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Questão 33 168941
IFRS 2014O que significa orégano
[01] Você eu não sei, mas eu estou preocupadíssimo com ___ revelação de que os americanos têm
[02] monitorado tudo que é dito e escrito no Brasil nos últimos anos. Ouvem nossos telefonemas, leem nossos
[03] e-mails e, provavelmente, examinem o nosso lixo, atrás de indícios da nossa periculosidade. O que me
[04] preocupa é que essa informação, depois de coletada e classificada, é analisada talvez pelas mesmas
[05] pessoas que nunca duvidaram que o Saddam Hussein tivesse armas de destruição em massa e nunca
[06] estranharam que os sequestradores daqueles aviões que derrubaram as torres, no onze de nove, não se
[07] interessassem pelas aulas de aterrissagem nos seus cursos de aviação. Quer dizer, que garantia nós
[08] temos que não se enganarão de novo, e verão ameaças ___ segurança americana nas nossas
[09] comunicações mais inocentes? Um simples telefonema entre namorados (“desliga você”, “não, desliga
[10] você”) pode ser interpretado como parte de um plano para sabotar centrais elétricas. Um pedido para
[11] troca de bujão de gás, uma evidente referência cifrada à explosão da Casa Branca. O fato é que tenho
[12] tentado recapitular todos os meus telefonemas e e-mails nos últimos anos, com medo de que um deles,
[13] mal interpretado, acabe provocando minha aniquilação por um drone.
[14] Ou então me vejo chegando aos Estados Unidos, sendo barrado por um agente da imigração e levado
[15] para uma sala sem janelas, onde sou cercado por outros agentes, provavelmente da CIA, que me pedem
[16] explicações sobre um telefonema, obviamente em código, que fiz antes de viajar. Reconheço minha voz
[17] na gravação
[18] — O que quer dizer “à calabresa”, Mr. Verissimo? — pergunta um dos agentes
[19] Estou confuso. Não consigo pensar. Calabresa, calabresa...
[20] — Alguma referência à máfia? Uma ligação da organização terrorista ___ qual o senhor evidentemente
[21] pertence, como a camorra, visando a um atentado aqui nos Estados Unidos? O senhor veio se encontrar
[22] com ___ máfia americana para acertar os detalhes do complô. É isso, Mr. Verissimo?
[23] — Não, não. Eu...
[24] — Notamos que, mais de uma vez na gravação, o senhor diz “sem orégano, sem orégano”. Deduzimos
[25] que ___ uma divergência dentro do complô entre vocês e a máfia, uns a favor de se usar “orégano” no
[26] atentado, outros contra. O que, exatamente, significa “orégano”?
[27] Finalmente, me dou conta.
[28] — Orégano significa orégano. Eu estava pedindo uma...
[29] — Por favor, não faça pouco da nossa inteligência, Mr. Verissimo. Não gastamos milhões de dólares
[30] para ouvir que orégano significa orégano.
VERISSIMO, Luis Fernando. O que significa orégano. In: O Estado de S. Paulo, 18 jul. 2013.
Assinale a alternativa que NÃO justifica adequadamente o acento gráfico das palavras destacadas:
Questão 2 168378
IFMG 2014A ESMOLA DA FELICIDADE
— Deus lhe acrescente, minha senhora devota! exclamou o irmão das almas ao ver a nota cair em cima de dois níqueis de tostão e alguns vinténs antigos. Deus lhe dê todas as felicidades do céu e da terra, e as almas do purgatório peçam a Maria Santíssima que recomende a senhora dona a seu bendito filho!
Quando a sorte ri, toda a natureza ri também, e o coração ri como tudo o mais. Tal foi a explicação que, por outras palavras menos especulativas, deu o irmão das almas aos dois milréis. A suspeita de ser a nota falsa não chegou a tomar pé no cérebro deste: foi alucinação rápida. Compreendeu que as damas eram felizes, e, tendo o uso de pensar alto, disse piscando o olho, enquanto elas entravam no carro:
— Aquelas duas viram passarinho verde, com certeza.
Sem rodeios, supôs que as duas senhoras vinham de alguma aventura amorosa, e deduziu isto de três fatos, que sou obrigado a enfileirar aqui para não deixar este homem sob a suspeita de caluniador gratuito. O primeiro foi a alegria delas, o segundo o valor da esmola, o terceiro o carro que as esperava a um canto, como se elas quisessem esconder do cocheiro o ponto dos namorados. Não concluas tu que ele tivesse sido cocheiro algum dia, e andasse a conduzir moças antes de servir às almas. Também não creias que fosse outrora rico e adúltero, aberto de mãos, quando vinha de dizer adeus às suas amigas. “Ni cet excès d'honneur, ni cette indignité”. Era um pobre diabo sem mais ofício que a devoção. Demais, não teria tido tempo; contava apenas vinte e sete anos.
