não é também a frivolidade.
O que mais me afasta desse tipo de rede social é o comércio. Nada contra as feiras livres, que, em qualquer lugar, em qualquer tempo, concentram as mais autênticas vibrações da cultura (a melhor porta de entrada para o viajante que quer conhecer uma cidade é a feira livre). Agora, o comércio no Facebook é outra história. Ele é ainda mais funéreo que a presença dos clientes mortos que não pagam nem arredam pé. Ali, a mercadoria é o freguês, o que vai ficando cada dia mais evidente, com denúncias crescentes sobre o uso de informações pessoais mercadejadas pelos administradores do site. Ali dentro, as mais exibicionistas intimidades adquirem um sinistro valor de troca para as mais intrincadas estratégias mercadológicas.
Já no tempo do Orkut – no qual também nunca pus os pés, ou os dedos, ou os dígitos – esse fantasma existia. Hoje, no Facebook, o velho fantasma é corpóreo, material, indisfarçável em seu jogo desigual. O usuário alimenta o usurário – com seu próprio trabalho, não remunerado. Clicando “curti” para lá e para cá, o freguês fabrica alegremente o “database marketing” que o vende sem que ele saiba. Estou fora. Muito obrigado.
Disponível em: . Acesso em: 10 nov. 2013. [Adaptado]
No texto, o autor deixa claro que, para a sociedade, os não adeptos do Facebook são pessoas
Questão 1 165872
IFGO 2014Texto 01
Por que nunca entrei no Facebook
Eugenio Bucci
– Não, não estou no Facebook.
Quando a gente diz isso numa roda, num jantar ou num ponto de ônibus, a conversa silencia. Olhares incrédulos saltam sobre nossa figura tímida, como luzes de otorrinolaringologistas do futuro, tentando investigar nossas limitações ocultas. Analfabetismo digital? Conservadorismo? Alguém arrisca um “em que planeta você vive?”. Outro sente pena e tenta ser simpático: “Até minha avó está no Face, é tão friendly”.
Aí, vem aquela voz categórica, que procura dar o sinal definitivo dos tempos: “Minha filha já nem usa mais email. Com ela, é tudo pelo Facebook”. É assim que os 46,3 milhões de brasileiros que mantêm um perfil pessoal na maior rede social do planeta tratam os outros, os que estão de fora. Fazem ar de espanto. Fazem chiste, bullying, assédio moral.
E não obstante: Não, não estou no Facebook. E acho que tenho razão. Errados estão os 845 milhões de viventes que, em todas as línguas, em todos os países, puseram lá suas fotografias (tem gente sem camisa!) ao lado de seus depoimentos confessionais. Viventes e morrentes, é bom saber. Há poucas semanas, o escritor Humberto Werneck, em sua coluna dominical no jornal O Estado de São Paulo, registrou um dado um tanto mórbido. Quando um sujeito morre – isso acontece –, o perfil do defunto fica lá, intacto. O perfil do morto não entra em putrefação, nem vai para debaixo da tela. Os outros usuários, estes vivos, mas desavisados, podem “curtir” até cansar. O perfil não se mexe nem sai de cena. Não há coveiros digitais no tempo real. De todo modo, como não frequento isso que Werneck chamou de “cemitério virtual”, não posso saber como é. Apenas presumo que deva ser aflitivo. Também por isso, ali não entro nem morto.
A fonte da minha resistência, contudo, não está nessa situação terrível, não da morte em vida, mas da vida em morte a que a grande rede pode nos sentenciar. Também não está nas fotos de gente sem camisa. A evasão de intimidades em que estamos submersos é a regra totalitária. Até mesmo a fé – algo ainda mais íntimo que o sexo – ganhou estatuto de espetáculo nas telas eletrônicas, e a transcendência do espírito se converteu em explicitude obscena. Entre o lúbrico e o religioso, não é o festival abrasivo nauseante de intimidades que me mantém distante. Não é também a frivolidade.
O que mais me afasta desse tipo de rede social é o comércio. Nada contra as feiras livres, que, em qualquer lugar, em qualquer tempo, concentram as mais autênticas vibrações da cultura (a melhor porta de entrada para o viajante que quer conhecer uma cidade é a feira livre). Agora, o comércio no Facebook é outra história. Ele é ainda mais funéreo que a presença dos clientes mortos que não pagam nem arredam pé. Ali, a mercadoria é o freguês, o que vai ficando cada dia mais evidente, com denúncias crescentes sobre o uso de informações pessoais mercadejadas pelos administradores do site. Ali dentro, as mais exibicionistas intimidades adquirem um sinistro valor de troca para as mais intrincadas estratégias mercadológicas.
Já no tempo do Orkut – no qual também nunca pus os pés, ou os dedos, ou os dígitos – esse fantasma existia. Hoje, no Facebook, o velho fantasma é corpóreo, material, indisfarçável em seu jogo desigual. O usuário alimenta o usurário – com seu próprio trabalho, não remunerado. Clicando “curti” para lá e para cá, o freguês fabrica alegremente o “database marketing” que o vende sem que ele saiba. Estou fora. Muito obrigado.
Disponível em: . Acesso em: 10 nov. 2013. [Adaptado]
A principal ideia defendida no texto, para justificar o afastamento do autor do Facebook, está presente no fragmento:
Questão 9 165224
IFBA 2014TEXTO II
Sem Facebook
Das minhas relações mais próximas, só três
comungam comigo não ter facebook. Não
pensem que tenho críticas, sou um entusiasta,
apenas não quero usar. Pouco dou conta dos
[5] meus amigos, onde vou arranjar tempo para
mais? Minha etiqueta me faz responder a tudo,
teria que largar o trabalho se entrasse na rede
social. Só recentemente minhas filhas me
convenceram que se não respondesse um spam
[10] ninguém ficaria ofendido.
A cidade ganhou a parada. Acabou o pequeno
mundo onde todos se conheciam, onde não se
podia esconder segredos e pecados. Viver na
urbe é cruzar com desconhecidos, sentir a frieza
[15] do anonimato. Essa é a realidade da maioria.
Meu apreço com as redes sociais é por acreditar
que elas são um antídoto para o isolamento
urbano. São uma novidade que imita o passado,
uma nova versão, por vezes mais rica, por vezes
[20] mais pobre, da antiga comunidade. Detalhe: não
quero retroceder, a simpatia é pelo resgate da
nossa essência social. Vivemos para o olhar dos
outros, essa é a realidade simples, evidente.
Quem pensa o contrário vai à conversa da
[25] literatura de autoajuda, que idolatra a
autossuficiência e acredita que é possível ser
feliz sozinho. É uma ilusão tola. Nascemos para
vitrine.
Quando checamos insistentemente para saber
[30] como reagiram às nossas postagens, somos
desvelados no pedido amoroso. O viciado em
rede social é obcecado pela sociabilidade. Está
em busca de um olhar, de uma aprovação,
precisa disso para existir. Ou vamos acreditar
[35] que a carência, o desespero amoroso e a busca
pelo reconhecimento são novidades da internet?
Sei que o facebook é o retrato da felicidade
fingida, todos vestidos de ego de domingo, mas
essa é a demanda do nosso tempo. Critique
[40] nossos costumes, não o espelho. Sei também
que as redes são usadas basicamente para
frivolidades, é certo, mas isso somos nós. Se a
vida miúda de uma cidadezinha fosse transcrita,
não seria diferente. Fofoca, sabedoria de
[45] almanaque, dicas de produtos culturais, troca de
impressões e às vezes até um bom conselho,
além de ser um amplificador veloz para
mobilizações.
Também apontam que amigos virtuais não
[50] substituem os presenciais. Todos se dão conta, e
justamente usam a rede na esperança de
escapar dela. O objetivo final é ser visto e
conhecido também fora. Usamos esse grande
palco para ensaiar e se aproximar dos outros,
[55] fazer o que sempre fizemos. O facebook é a
nostalgia da aldeia e sua superação.
CORSO, Mário. Sem Facebook. Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/ blogs/. Acesso em: 31 de agosto de 2013. (adaptado)
Quanto ao significado das palavras, a alternativa CORRETA é:
Questão 8 165222
IFBA 2014TEXTO II
Sem Facebook
Das minhas relações mais próximas, só três
comungam comigo não ter facebook. Não
pensem que tenho críticas, sou um entusiasta,
apenas não quero usar. Pouco dou conta dos
[5] meus amigos, onde vou arranjar tempo para
mais? Minha etiqueta me faz responder a tudo,
teria que largar o trabalho se entrasse na rede
social. Só recentemente minhas filhas me
convenceram que se não respondesse um spam
[10] ninguém ficaria ofendido.
A cidade ganhou a parada. Acabou o pequeno
mundo onde todos se conheciam, onde não se
podia esconder segredos e pecados. Viver na
urbe é cruzar com desconhecidos, sentir a frieza
[15] do anonimato. Essa é a realidade da maioria.
Meu apreço com as redes sociais é por acreditar
que elas são um antídoto para o isolamento
urbano. São uma novidade que imita o passado,
uma nova versão, por vezes mais rica, por vezes
[20] mais pobre, da antiga comunidade. Detalhe: não
quero retroceder, a simpatia é pelo resgate da
nossa essência social. Vivemos para o olhar dos
outros, essa é a realidade simples, evidente.
Quem pensa o contrário vai à conversa da
[25] literatura de autoajuda, que idolatra a
autossuficiência e acredita que é possível ser
feliz sozinho. É uma ilusão tola. Nascemos para
vitrine.