Cumprimentou as senhoras, quando o carro passou. Depois ficou a olhar para a nota tão fresca, tão valiosa, nota que almas nunca viram sair das mãos dele. Foi subindo a Rua de S. José. Já não tinha ânimo de pedir; a nota fazia-se ouro, e a idéia de ser falsa voltou-lhe ao cérebro, e agora mais freqüente, até que se lhe pegou por alguns instantes. Se fosse falsa... "Para a missa das almas!" gemeu à porta de uma quitanda e deram-lhe um vintém, — um vintém sujo e triste ao pé da nota tão novinha que parecia sair do prelo. Seguia-se um corredor de sobrado. Entrou, subiu, pediu, deram-lhe dois vinténs, — o dobro da outra moeda no valor e no azinhavre e a nota sempre limpa, uns dois mil-réis que pareciam vinte. Não, não era falsa. No corredor pegou dela, mirou-a bem; era verdadeira. De repente, ouviu abrir a cancela em cima, e uns passos rápidos. Ele, mais rápido, amarrotou a nota e meteu-a na algibeira das calças; ficaram só os vinténs azinhavrados e tristes, o óbolo da viúva. Saiu, foi à primeira oficina, à primeira loja, ao primeiro corredor, pedindo longa e lastimosamente:
— Para a missa das almas!
Na igreja, ao tirar a opa, depois de entregar a bacia ao sacristão, ouviu uma voz débil como de almas remotas que lhe perguntavam se os dois mil-réis... Os dois mil-réis, dizia outra voz menos débil, eram naturalmente dele, que, em primeiro lugar, também tinha alma, e, em segundo lugar, não recebera nunca tão grande esmola. Quem quer dar tanto vai à igreja ou compra uma vela, não põe assim uma nota na bacia das esmolas pequenas. Se minto, não é de intenção. Em verdade, as palavras não saíram assim articuladas e claras, nem as débeis, nem as menos débeis; todas faziam uma zoeira aos ouvidos da consciência. Traduzi-as em língua falada, a fim de ser entendido das pessoas que me lêem; não sei como se poderia transcrever para o papel um rumor surdo e outro menos surdo, um atrás de outro e todos confusos para o fim, até que o segundo ficou só: "Não tirou a nota a ninguém... a dona é que a pôs na bacia por sua mão... também ele era alma"... À porta da sacristia que dava para a rua, ao deixar cair o reposteiro azul-escuro debruado de amarelo, não ouviu mais nada. Viu um mendigo que lhe estendia o chapéu roto e sebento, meteu vagarosamente a mão no bolso do colete, também roto, e aventou uma moedinha de cobre que deitou ao chapéu do mendigo, rápido, às escondidas, como quer o Evangelho. Eram dois vinténs, ficavam-lhe mil novecentos e noventa e oito réis. E o mendigo, como ele saísse depressa, mandou-lhe atrás estas palavras de agradecimento, parecidas com as suas:
— Deus lhe acrescente, meu senhor, e lhe dê...
O que fez o irmão das almas pensar que as duas mulheres tinham tido um encontro amoroso?
Questão 1 168371
IFMG 2014Leia o trecho abaixo retirado do livro “Esaú e Jacó” e responda às questões 01, 02 e 03.
A ESMOLA DA FELICIDADE
— Deus lhe acrescente, minha senhora devota! exclamou o irmão das almas ao ver a nota cair em cima de dois níqueis de tostão e alguns vinténs antigos. Deus lhe dê todas as felicidades do céu e da terra, e as almas do purgatório peçam a Maria Santíssima que recomende a senhora dona a seu bendito filho!
Quando a sorte ri, toda a natureza ri também, e o coração ri como tudo o mais. Tal foi a explicação que, por outras palavras menos especulativas, deu o irmão das almas aos dois milréis. A suspeita de ser a nota falsa não chegou a tomar pé no cérebro deste: foi alucinação rápida. Compreendeu que as damas eram felizes, e, tendo o uso de pensar alto, disse piscando o olho, enquanto elas entravam no carro:
— Aquelas duas viram passarinho verde, com certeza.
Sem rodeios, supôs que as duas senhoras vinham de alguma aventura amorosa, e deduziu isto de três fatos, que sou obrigado a enfileirar aqui para não deixar este homem sob a suspeita de caluniador gratuito. O primeiro foi a alegria delas, o segundo o valor da esmola, o terceiro o carro que as esperava a um canto, como se elas quisessem esconder do cocheiro o ponto dos namorados. Não concluas tu que ele tivesse sido cocheiro algum dia, e andasse a conduzir moças antes de servir às almas. Também não creias que fosse outrora rico e adúltero, aberto de mãos, quando vinha de dizer adeus às suas amigas. “Ni cet excès d'honneur, ni cette indignité”. Era um pobre diabo sem mais ofício que a devoção. Demais, não teria tido tempo; contava apenas vinte e sete anos.