Quando checamos insistentemente para saber
[30] como reagiram às nossas postagens, somos
desvelados no pedido amoroso. O viciado em
rede social é obcecado pela sociabilidade. Está
em busca de um olhar, de uma aprovação,
precisa disso para existir. Ou vamos acreditar
[35] que a carência, o desespero amoroso e a busca
pelo reconhecimento são novidades da internet?
Sei que o facebook é o retrato da felicidade
fingida, todos vestidos de ego de domingo, mas
essa é a demanda do nosso tempo. Critique
[40] nossos costumes, não o espelho. Sei também
que as redes são usadas basicamente para
frivolidades, é certo, mas isso somos nós. Se a
vida miúda de uma cidadezinha fosse transcrita,
não seria diferente. Fofoca, sabedoria de
[45] almanaque, dicas de produtos culturais, troca de
impressões e às vezes até um bom conselho,
além de ser um amplificador veloz para
mobilizações.
Também apontam que amigos virtuais não
[50] substituem os presenciais. Todos se dão conta, e
justamente usam a rede na esperança de
escapar dela. O objetivo final é ser visto e
conhecido também fora. Usamos esse grande
palco para ensaiar e se aproximar dos outros,
[55] fazer o que sempre fizemos. O facebook é a
nostalgia da aldeia e sua superação.
CORSO, Mário. Sem Facebook. Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/ blogs/. Acesso em: 31 de agosto de 2013. (adaptado)
A respeito das funções que os elementos da língua exercem no texto, é verdadeiro:
Questão 7 165219
IFBA 2014TEXTO II
Sem Facebook
Das minhas relações mais próximas, só três
comungam comigo não ter facebook. Não
pensem que tenho críticas, sou um entusiasta,
apenas não quero usar. Pouco dou conta dos
[5] meus amigos, onde vou arranjar tempo para
mais? Minha etiqueta me faz responder a tudo,
teria que largar o trabalho se entrasse na rede
social. Só recentemente minhas filhas me
convenceram que se não respondesse um spam
[10] ninguém ficaria ofendido.
A cidade ganhou a parada. Acabou o pequeno
mundo onde todos se conheciam, onde não se
podia esconder segredos e pecados. Viver na
urbe é cruzar com desconhecidos, sentir a frieza
[15] do anonimato. Essa é a realidade da maioria.
Meu apreço com as redes sociais é por acreditar
que elas são um antídoto para o isolamento
urbano. São uma novidade que imita o passado,
uma nova versão, por vezes mais rica, por vezes
[20] mais pobre, da antiga comunidade. Detalhe: não
quero retroceder, a simpatia é pelo resgate da
nossa essência social. Vivemos para o olhar dos
outros, essa é a realidade simples, evidente.
Quem pensa o contrário vai à conversa da
[25] literatura de autoajuda, que idolatra a
autossuficiência e acredita que é possível ser
feliz sozinho. É uma ilusão tola. Nascemos para
vitrine.
Quando checamos insistentemente para saber
[30] como reagiram às nossas postagens, somos
desvelados no pedido amoroso. O viciado em
rede social é obcecado pela sociabilidade. Está
em busca de um olhar, de uma aprovação,
precisa disso para existir. Ou vamos acreditar
[35] que a carência, o desespero amoroso e a busca
pelo reconhecimento são novidades da internet?
Sei que o facebook é o retrato da felicidade
fingida, todos vestidos de ego de domingo, mas
essa é a demanda do nosso tempo. Critique
[40] nossos costumes, não o espelho. Sei também
que as redes são usadas basicamente para
frivolidades, é certo, mas isso somos nós. Se a
vida miúda de uma cidadezinha fosse transcrita,
não seria diferente. Fofoca, sabedoria de
[45] almanaque, dicas de produtos culturais, troca de
impressões e às vezes até um bom conselho,
além de ser um amplificador veloz para
mobilizações.
Também apontam que amigos virtuais não
[50] substituem os presenciais. Todos se dão conta, e
justamente usam a rede na esperança de
escapar dela. O objetivo final é ser visto e
conhecido também fora. Usamos esse grande
palco para ensaiar e se aproximar dos outros,
[55] fazer o que sempre fizemos. O facebook é a
nostalgia da aldeia e sua superação.
CORSO, Mário. Sem Facebook. Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/ blogs/. Acesso em: 31 de agosto de 2013. (adaptado)
De acordo com o texto, é correto afirmar que
I. responder a todas as solicitações dos amigos na internet faz parte da etiqueta social, a fim de manter as relações sociais.
II. com a internet, as pessoas buscam demonstrar seus sentimentos e emoções nas redes sociais, o que, na realidade, não é algo novo no comportamento humano.
III. na frase “O facebook é a nostalgia da aldeia e sua superação” (l. 55-56), pode-se entender que o facebook é superior às cidades e sua dinâmica.
A alternativa que indica a(s) afirmativa(s) verdadeira(s) é
06
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