Cumprimentou as senhoras, quando o carro passou. Depois ficou a olhar para a nota tão fresca, tão valiosa, nota que almas nunca viram sair das mãos dele. Foi subindo a Rua de S. José. Já não tinha ânimo de pedir; a nota fazia-se ouro, e a idéia de ser falsa voltou-lhe ao cérebro, e agora mais freqüente, até que se lhe pegou por alguns instantes. Se fosse falsa... "Para a missa das almas!" gemeu à porta de uma quitanda e deram-lhe um vintém, — um vintém sujo e triste ao pé da nota tão novinha que parecia sair do prelo. Seguia-se um corredor de sobrado. Entrou, subiu, pediu, deram-lhe dois vinténs, — o dobro da outra moeda no valor e no azinhavre e a nota sempre limpa, uns dois mil-réis que pareciam vinte. Não, não era falsa. No corredor pegou dela, mirou-a bem; era verdadeira. De repente, ouviu abrir a cancela em cima, e uns passos rápidos. Ele, mais rápido, amarrotou a nota e meteu-a na algibeira das calças; ficaram só os vinténs azinhavrados e tristes, o óbolo da viúva. Saiu, foi à primeira oficina, à primeira loja, ao primeiro corredor, pedindo longa e lastimosamente:
— Para a missa das almas!
Na igreja, ao tirar a opa, depois de entregar a bacia ao sacristão, ouviu uma voz débil como de almas remotas que lhe perguntavam se os dois mil-réis... Os dois mil-réis, dizia outra voz menos débil, eram naturalmente dele, que, em primeiro lugar, também tinha alma, e, em segundo lugar, não recebera nunca tão grande esmola. Quem quer dar tanto vai à igreja ou compra uma vela, não põe assim uma nota na bacia das esmolas pequenas. Se minto, não é de intenção. Em verdade, as palavras não saíram assim articuladas e claras, nem as débeis, nem as menos débeis; todas faziam uma zoeira aos ouvidos da consciência. Traduzi-as em língua falada, a fim de ser entendido das pessoas que me lêem; não sei como se poderia transcrever para o papel um rumor surdo e outro menos surdo, um atrás de outro e todos confusos para o fim, até que o segundo ficou só: "Não tirou a nota a ninguém... a dona é que a pôs na bacia por sua mão... também ele era alma"... À porta da sacristia que dava para a rua, ao deixar cair o reposteiro azul-escuro debruado de amarelo, não ouviu mais nada. Viu um mendigo que lhe estendia o chapéu roto e sebento, meteu vagarosamente a mão no bolso do colete, também roto, e aventou uma moedinha de cobre que deitou ao chapéu do mendigo, rápido, às escondidas, como quer o Evangelho. Eram dois vinténs, ficavam-lhe mil novecentos e noventa e oito réis. E o mendigo, como ele saísse depressa, mandou-lhe atrás estas palavras de agradecimento, parecidas com as suas:
— Deus lhe acrescente, meu senhor, e lhe dê...
Leia a frase a seguir e responda à questão relacionada.
“— Aquelas duas viram passarinho verde, com certeza.”
Qual o sentido mais adequado da expressão acima citada?
Questão 20 167922
IFMA 2014
(CEREJA, W. R.; Magalhães, T. C.; Português Linguagens / Saravai. vol 9 - p. 100)
No anúncio há dois períodos compostos. As orações desses períodos são classificadas, respectivamente, como:
Questão 19 167921
IFMA 2014
No terceiro quadrinho, o fragmento “que pedi para o Papai Noel” é uma oração classificada como:
Questão 17 167918
IFMA 2014O sombra
Em conversas privadas, Lula continua a alimentar, sabe-se lá por que, a possibilidade de sair candidato à Presidência em 2014. Nunca é explícito, é verdade. Mas, recentemente, tanto numa conversa com um senador petista quanto em outra com um grande empresário, não pronunciou a palavra “não” quando perguntado explicitamente se poderia vir a ser candidato no ano que vem. Iniciou a resposta com um “temos de ajudar a Dilma”. E seguiu em frente.
(Veja, edição 2346, ano 46, n. 45 de 06 de novembro de 2013).
A conjunção “mas” no trecho “Mas, recentemente, tanto numa conversa com um senador petista...” expressa a ideia de:
06
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